Reflexão sobre os “Influenciadores digitais”

Participei de uma interessante conversa com duas influenciadoras digitais da gastronomia promovida pelo Diálogos 140. Ailin Aleixo e Patricia Abbondanza nos contaram como é o dia-a-dia, na real, de quem mobiliza muita gente em suas áreas. Compartilho aqui três ensinamentos que me marcaram desse encontro e que se aplicam a qualquer um que queira ter uma voz relevante no meio digital.

Antes de mais nada, o termo influenciador me parece um tanto quanto inadequado. Afinal não se trata exatamente disso, já que o meio digital é um universo de troca, compartilhamento de ideias, interação. Um cosmo plural e democrático, em teoria. Talvez seja mais adequado chama-los de inspiradores digitais. A plataforma é digital, e o ato é inspirar pessoas. Não é isso que sentimos quando curtimos um artigo, compartilhamos uma idéia ou ficamos pensando naquele assunto por dias?

O primeiro ensinamento é que pouquíssimos conseguem ganhar dinheiro apenas com a sua presença no meio digital. A menos que você seja um cantor de música sertaneja, um global, ou uma meia dúzia de youtubbers que vivem exclusivamente disso, as plataformas servem antes de mais nada como um cartão de visita, uma vitrine para o seu negócio. Pode se tornar uma ferramenta poderosa. Mas é apenas um meio, uma plataforma. Entra aí a figura dos micro-influenciadores – pessoas com credibilidade e grande capacidade de mobilização em seus meios. São eles que pautarão o futuro das marcas. Muitas agências ainda não perceberam isso, e baseiam suas escolhas na quantidade de seguidores das celebrities digitais, deixando a qualidade da audiência em segundo plano.

O segundo ensinamento é que se você deseja inspirar pessoas no seu meio, deve estudar muito bem o assunto. Conheça a fundo do que pretende falar. Investigue. Vá atrás das informações. Cheque bem suas fontes. E se mantenha sempre atualizado. Junto com a pluralidade, nunca se viu tanto especialista desinformado. Seja na gastronomia, no vinho ou em qualquer outra área, isso não poderia ser mais atual nos dias de hoje.

O terceiro, e último, ensinamento é que temos que conhecer bem o nosso público, a nossa comunidade. E saber coloca-lo no papel de protagonista. Em um período de busca desenfreada por cliques e likes, a menos que você pretenda se tornar uma dessas pseudo personalidades com seguidores virtuais em servidores remotos, não se esqueça que há um ser humano por trás da tela a fim de saber o que você tem a dizer.

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