Guia do líder do século XXI

Liderança é um tema de permanente atenção e investimento de recursos por parte de empresas de todos os portes e segmentos. Para dar o exemplo dos Estados Unidos, onde as estatísticas sobre o tema são mais precisas, estima-se que em 2014, foram investidos em torno de US$ 20 bilhões com programas de desenvolvimento de liderança. As empresas reconhecem que são os líderes que alavancam resultados, impulsionam a mudança e são o exemplo vivo do propósito da organização.

A partir desta clareza, líderes eficazes se esforçam para melhorar seu desempenho por meio de coaching, planos para melhoria de desempenho e outras ações pessoais, como exercício físico, meditação, leituras e estudos fora do horário de trabalho.

Para que todo este esforço pessoal e investimento? Neste momento, passados 20 anos do século XXI, em que focar para se tornar um melhor líder? Quais são os cenários para que devemos nos preparar e os comportamentos que devemos desenvolver? Nesta série de artigos pretendo apresentar algumas ideias que considero importantes para dar resposta a estas perguntas. E as respostas não são só minhas. Elas provêm das discussões com milhares de alunos com quem tive contato na FGV, nas disciplinas de Liderança e Motivação, Comunicação e Liderança, Liderança e Poder e Gestão de Pessoas.

Provêm também de outras centenas de discussões com grupos de líderes em empresas nas quais planejei e implantei programas de desenvolvimento de liderança nos últimos anos.

Vamos começar pelo final. Minha crença é que viveremos por um longo período em um cenário de convivência de dois mundos. Continuaremos tendo empresas centralizadas, hierárquicas, lentas e com canais complexos de tomada de decisão. Vamos chamar este de Mundo 1. Já no Mundo 2, estamos vendo surgir empresas fluidas, ágeis, com hierarquias achatadas e operando em redes distribuídas, conceito que vamos esclarecer ao longo desta nossa conversa. Neste ponto vale à pena apenas dizer que redes podem ser mais ou menos distribuídas, trata-se de uma questão de graus e intensidade.

Atenção. As empresas grandes e poderosas em recursos se disfarçam de empresas do Mundo 2, do mundo da colaboração e das redes mais distribuídas. Não é porque uma empresa criou uma sala com almofadas, um espaço de co-working e seus empregados trabalham em home office que ela opera de forma distribuída.

Muitas vezes estas empresas cobram de seus líderes posturas de autonomia, empoderamento, senso de dono e protagonismo. Palavras da moda que nada mudam na realidade se os líderes não puderem praticar uma nova maneira de atuar e consequentemente de liderar.

Esta nova atuação tem a ver com a confiança que se deposita nos colaboradores para a tomada de decisão, com a auto-gestão das equipes, com a livre interação entre as equipes internas e destas com clientes e fornecedores. Trata-se, portanto, de preparar líderes para superar as limitações dos sistemas de controle hierárquicos tradicionais e operar em sistemas ágeis auto organizados, que funcionam por relações de colaboração. Trata-se de se entender como facilitador de processos grupais e não mais como diretor de equipes.

No próximo artigo vamos explorar mais o conceito de redes distribuídas e falar das competências que os líderes dos novos tempos precisam desenvolver.

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