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Lula Trends

A edição de um jornal diário é realmente fascinante, a notícia de que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (19) a soltura de todos os presos que estão detidos após a segunda instância da Justiça, entre eles o ex-presidente Lula, movimentou a internet em todo o mundo e principalmente no Brasil.

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A edição de um jornal diário é realmente fascinante, a notícia de que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (19) a soltura de todos os presos que estão detidos após a segunda instância da Justiça, entre eles o ex-presidente Lula, movimentou a internet em todo o mundo e principalmente no Brasil.

Para entender melhor o fenômeno da comunicação digital e a popularidade do ex-presidente Lula, resolvi acompanhar os dados de pesquisa desde a determinação do ministro Marco Aurélio Mello ao desfecho da derrubada da decisão por parte do ministro Dias Toffoli.

14h ás 18h:

Durante as quatro primeiras horas da decisão, o primeiro fenômeno acontece e o nome do ex-presidente Lula salta de interesse nulo para o primeiro lugar do Brasil. Para se ter uma ideia, o ranking brasileiro oscilava entre Bruna Griphao e Gabi Brandt com 20 mil pesquisas cada e em quatro horas, o ex-presidente Lula chegou a mais de 500 mil pesquisas.

As consultas relacionadas demonstraram as palavras-chave utilizadas pelos usuários para refinar a busca, como marco aurelio, marco aurelio lula, lula é solto, lula solto g1, lula solto stf e soltaram lula. De acordo com o site hashtag.org, ás 18h, a popularidade da hashtag #Lula apontou 56% e na polarização positiva ao ex-presidente, a hashtag #LulaLivre alcançou 58% com 89% de variantes em todo o mundo.

Os números representam o interesse de pesquisa relativo ao ponto mais alto no gráfico de uma determinada região em um dado período. Um valor de 100 representa o pico de popularidade de um termo. Um valor de 50 significa que o termo teve metade da popularidade. Uma pontuação de 0 significa que não havia dados suficientes sobre o termo.

18h ás 22h:

Após o primeiro impacto da decisão, uma variedade ilimitada de notícias, opiniões, fake news e teorias conspiratórias foram publicadas em portais e blogs de todo o Brasil. Apenas as 19h42, o ministro Dias Toffoli derrubou a decisão liminar do ministro Marco Aurélio Mello.

O nome do ex-presidente Lula que já estava no topo das pesquisas, voltou a ser o primeiro em interesse dos usuários. Ás 22H, mais de 1 milhão de pesquisas já haviam sido realizadas. As consultas relacionadas demonstraram alteração das palavras-chave conforme a derrubada da decisão para toffoli lula, dias toffoli lula, lula continua preso, juiza lula e carolina lebbos. A polarização negativa ao ex-presidente ganhou destaque e a hashtag #LulaNaCadeia alcançou 59% de popularidade em todo o mundo.

Um valor maior significa uma proporção maior de consultas, não uma contagem absoluta maior. Um pequeno país em que 80% das consultas são sobre “bananas” terá duas vezes a pontuação de um grande país em que somente 40% das consultas são sobre esse termo.

FIM DO DIA

Nos rádios, na televisão e na internet, um número incontável de opiniões foram ditas e publicadas com o tema do ex-presidente Lula. No Facebook, Twitter e no Instagram o nome Lula e a hashtag #Lula dominaram o ranking brasileiro durante praticamente todo o dia.

O nome Lula é capaz de transformar uma pacata quarta-feira em um vórtice que move a bolsa de valores, as relações exteriores, o movimento político, a mídia e o imaginário de milhares de pessoas, tudo via internet. Lula é um fenômeno social totalmente incorporado ao DNA digital.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da ZionLab e do Jornal 140, empresário digital, growth hacker, blogueiro e apreciador da história.

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Poder

Necropolítica

Políticas como a de João Dória não são fatalidades isoladas, mas sim exemplos da combinação entre poder e morte em um contexto amplo.

Paula Akkari

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Foto: ev / Unsplash

A data 01/12/2019 consta no atestado de óbito dos 09 jovens mortos após ação policial em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

As perdas foram noticiadas rotineiramente às autoridades, afinal, são resultados sintônicos às ordens do Governador de Estado. Cito o “gestor” em sua campanha:

“Não façam enfrentamento com a Polícia Militar nem a Civil. Porque, a partir de 1º de janeiro, ou se rendem ou vão para o chão. Se fizer o enfrentamento com a polícia e atirar, a polícia atira. E atira para matar” – João Dória, em entrevista na Rádio Bandeirantes, em 01/10/2018.

Políticas como a de Dória não são fatalidades isoladas, mas sim exemplos da combinação entre poder e morte em um contexto amplo. Uma vez que a memória é resistência, vale citar o assassinato da menina Ághata no Complexo do Alemão e do fuzilamento do músico Luciano a caminho de um chá de bebê – 83 tiros contra uma pessoa.

O Brasil é solo fértil para tais ações: localizado na periferia do capitalismo, historicamente permeado por desigualdades e brutalmente acometido a pressões racistas e neoliberais. Terror e morte são elementos reiteradamente nele encontrados. O filósofo camaronês Achille Mbembe deu nome à tal vigente lógica: necropolítica.

Essa separa a vida viável da matável, dita quem pode habitar o Estado e ser reconhecido enquanto ser humano. Faz a subjugação de corpos ao horror, e enfim, ao óbito. Os afetados são as vítimas do alterocídio – processo que os constituiu não como semelhantes aos próximos, mas sim objetos intrinsicamente ameaçadores dos quais é preciso desfazer-se. Estes são os indivíduos em vulnerabilidades interseccionadas, os afastados devido aos processos de gentrificação, economicamente inúteis, politicamente embusteiros, sexualmente abomináveis  ou até mesmo aqueles cujos cadáveres simplesmente não seriam reclamados.

Se, segundo a óptica foucaultiana, o poder é simultaneamente destruidor e produtor, diz-se, portanto, que a necropolítica, além de definir quem e que grupos podem ir à óbito, é geradora das condições mortíferas às quais os corpos serão submetidos quando em vida.  Seus dispositivos atuam via práticas mortais, como nos assassinatos cometidos pelos braços do Estado (ou de agentes ambíguos, como as milícias), e também abstenções de ações, vide desinvestimentos em setores públicos vitais utilizados pelos grupos matáveis.

Além de seus resultados objetivos, é importante escancarar seus impactos nos processos de subjetivação pessoais.  A desautorização dos lutos, o sentimento de não-pertencimento e medo ocasionam um viver melancólico e limítrofe, com possibilidades vivenciais restritas ou quase nulas, fazendo restar a submissão silenciosa ao poder.

Como contracontrole social, há a lembrança, o barulho e a própria vida enquanto teimosia.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Poder

A estratégia Sergio Moro, o efeito Tiririca e o macete do Tinder

Neurociência e crítica: como as estratégias políticas podem te ajudar a encontrar um(a) namorado(a)?

Bruna Maldonado

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Neurociência e crítica: como as estratégias políticas podem te ajudar a encontrar um(a) namorado(a)?

Dia 13 de junho foi dia de Santo Antônio, o nosso popular santo casamenteiro! E como manda a regra, milhares de solteiros pulverizaram memes e simpatias em prol da chegada, tão sonhada, de suas almas-gêmeas.

Uma superstição fofa, mas pouco estratégica quando comparada à equação matemática ensinada por Hannah Fry, professora da Universidade College London, no seu livro The Mathematics of Love (A Matemática do amor – ainda sem tradução para o português), que ensina como conquistar um relacionamento em Apps como Tinder, sem precisar colocar o santo de ponta cabeça.

Em parceria com o site norte-americano OkCupid, Hannah analisou profundamente todos os dados e comportamentos dos usuários do Tinder, ao longo destes anos, nos Estados Unidos, a fim de compreender qual seria a  fórmula do “match perfeito”.

Em sua análise Hannah constatou que dentre os 30 milhões de usuários do aplicativo, apenas 5 mil poderiam ser considerados como ‘perfis  campeões’ e (pasmem agora), que esta “nata tinderiana” não é composta pelos bonitões fitness, com belas poses em praias paradisíacas, e sim por candidatos que possuem 50% de rejeição (ou seja, que são arrastados para a esquerda por 50% dos eleitores).

Segundo os dados apresentados pela  OkCupid, os perfis com maior audiência são responsáveis por 70% do sucesso (encontros, namoros e casamentos) dos perfil mais “normaizinhos” (tipo o meu).

Fiquei intrigada ao ler isso, claro, e decidi usar meu pensamento lento-analítico (leia sobre, neste meu outro artigo) para compreender a lógica, e me surpreendi – acompanhe a minha linha de raciocínio:

  1. Fato: os bonitões recebem a maioria dos likes, mantendo-se no “hall dos populares” do App;
  2. Questionamento: como os bonitões do Tinder conseguiriam analisar 100% do potencial de cada like recebido, para decidir com qual conversar? Isso demoraria horas (ou dias, no caso do Sr. Morningstar ♥). Não seria possível;
  3. Compreensão: logo, os fatores ‘ordem de chegada’ e ‘abordagem inicial’ são tão importantes quanto a escolha das fotos;
  4. Questionamento final: o que acontece com os demais interessados que passaram desapercebidos pelos bonitões? Resposta: Darão likes em perfis dos ‘não tão exuberantes’, mas que terão tempo para desenvolver uma conversa (e minimamente avaliar os perfis apresentados), dada a sua menor expressividade no quesito ‘Ibope’.
  5. Conclusão: a probabilidade de um encontro para um perfil mediano é maior que a de um popular. Voilà!

Ou seja, pela teoria apresentada acima, não devemos nos intimidar pela popularidade da concorrência e sim agradecê-los!

SUPERLIKE: O efeito Tiririca na política brasileira

Cargos políticos como os de senador, deputado estadual e deputado federal nem sempre são conquistados pela métrica ‘votos recebidos’. O sistema proporcional de lista aberta, outorgado pela nossa constituição, defende que se um candidato recebe um número maior que o quociente necessário para sua eleição, os votos restantes podem ser repassados a outros candidatos do seu partido ou de partidos coligados.

O quociente eleitoral é calculado com base na quantidade de votos válidos, divididos pelo número de cadeiras no senado, por exemplo. Logo, se houverem 10.000 votos válidos e 10 posições à serem preenchidas, um partido só consegue eleger seu candidato se este quociente individual for alcançado (1.000 votos, neste exemplo); E quando ultrapassado, os votos excedentes podem ser repassados à outros candidatos que, por conta, não conquistaram os postos sozinhos.

No ano de 2010, o humorista cearense Tiririca (PR – Partido Republicano) conquistou a sua primeira vaga na Câmara, como Deputado Estadual de São Paulo, com o marco de 1,3 milhões de votos recebidos. Neste ano o quociente eleitoral foi de um pouco mais de 304 mil votos. O que nos mostra que, além da sua cadeira, o humorista também conquistou o direito a outras três posições que foram ocupadas, por Vanderlei Siraque (PT) e Delegado Protógenes (PC do B). Sabe aquela tese do “bonitão do Tinder”, pois é, também funciona bem no Congresso mas, neste caso, sem o frio na barriga de um match legal.

Por isso é necessário conhecer a fundo a coligação a qual o seu candidato pertence, pois sem perceber você pode estar votando no Tiririca, contudo, elegendo a Florentina (que nem sempre é um “partidão”).

Sergio Moro e Lula: o match do milênio

Avaliar opções não é uma tarefa difícil apenas para os librianos (rs), todo ser humano proprietário de um cérebro passa por este dilema.

Segundo o neurocientista francês Jean-Philippe Lachaux, autor de diversos livros sobre o tema e diretor do Laboratório de Pesquisas Cognitivas do Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica) em Lyon, o nosso cérebro limita os nossos esforços de comparação tendenciando à desatenção, quando exposto a centenas de opções de matches, por exemplo.

A mesma dificuldade é percebida quando tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo, o que o cientista também defende não ser possível com 100% de atividade cerebral.

A equipe de Lachaux estuda os mecanismos cerebrais que são responsáveis pela nossa atenção, mais especificamente os neurônios envolvidos no processo, incluindo os aspectos químicos e fisiológicos das sinapses.

Os estudos realizados provam que só é possível fazer duas coisas ao mesmo tempo se uma delas for feita de maneira automática pelo nosso cérebro (ou seja, sem 100% do uso da CPU) – como correr em uma esteira ouvindo música.

Porém, ler emails durante uma reunião ou conversar com várias pessoas ao mesmo tempo no Tinder (ações que requerem a alternação de foco e o uso intensivo de nossa máquina pensante), por exemplo, não são possíveis com total atenção, pois contrariam a natureza cerebral e “fragmentam a vida cognitiva”– afirma Jean-Philippe Lachaux.

Para realizar várias tarefas de forma simultânea, que exigem atenção e concentração, o cérebro teria que  ser capaz de utilizar a mesma rede neuronal nas ações, o que é fisiologicamente impossível. Esse é o caso de atividades gerenciadas pelo córtex pré-frontal, como a compreensão de um texto.

Você pode chegar a esta mesma conclusão caso já tenha sido interrompido durante a sua leitura, por uma pergunta de alguém que estava por perto. Das opções de reações você pode ter: 1- Ignorado; 2- Proferido uma resposta automática rápida monossilábica (tipo ‘não’) ou 3- Precisou parar o seu raciocino (…) responder (…) e então reiniciar o seu foco para continuar a ler. É elementar, meu caro Watson!

Se nos dedicarmos a compreender a individualidade da nossa capacidade cerebral de foco, entenderemos como a aceitação do ex-juiz Sergio Moro ao cargo de ministro da Justiça pode jogar muito mais a favor de Lula, do que dele mesmo. Explico:

A atuação de Sergio Moro na operação Lava-Jato foi condecorada com o convite do atual presidente, Jair Bolsonaro, para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, propondo assim um acréscimo de focos à sua atuação – uma vez que nem todos os problemas judiciais do país se resumem aos escândalos “petrobrasilianos”.

Posta a atual situação política do nosso país, fico aqui imaginando como deve ter sido difícil receber as notícias sobre os vazamentos, via The Intercept, durante o momento em que Moro estudava outra pasta judicial – com certeza ele não deu uma resposta monossilábica do tipo “esquerda” e continuou seus afazeres -, não é mesmo?

Neurológicamente, deve estar bem complicado manter o foco em outras ações, principalmente se considerarmos que, ao final do seu mandato, o atual ministro deverá apresentar diversos resultados obtidos, e não apenas um único.

Até o presente momento Sergio Moro está mais para “o bonitão do Tinder”: que com sua popularidade angariou votos para um partido, e que agora não consegue dar total atenção ao seu propósito como um todo (pois ainda está preso às mesmas questões de quando era juiz. Baita dilema).

Desta maneira, a popularidade de Moro e seu limite humano cerebral favorecem o seu antigo réu, o ex-presidente Lula – cuja atividade cerebral está focada exclusivamente em promover a sua defesa, sem ter que se preocupar com outros afazeres –, o que explica a queda de popularidade do ministro, apontada na pesquisa feita pelo instituto Atlas Político, nos últimos dias 11 e 12, após a Vaza Jato…

E talvez também o fato de Lula estar namorando, afinal ele faz parte daqueles 50% de rejeição (que são arrastados para a esquerda por 50% dos eleitores).

Ilustração: Gabriela Yaroslavsky / 140 Design

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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