Entrevista: Anderson Cardoso fala sobre a Camino Marketing

Formado em publicidade, Anderson Cardoso começou a trabalhar com marketing digital quando a área ainda estava começando a se consolidar. Anderson sentiu que ali existia uma possibilidade importante para a sua carreira, e ele estava certo.

A quase 15 anos atrás, começou a observar quais empresas estavam fazendo história no mundo digital. Na época, o Mercado Livre já tinha destaque nessa área, assim como a Despegar  —  conhecida no Brasil como Decolar  — , ambas de criação Argentina. Para se aprofundar no assunto, Anderson decidiu buscar especializações que pudessem ajudá-lo nesta empreitada.

“Na época, todo mundo que queria se especializar em digital ia para o Vale do Silício. Vendo o crescimento da Despegar e do Mercado livre, pensei em ir para a Argentina, onde poderia me especializar no comportamento latino-americano, mesmo sabendo das proporções”, explica ele.

A partir daí, Anderson começou a ir regularmente para Buenos Aires, abrindo mão de uma carreira já consolidada como Diretor de Arte numa empresa privada. Começou como analista de mídia na Despegar.com (maior site de venda de Viagens da América Latina) e teve oportunidade de participar de um curso feito em parceria entre o Google, Despegar e Mercado Livre, em São Francisco. Poucos meses depois, chegou no cargo de Coordenação de Marketing.

Foi ali que Anderson teve seu primeiro grande desafio, que gerou um case de sucesso da Despegar. Na época, uma técnica de SEO chamada Black Hat estava se tornando comum no universo online e o Google buscava meios de freiar a prática. A Despegar, assim como algumas outras empresas, acabaram perdendo o espaço nas páginas do Google por serem associadas a essa prática.

“A Decolar foi pega por black hat, mas foi por um mal entendimento da equipe de TI.  Existiam várias páginas de versões muito antigas do site e com códigos já não mais permitidos disponíveis na internet, e a forma como o Google entendia o Black Hat mudou, por isso, acabamos sendo penalizados e desindexados, perdendo todo o posicionamento orgânico no Google”, conta.

A grande dificuldade foi entender que o erro estava aí, porque até então, o Google não explica exatamente o que estava acontecendo. Depois de alguns diálogos com a empresa, Anderson se juntou com a equipe de TI da Decolar para entender exatamente o que houve.

“Nós ficamos durante três dias dormindo no escritório para encontrarmos as páginas indexadas pelo Google que estavam criando esse problema. Elas não estavam organizadas dentro de um diretório”, explica. Na mesma época, outros sites também foram penalizados por conta do mesmo problema. “Nenhum estava fazendo black hat de fato, mas todas tinham alguns códigos em comum, e isso norteou parte da nossa análise”.

A Decolar virou um case de sucesso na ocasião porque, após identificarmos o possível problema. Criamos um racional para identificar onde esses erros poderiam estar. No processo encontramos mais de 60 mil páginas. “As outras empresas demoraram de 45 a 90 dias para voltarem ao ar, nós voltamos em 13 dias. Até hoje somos citados como exemplo pela forma que o processo foi conduzido. Mais que um casamento entre marketing e TI, tivemos um time envolvido no processo”, diz Anderson.

Anderson sugeriu que fosse montada uma equipe de marketing digital da Decolar no Brasil (até então tudo era feito na Argentina), em São Paulo. Ele passou mais um tempo na empresa e logo após assumiu a Gerência de Marketing na Wine.com.br (2º Maior Ecommerce de Vinhos do Mundo).

Na empresa, viveu mais dois cases de sucesso: com a Rakuten —  um dos maiores players de marketing digital do mundo — , em que desdobraram o funil de retargeting. “Foi um sucesso porque o mercado de vinho, além de vender um commodity, tinha o fator da recorrência. O mercado de clubes era algo muito novo ainda, era muito difícil vender assinaturas para o universo do vinho, e aí a gente criou esse desdobramento. Deu certo, virou um case, apresentei na Convenção Anual da Rakuten que aconteceu em Salt Lake City em março de 2015 e hoje a Rakuten e outros players fazem isso no mundo inteiro,” diz Anderson.

Uma outra vivência importante com a Wine.com.br foi forma de remunerar as redes de afiliados com escalonamento de comissões. Ou seja, eles passaram a pagar a Zanox —  um player alemão hoje adquirido pela Awin —  baseado na ideia de comissão. Neste ano, a empresa replicou o modelo de negócios e passou a fazer isso no mundo inteiro.

Depois da Wine, Anderson assumiu um novo desafio: a Direção de Marketing da Sonoma, também do mercado de vinhos. Após alguns meses criou a Camino Marketing, que passou a atender a Sonoma em seguida. A ideia de Anderson ao empreender era criar uma agência que atendesse a todas aquelas expectativas que ele tinha quando era o cliente. “Em algumas agências que atendiam as empresas em que trabalhei, eu sentia falta de alguns pontos na parte de operação. O comercial era sempre muito incrível, mas no dia a dia, faltava”.

Por conta disso, uma das suas primeiras decisões com a Camino foi a de não investir em uma área comercial. “Eu não quero uma empresa em que exista um telefone sem fio entre o comercial, o atendimento e a equipe tática. Minha ideia foi investir em colaboradores operacionais que também entendem da estratégia, que saibam o porquê de estarem fazendo cada atividade e, de acordo com o perfil do cliente, definirmos quem é o melhor ponto focal interno”, diz.

“Quando vamos prospectar uma conta, nós não consideramos só o quanto vão investir na agência, ou quão sólida é a presença no mercado. Pensamos também em qual o desafio aquele cliente propõe e o quanto ele está disposto a aprender e investir no processo de marketing digital”, explica.

Como resultado, hoje, os clientes da Camino enxergam a agência como um braço direito da empresa, e Anderson investe em profissionais que podem contribuir durante este processo. Com isso, a Camino se tornou uma empresa com o conceito que ele sempre buscou enquanto era cliente. “Estou sempre ajustando os ponteiros dentro da Camino, meu objetivo é fazer dela um ótimo lugar para todos, clientes e time, e que os nossos valores sejam percebidos por todos no simples trocar de emails.”

Entrevista publicada originalmente no site da Camino Marketing.

2 thoughts on “Entrevista: Anderson Cardoso fala sobre a Camino Marketing

  1. ColaboradorParticipativo.info says:

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