Eles quebraram o vidro

Igualdade, justiça e liberdade são mais do que palavras, são perspectivas!
V de Vingança

Devido ao meu trabalho com tecnologia, é comum que seja questionado sobre hacktivismo. O tema é controverso, pois pode descrever desde uma cópia de propriedade (texto, imagem, vídeo, áudio), uma ação eletrônica com viés ideológico que busca causar determinada mudança social, ou até uma ação maliciosa que visa sequestrar ou destruir computadores e dados.

A história do ativismo hacker remonta à década de 1990, com invasões e sequestros de sinais de TV a cabo. O tema ganhou peso maior após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Com a implementação do Ato Patriótico nos EUA, iniciou-se grande pressão por parte de governos e mídia, criminalizando hackers e os igualando a terroristas.

Este cenário só se alterou no final dos anos 2000, com o aparecimento de Julian AssangeEdward Snowden e da ideia Anonymous. A iniciativa inovadora provocada por essas três fontes de informação mudou a visão da sociedade sobre o ativismo hacker.

JULIAN ASSANGE

Julian Paul Assange é jornalista, escritor e ciberativista. Fundador e principal porta-voz do website WikiLeaks, organização que publica postagens sobre assuntos sensíveis, documentos, fotos e informações confidenciais de fontes anônimas, vazadas de governos ou empresas.

O material do WikiLeaks é extenso. Documentos sobre execuções extrajudiciais no Quênia e detalhes do envolvimento dos EUA nas guerras do Iraque e Afeganistão estão entre os mais importantes. O WikiLeaks publicou diversos documentos sobre o Brasil, entre eles, o envolvimento de José Serra com petroleiras americanas.

Julian Assange foi indicado ao prêmio Nobel da Paz e considerado o Homem do Ano pelo jornal francês Le Monde, em 2010, e recebeu os prêmios Amnesty International UK Media AwardsIndex on Censorship e Sam Adams. Em 2014, foi homenageado com a Medalha Chico Mendes de Resistência, entregue pelo grupo de direitos humanos brasileiro Tortura Nunca Mais. Atualmente, vive como exilado político no Equador.

EDWARD SNOWDEN

Edward Joseph Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA, denunciou a utilização de vários sistemas de vigilância global utilizados pela NSA, principalmente o sistema PRISM, que monitorou conversas telefônicas e transmissões na internet de cidadãos dos EUA e de outros países. A vigilância incluiu ações no Brasil, como a interceptação de e-mails da ex-presidente Dilma Roussef e da Petrobras.

Recentemente, Snowden lançou um aplicativo para Android chamado Haven, um sistema de vigilância caseiro para pessoas que precisem proteger seus espaços pessoais e pertences sem comprometer a própria privacidade. Você pode baixá-lo, clicando aqui.

Edward Snowden foi indicado ao prêmio Nobel da Paz duas vezes, recebeu os prêmios Sam Adams e Ridenhour por expor a verdade. Atualmente, vive como exilado político na Rússia.

ANONYMOUS

A eficácia dos Anonymous começa por sua formação, pois não está ligado a um grupo específico. Trata-se de uma ideia e uma forma de ação ampla e heterogênea, por meio de rede de indivíduos que atuam em todo o mundo. Não existe uma liderança central e também não há centro geográfico.

Os Anonymous já enfrentaram a igreja católica e o estado islâmico. Realizaram operações no Egito, Tunísia, Síria, Malásia, Irã e Nigéria, entre outros. No Brasil, durante os protestos de 2013, a ação dos Anonymous foi fundamental na disseminação de informações relevantes a população.

Não se pode negar que eles são bons no que fazem e que, talvez, sejam a melhor ferramenta de proteção à democracia e à sociedade dos tempos atuais. A utilização da máscara de Guy Fawlkes para proteger suas identidades acabou se transformando no símbolo da ideia e esteve presente em protestos por todo o mundo, desde o passe livreoccupy wall street e até mesmo na primavera árabe.

VILANIA VIRTUAL

É cada vez mais comum ouvir falar de um ataque hacker malicioso a uma empresa ou instituição com o objetivo de extorquir dinheiro em troca dos dados. A cyber extorsão doméstica se tornou prática corriqueira nos últimos anos. Apurou-se caso em que apenas um hacker conseguiu arrecadar quase meio milhão de dólares.

Mas a vilania não para por aí, um outro grande negócio é a cyber eleição. Está em andamento investigação sobre ataques cibernéticos de um governo estrangeiro que tenha influenciado o resultado das eleições em outro país e, assim, a soberania de uma Nação.

Com o aperfeiçoamento da inteligência artificial, ameaças IoT sofisticadas e o avanço no ataque a roteadores e dispositivos móveis, é muito provável que um ataque cibernético em larga escala aconteça em 2019, pois é o que preveem os maiores especialistas em segurança cibernética em todo o mundo.

Como isso acontecerá? Ação de Keyloggers, ransomwares, spywares, malwares, adwares, phishings, worms, trojans, bended threats, boots, hoaxs, backdoors, mutantes e polimórficos, uma variedade de vírus e ataques com capacidade de hackear satélites, instalações militares, sistemas governamentais e redes inteiras de energia e abastecimento.

O PAPEL DO JORNALISMO

As Fake News estão no centro do debate envolvendo empresas jornalísticas e fontes de informação no ambiente virtual. Muitos se ocupam, atualmente, em enfrentar a difícil tarefa de separar a realidade do conteúdo inventado, disseminado nas redes sociais, que acaba contaminando o noticiário cotidiano. Neste cenário, não será incomum se o jornalismo utilizar, como estratégia na obtenção de informação, o ativismo hacker para conseguir noticiar a verdade.

Os jornais El PaísLe MondeDer SpiegelThe GuardianThe New York Times e The Washington Post foram parceiros na mídia e responsáveis por publicar os documentos de Julian Assange e Edward Snowden. Além disso, vários veículos já desenvolveram estruturas para a atividade de fact-checking, inclusive tornando-se signatários do código de princípios da International Fact-Checking Networking, associação internacional de verificação de fatos, sediada nos Estados Unidos. Entre eles, brasileiros como o jornal O Estado de S. Paulo e as agências Lupa, Pública e Aos Fatos.

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