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Mídia

Mundo digital: os novos também sofrem

Ricardo Braga

Publicado

em

Os novos grupos de mídia digital estão encontrando dificuldades para atingir as metas estabelecidas para este ano de acordo com reportagem publicada originalmente no Financial Times e republicada em português no Valor Econômico com o título “Para novos grupos de mídia, o inverno já chegou”. A matéria traz vários exemplos. A receita da Vice Media, por exemplo, ficou US$ 100 milhões abaixo de suas previsões em 2017.

Empresas como o BuzzFeed e a Vox Media enfrentam os mesmos desafios que a mídia tradicional e tentam diversificar e progredir em um momento em que grupos como o Netflix e a Amazon Prime têm todas as atenções voltadas para si. Outro ponto destacado na reportagem foi a recente alteração no algoritmo do Facebook, que deixou de privilegiar páginas com conteúdo jornalístico. Embora não seja possível ainda medir seu impacto, acredita-se que haverá um impacto negativo nas receitas dos grupos que usam essas plataformas como principal meio de distribuição de conteúdo.

A mídia tradicional, por outro lado, resolveu adotar outra estratégia e focar suas receitas em assinaturas e não mais em anúncios. O The New York Times anunciou que ultrapassou o valor de US$ 100 milhões em receitas provenientes das assinaturas em 2017. O que se vê é que novas e tradicionais mídias precisam se reinventar para conseguir sobreviver no novo cenário da digitalização.

Fonte: Valor Econômico

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da Art Presse, 140 Online e do Jornal 140, empresário de comunicação, jornalista de formação e digital de paixão. Teve participação fundamental no lançamento da internet banda larga no Brasil em 1999. É autor do livro "Domingo no Sancho" (2018), Amazon Kindle.

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Mídia

As pessoas não estão a dispostas a pagar pelo consumo de noticias

Mas estão dispostas a pagar por serviços de distribuição de entretenimento

Redação 140

Publicado

em

Ilustração de Gabriela Yaroslavsky/140 Design.

Qual é a disposição das pessoas de pagar por notícias? As pessoas preferem consumir noticias nos aplicativos de mensagem tipo Whatsapp? As pessoas acham que os meios de comunicação de todo o mundo cumprem com o seu papel de informar? A oitava edição do “News Report”, da Reuters Institute Digital fornece novos insights sobre estas questões.

O relatório se baseia em uma pesquisa com mais de 75.000 pessoas em 38 mercados, e mais pesquisas qualitativas adicionais, que juntos tornam o mais abrangente comparativo de consumo de notícias no mundo.

Segundo os responsáveis pelo estudo, mesmo depois de todos os esforços da indústria de notícias, foi registrado um pequeno aumento nos números de usuários que pagam por notícias on-line nos formatos assinatura, associação ou doação.

O Jornal 140 traduziu algumas das partes do estudo; veja a seguir:

• Em países onde os consumidores têm alta capacidade de pagamento, a grande maioria tem uma única assinatura on-line – sugerindo uma provável concentração e apenas um player vencedor.

• Em alguns países, o modelo de assinatura pode estar caminhando para um esgotamento uma vez que a maioria prefere gastar seu orçamento limitado em entretenimento (Netflix / Spotify) em vez de notícias. Com muitos vendo as notícias como uma “obrigação”, os editores podem ter dificuldade para
aumentar o valor das assinaturas.

• Em muitos países, as pessoas estão gastando menos tempo com Facebook e mais tempo com WhatsApp e Instagram. Poucos usuários estão abandonando o Facebook e a plataforma continua sendo de longe a mais importante rede social de notícias.

• A comunicação social em torno das notícias está se tornando mais privada, uma vez que os aplicativos de mensagens continuam crescendo em todos os lugares. O WhatsApp se tornou a principal rede de discussão e compartilhamento de notícias. Grupos públicos e privados do Facebook que discutem notícias e política se tornaram popular na Turquia (29%) e no Brasil (22%), mas são muito menos usados em países ocidentais como o Canadá (7%) ou a Austrália (7%).

• A preocupação com a má informação e desinformação permanece apesar dos esforços de plataformas e editores para ganhar confiança. No Brasil, 85% concordam com a afirmação que se preocupam com o que é real e falso na internet. A preocupação também é alta no Reino Unido (70%) e nos EUA (67%), mas muito mais baixo na Alemanha (38%) e na Holanda (31%).

• Em todos os países, o nível médio de confiança nas notícias em geral caiu 2 pontos percentuais para 42% e menos da metade (49%) dissem confiar nos próprios meios de comunicação que usa.

O relatório deste ano vê o setor de notícias em outra encruzilhada. Os editores estão se esforçando bastante para distinguir jornalismo de alta qualidade a partir da massa de informações que agora são publicadas na internet – e mais e mais deles procuram cobrar por essa diferença.

Algumas marcas tradicionais podem ser ajudadas por preocupações relacionadas a desinformação, o que significa que as pessoas estão mais uma vez prestando mais atenção às marcas “respeitáveis” – mesmo enquanto outras continuam reclamar sobre o viés e a negatividade da mídia.

Não há sinal que a maioria das pessoas esteja disposta a pagar por notícias on-line, embora muitos reconheçam que essa informação disponível na internet seja muitas vezes esmagadora e confusa. Públicos-alvo mais jovens em em particular, não desejam desistir instantaneamente de ter acesso a diversas vozes e opiniões, ainda que cientes dos embates destes encontros. Eles não querem que a mídia volte a ser como era.

Algumas das maiores marcas já mostraram que são capazes de atrair um grande número de assinantes pagantes, mas o caminho a seguir será mais desafiador para outros editores. Lealdade e a capacidade de forjar conexões diretas será fundamental, mas isso será difícil de alcançar apenas por meio da Web via computador ou celular, onde o acesso às notícias tende a ser passageiro e distraído. É por isso que os editores estão demonstrando tanto interesse em novos formatos como podcasts, vídeos mais longos e até eventos ao vivo –formatos mais imersivos que permitem expressar a personalidade de uma marca de forma mais completa, mantendo a escolha e o controle exigidos por uma geração mais jovem.

Mudanças mais amplas também estão no ar, como um pacote baseado em assinatura oferecidas por empresas como Netflix, Spotify, Amazon (e agora a Apple) no mercado de notícias. Até o Facebook divulgou a ideia de uma guia de notícias dedicado onde o conteúdo pode ser pago. Mas é improvável que o relacionamento com esses players de assinatura seja mais fácil de implementar do que com os atuais modelos focados em anúncios.

As plataformas querem uma fatia substancial da receita com distribuição e manter o relacionamento direto com o cliente.

É uma questão crucial saber se os editores utilizarão de fato usar esses novos serviços das plataforma e se de fato essas oferecerāo retornos que sejam sustentáveis para os editores.

Apesar de maiores oportunidades para o mercado de conteúdos pagos, é provável que a maioria das marcas continuará oferece noticias no modelo gratuito, financiado pela publicidade e que terá cada vez mais preços baixos – diferentemente das grandes plataformas tecnológicas que detêm a maioria dos dados dos usuários, principalmente os seus cartões. É aqui que a concorrência pela “atenção” dos usuários será mais aguda, onde a reputação jornalística estará sempre em risco e onde a procura por novas fontes de receita e estratégias corretas serão críticas para a sobrevivência.

É improvável que várias empresas de mídia consigam fazer esta difícil transição. Muitos editores de notícias ainda estão presos em um ciclo vicioso de redução de receita e redução de custos. O estudo também encontrou alguns governos cada vez mais preocupados com a situação das empresas jornalísticas principalmente na área de notícias locais e de jornalismo investigativo considerando utilizar dinheiro público e outras medidas para apoiar o jornalismo.

Em outros lugares, os analistas das Reuters encontraram políticos autoritários que olham para a fraqueza da mídia como uma oportunidade para capturar ou influenciar indevidamente a mídia. Essas tendências continuam a jogar em ritmos diferentes em lugares diferentes, sem um único caminho para o sucesso.

Usuários de mídia em todo o mundo continuam a se reunir em sites e plataformas digitais e se envolvem com vários tipos de jornalismo online e offline. Mas ainda estamos longe de encontrar modelos de negócios digitais sustentáveis para a maioria dos editores.

O Brasil aparece na pagina 122. Redigida por Rodrigo Carro, jornalista de o Valor Econômico , a análise lembra que os aplicativos de mídia social e de mensagens tiveram uma importância fundamental na campanha do presidente Jair Bolsonaro.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Mídia

A mentira (não!) tem perna curta nas redes sociais

Redação 140

Publicado

em

Até o ditado “mentira tem perna curta” não faz mais sentido em tempos de redes sociais. Três estudiosos do MIT descobriram que as “fake News” se espalham muito mais rápido no Twitter que as “tradicionais” notícias produzidas pela imprensa profissional.

Estes são os principais achados:

– As fake News se difundem mais, mais rápido, mais profundamente e de maneira mais ampla que as notícias verdadeiras e que foram checadas por profissionais.

– As “notícias” falsas são 70% mais retuitadas que as notícias verdadeiras.

– As notícias verdadeiras levam seis vezes mais tempo para alcançar 1.500 pessoas do que as “fake News” levam para alcançar o mesmo número de pessoas.

– As “fake News” alcançam uma corrente (“cascade”) de retweets de 10 a 20 vezes mais rapidamente que uma notícia verdadeira.

– Os bots (máquinas robô) não são a principal razão das fake News se espalharem tão rapidamente; a principal razão é humana e causada pelo fenômeno do retweet.

A descoberta foi publicada na edição 121 da MIT Technology Review e traz declarações de Sinan Aral, professor do MIT Sloan School of Management que produziu um paper detalhado na Science e do coautor do estudo, o professor Deb Roy, do MIT Media Lab e diretor do LSM (Laboratory for Social Media), que tem autoridade no assunto: foi cientista chefe do Twitter de 2013 a 2017.

O estudo é um dos mais amplos e profundos já realizados. Os pesquisadores monitoraram 126.000 cascades (correntes de retweets completas) com histórias e notícias cumulativamente tuitadas 4,5 milhões de vezes por aproximadamente três milhões de pessoas de 2006 a 2017. Para determinar se as histórias eram verdadeiras ou falsas, informa o artigo da MIT Review (em matéria assinada por Peter Dizikes), eles utilizaram as avaliações de seis organizações de checagem.

Os resultados deixaram os pesquisadores entre “surpresos e chocados”. A principal conclusão dos estudiosos do MIT sobre porque as fake News levam a melhor em relação a notícias verdadeiras não tem nada a ver com tecnologia mas como a boa e velha psicologia humana: as pessoas gostam de novidades e as fake News sempre chega acompanhada de reações e surpresas..

Crédito da ilustração gif: Gabriela Yaroslavsky/140 Design

 

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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