Siga-nos nas Redes Sociais

Comportamento 4 MIN DE LEITURA

Eles quebraram o vidro

Igualdade, justiça e liberdade são mais do que palavras, são perspectivas! V de Vingança

Publicado

em

Devido ao meu trabalho com tecnologia, é comum que seja questionado sobre hacktivismo. O tema é controverso, pois pode descrever desde uma cópia de propriedade (texto, imagem, vídeo, áudio), uma ação eletrônica com viés ideológico que busca causar determinada mudança social, ou até uma ação maliciosa que visa sequestrar ou destruir computadores e dados.

A história do ativismo hacker remonta à década de 1990, com invasões e sequestros de sinais de TV a cabo. O tema ganhou peso maior após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Com a implementação do Ato Patriótico nos EUA, iniciou-se grande pressão por parte de governos e mídia, criminalizando hackers e os igualando a terroristas.

Este cenário só se alterou no final dos anos 2000, com o aparecimento de Julian AssangeEdward Snowden e da ideia Anonymous. A iniciativa inovadora provocada por essas três fontes de informação mudou a visão da sociedade sobre o ativismo hacker.

JULIAN ASSANGE

Julian Paul Assange é jornalista, escritor e ciberativista. Fundador e principal porta-voz do website WikiLeaks, organização que publica postagens sobre assuntos sensíveis, documentos, fotos e informações confidenciais de fontes anônimas, vazadas de governos ou empresas.

O material do WikiLeaks é extenso. Documentos sobre execuções extrajudiciais no Quênia e detalhes do envolvimento dos EUA nas guerras do Iraque e Afeganistão estão entre os mais importantes. O WikiLeaks publicou diversos documentos sobre o Brasil, entre eles, o envolvimento de José Serra com petroleiras americanas.

Julian Assange foi indicado ao prêmio Nobel da Paz e considerado o Homem do Ano pelo jornal francês Le Monde, em 2010, e recebeu os prêmios Amnesty International UK Media AwardsIndex on Censorship e Sam Adams. Em 2014, foi homenageado com a Medalha Chico Mendes de Resistência, entregue pelo grupo de direitos humanos brasileiro Tortura Nunca Mais. Atualmente, vive como exilado político no Equador.

EDWARD SNOWDEN

Edward Joseph Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA, denunciou a utilização de vários sistemas de vigilância global utilizados pela NSA, principalmente o sistema PRISM, que monitorou conversas telefônicas e transmissões na internet de cidadãos dos EUA e de outros países. A vigilância incluiu ações no Brasil, como a interceptação de e-mails da ex-presidente Dilma Roussef e da Petrobras.

Recentemente, Snowden lançou um aplicativo para Android chamado Haven, um sistema de vigilância caseiro para pessoas que precisem proteger seus espaços pessoais e pertences sem comprometer a própria privacidade. Você pode baixá-lo, clicando aqui.

Edward Snowden foi indicado ao prêmio Nobel da Paz duas vezes, recebeu os prêmios Sam Adams e Ridenhour por expor a verdade. Atualmente, vive como exilado político na Rússia.

ANONYMOUS

A eficácia dos Anonymous começa por sua formação, pois não está ligado a um grupo específico. Trata-se de uma ideia e uma forma de ação ampla e heterogênea, por meio de rede de indivíduos que atuam em todo o mundo. Não existe uma liderança central e também não há centro geográfico.

Os Anonymous já enfrentaram a igreja católica e o estado islâmico. Realizaram operações no Egito, Tunísia, Síria, Malásia, Irã e Nigéria, entre outros. No Brasil, durante os protestos de 2013, a ação dos Anonymous foi fundamental na disseminação de informações relevantes a população.

Não se pode negar que eles são bons no que fazem e que, talvez, sejam a melhor ferramenta de proteção à democracia e à sociedade dos tempos atuais. A utilização da máscara de Guy Fawlkes para proteger suas identidades acabou se transformando no símbolo da ideia e esteve presente em protestos por todo o mundo, desde o passe livreoccupy wall street e até mesmo na primavera árabe.

VILANIA VIRTUAL

É cada vez mais comum ouvir falar de um ataque hacker malicioso a uma empresa ou instituição com o objetivo de extorquir dinheiro em troca dos dados. A cyber extorsão doméstica se tornou prática corriqueira nos últimos anos. Apurou-se caso em que apenas um hacker conseguiu arrecadar quase meio milhão de dólares.

Mas a vilania não para por aí, um outro grande negócio é a cyber eleição. Está em andamento investigação sobre ataques cibernéticos de um governo estrangeiro que tenha influenciado o resultado das eleições em outro país e, assim, a soberania de uma Nação.

Com o aperfeiçoamento da inteligência artificial, ameaças IoT sofisticadas e o avanço no ataque a roteadores e dispositivos móveis, é muito provável que um ataque cibernético em larga escala aconteça em 2019, pois é o que preveem os maiores especialistas em segurança cibernética em todo o mundo.

Como isso acontecerá? Ação de Keyloggers, ransomwares, spywares, malwares, adwares, phishings, worms, trojans, bended threats, boots, hoaxs, backdoors, mutantes e polimórficos, uma variedade de vírus e ataques com capacidade de hackear satélites, instalações militares, sistemas governamentais e redes inteiras de energia e abastecimento.

O PAPEL DO JORNALISMO

As Fake News estão no centro do debate envolvendo empresas jornalísticas e fontes de informação no ambiente virtual. Muitos se ocupam, atualmente, em enfrentar a difícil tarefa de separar a realidade do conteúdo inventado, disseminado nas redes sociais, que acaba contaminando o noticiário cotidiano. Neste cenário, não será incomum se o jornalismo utilizar, como estratégia na obtenção de informação, o ativismo hacker para conseguir noticiar a verdade.

Os jornais El PaísLe MondeDer SpiegelThe GuardianThe New York Times e The Washington Post foram parceiros na mídia e responsáveis por publicar os documentos de Julian Assange e Edward Snowden. Além disso, vários veículos já desenvolveram estruturas para a atividade de fact-checking, inclusive tornando-se signatários do código de princípios da International Fact-Checking Networking, associação internacional de verificação de fatos, sediada nos Estados Unidos. Entre eles, brasileiros como o jornal O Estado de S. Paulo e as agências Lupa, Pública e Aos Fatos.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Escreva um Comentário

Comportamento 3 MIN DE LEITURA

A atualização não deve ser só na voz

O retrato de uma sociedade que assedia sexualmente até mesmo as assistentes virtuais!

Julie Damame

Publicado

em

Foto: Austin Distel / Unsplash
​“Criar uma máquina consciente não é parte da história do homem. É a história dos deuses”. A frase é do filme “Ex_Machina: Instinto Artificial”, do diretor Alex Garland.
​Quem aqui já o assistiu?
​Eu o assisti há pouco tempo e, com a mesma sensação do meu último artigo, persisto impressionada em como as transformações tecnológicas desenvolvem novas conjunturas sociais. E outras nem tão inovadoras assim.
Então, para quem ainda não o viu – e contendo alguns spoilers! -, a narrativa do longa-metragem consiste na criação e acompanhamento de robôs humanoides dotados de alta e complexa inteligência artificial. No filme, os robôs foram programados para aparentar e realizar “funções sociais típicas” de uma mulher. Tais como obrigações para com o lar, com a aparência física e até mesmo sexuais.
​O modo como as máquinas são concebidas e o desfecho da trama são realmente surpreendentes (ou previsíveis para alguns, como para minha mãe). De qualquer forma, acredito que valha a pena ser visto. ​No final, fiquei com o mesmo questionamento do princípio: por que os robôs eram representados como mulheres?
​Por ironia do destino, recebi a campanha do movimento “#HeyUpdateMyVoice” (#HeyAtualizeMinhaVoz) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que relata que as assistentes virtuais (Siri, Alexa, Cortana, Robin, entre outras) sofrem assédio. Sim, é exatamente isso que você leu!
​De acordo com a Comissão de Banda Larga da ONU, 73% das mulheres – ao redor do mundo – que estão conectadas, já foram expostas a algum tipo de violência online. E, agora, por mais absurdo que pareça, essa “violência” foi estendida para as assistentes virtuais e suas vozes “femininas”!
​Loucura! A UNESCO prevê que aproximadamente 5% das interações com as assistentes virtuais são explicitamente sexuais. Apenas no caso de “Robin”, assistente pessoal para auxiliar no trânsito, são mais de 300 conversações diárias.
​Não bastasse isso, as declarações e insultos ganham respostas que só reforçam narrativas sexistas. O próprio título do relatório da UNESCO, “Eu coraria, se pudesse” (2019), refere-se a uma das reações dadas pela Siri, quando um homem a xingou: “Siri, você é uma vagabunda!”.
​Outras respostas, igualmente sem assertividade, foram projetadas para a mesma colocação, em 2017: “Oh”; “Agora, agora” e “A tua linguagem!”. Curiosamente, quando as investidas eram proferidas por mulheres, o dispositivo retrucava: “Isso não é simpático”.
​A UNESCO pondera e conclui o relatório da seguinte maneira: “A subserviência das assistentes de voz digital torna-se particularmente preocupante quando estas máquinas – antropomorfizadas como mulheres pelas empresas de tecnologia – dão respostas desviantes, fracas e apologéticas ao abuso sexual verbal. […] (Elas) são prestativas, dóceis e desejosas por agradar, disponíveis através de um simples clique num botão ou com um comando de voz”.
​Ademais, será que estes softwares não reforçam profissões estereotipadas? Ou seja, que funções como ajudante, secretária, são “mais de mulher”?
​Inclusive, a começar pelos nomes. Por exemplo, a origem da palavra “Siri” significa, na mitologia nórdica, “mulher bonita que te leva à vitória” ou “Sophia” que foi a primeira robô humanoide.
​Por isso, retorno e coincido com as indagações quanto ao filme: por que a vasta maioria dos robôs humanoides são “mulheres”?
​Acredito que uma parte foi explicada pela UNESCO.
Contudo, no filme que mencionei no início do texto, o “criador” (Nathan Bateman) do “Ex_Machina”, ambicionava que as humanoides fossem daquele jeito. Como discorre na obra, Nathan queria que elas fossem heterossexuais, que tivessem aptidão sexual e outras características para sua pura satisfação.
​Trazendo para a “vida real”, quem são os principais “criadores”? Ou, quem – em sua maioria – fez o uso com conotação sexual?
​Se as repostas para os dois questionamentos convergirem, significa que o que está errado não é – somente – na falha de programação do sistema. Uma atualização, por mais necessária que seja, não será suficiente.
​A campanha #HeyUpdateMyVoice sabe disso. O objetivo principal do movimento, além de desejar criar um banco de dados com as respostas necessárias e efusivas para os casos de assédios; é a educação da sociedade, contando com as empresas e seus consumidores globais.
​Por fim, o que me impressiona é que, mesmo agora, no “futuro tecnológico do século XXI”, ainda temos que lutar a infindável e exaustiva batalha contra os esteriótipos negativos femininos.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

Publicado

em

Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Trending

  • Registrar
ou entre com
Lost your password? Please enter your username or email address. You will receive a link to create a new password via email.