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Cultura 7 MIN DE LEITURA

Geração Matrix

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O filme Matrix completa vinte anos de uma peça cultuada que marcou o cinema do final dos anos noventa. E como todas as grandes obras, o impacto da trilogia é parte do DNA digital e cultural de nossa geração.

As irmãs Lilly e Lana Wachowski produziram uma obra-prima que leva o espectador a uma jornada singular. Matrix é tão épico, que cada indivíduo tem a sua versão particular. Para fazer essa reportagem, foi necessário resumir e condensar diálogos, entrevistas, além de uma bela sessão com os 3 filmes em sequência.

VERSÃO SISTÊMICA

No final do século XX, a humanidade entrou em guerra com maquinas sensientes controladas por inteligência artificial, as maquinas venceram e o mundo como conhecemos foi destruído. Mecanicamente, a Matrix é fruto do desenvolvimento de um programa para criar um ambiente simulado, uma animação suspensa proposital, uma ilusão do final do século XX para enganar as mentes humanas enquanto seus corpos são utilizados como baterias de energia.

As cinco primeiras versões do sistema colapsaram, pois a criação perfeita do Arquiteto, não era aceita pelos usuários em suas imperfeições. Ao perceber que o Arquiteto não entendia os usuários da simulação, o próprio sistema criou uma solução, um programa intuitivo cujo propósito era compreender a mente destes usuários (psique-humana), evitando a negação do sistema que levava ao desastre e a aniquilação. Este programa foi chamado de Oráculo.

O Oráculo concluiu que a falha do Arquiteto estava em criar mundos que não aceitavam o processo natural das escolhas humanas. A análise do Oráculo entendeu que os valores mentais dos seres humanos como crenças, histórias, experiencias e sentimentos conectados ao meio social, sempre forçariam os seres humanos a um escolha pre-estabelecida. Mesmo observando que o controle dos valores mentais moldariam as escolhas dos usuários, não era eficaz, pois uma pequena parcela de usuários insistia em rejeitar o sistema.

Para isso, um novo sistema foi criado para suportar essa minoria que rejeitava o sistema. Para controlar essa minoria, era necessário a constante lembrança da guerra contra as máquinas, a consciência de que uma dia se libertaram da Matrix, habitar um local extremamente desagradável e a crença na profecia de um ser messiânico, um escolhido iria nascer para direcionar as esperanças.

Quando a Matrix foi construída houve um homem que nasceu dentro dela e que tinha a habilidade de mudar o que ele quisesse para refazer a Matrix do jeito que ele queria. Este homem livraria os primeiros e nos ensinaria a verdade. Quando ele morreu, o Oráculo profetizou seu retorno e que sua vinda coroaria o fim da guerra. Profecia, Matrix.

Feito isso, um novo dilema apareceu, como programar um sistema de crenças, experiências, histórias e sentimentos, e este sistema ser completamente previsível afim de evitar que essa minoria aumente com o tempo? Para responder essa pergunta, foi criado um terceiro programa chamado Merovíngio.

O Merovíngio concluiu que a instabilidade estaria resolvida caso um algorítimo simples fosse colocado no sistema, a causalidade, a ideia de que uma ação leva a uma ou mais reações, causa e efeito. Cumprido seu papel, o algorítimo do programa Merovíngio foi colocado no programa Oráculo, fazendo com que fosse capaz de prever o futuro, processando ao mesmo tempo as escolhas humanas e as consequências dessas escolhas.

Considerando que o Oráculo podia analisar as características mentais que moldam as escolhas e o Merovíngio fosse capaz de examinar as consequências de cada escolha, o sistema entraria em uma espécie de looping e seria gerido automaticamente pelas próprias ações humanas, sem necessidade de intervenção.

Os usuários que aceitavam o sistema vivam em uma animação de realidade virtual projetada. Para a minoria que não aceitava, uma realidade desagradável, de guerra e esperança na luta pela liberdade se apresentaria. Para manter o sistema em funcionamento, o Oráculo criou um novo programa parte do controle de minorias, o ser profético, supremomessiânico, capaz de realizar milagres e manter a esperança da minoria na luta pelo seu propósito de escolha. O nome desse programa é Neo.

Neo é um programa profecia que simulava um humano tão perfeitamente, que o próprio programa acreditava ser um humano, o salvador e a esperança de toda a minoria. Pois, mesmo depois do escolhido realizar feitos dentro e fora da Matrix, corromper o código binário de um agente e de sentir o fluxo da causalidade, Neo não desconfiava de que era um programa pois foi programado para ser dessa forma.

Sua vida é o resultado de uma equação irregular inerente à programação da Matrix. Você é a eventualidade da anomalia que, por mais que eu me esforce, não consigo eliminar da restante harmonia da precisão matemática. O Arquiteto, Matrix.

A responsabilidade final do programa Neo era fazer oque todas as suas versões anteriores fizeram, acessar o mainframe sempre que essa minoria desestabiliza-se o sistema por controle populacional, resetar a Matrix e escolher as pessoas que formariam a realidade da minoria para a próxima versão.

O resultado da escolha da equação calculada com base em todas as versões anteriores, não foi a escolha feita por Neo. A quebra da equação se deve ao fato de que o Agente Smith, programa criado para servir de proteção, ao ser deletado por Neo, sofreu um bug virando ele próprio um erro, na verdade, um vírus. O Agente Smith gradualmente absorveu e transformou seres e programas da Matrix em cópias de si mesmo, infestando todo o sistema.

Por isso a a 6º versão da Matrix não foi destruída e a minoria não foi dizimada pela formatação. O sistema de controle da Matrix utilizou Neo para destruir a ameaça (Agente Smith) e se escondeu dentro do sistema por auto-preservação.

AGENTE SMITH

Algumas teorias dizem que na verdade o escolhido é o Agente Smith. De acordo com a teoria, o Agente Smith era o personagem que reunia todas as características do escolhido apontadas pela profecia.

Se Neo fosse o escolhido, ele teria que ter nascido na Matrix. Ele nasceu em uma capsula de colheita (ele tinha as tomadas elétricas no corpo), No primeiro filme, o Agente Smith tira o fone de ouvido e interroga Morpheus com o desejo de escapar da Matrix, No segundo, o Agente Smith chama o Oráculo de mãe. Em toda a trilogia, o Agente Smith foi o único a conseguir realmente alterar a Matrix.

Sr. Anderson, gostou do que eu fiz com esse lugar? Agente Smith, Matrix.

Uma outra teoria apega-se ao fato de que na batalha final, Neo estava conectado ao núcleo e quando o Agente Smith absorve Neo, ele passa para o núcleo através de Neo, os programas e vírus que precisavam para a destruição da Matrix. Em outras palavras, Neo serviu como um cavalo de troia e o Agente Smith destruiu a Matrix.

Se for verdade, Neo é um programa profecia e herói da história, mas o escolhido é o Agente Smith.

EXO-MATRIX

Filosofia de Platão, literatura cyberpunk, a jornada da trilogia Matrix é carregada de história e simbolismos.

Para alguns, Matrix apresenta uma releitura judaico-cristã completamente alinhada a história: O Arquiteto é Deus, o Oráculo é Maria, Morpheus é João Batista, Trinity é Maria Madalena, Cypher é Judas Iscariotes, as minorias são os judeus e Zion é a terra prometida. Neo é o messias, Jesus Cristo que vem levar os escolhidos ao reino dos céus.

Para outros, Matrix é uma forma de contar a história exo-planetária da terra e de como nossos colonizadores criaram fábricas de corpos para mineração. Leva após leva, do homo habilis ao homo sapiens, versões do sistema que foram criadas e colapsaram causando extinções em massa. Matrix é a exposição do método de controle dos anunnakis sob a terra. Neo é o espírito do tempo, o Zeitgeist.

Ao considerar a visão espiritualista, durante a acoplagem do espírito no corpo que recebeu, seu registro akáshico é desconectado. Quando Neo esta fazendo o download de informações, ele está acessando o registro de leitura akáshico, relembrando e ao mesmo tempo adquirindo conhecimento e aptidões para essa realidade. A Matrix é a venda nos olhos do espírito encarnado e Neo é o caminho evoluído para escapar da roda de samsara e sair da 3º dimensão.

Outras referências históricas e simbólicas são encontradas em toda a trilogia, como a mitologia grega, gnosticismo, budismo, numerologia, astrologia entre outros que talvez ainda não tenham sido identificados.

LEGADO HISTÓRICO

O filme de 1999 mudou Hollywood para sempre, foi indicado para quatro Oscars e se transformou em um ícone social e cultural. Uma mistura de tecnologia, filosofia, história, literatura, religião, lutas marciais e mangá que completa 20 anos enquanto nós continuamos falando e debatendo sobre ele.

A trilogia apresentou diversas escolas de pensamento, redefiniu a cultura hacker e moldou a geração que escolheu o conhecimento da pílula vermelha. O mundo nunca mais foi o mesmo depois que entrou pela toca do coelho.

Muitos rumores sobre um novo filme Matrix tem circulado na internet nos últimos anos e aparentemente, a Warner contratou um time de escritores para ajudá-los a desenvolver a melhor forma possível de relançar a franquia. Uma coisa é certa, a nova geração precisa decidir que pílula tomar e talvez Matrix possa ajudar.

Matrix é estrelado por Neo (Keanu Reeves), Trinity (Carrie Anne-Moss), Morpheus (Lawrence Fishburne) e Agente Smith (Hugo Weaving). A trilogia elevou esses atores ao hall da fama dos filmes de ficção científica.

Fontes: Canal Elegante e Meteoro Brasil

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Quadrinhos 2 MIN DE LEITURA

Inspector Akane Tsunemori: utopia duvidosa

O anime de ficção científica Psycho-Pass foi adaptado para o mangá e recebeu o nome de Inspector Akane Tsunemori. Confira os motivos pelos quais vale a pena ver e ler.

Jéssica Patrine

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Psycho-Pass Wiki

Este artigo começa mostrando algo um pouco diferente. Normalmente as resenhas surgem de adaptações do impresso para o audiovisual, principalmente no caso de adaptações cinematográficas. Inspector Akane Tsunemori contraria essa lógica: primeiro surgiu a primeira temporada do anime Psycho-Pass, lançada em outubro de 2012 no Japão, para depois ser adaptado para o mangá, com menos de um mês de diferença, em novembro de 2012. O material impresso recebeu o nome de Inspector Akane Tsunemori, que é o mesmo da protagonista. No Brasil, a Panini Mangá só lançou os seis volumes em 2018.

O mangá corresponde à primeira temporada do anime. Apresenta o abalo do Sistema Sybil, que governa e controla um Japão pacífico e utópico. Sybil monitora todos e decide profissões, namoros e a vida dos que têm o Psycho-Pass baixo e claro. Esse parâmetro é uma análise do estado mental e controle das emoções negativas, como raiva e estresse. Quem tem o Psycho-Pass alto e turvo, é isolado socialmente e considerado como criminoso latente, ou seja, que tem a possibilidade de cometer algum crime. Sim, as pessoas são monitoradas constantemente e presas antes de fazer qualquer coisa.

A partir disso surge uma questão: e se existisse gente que perturbasse a ordem social e que Sybil não conseguisse fazer a leitura adequada do Psycho-Pass? Ou seja, para o sistema, essas pessoas sequer existem. E com a falta de reconhecimento do próprio sistema, acontecem muitas possibilidades de gerar caos. Isso fica para a Agência de Segurança Pública, que funciona como o sistema investigativo e policial, cuidar e desvendar. E é  aí que a protagonista Akane Tsunemori entra. No começo, assim como qualquer pessoa, ela é ingênua e otimista. Conforme o desenrolar do enredo, ela se adapta ao trabalho e mostra o porquê dela ser apta para o cargo de inspetora.

Leves diferenças

O mangá é extremamente fiel ao anime. E com um bônus: os personagens secundários (e bem carismáticos) como Kagari, Sasayama, Masaoka e Ginoza têm seus arcos levemente mais aprofundados e explicados. As referências literárias, filosóficas e históricas permanecem, já que é uma das características marcantes do anime. Diria que há mais referências históricas do que o resto, o que não tira de maneira alguma a característica da obra.

Akane Tsunemori é mostrada sob uma perspectiva mais íntima. Assim como no anime, é possível acompanhar a evolução da personagem como inspetora da Agência. Mas no mangá, os conflitos emocionais de Akane são mais enfatizados. Como é possível endurecer a maneira de agir sem se tornar totalmente fria? O dilema persiste e Akane consegue lidar com isso muito bem, mesmo com os acontecimentos mórbidos. A parceria estranha e levemente paradoxal com Shinya Kogami continua como um dos pontos altos do enredo. Afinal, Kogami é, em partes, o que Akane busca como inspetora: determinado, inteligente e com habilidades acima da média. Mas ela não pode esquecer que ele se tornou um criminoso latente. O limiar entre frieza e raiva extrema é mostrado de forma tênue.

Então, se você gosta de ficção científica, protagonistas femininas fortes e reais, investigação criminal, conflitos políticos e sociais, ação, literatura e filosofia, leia Inspector Akane Tsunemori e veja Psycho-Pass. É uma das raras obras com uma junção realmente boa de todos esses itens.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Televisão 3 MIN DE LEITURA

Roku, a maior plataforma de streaming dos EUA, chega ao Brasil

Conhecida num primeiro momento por ter desenvolvido um dos primeiros tocadores de Netflix do mercado, a Roku reúne diversos provedores de conteúdo, inclusive o Globoplay, que vem crescendo no Brasil com o diferencial de produção de novas séries

Publicado

em

Matthew Anderson, executivo chefe de marketing da Roku.

Em um evento realizado no bairro do Itaim Bibi em S. Paulo, foi anunciada hoje a chegada da Roku ao Brasil, a maior plataforma de streaming dos EUA.

Muitos brasileiros que viajam aos EUA conhecem a Roku por meio de um aparelhinho (player) que é conectado à TV e que permite o acesso a milhares de conteúdos dispostos em sites de vídeo na Internet.

Só que o Roku é muito mais do que isso: é uma plataforma em nuvem que reúne diversos provedores de conteúdos como Netflix, Apple TV, Globoplay, Telecine Play, HBO Go, Spotify, PlayKids, DAZN, Google Play Filmes, e outros e os disponibiliza em um único ambiente. Tecnicamente falando, a Roku é um “agregador”, uma plataforma que funciona como uma grande loja de marcas de conteúdos de vídeo e áudio, algumas gratuitas e outras pagas no modelo de assinatura.

O acesso à plataforma pode ser feito por meio de um pequeno aparelho conectado à TV, ainda não disponível no Brasil, ou por meio de um app que já vem instalado nas SmarTVs. Para inaugurar o serviço no Brasil, a Roku fez um acordo com a AOC e lançou dois aparelhos (32 e 43 polegadas) de SmarTVs no Brasil com a marca Roku TV. Entre as vantagens anunciadas destas TVs estão o controle remoto que traz as logomarcas nos botões, Netflix e Globoplay, por exemplo, e o controle também via app no celular.

O evento de lançamento contou com a participação de Matthew Anderson, executivo chefe de marketing da Roku, Luis Bianchi, diretor de marketing da cia. para a América Latina, Andre Giampaoli Romanon, diretor de marketing e produto da TPV (holding controladora da AOC) e Erick Brêtas, diretor geral do Globoplay, além de Fernando Ramos, diretor-executivo da G2C Globo.

Atualmente a Roku já opera em mais de 20 países, como EUA, Canadá, México e Reino Unido. A empresa tem sede em Los Gatos, California, e começou a sua história sendo uma espécie de “player” (tocador) da Netflix, lançando a primeira geração de aparelhos que conferia “inteligência” aos aparelhos de TV e conectava os usuários via Internet à plataforma da Roku em 2008.

Segundo Matthew Anderson, a Roku é a líder número 1 em streaming nos EUA, seguido da Amazon, Samsung e Playstation. Segundo ele “estamos vivendo a revolução do streaming, da TV conectada” em todo o mundo: foram consumidas 10.3 bilhões de horas de streaming em 2019, média de mais de duas horas por dia. Este ano serão mais de 900 milhões de residências conectadas em todo o mundo e que deve chegar em 2021 a 1 bilhão.

Um diferencial da Roku é a simplicidade de acesso dos usuários ao mundo do streaming (também conhecida como OTT-Over the Top). O sistema foi pensado para atender pessoas de todas as idades, inclusive aquelas que têm dificuldade em acessar o streaming por outros aparelhos e que requer algum conhecimento de conexão e rede, o que restringe pessoas acima de 50 anos. O outro é o preço: um aparelho custa 25 dólares; aqui no Brasil deverá custar entre 100 e 150 Reais, o equivalente ao similar ChromeCast do Google e mais em conta que o aparelho da Apple TV (cerca de 1.099,00 Reais). Por enquanto o acesso à plataforma Roku será exclusivamente por meio da Roku TV (aparelho de TV da AOC).

Segundo Matthew Anderson, a Roku investe intensamente em desenvolvimento de softwares e encoders, de modo a melhorar a experiência do usuário que quer rapidez no acesso e fluidez para assistir ao conteúdo (sem travamento de sinal). São 15 desenvolvedores de software em todo o mundo.

Chamou a atenção no evento a presença do Globoplay, que foi representado por seu diretor-geral Erick Brêtas. O executivo ressaltou a importância da parceria em um momento que o serviço de streaming da Globo tem apresentado a mais alta taxa de crescimento do mercado, segundo ele: 56% no último semestre. “Pretendemos ser o maior provedor de streaming do Brasil em uma década. Para isso, vamos apostar na força da marca Globo, na qualidade das produções e talentos, na produção e aquisição para várias janelas, no alcance das nossas plataformas digitais e, por último, na força de comunicação do grupo”.

A apresentação do Globoplay terminou com a exibição do trailer “Arcanjo Renegado”, que será lançado no próximo dia 7 de fevereiro e de trechos do drama sobrenatural “Desalma” (Nunca Desconfie do Sobrenatural), dirigido por Carlos Manga Junior e estrelado pela atriz Cássia Kiss, ambos presentes no evento.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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