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Negócios 6 MIN DE LEITURA

Martin Luther King

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Eu me orgulho de ser um desajustado!
Martin Luther King Jr.

As pessoas obtêm inspiração de muitos indivíduos e histórias diferentes. Para alguns, a inspiração vem de simples testemunhos de pessoas da vida cotidiana, para outros, das lições e do sucesso de grandes empreendedores, como Bill Gates, Steve Jobs e Jeff Bezos.

Mas, para uma inspiração real, encontro-me gravitando em líderes que inspiraram de outra forma, como Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Embora não sejam empreendedores, esses homens identificaram um grande problema, desafiaram o status quo e criaram uma solução que realmente fizesse a diferença.

Na última segunda-feira (21), foi celebrado o feriado nacional nos EUA para homenagear Martin Luther King Jr, um ótimo momento para reconhecer a jornada, as lições e o legado deste grande líder.

O HOMEM

Martin Luther King Jr. nasceu no dia 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de Martin Luther King Sr. e de Alberta Williams King, era o filho do meio entre os irmãos Willie Christine King e Alfred Daniel Williams King.

Desde a infância, a espiritualidade esteve presente em sua vida. Luther King participava da escola dominical e cantava no coro da igreja, mas era originalmente cético em relação a muitas das reivindicações do cristianismo, negando inicialmente a ressurreição corporal de Jesus Cristo. No entanto, mais tarde, Luther King concluiu que a Bíblia tem “muitas verdades profundas que não se pode escapar” e decidiu entrar para o seminário.

Martin Luther King graduou-se no prestigioso Morehouse College, em 1948, formou-se em teologia pelo Seminário Teológico Crozer e, em 1955, concluiu o doutorado em filosofia pela Universidade de Boston. Na universidade, Luther King conheceu Coretta Scott, com quem casou-se e teve quatro filhos, Yoland King, Martin Luther King III, Dexter Scott King e Bernice King.

O PROBLEMA

No final dos anos 50, os EUA ainda viviam sob um sistema de supremacia institucional de segregação racial, em especial no sul do país. Mais do que um sistema racista, o estado capitalista americano, era configurado como um estado etnicamente supremacista, pelo poder que governava os EUA.

Os negros tinham de viver separados dos brancos, não podiam frequentar as mesmas escolas ou igrejas, comer nos mesmos restaurantes, sentar no mesmo ônibus ou votar democraticamente. Os negros não eram só considerados cidadãos de segunda classe, também eram considerados uma reserva industrial de baixa remuneração.

Os negros também viviam sob estado policial e ainda sofriam atentados violentos de uma organização racista chamada Ku klux klan. Um movimento que existe até hoje e que defende correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco e a anti-imigração.

O MOVIMENTO

Neste cenário, as lideranças anti-racistas tinham pontos de vista diferentes. O legado anterior defendeu o direito dos negros retornarem a sua nação original, além de serem indenizados pelo processo de imigração forçada. Malcolm X lutava pela libertação nacional, onde os negros tinham o direito de constituir uma república dentro do território americano como princípio de reparação obrigatório pelo fato dos negros teres sido escravizados.

Martin Luther King tinha um ponto de vista integracionista na resistência contra a segregação racial. Luther King lutava pelo fim das leis e da institucionalidade que impedia que os negros tivessem os mesmos direitos que os brancos. Ao contrário das outras lideranças, Luther King não era anti-capitalista, ele buscava predominantemente que os negros pudessem participar do desenvolvimento capitalista norte-americano.

A posição de Luther King não era unânime, os Panteras Negras herdavam de Malcolm X a crítica ao integracionismo e defendiam a imposição de um estado anti-capitalista multiétnico através de uma revolução. Outros pontos de vista do movimento eram mais socialistas e adotavam um discurso marxista enraizado, simpáticos a posição social, cultural e política de Mao Tsé-Tung e da revolução cubana.

A BATALHA

No ano de 1954, em Montgomery, Alabama, Martin Luther King iniciava suas atividades como pastor, quando viu Rosa Parks, uma mulher negra, se negar a dar seu lugar num ônibus para uma mulher branca e ser presa.

Martin Luther King e outros líderes negros da cidade organizaram um boicote aos ônibus para protestar contra a segregação racial. Após um ano de protestos, ter sido preso, torturado e ver sua casa sendo atacada, Martin Luther King viu a Suprema Corte Americana tornar ilegal a discriminação racial em transporte público.

Em 1957, Martin Luther King tornou-se presidente da Conferência da Liderança Cristã do Sul, a entidade que deveria organizar o ativismo em torno da questão dos direitos civis. Adepto ás ideias de desobediência civil preconizadas pelo líder indiano Mahatma Gandhi, Luther King aplicava essas ideias nos protestos organizados pelo CLCS.

Sob os princípios do protesto não violento, Martin Luther King e a CLCS criaram uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis. Com ampla cobertura da mídia, as manifestações não violentas, atacadas de modo violento por autoridades, criaram uma espécie de antidoto contra o sistema policial de segregação racial.

Os eventos mais importantes aconteceram nas cidades de St. Augustine, na Flórida, além de Albany, Birmingham e Selma, todas no estado do Alabama. Martin Luther King organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos.

Em 1963, Martin Luther King marchou com mais de 200.000 pessoas pelo fim da segregação racial em Washington, capital dos Estados Unidos. Foi lá que Luther King proferiu o famoso discurso I Have a Dream.

“O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, e não pela cor da pele.”

A Marcha de Washington colocou mais pressão na administração do então presidente John F. Kennedy para que as questões de direitos civis fossem levadas até o congresso, mas com o assassinato do presidente Kennedy, foi o seu sucessor, Lyndon B. Johnson, que conseguiu fazer a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965). Martin Luther King manteve-se à frente da CLCS até sua morte.

Martin Luther King em Whashington, capital dos Estados Unidos

INIMIGO PÚBLICO

No inicio de sua jornada, Martin Luther King era uma líder reformista. Na medida em que avançou na liderança do movimento, Luther King alterou seu próprio pensamento. Ao se dar conta de que sua posição original de eliminar o racismo sem romper com o capitalismo não era sustentada, Luther King radicalizou seu discurso.

Ao perceber que o discurso de Martin Luther King passou a se aproximar do ponto de vista revolucionário de Malcolm X, Luther King passou a ser visto como um antagonista da hegemonia racista dos EUA e não mais como um reformista pacifico que não oferecia perigo as classes dominantes. A partir deste momento, Martin Luther King se transformou em um inimigo a ser abatido.

Arquivos do FBI investigados pelo congresso dos EUA, revelaram que Luther King estava sob vigilância permanente e era um objetivo a ser aniquilado pelas operações clandestinas da policia norte-americana. No dia 4 de abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis.

O LEGADO

Martin Luther King foi um dos defensores mais veementes e apaixonados da justiça e igualdade racial. Os princípios de inclusão, tolerância e amor fraternal que ele pregou e praticou são os ideais por trás do significado de seu legado. Sua crença de que pessoas de diferentes nacionalidades, religiões, raças e antecedentes podem se unir com o propósito de paz e prosperidade, permanece vivo nos dias de hoje.

Embora Martin Luther King fosse um americano, ele era, acima de tudo, um humanitário que desejava um legado de amor e serviço. Mais de 100 nações comemoram o nascimento do líder global que inspirou movimentos de libertação não violenta ao redor do mundo. Entre inúmeras condecorações, Martin Luther King recebeu o Premio Nobel da Paz em 1964, e postumamente, a Medalha Presidencial da Liberdade.

Quanto a nós e aos outros que servem acolhendo pessoas de todo o mundo, nos comprometemos a fazer nossa parte para unir os cidadãos globais para o bem maior da humanidade. Todos nós podemos e devemos levar a tocha dos sonhos do Dr. King e nos juntar a ele em um legado de paz, esperança e igualdade.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Marketing 4 MIN DE LEITURA

Um compromisso ético que Machado de Assis me obriga a enfrentar

O quanto as marcas contribuem para que os consumidores sejam atendidos nos seus legítimos desejos e necessidades?

Jaime Troiano

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Foto: Francisco Kroner / Jornal 140

Faz tempo, que um dos contos do Machado de Assis me persegue. Não sei julgar o quanto ele é melhor avaliado do que dezenas de outros do autor, pelos especialistas em nossa literatura. Alguém saberá dizer. Mas o que me interessa é o porquê “O Espelho – esboço de uma nova teoria da alma humana ” é um conto de que eu não consegui me libertar.

Ele me inquieta pelas várias conexões que faço com nossa vida pessoal e, acreditem, com minhas investidas diárias na vida profissional. Quem me conhece bem, sabe disso. Não vou descrevê-lo, mas apenas pontuar o essencial para que vocês mesmos leiam e tirem suas conclusões. Jacobina é um alferes, no Rio de Janeiro do século 19. O seu fardamento é o que faz com que ele mesmo se reconheça como pessoa e suponha ser reconhecido socialmente também. Sem o fardamento, sua própria imagem desvanece. Diante do espelho ele não se vê. De divãs de psicanálise a treinamentos corporativos, esse é um texto quase obrigatório. Não percam.

Bem, a conexão que eu faço com o conto é a seguinte: marcas são “fardamentos”. Recursos que deveriam contribuir para configurar nossa identidade e atender necessidades, de diversos níveis. Mas nunca para apagar o que somos como sujeitos, acima de tudo. Nunca para nos ocultar, por meio de uma persona com a qual elas, as marcas, nos vestem.

E daí, vem a delicada pergunta que eu vivo me fazendo. No mundo do branding, que é meu dia a dia profissional, qual é nosso papel? Alimentar o Jacobina que existe dentro de nós, impondo de forma sedutora e autoritária uma identidade que, no fim das contas, contribui pouco para nossos autênticos projetos de felicidade? Seria isso mesmo?

Quantas vezes o “consumidor Jacobina” não consegue se identificar consigo mesmo, ou não se vê no espelho social, quando não tem acesso às marcas que ele admira?

Durante décadas, eu tenho vivido essa tensão. Uma tensão entre o que nós fazemos nesta profissão, contribuindo para alimentar os negócios de empresas que, em última instância, também desenvolvem a economia, e o quanto consumidores são atendidos nos seus legítimos desejos e necessidades.

Por que temos encarado tão poucas vezes essa delicada pergunta? Uma vez ou outra, surge algum pensador que resolve mexer nesse vespeiro, como é o caso do inspirador e corajoso Martin Lindstrom em seu livro Brandwashed. (Lançado pela HSM no Brasil).

A pergunta não se cala, e a resposta mais comum que costumo ouvir é do tipo evasiva. Algo assim: nós não estamos atropelando os desejos e necessidades dos consumidores com as marcas que eles acabam comprando. Ou, eles têm sempre o livre arbítrio a seu favor para decidir o que, de fato, querem e podem adquirir. Ou, alguns enfrentam a pergunta de outro jeito: nós não criamos desejos inexistentes nos outros, mas apenas identificamos aquilo que eles querem, mesmo que não tenham consciência disso.

E há os que, simplesmente, viram as costas para essa dúvida. Porque o importante seria, acima de tudo, a eficácia comercial da marca e sua capacidade de multiplicar os negócios da empresa em seu mercado. Por outro lado, há os seus opostos: os que veem um papel perverso nas marcas ao dirigir o comportamento do consumidor, como se elas fossem uma tutora de almas infantis que não sabem decidir por si. São os que afirmam, por exemplo, que as marcas deveriam estar sob suspeição por alimentarem a inadimplência das famílias. A bíblia desse grupo são livros como o No Logo da Naomi Klein.

Esses dois grupos dormem em paz com sua consciência. Afinal, suas respectivas convicções não exigem qualquer esforço intelectual nem tensões morais. Eu não! E muitos que trabalham comigo ou já trabalharam tem essa inquietação à flor da pele. Não pertencemos a nenhum dos dois grupos.

Nós não acreditamos que o indicador supremo de qualidade e êxito de uma marca seja, acima de tudo, sua eficácia comercial. Ela só será bem sucedida, e por mais tempo, se não for apenas um “fardamento” social. Se atender necessidades, sejam elas funcionais, objetivas ou emocionais, mas autênticas.

Nós, somos a única espécie animal que procura um sentido para as decisões que tomamos na vida. Não somos movidos por instintos, mas por escolhas que deem um sentido ao que fazemos. Desculpe-me a Naomi Klein, marcas dão significado a nossas decisões.

Impossível ignorar que existe, em maior ou menor grau, um Jacobina em cada um de nós. O que pode mudar é a natureza do “fardamento” que alimentará nosso projeto de felicidade como indivíduos, no seu sentido mais amplo. Nossa responsabilidade ética nesta profissão não nos permite escapar para nenhum dos dois extremos. Nem imaginar que marcas nunca cometam “pecados” contra seus clientes e tampouco imaginar que sem elas possamos dar um sentido às nossas escolhas.

A tensão que emerge para quem vive e pensa entre esses dois polos não chega a nos paralisar. Mas exige um compromisso de eterna vigilância. E também a clareza de que não trabalhamos para atender a volúpia do mercado, mas a sociedade acima de tudo.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Jaime Troiano: Conceito de Place Branding e o case do Baixo Pinheiros

Um dos principais especialistas em Branding do país fala sobre Place Branding

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Foto: Francisco Kroner / Jornal 140

Jornal 140 entrevista o Presidente da TroianoBranding, Jaime Troiano, que explica o conceito de Place Branding e conta o case do Baixo Pinheiros. Para saber mais sobre o projeto do Baixo Pinheiros, clique aqui.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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