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Negócios 4 MIN DE LEITURA

Veja o que o Google sabe sobre você

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Você acordou com o despertador do celular às 7h da manhã em seu ap nos Jardins, S. Paulo. Está de ressaca, na noite anterior bebeu além da conta e demora para se lembrar onde esteve e com quem exatamente. Então relaxe (ou entre em pânico): o mundo digital, o Google em especial, sabe exatamente onde você esteve e o que fez – e muito provavelmente foi marcado por uma amiga em uma foto no Insta. E você, sabe o que o Google sabe sobre você?

Primeiro vamos lembrar onde você esteve ontem. Se você tiver uma conta (perfil) no Google clique aqui e vá para a página “sobre mim” e, voilá, lá está você – os lugares onde esteve nos últimos anos e o que você andou pesquisando e registrando. O título da página é “Controle o que as pessoas veem sobre você” e traz dados sobre a sua educação, histórico profissional, gênero, aniversário e outros, sites e arquivo de álbuns. O Google é transparente e informa que o usuário pode ter um “resumo” dos dados e saber mais detalhes.

Isso mesmo, o Google mantém um registro de todos os seus passos, o que você pesquisou, serviços que você acessou e também do que você falou (ainda mais agora que os softwares de escuta e inteligência artificial captam dados). A formidável coleta sistemática e ordenada de seus registros acontece “para personalizar sua experiência e atualizar quais informações você compartilha com os amigos ou torna públicas”, de acordo com o Google.

Incrível, durante as nossas vidas as experiências se sucedem a uma velocidade maior que a nossa capacidade de armazenamento de informações – é como se o software (o cérebro) do hardware (o corpo) só consiga memorizar aquilo que realmente importa. É uma mão na roda. Muita gente sofre de MCP (memória de curto prazo) e tem dificuldade para reter quantidades de informação em períodos curtos – mas consegue se lembrar de “marcos” de suas vidas (MLP, memória de longo prazo).

E eis que surgiram os robôs como o Google para nos ajudar nesta tarefa. O Google foi fundado no final do século XX, em 4 de setembro de 1998 e foi nos últimos anos que esta área de captação, ordenamento e processamento de dados se desenvolveu. Tudo começou com um “motorzaço”, o tal “engine” de SEO (search engine optimization) que se transformou em um motor atômico poderosíssimo que tomou conta das nossas vidas, para o bem ou para o mal – e, vupt!, a memória das nossas vidas foi transferida para a nuvem.

Voltando à esta memória “externa”, o Google About Me.

Confira a área “Check-up de privicidade” que permite que o usuário veja tudo o que este robô maravilha salvou sobre as suas atividades nos sites e apps do Google que “está armazenando informações sobre contatos, agendas, apps, músicas e outros dados dos dispositivos na sua Conta do Google. Esses dados são usados para ajudar o Google a reconhecer itens como nomes de contatos no seu dispositivo e para outras melhorias, incluindo pesquisas e informações associadas, como a localização. Também salvamos outras atividades, como quais apps você usa, seu histórico do Chrome e os sites você visita na Web”. A página explica: “isso ajuda o Google a fornecer resultados mais rápidos com o preenchimento automático das pesquisas, bem como experiências mais inteligentes e úteis no Maps, Assistente e em outros serviços do Google”.

O histórico de localização é impressionante. Você consegue lembrar de onde você estava, digamos, há uma semana. É clicar em “gerenciar histórico de localização” e você vai saber quais os lugares que você visitou em “linha do tempo” (por ano, mês e dia), ao lado de um mapa do Google Maps.

O Google, e reproduzimos o texto da página, “cria um mapa particular dos lugares que você frequenta com seus dispositivos conectados, mesmo quando você não está usando um serviço específico do Google. Esse mapa só fica visível para você. Isso proporciona pesquisas aprimoradas de mapas e rotas de deslocamento diário, além de ajudar você a redescobrir os lugares em que esteve e as rotas percorridas”, veja abaixo um exemplo.

Histórico de localização do Google: não adianta se esconder de você.

 

Tudo bem, você esqueceu algumas informações sobre contatos, agendas e apps que consultou no último mês. Beleza, vá até o item “informações do dispositivo” para saber os nomes das pessoas que você disse e em que data você esteve com elas.

O item “Atividade de voz e áudio” ajuda o Google a “oferecer experiências mais personalizadas … para entender melhor o que você diz para o Assistente”, que é o serviço de Assistente Pessoal do Google. Sabe porquê? Porque o Google grava a sua voz, mas somente quando você faz as ativações de áudio. O robô aprende com você, sabe qual é a sua voz e como você diz palavras e frases.

Você não lembra daquele vídeo irado que assistiu no YouTube? Sem stress, é só consultar o “histórico de exibição no YouTube” que você vai lembrar o nome, o link e quando o assistiu.

Para quem viaja muito, o Google traz uma funcionalidade interessante, o “Reservas”, que apresenta as reservas futuras e passadas de vôos, hotéis e eventos.

É importante dizer que todos estes recursos podem ser gerenciados pelo usuário, que pode ativar (dar um opt-in) ou desabilitar estes recursos. E se você quiser usar os seus dados com outra conta ou serviço, é possível fazer o download dos seus dados. Afinal, como determina as regras do LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) os dados gerados pelo usuário são do próprio usuário.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Os artigos publicados em nome da Redação 140 são de responsabilidade dos responsáveis por este site de notícias. Entre em contato caso tenha alguma observação em relação às informações aqui contidas.

Empreendedorismo 4 MIN DE LEITURA

Startups: quando uma boa ideia não basta

Nascidas de um sonho que reúne pessoas aparentemente com o mesmo objetivo, uma em cada quatro Startups não sobrevive ao primeiro ano.

Isabel Franchon

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Franck V. / Unsplash

Segundo dados de pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral, uma em cada quatro Startups (25%) fecha em menos de um ano de funcionamento e 50% não sobrevivem a quatro anos. Os números da pesquisa do Sebrae em parceria com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, não são muito diferentes: três em cada dez empresas que atuam na área de tecnologia fecham em um ano, na média.

Os motivos vão da falta de capital a divergência entre os sócios, passando pela falta de planejamento, inexperiência em gestão, ausência de processos e problemas com o time. A conclusão a que se chega é que “Uma boa ideia não basta”. É preciso adquirir conhecimentos sobre o negócio, aprender a liderar, criar ferramentas de gestão e aprimorar cada vez mais o time – ainda que seja só de quatro pessoas. Essa é a diferença entre um sonho apenas, e criar um business ancorado em uma visão de futuro sólida. Como fazer isso e ao mesmo tempo começar seu negócio? Ou apenas aprimorar uma Startup que está começando, ao resolver os problemas?

Bem, você pode fazer dúzias de cursos – foi o que um consultor sugeriu a uma Coachee que está começando a empreender preparando-se para sair do emprego. Sua lista incluía contabilidade, finanças, marketing digital e tantas outras especialidades que ela se aposentaria antes de começar.

Ou, como dizem alguns, na Internet tem de tudo. Mas mesmo que você passe 12 horas por dia pesquisando online não dominará tudo que precisa – ninguém dá nada de graça e informações (ou formação) pela metade é igual ou menor que zero.
Há ainda a opção – se tiver bastante capital – de contratar vários especialistas que darão conta de tudo e farão sua empresa funcionar. Será?! E onde fica a visão sistêmica do negócio? Em qual categoria se encaixa seu sonho? Você vira espectador? Meu avô dizia que “o gado só engorda com o olhar do dono”.

Coaching pode ser a melhor parceria

Meu primeiro Coachee de Startup foi há 3 anos. De lá para cá muitas coisas mudaram: apareceram as aceleradoras, investidores-anjo, consultorias especializadas, mentorias, incentivos governamentais; o vocabulário se sofisticou…… mas a dor continua a mesma!

Trabalhamos juntos por quase 6 meses. Quando chegou ele vivia um momento profundo de angústia. A Startup de tecnologia, criada com um amigo em sociedade com uma empresa americana, havia passado por uma fusão com um grupo de investidores nacional que passou ao controle. Ir de uma participação de 25% a 15% não foi o problema: o que pesava era a maneira como o negócio vinha sendo conduzido.

Mal feito, por falta de experiência, o acordo previa o custeio da empresa por 6 meses, prazo em que a empresa deveria atingir o break-even – missão quase impossível, principalmente porque o grupo, além de não reforçar a equipe de desenvolvedores, assumiu a parte comercial e a mesma equipe dividia sua atenção entre todas as empresas das quais fazia parte. Passado o prazo, todos começaram a bancar o custeio da Startup proporcionalmente às suas cotas.

O sonho virou pesadelo. Os criadores, sem voz ativa nas decisões, viram um negócio promissor ir pelo ralo – principalmente se considerarmos que há 3 anos o mercado tinha muito espaço para crescer.

Sem valores nem missão compartilhados, a filosofia dos novos sócios se resumia a resolver quando der problema, vamos vender depois vemos como entregar, e nem pensar em investir em equipe. Meses depois a Startup dos sonhos resvalou para o vale da morte, ou death valley, e meu Coachee partiu para outra, com novos aprendizados.

Com experiência de mais de 10 anos em Coaching tenho cada vez mais clientes vindo de Startups, com a consciência de que não basta ter uma boa ideia para ter sucesso, superando a cultura de acerto e erro: um começo sólido, sem achismos, e com muita autoconsciência pode fazer toda a diferença no futuro.

Conduzir uma Startup ao sucesso através do Coaching é uma questão de metodologia. O ponto de partida é sempre um levantamento para análise do cenário: QUAL É O PROBLEMA?

Dar uma direção clara e rápida ao negócio? Entender qual valor está entregando ao usuário/cliente? Necessidade de conhecer seu potencial de empreendedor e como pode melhorar? Resolver problemas rapidamente e testar protótipos? Validar produto? Estratégias? Plano de Crescimento? Apresentação para investidor? Mudanças na equipe? Análise de cenário? Gestão de pessoas? Comunicação? Estilo de Liderança? Programa de Compliance na medida para a captação de investidores estrangeiros? Sem problemas! Enfim, são dezenas e dezenas de ferramentas aprendidas, testadas e vivenciadas.

Com o conhecimento do negócio, ferramentas certas para cada situação, treinamentos customizados e, mais importante que tudo, no ambiente correto para a autoaprendizagem e o auto aperfeiçoamento, o processo de Coaching faz toda a diferença: pode ser individual, com o time ou em grupo com outros empreendedores que enfrentam a mesma situação.

Para quem não sabe – ou tem uma visão distorcida – Coaching é um processo estruturado, com começo, meio e fim, que utiliza ferramentas de diversas disciplinas para conduzir uma pessoa, ou time, na realização de seus objetivos em qualquer área da vida – pessoal, profissional ou nos negócios. O objetivo, sempre, é levar o cliente de onde está para onde quer chegar. Autoconhecimento faz parte.

Empresas são organismos vivos que vão crescer, e conhecer cada aspecto profundamente é essencial para o sucesso. Quem somos? Onde queremos chegar? Qual nossa cultura? Que valores são importantes para nós? Quais nossos limites? Estamos prontos para gestar e criar? Sabemos realmente qual a dor do nosso cliente que vamos atender? Simplesmente não dá para descobrir tudo durante a caminhada.

Num ponto muito especial do caminho, indivíduo e empresa se confundem para logo mais criar independência: é aí que reside a diferença entre sonho e visão.

Todos nós temos desejos e sonhos. Às vezes realizáveis, outras não. Na maioria, apenas alimentados dia-a-dia quando o pensamento voa. Transformar o sonho em visão é garantir que aconteça estabelecendo uma meta clara, colocando um prazo realista, definindo estratégias, criando um plano de ação e executando.

Sonhar é preciso. Mas não suficiente.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Marketing 4 MIN DE LEITURA

Um compromisso ético que Machado de Assis me obriga a enfrentar

O quanto as marcas contribuem para que os consumidores sejam atendidos nos seus legítimos desejos e necessidades?

Jaime Troiano

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Foto: Francisco Kroner / Jornal 140

Faz tempo, que um dos contos do Machado de Assis me persegue. Não sei julgar o quanto ele é melhor avaliado do que dezenas de outros do autor, pelos especialistas em nossa literatura. Alguém saberá dizer. Mas o que me interessa é o porquê “O Espelho – esboço de uma nova teoria da alma humana ” é um conto de que eu não consegui me libertar.

Ele me inquieta pelas várias conexões que faço com nossa vida pessoal e, acreditem, com minhas investidas diárias na vida profissional. Quem me conhece bem, sabe disso. Não vou descrevê-lo, mas apenas pontuar o essencial para que vocês mesmos leiam e tirem suas conclusões. Jacobina é um alferes, no Rio de Janeiro do século 19. O seu fardamento é o que faz com que ele mesmo se reconheça como pessoa e suponha ser reconhecido socialmente também. Sem o fardamento, sua própria imagem desvanece. Diante do espelho ele não se vê. De divãs de psicanálise a treinamentos corporativos, esse é um texto quase obrigatório. Não percam.

Bem, a conexão que eu faço com o conto é a seguinte: marcas são “fardamentos”. Recursos que deveriam contribuir para configurar nossa identidade e atender necessidades, de diversos níveis. Mas nunca para apagar o que somos como sujeitos, acima de tudo. Nunca para nos ocultar, por meio de uma persona com a qual elas, as marcas, nos vestem.

E daí, vem a delicada pergunta que eu vivo me fazendo. No mundo do branding, que é meu dia a dia profissional, qual é nosso papel? Alimentar o Jacobina que existe dentro de nós, impondo de forma sedutora e autoritária uma identidade que, no fim das contas, contribui pouco para nossos autênticos projetos de felicidade? Seria isso mesmo?

Quantas vezes o “consumidor Jacobina” não consegue se identificar consigo mesmo, ou não se vê no espelho social, quando não tem acesso às marcas que ele admira?

Durante décadas, eu tenho vivido essa tensão. Uma tensão entre o que nós fazemos nesta profissão, contribuindo para alimentar os negócios de empresas que, em última instância, também desenvolvem a economia, e o quanto consumidores são atendidos nos seus legítimos desejos e necessidades.

Por que temos encarado tão poucas vezes essa delicada pergunta? Uma vez ou outra, surge algum pensador que resolve mexer nesse vespeiro, como é o caso do inspirador e corajoso Martin Lindstrom em seu livro Brandwashed. (Lançado pela HSM no Brasil).

A pergunta não se cala, e a resposta mais comum que costumo ouvir é do tipo evasiva. Algo assim: nós não estamos atropelando os desejos e necessidades dos consumidores com as marcas que eles acabam comprando. Ou, eles têm sempre o livre arbítrio a seu favor para decidir o que, de fato, querem e podem adquirir. Ou, alguns enfrentam a pergunta de outro jeito: nós não criamos desejos inexistentes nos outros, mas apenas identificamos aquilo que eles querem, mesmo que não tenham consciência disso.

E há os que, simplesmente, viram as costas para essa dúvida. Porque o importante seria, acima de tudo, a eficácia comercial da marca e sua capacidade de multiplicar os negócios da empresa em seu mercado. Por outro lado, há os seus opostos: os que veem um papel perverso nas marcas ao dirigir o comportamento do consumidor, como se elas fossem uma tutora de almas infantis que não sabem decidir por si. São os que afirmam, por exemplo, que as marcas deveriam estar sob suspeição por alimentarem a inadimplência das famílias. A bíblia desse grupo são livros como o No Logo da Naomi Klein.

Esses dois grupos dormem em paz com sua consciência. Afinal, suas respectivas convicções não exigem qualquer esforço intelectual nem tensões morais. Eu não! E muitos que trabalham comigo ou já trabalharam tem essa inquietação à flor da pele. Não pertencemos a nenhum dos dois grupos.

Nós não acreditamos que o indicador supremo de qualidade e êxito de uma marca seja, acima de tudo, sua eficácia comercial. Ela só será bem sucedida, e por mais tempo, se não for apenas um “fardamento” social. Se atender necessidades, sejam elas funcionais, objetivas ou emocionais, mas autênticas.

Nós, somos a única espécie animal que procura um sentido para as decisões que tomamos na vida. Não somos movidos por instintos, mas por escolhas que deem um sentido ao que fazemos. Desculpe-me a Naomi Klein, marcas dão significado a nossas decisões.

Impossível ignorar que existe, em maior ou menor grau, um Jacobina em cada um de nós. O que pode mudar é a natureza do “fardamento” que alimentará nosso projeto de felicidade como indivíduos, no seu sentido mais amplo. Nossa responsabilidade ética nesta profissão não nos permite escapar para nenhum dos dois extremos. Nem imaginar que marcas nunca cometam “pecados” contra seus clientes e tampouco imaginar que sem elas possamos dar um sentido às nossas escolhas.

A tensão que emerge para quem vive e pensa entre esses dois polos não chega a nos paralisar. Mas exige um compromisso de eterna vigilância. E também a clareza de que não trabalhamos para atender a volúpia do mercado, mas a sociedade acima de tudo.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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