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Cinema

Geração Matrix

Rafael Sartori

Publicado

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O filme Matrix completa vinte anos de uma peça cultuada que marcou o cinema do final dos anos noventa. E como todas as grandes obras, o impacto da trilogia é parte do DNA digital e cultural de nossa geração.

As irmãs Lilly e Lana Wachowski produziram uma obra-prima que leva o espectador a uma jornada singular. Matrix é tão épico, que cada indivíduo tem a sua versão particular. Para fazer essa reportagem, foi necessário resumir e condensar diálogos, entrevistas, além de uma bela sessão com os 3 filmes em sequência.

VERSÃO SISTÊMICA

No final do século XX, a humanidade entrou em guerra com maquinas sensientes controladas por inteligência artificial, as maquinas venceram e o mundo como conhecemos foi destruído. Mecanicamente, a Matrix é fruto do desenvolvimento de um programa para criar um ambiente simulado, uma animação suspensa proposital, uma ilusão do final do século XX para enganar as mentes humanas enquanto seus corpos são utilizados como baterias de energia.

As cinco primeiras versões do sistema colapsaram, pois a criação perfeita do Arquiteto, não era aceita pelos usuários em suas imperfeições. Ao perceber que o Arquiteto não entendia os usuários da simulação, o próprio sistema criou uma solução, um programa intuitivo cujo propósito era compreender a mente destes usuários (psique-humana), evitando a negação do sistema que levava ao desastre e a aniquilação. Este programa foi chamado de Oráculo.

O Oráculo concluiu que a falha do Arquiteto estava em criar mundos que não aceitavam o processo natural das escolhas humanas. A análise do Oráculo entendeu que os valores mentais dos seres humanos como crenças, histórias, experiencias e sentimentos conectados ao meio social, sempre forçariam os seres humanos a um escolha pre-estabelecida. Mesmo observando que o controle dos valores mentais moldariam as escolhas dos usuários, não era eficaz, pois uma pequena parcela de usuários insistia em rejeitar o sistema.

Para isso, um novo sistema foi criado para suportar essa minoria que rejeitava o sistema. Para controlar essa minoria, era necessário a constante lembrança da guerra contra as máquinas, a consciência de que uma dia se libertaram da Matrix, habitar um local extremamente desagradável e a crença na profecia de um ser messiânico, um escolhido iria nascer para direcionar as esperanças.

Quando a Matrix foi construída houve um homem que nasceu dentro dela e que tinha a habilidade de mudar o que ele quisesse para refazer a Matrix do jeito que ele queria. Este homem livraria os primeiros e nos ensinaria a verdade. Quando ele morreu, o Oráculo profetizou seu retorno e que sua vinda coroaria o fim da guerra. Profecia, Matrix.

Feito isso, um novo dilema apareceu, como programar um sistema de crenças, experiências, histórias e sentimentos, e este sistema ser completamente previsível afim de evitar que essa minoria aumente com o tempo? Para responder essa pergunta, foi criado um terceiro programa chamado Merovíngio.

O Merovíngio concluiu que a instabilidade estaria resolvida caso um algorítimo simples fosse colocado no sistema, a causalidade, a ideia de que uma ação leva a uma ou mais reações, causa e efeito. Cumprido seu papel, o algorítimo do programa Merovíngio foi colocado no programa Oráculo, fazendo com que fosse capaz de prever o futuro, processando ao mesmo tempo as escolhas humanas e as consequências dessas escolhas.

Considerando que o Oráculo podia analisar as características mentais que moldam as escolhas e o Merovíngio fosse capaz de examinar as consequências de cada escolha, o sistema entraria em uma espécie de looping e seria gerido automaticamente pelas próprias ações humanas, sem necessidade de intervenção.

Os usuários que aceitavam o sistema vivam em uma animação de realidade virtual projetada. Para a minoria que não aceitava, uma realidade desagradável, de guerra e esperança na luta pela liberdade se apresentaria. Para manter o sistema em funcionamento, o Oráculo criou um novo programa parte do controle de minorias, o ser profético, supremomessiânico, capaz de realizar milagres e manter a esperança da minoria na luta pelo seu propósito de escolha. O nome desse programa é Neo.

Neo é um programa profecia que simulava um humano tão perfeitamente, que o próprio programa acreditava ser um humano, o salvador e a esperança de toda a minoria. Pois, mesmo depois do escolhido realizar feitos dentro e fora da Matrix, corromper o código binário de um agente e de sentir o fluxo da causalidade, Neo não desconfiava de que era um programa pois foi programado para ser dessa forma.

Sua vida é o resultado de uma equação irregular inerente à programação da Matrix. Você é a eventualidade da anomalia que, por mais que eu me esforce, não consigo eliminar da restante harmonia da precisão matemática. O Arquiteto, Matrix.

A responsabilidade final do programa Neo era fazer oque todas as suas versões anteriores fizeram, acessar o mainframe sempre que essa minoria desestabiliza-se o sistema por controle populacional, resetar a Matrix e escolher as pessoas que formariam a realidade da minoria para a próxima versão.

O resultado da escolha da equação calculada com base em todas as versões anteriores, não foi a escolha feita por Neo. A quebra da equação se deve ao fato de que o Agente Smith, programa criado para servir de proteção, ao ser deletado por Neo, sofreu um bug virando ele próprio um erro, na verdade, um vírus. O Agente Smith gradualmente absorveu e transformou seres e programas da Matrix em cópias de si mesmo, infestando todo o sistema.

Por isso a a 6º versão da Matrix não foi destruída e a minoria não foi dizimada pela formatação. O sistema de controle da Matrix utilizou Neo para destruir a ameaça (Agente Smith) e se escondeu dentro do sistema por auto-preservação.

AGENTE SMITH

Algumas teorias dizem que na verdade o escolhido é o Agente Smith. De acordo com a teoria, o Agente Smith era o personagem que reunia todas as características do escolhido apontadas pela profecia.

Se Neo fosse o escolhido, ele teria que ter nascido na Matrix. Ele nasceu em uma capsula de colheita (ele tinha as tomadas elétricas no corpo), No primeiro filme, o Agente Smith tira o fone de ouvido e interroga Morpheus com o desejo de escapar da Matrix, No segundo, o Agente Smith chama o Oráculo de mãe. Em toda a trilogia, o Agente Smith foi o único a conseguir realmente alterar a Matrix.

Sr. Anderson, gostou do que eu fiz com esse lugar? Agente Smith, Matrix.

Uma outra teoria apega-se ao fato de que na batalha final, Neo estava conectado ao núcleo e quando o Agente Smith absorve Neo, ele passa para o núcleo através de Neo, os programas e vírus que precisavam para a destruição da Matrix. Em outras palavras, Neo serviu como um cavalo de troia e o Agente Smith destruiu a Matrix.

Se for verdade, Neo é um programa profecia e herói da história, mas o escolhido é o Agente Smith.

EXO-MATRIX

Filosofia de Platão, literatura cyberpunk, a jornada da trilogia Matrix é carregada de história e simbolismos.

Para alguns, Matrix apresenta uma releitura judaico-cristã completamente alinhada a história: O Arquiteto é Deus, o Oráculo é Maria, Morpheus é João Batista, Trinity é Maria Madalena, Cypher é Judas Iscariotes, as minorias são os judeus e Zion é a terra prometida. Neo é o messias, Jesus Cristo que vem levar os escolhidos ao reino dos céus.

Para outros, Matrix é uma forma de contar a história exo-planetária da terra e de como nossos colonizadores criaram fábricas de corpos para mineração. Leva após leva, do homo habilis ao homo sapiens, versões do sistema que foram criadas e colapsaram causando extinções em massa. Matrix é a exposição do método de controle dos anunnakis sob a terra. Neo é o espírito do tempo, o Zeitgeist.

Ao considerar a visão espiritualista, durante a acoplagem do espírito no corpo que recebeu, seu registro akáshico é desconectado. Quando Neo esta fazendo o download de informações, ele está acessando o registro de leitura akáshico, relembrando e ao mesmo tempo adquirindo conhecimento e aptidões para essa realidade. A Matrix é a venda nos olhos do espírito encarnado e Neo é o caminho evoluído para escapar da roda de samsara e sair da 3º dimensão.

Outras referências históricas e simbólicas são encontradas em toda a trilogia, como a mitologia grega, gnosticismo, budismo, numerologia, astrologia entre outros que talvez ainda não tenham sido identificados.

LEGADO HISTÓRICO

O filme de 1999 mudou Hollywood para sempre, foi indicado para quatro Oscars e se transformou em um ícone social e cultural. Uma mistura de tecnologia, filosofia, história, literatura, religião, lutas marciais e mangá que completa 20 anos enquanto nós continuamos falando e debatendo sobre ele.

A trilogia apresentou diversas escolas de pensamento, redefiniu a cultura hacker e moldou a geração que escolheu o conhecimento da pílula vermelha. O mundo nunca mais foi o mesmo depois que entrou pela toca do coelho.

Muitos rumores sobre um novo filme Matrix tem circulado na internet nos últimos anos e aparentemente, a Warner contratou um time de escritores para ajudá-los a desenvolver a melhor forma possível de relançar a franquia. Uma coisa é certa, a nova geração precisa decidir que pílula tomar e talvez Matrix possa ajudar.

Matrix é estrelado por Neo (Keanu Reeves), Trinity (Carrie Anne-Moss), Morpheus (Lawrence Fishburne) e Agente Smith (Hugo Weaving). A trilogia elevou esses atores ao hall da fama dos filmes de ficção científica.

Fontes: Canal Elegante e Meteoro Brasil

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Cinema

Dolittle, com Robert Downey Jr, ganha o 1º trailer

Robert Downey Jr. está eletrizante como um dos personagens mais duradouros da literatura em uma vívida reimaginação do conto clássico do homem que consegue falar com animais: #Dolittle.

Redação 140

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Foto: Reprodução / Universal Pictures

Robert Downey Jr. está eletrizante como um dos personagens mais duradouros da literatura em uma vívida reimaginação do conto clássico do homem que consegue falar com animais: #Dolittle.

Depois de perder a esposa, sete anos antes, o excêntrico Dr. John Dolittle (Downey), famoso médico e veterinário na Inglaterra da Rainha Victoria, se isola atrás dos muros altos da sua mansão Dolittle, com a companhia apenas de sua coleção de animais exóticos. Mas quando a jovem rainha (Jessie Buckley, Wild Rose) fica gravemente doente, Dolittle relutantemente é forçado a partir em uma aventura épica para uma ilha mítica em busca de uma cura, recuperando suas habilidades e sua coragem enquanto cruza velhos oponentes e descobre criaturas maravilhosas.

O médico é acompanhado por um jovem aprendiz auto-nomeado (Harry Collett de Dunkirk) e um grupo barulhento de amigos animais, incluindo um gorila ansioso, uma pata entusiasmada e doidinha, uma dupla briguenta de um avestruz cínico e um otimista de urso polar e um papagaio teimoso, que é o conselheiro mais confiável de Dolittle.

Dirigido pelo vencedor do Oscar® Stephen Gaghan (Syriana, Traffic), Dolittle é produzido por Joe Roth e Jeff Kirschenbaum sob a Roth / Kirschenbaum Films e Susan Downey pela Team Downey . O filme é produzido por Robert Downey Jr., Sarah Bradshaw (A Múmia, Malévola) e Zachary Roth (Malévola: Dona do Mal).

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Cinema

Divaldo: filme espirita indicado até para quem é ateu

Esse filme vai dar uns bons tapas na sua cara, enquanto te distraí e te faz rir. Sério, são lições profundas, valiosas e necessárias.

Êrica Blanc

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Foto: Reprodução

Assisti essa semana ao filme “Divaldo: o mensageiro da paz”. Levemente atrasada, se considerarmos o fato de o filme ter lançado há quase um mês atrás. Mas, sendo sincera, ao contrário dos filmes do Chico Xavier ou, o mais recente, do Allan Kardec, eu nunca tinha ouvido falar do Divaldo. Mesmo sendo espírita. Mesmo ele sendo um médium atuante há 72 anos. Enfim, deixando minha ignorância sobre o assunto de lado, vamos falar sobre Divaldo e o filme que conta a sua história. A trama conta a história do médium desde quando ele era uma criança, época em que todos ao seu redor duvidavam das coisas que ele via, até a fase adulta, quando os ensinamentos já estavam bem absorvidos por ele. E todo o processo no meio dessas duas fases.

Divaldo: o mensageiro da paz

Divaldo desde muito cedo via e interagia com pessoas mortas. O que despertava muita raiva em seu pai. Inclusive, tinha dificuldade até para distinguir quem era vivo e quem já havia batido as botas. Aos 20 anos, se mudou para a capital da Bahia, disposto a ser preparado para servir ao espiritismo. Mas, como qualquer bom ansioso, precisou aprender a contralar suas vontades, com uma ajuda super especial de sua mentoral espiritual. Só que, se você é ateu e clicou nesse post só por que duvidou do que disse no título, aguenta aí que eu já vou te explicar o motivo. Para ser sincera, tudo isso você descobre com uma pesquisa simples no Google. Entretanto, eu precisava contextualizar a história antes de apontar os principais pontos que me fizeram amar esse filme do começo ao fim.

O primeiro ponto aqui é: esse filme vai dar uns bons tapas na sua cara, enquanto te distraí e te faz rir. Sério. São lições profundas, valiosas e necessárias. Mesmo que algumas sejam meio óbvias. Dá até vontade de reassistir com um caderninho e uma caneta, anotando frase por frase. Se você não acredita nessa coisa toda de contato com o outro plano, tudo bem. Ainda assim, o filme será uma diversão por duas horas seguidas. Ele é leve e bem engraçado. E, se você é do tipo que não acredita, mas morre de medo, garanto que vai se identificar com muitos personagens. Divaldo, como personagem principal dessa trama, não é um ser de luz que não possuí falha alguma.

O veredito

Pelo contrário. Divaldo leva umas boas broncas dos espirítos para aprender a ser sim, uma pessoa preparada a levar luz por onde for. Ele é carismático em todas as fases de sua vida, engraçado e humano, acima de tudo. Seus erros são comuns e passíveis de serem feitos por qualquer um de nós. O que faz com que a gente se sinta ainda mais perto dele durante o filme. Mas, sem dúvida alguma, para mim, o ponto alto é a forma como Deus é mencionado na trama. Quebra-se diversos esteriótipos tanto do espiritismo, quanto do próprio Deus que estamos acostumados a ouvir falar. Esse Deus que pune e deserda por qualquer pequena atitude considerada ruim, caí por terra quando os ensinamentos entram em cena. E não há preço que pague essa nova descrição do criador.

Talvez, mas só talvez, Divaldo seja a porta de entrada para um mundo menos preconceituoso com religiões espiritas e para um Deus de amor mais verdadeiro do que o que vem sendo pregado. Entretanto, reforço o que disse: se questões religiosas não são o seu forte, Divaldo ainda pode ser um passatempo com olhar histórico sobre uma personalidade importante de nosso país. Ao mesmo tempo que vai te fazer rir por horas, também te faz aproveitar o momento para relaxar e distrair. É um filme completo, que não deixa a desejar em momento algum. Sendo assim, o filme está, nada mais, nada menos, do que recomendadíssimo.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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