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Humanas 2 MIN DE LEITURA

Filosofia brasileira em rede

“Maiores filósofos brasileiros”. É digitar essas palavras que o Google te leva ao site EBiografia com o texto “conheça os 10 principais filósofos brasileiros contemporâneos” dispostos na seguinte ordem: Luiz Felipe Pondé, Marilena Chaui, Márcia Tiburi, Mario Sergio Cortella, Djamila Ribeiro, Clóvis de Barros Filho, Olavo de Carvalho, Miguel Reale, Leandro Karnal e Viviane Mosé.

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“Maiores filósofos brasileiros”. É digitar essas palavras que o Google te leva ao site EBiografia com o texto “conheça os 10 principais filósofos brasileiros contemporâneos” dispostos na seguinte ordem: Luiz Felipe Pondé, Marilena Chaui, Márcia Tiburi, Mario Sergio Cortella, Djamila Ribeiro, Clóvis de Barros Filho, Olavo de Carvalho, Miguel Reale, Leandro Karnal e Viviane Mosé.

Somente no mês de setembro de 2018 1.397.064 entraram nos sites de alguns dos pensadores acima. A estratégia digital é diversa. Alguns preferem focalizar sua atuação em sites de vídeo como o Mario Sérgio Cortella que mantém um canal oficial no YouTube, com 340.550 inscritos. Apenas dois deles, como Marilena Chaui e Miguel Reale, não têm presença digital autoral.

Os fatos demolem a argumentação corrente que a rede só dispõe de influenciadores rasos e preocupados com assuntos prosaicos – os campeões numéricos da lista da Internet são jogadores de futebol, artistas e “comuns” como Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Marcelo, Bruna Marquesine, Anitta, Marina Ruy Barbosa, Tata Werneck, Whinderson Nunes, Ivete Sangalo e Daniel Alves (digitei “”os 10 maiores influenciadores digitais do brasil”). Vai muito além.

A filosofia no Brasil apresenta uma produção em todos os matizes e espectros. Impressiona, no “analógico”, a monumentalidade da obra de Mário Ferreira dos Santos, autor de uma imensa produção e sistematização de modelos de abordagens de problemas filosóficos (sua Enciclopédia Filosóficas e Sociais tem 45 volumes). É possível encontrar várias de suas pérolas no mundo digital na Amazon (incluindo o “Filosofia Concreta”) ou aqui 

O objetivo deste post não é comparar grandezas, qualidade da produção, profundidades, vieses ideológicos, políticos ou volumetria dos escritores, gêneros  e pensadores listados e sim registrar o fato de que a filosofia e parte da produção intelectual de brasileiros está hoje disponível e acessível a todos no digital.

Segue, a seguir, a lista dos “10 principais filósofos brasileiros contemporâneos” (segundo o eBiografia.com), onde são encontrados nas redes sociais e o ambiente digital onde mantém vídeos e textos. Os dados foram coletados no dia 30/12/2018 e os citados encontram-se dispostos em ordem alfabética:

CLÓVIS DE BARROS FILHO

FB: 30.404

Instagram:16.600 seguidores.

YouTube: não tem; há vários vídeos disponíveis no canal Saber Filosófico.

Site: aqui.

Visitas mês: 9.824

Média de visitação: 1:31

Páginas visitadas: 2.45

Total de visitas: 29.473 (novembro de 2018)

DJAMILA RIBEIRO

FB: 172.043 a seguem

Instagram: 248.000

Site: não mantém.

Blog (dentro do site da Carta Capital): aqui.

LEANDRO KARNAL

FB: 1.523.223 (29/12), de 1 a 5 mil curtidas cada post.

Instagram: 414.000 seguidores

YouTube: 118.460

Site:aqui.

Visitas mês: menos de 5.000

Média de visitação: 1:3

Páginas visitadas: 2.52

Total de visitas: 8.141 (de setembro a novembro de 2018)

LUIZ FELIPE PONDÉ

FB: 254.245

Site: aqui.

Youtube: 522.095

Visitas mês: 5.016

Média de visitação: 2:16

Páginas visitadas: 2.10

Total de visitas: 15.004 (novembro de 2018)

MÁRCIA TIBURI

FB: 113.791

Instagram: 83.300

Youtube: 3.590

Site: não mantem.

MARILENA CHAUI

FB: não há uma página oficial

Instagram: não tem perfil.

Youtube: não tem canal oficial

Site oficial: não tem

MARIO SÉRGIO CORTELLA

FB: 1.554.713

Instagram: 1.900.000 seguidores

Youtube: 340.550 inscritos

Site oficial: não mantem

MIGUEL REALE

FB: não há pagina oficial mantido pelo próprio.

Instagram: idem.

Youtube: não tem.

OLAVO DE CARVALHO

FB: 556.207

Instagram: 621.000 seguidores

Youtube: 564.262 inscritos

Site: aqui.

Visitas mês: 446,514 visitantes únicos (29/12/18)

Média de visitação: 2:39

Páginas visitadas: 2.29

Total de visitas: 1.339.000 (de setembro a novembro de 2018)

VIVIANE MOSÉ

FB: 301.832

Instagram: 10.900

Youtube: 21.758

Site:aqui.

Visitas mês: menos de 5.000

Média de visitação: 00:59

Páginas visitadas: 2.09

Total de visitas: 5.446 (novembro de 2018)

 

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da Art Presse, 140 Online e do Jornal 140, empresário de comunicação, jornalista de formação e digital de paixão. Teve participação fundamental no lançamento da internet banda larga no Brasil em 1999. É autor do livro "Domingo no Sancho" (2018), Amazon Kindle.

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Humanas 5 MIN DE LEITURA

O círculo de Eranos: Você precisa saber sobre isso

O que foi o movimento nada secreto de mentes, que se dedicaram a explorar os fenômenos anímicos e simbólicos da humanidade?

Jorge Massarollo

Publicado

em

Foto: Alan Labisch / Unsplash

Nossa história começa no século XX, ano de 1933, em uma casa à beira do lago Maggiore próximo a Ascona na Suíça, onde Olga Froebe-Kapteyn (1881-1962) organiza e promove a primeira “Tagungen” do Alemão, convenção, de Eranos.

Olga foi uma célebre teosofista, artista e estudiosa holandesa, fascinada pelo universo esotérico e espiritual. Entre os anos de 1928 a 1930, ainda sem uma ideia pré-formada, com orientações de Rudolf Otto (1869-1937) e Carl Gustav Jung (1875- 1971), decide realizar encontros em sua residência para discutir assuntos relacionados ao campo espiritual e religioso. Posteriormente os encontros assumiram maior escala e se tornaram ponte entre as concepções filosóficas e simbólicas do Oriente e Ocidente, reunindo profissionais e autores das diversas áreas do saber. Os encontros eram organizados por Olga, responsável pela programação e acomodação, ela selecionava e convocava os convidados por cartas formais para participação no evento. Sua intenção com essas conferências? reunir as mentes mais proeminentes de sua época para um diálogo de saberes. Com discorrer do tempo surge o nome que dá identidade aos encontros como um movimento, intitulado EranosKreis, o círculo de Eranos.

O curioso nome foi sugestionado por Rudolf Otto, filósofo, teólogo, erudito em religiões comparadas. A palavra Eranos originária do Grego, tem como um dos seus significados a ideia de comida em comum, troca de alimentos sem a presença de um anfitrião. O nome de antemão foi mantido e integrado ao conceito de círculo que subentende uma igualdade entre as partes em torno de ideias em comum, exemplificando o espírito desses encontros.

O círculo que integra um seleto grupo de pensadores da época propõe um diálogo intercultural e interdisciplinar a partir de análises comparativas, que agregam valores imaginários, simbólicos, espirituais, anímicos e subjetivos do ser humano, na tentativa de uma contraposição ao espírito racional unilateral, que perdurava nesse período com a corrente positivista e o racionalismo cartesiano. Os encontros transcorriam em diálogos abertos, em um ambiente propício para insights, livre fluxo de ideias e inspirações, aos espíritos bem-aventurados, abertos a criatividade e o fantasioso. Um espaço espontâneo onde os participantes tivessem a liberdade para se expressar e conversar sobre suas teorias. Essa dinâmica interdisciplinar antecipou uma tendência que só ocorreria na segunda metade do século XX. E foi de suma relevância para o desenvolver de uma nova tipologia de estudo do homem, que leva em consideração os aspectos arcaicos e simbólicos.

Diversos são os autores, pesquisadores e estudiosos que já fizeram parte deste distinto grupo, nomes repetidos ad nauseam, que transformaram a concepção antropológica do ser humano. Podemos citar: Gilbert Durant, Joseph Campbell, Marie Louise Von Franz, Heinrich Zimmer, Eric Neumann, James Hillman, Adolf Portman, Elémire Zolla, Rudolf Otto, Carl Gustav Jung.

Eranos como movimento, perpassou por diversas fases de investigação, em sua primazia indaga através de uma arquetipologia simbólica a cultura anímica do homem, onde a alma tem função intermediadora entre o corpo e espírito. Primeiramente as discussões e estudos tiveram como foco o processo de mitologia comparada, para investigação dos fenômenos.

A mitologia é um tema comum para compreensão do imaginário e psique humana, compreendida como manifestação simbólica da psique. Nesse, período os participantes se dedicaram a comparar as diferentes manifestações de mitos, do oriente e ocidente.

O circulo se encerra em 1988, no qual transcorreram três etapas de estudos: Mitologia comparada; Antropologia cultural; Hermenêutica simbólica. Destarte segundo o site oficial de Eranos, após esse período se estenderam mais quatro fases, sendo a última iniciada em 2010.

As idéias e compreensões que surgiram através desse modelo de “Brainstorm retrô”- que foi o movimento de Eranos – para o campo de estudos da psicologia humana e o simbólico, influenciaram diversos estudos ulteriores, que se preocuparam em investigar cientificamente os fenômenos da alma, através do diálogo interdisciplinar, multifacetado e descentralizado em contraposição a visão técnica científica, baseada em leis causais do universo.

Esse *Zeitgeist, que surgiu no século XX, acompanhado de outras concepções que valorizam o sútil, a intuição, empirismo, relacionamento com a natureza, a imaginação, movimentos como o romantismo, parecem ressurgir, ainda mais forte, como uma tendência atual.

* palavra de origem alemã, cujo significado literal seria “Espírito da Época”, utilizado para exemplificar a ideia de um conjunto de comportamentos idéias e tendências, que atingem determinada sociedade, em determinado momento.

Nessa perspectiva terapias com caráter denominado “holístico” emergem aos montes como alternativa que procuram resgatar, esse espírito anímico, a muito deixado de canto, do Homo Ludens e Homo Symbolicus. A exemplo de técnicas como Yoga, Mindfulness, Thetahealing, Barra acess, Constelação familiar, terapia Reiki, terapias naturais, alternativas a cada dia mais procuradas pelo público em geral.

Esse resgate, como movimento, é reflexo em resposta a uma defasagem de sentido, ao qual nosso modelo social não abre espaço. A falta de conexão com o natural, com a família com as relações interpessoais, ao que Zygmunt Bauman nomeia de sociedade líquida, pela superficialidade e volatilidade das relações. Um modelo neoliberal com bases individualistas, onde os valores maiores se estendem ao ter, a posse, desvalorizando o ser em sua essência, na busca pela integração e evolução em todas as instâncias da vida, com o único objetivo de prazer individual.

”Vivemos em tempos líquidos, nada é para durar.”

Bauman Z.

A consequência dos valores adotados pelo modelo atual não poderiam demonstrar  dados estatísticos  diferentes, segundo a OMS na última década os quadros de suicídio e depressão relacionados a doenças mentais, cresceram exponencialmente, sendo a projeção que em 2020 a depressão será a enfermidade mais incapacitante do mundo.

Onde estamos errando? O que será que nos falta? Onde devemos buscar? Como podemos buscar? Talvez essas complexas perguntas obtenham respostas em conceitos fundamentalmente naturais a nossa espécie, um resgate profundo ao mundo objetivo de conexão “mística” com os fenômenos de nossa alma.

Finalizo com a seguinte reflexão de Carl Jung a respeito da psicologia do homem moderno:

“É no fascínio que o problema espiritual exerce sobre o homem moderno que está, em minha opinião, o ponto central do problema psíquico hoje. Por um lado trata-se de um fenômeno de decadência – se formos pessimistas. Mas por outro lado, trata-se de um germe promissor de transformação profunda – se formos otimistas. Em todo caso, trata-se de um fenômeno da maior importância que deve ser levado em conta justamente por encontrar suas raízes nas vastas camadas do povo. E é tão importante porque atinge, como prova a história, as incalculáveis forças instintivas irracionais da psique, que transformam inesperadamente e misteriosamente a vida e a cultura dos povos. No fundo, a fascinação da psique não é uma perversidade doentia, é uma atração tão poderosa que não pode ser detida, nem mesmo por algo repelente.”

                                                                                                                                                   C.G JUNG

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA AC; SILVEIRA LHL. Do círculo de Eranos à construção do simbólico, em Carl Gustav Jung. Psicologia USP. 2015.
SCHABERT T. From Olga Foebre- Kapteyn to the Amici di Eranos: On the history of the Eranos-Tagungen at Ascona. Eranos.org
SCHABERT T. In the fading of divine voices: the song of Eranos. Eranos.org
JUNG CG. Civilização em transição. Ed. Vozes.2011

SITES

http://www.eranos.org/content/html/start_english.html acessado em 05/11/2019

https://www.ijep.com.br/index.php/artigos/show/o-mitico-circulo-de-eranos-parte-1-eranoskreis

Instituto Eranos

http://www.shishigami.com/esotericart/olga.html

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/fenomeno-global-suicidio/

https://www.destakjornal.com.br/saude/detalhe/ate-2020-depressao-sera-doenca-mais-incapacitante-do-mundo

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Humanas 4 MIN DE LEITURA

Existirmos: a que será que se destina?

Existe algo pelas ruas e vielas que atraem e encantam, a cidade que respira arte e cultura, realiza anualmente a Festa Literária Internacional de Paraty.

Jana Corteze

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Paraty é especial, essa cidade quase à nível do mar com suas ruas de pedra e construções coloniais enchem os olhos de quem passa por lá. Cidade com praias onde a areia é branca e a natureza encanta. Está no Rio mas é quase Paulista. Já foi nossa capital sendo importante rota durante o Ciclo do Ouro e a primeira cidade do Brasil a receber o titulo de patrimônio natural e cultural.

Existe algo pelas ruas e vielas que atraem e encantam, a cidade que respira arte e cultura, realiza anualmente a Festa Literária Internacional de Paraty. Cada edição homenageia um autor ou autora nacional e reúne um vigoroso time de escritores, de diferentes origens e perspectivas, para se encontrar com o público na cidade.

A Flip, como é chamada, surgiu com a ideia de promover em Paraty, cidade distante das capitais, uma experiência de encontro entre literatura e pluralidade artística. Ocupando os espaços públicos com cultura, a Festa é um momento importante para o debate de ideias, troca de informações e um ponto de encontro da diversidade.

Desde 2003, quando estreou de forma improvisada, com pouco mais que vinte autores convidados, a Flip se conectou intimamente com espaços públicos, onde a experiência da literatura nas ruas resulta em uma experiência singular a céu aberto. A Flip 2019 trouxe como homenageado Euclides da Cunha, observador rigoroso e originalíssimo, vê o Brasil com uma percepção única. Escritor de importantes obras, conhecido pelo seu livro-­‐reportagem, Os Sertões, no qual relata a Guerra de Canudos e a epopeia da vida sertaneja na luta diária contra a paisagem e a incompreensão das elites.

Num momento como a Flip, um festival de ideias, que tem a literatura no cerne das discussões, o contraste causado pelas desigualdades, intolerâncias, polarizações politicas e sociais, torna-­‐se ainda mais forte. Não podemos ignorar, por exemplo, que Euclides da Cunha deixou claro em Os Sertões, sua visão preconceituosa em relação às etnias. Os autores, professores e convidados criticaram de forma reflexiva, a pouca presença de negros na literatura; a luta e participação de mulheres nos espaços políticos e sociais; necessidade da leitura, integração de crianças ao mundo do saber.

A sexta feira, dia 12 tinha algo a mais, uma movimentação inquieta e acelerada. As falas, palestras, leituras, rodas de conversa, apresentações musicais, teatrais e toda proposta de levar literatura, arte, educação e inclusão, foram abafadas por gritos ensandecidos, buzinas descontroladas, caixas de som ensurdecedoras e fogos de artificio.

Disparidade politica? Não gostaram de ter seu mártir, seu salvador, agora como acusado? Queriam a cabeça de seu acusador e de todos que o apoiam? Foi além e mais triste que isso. A ação descontrolada dos “manifestantes“ não se limitou à questões politicas, era direcionada a toda e qualquer fala, independente ao seu direcionamento e conteúdo. Se tornou praticamente impossível ouvir uma roda de conversa sobre a necessidade da educação literária nas periferias, seguida por contação de historias e leitura de poemas.

Em meio aquela situação, os sentimentos oscilavam entre interesse, raiva, tristeza e incredulidade, no que se via e ouvia, se fez presente o trecho da música Fora da Ordem, de Caetano, “Aqui, tudo parece construção e já é ruina.” Trecho este de Claude Lévi-­‐Strauss em seu livro Tristes Trópicos, de 1955. Livro que não envelheceu em sua essência. Quando Lévi-­‐Strauss fala dos sonhos de grandeza que perduram, da incompreensão casmurra de nossa sociedade a respeito das realidades do mundo à sua volta, está ele ultrapassado? Quando ele aponta o declínio do mundo humano, a anulação acelerada das diferenças, a ladeira que leva à indiferenciação, ele é desmentido por nossa época?

É surpreendente a falta que temos em tolerar e integrar diferentes nichos e grupos, nos orientando por novos e diversos pensamentos e ideias. As oposições são importantes pois geram a necessidade criativa do novo. Se busca individualidade nas ações (ditas) racionais do ser humano, este, único a produzir arte e cultura, baseado no que chamamos de intelecto, ou, “discernimento, compreensão”. O quanto de discernimento e compreensão nos resta em meio a tanta polarização e extremismos que romperam a barreira politica e hoje se torna visceral? A Flip, ideia do que seria o pais do futuro, agora parece algo do passado, algo deslocado. Em diversas mesas e rodas de conversa questionava-­‐se: O que deu errado? Como chegamos a este ponto? Tem solução?

E ao fim daquela tarde de sexta feira, quando perguntado ao historiador José Murilo de Carvalho se ainda lhe resta algum otimismo com o futuro brasileiro, ele permanece em profundo silêncio e em profundo silêncio, centenas de pessoas aguardam a resposta. Depois do silêncio, aparentemente infinito, o historiador responde surpreso; “Otimismo?“. Pensa mais um pouco, menos por não saber a resposta do que não saber como dar a noticia. O silencio é quebrado por rojões explodindo constantemente e caixas de som tocando o Hino Nacional bem alto, para abafar as falas. Em um país onde se busca justificar erros presentes com erros do passado, com um nó na garganta o historiador faz não com a cabeça e se cala.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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