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Aeroespacial

O lado oculto da Lua

No último domingo, 3 de janeiro de 2019, os seres humanos finalmente conheceram o lado oculto da Lua.

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Desde o lançamento da última missão Apollo, em dezembro de 1972, a Lua se manteve praticamente intocada. Durante todos estes anos, a corrida espacial deixou muitos mistérios, um deles sempre foi o lado distante, popularmente chamado de lado oculto da Lua  – o lado que está sempre de costas para a Terra.

Os mistérios do lado oculto da lua fizeram parte de nossa cultura por gerações, o famoso álbum do Pink Floyd e as referências dos filmes de Hollywood em 2001: Uma Odisseia no Espaço e Transformers: O Lado Oculto da Lua, são algumas deles. No youtube, inúmeras teorias da conspiração podem ser encontradas sobre o lado oculto da Lua.

No último domingo, 3 de janeiro de 2019, os seres humanos finalmente conheceram o lado oculto da Lua. A CNSA (Administração Espacial Nacional da China) aterrou com sucesso um módulo de pouso lunar, Chang’e-4 (嫦娥四号), em South Pole-Aitken, a maior e mais profunda bacia da lua.

A CNSA está utilizando um jipe lunar chamado Yutu-2 (玉兔二号, Jade Rabbit-2), que envia dados de temperatura, além de fotos do solo, rochas e crateras. A sonda também levou sementes que germinaram (antes de congelar até a morte), tornando esta a primeira vez que qualquer matéria biológica da Terra foi cultivada na Lua.

Além disso, a sonda pousou na Lua com um detector de radiação de nêutrons e outro detector de átomos para estudar como os ventos solares afetam a superfície da Lua. Os equipamentos realizarão medições detalhadas do terreno e da composição mineral lunar. Os cientistas chineses também instalaram um receptor para tentar captar sinais de rádio nos confins do universo.

O retorno a Lua gera uma expectativa muito grande. A corrida espacial dos anos 60 catalisou a criação de tecnologias diversas, como o isolamento residencial, câmeras em miniatura, tomografia computadorizada, LEDs, remoção de minas terrestres, calçados esportivos, tecnologia de purificação de água, termômetros auriculares, espuma de memória e alimentos liofilizados.

A corrida espacial também barateou o acesso a tecnologia espacial. Os acelerômetros, giroscópios e sistemas de navegação de precisão que custavam milhões, agora estão disponíveis por alguns centavos no Alibaba. Satélites, foguetes e robôs também são muito mais acessíveis.

Os americanos e soviéticos ainda dominam a exploração espacial, mas China, Índia, Japão e outros se uniram nessa disputa. Nos últimos anos, empreendedores como Elon Musk, Jeff Bezos, Richard Branson e Rahul Narayan nivelaram o campo espacial para que até mesmo pequenas startups possam competir e colaborar com os governos.

Como em todos os avanços, há também novos medos e riscos. Para qualquer tipo de estação espacial ou base em outro planeta ou Lua, existem três questões. Quem define as regras, padrões e linguagem que é usada no espaço sideral – quais valores éticos e sociais guiarão as comunidades espaciais do futuro – e quais lugares além da Terra são eticamente reivindicáveis ​​como propriedade.

Independente dos riscos, a nova era da exploração espacial começou e podemos esperar por tecnologias que incluem nano satélites, sensores de imagem, GPS, redes de comunicação, edifícios construídos em impressoras 3D e uma série de inovações que ainda não concebemos. Um futuro interestelar já pode ser visto nos céus.

A CNSA divulgou um vídeo do pouso da Chang’e-4 (嫦娥四号), que foi produzido pelo processamento de mais de 4.700 fotos tiradas por uma câmera acoplada ao módulo. O vídeo, com duração de cerca de 12 minutos, mostra que o módulo ajustou sua altitude, pairou e evitou obstáculos durante o processo de descida. Para acompanhar diariamente a missão chinesa na Lua, clique aqui.

Foto: Andrew Hughes / Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Aeroespacial

Yutu-2 e o material misterioso no lado oculto da Lua

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser.

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Imagem que mostra a área destacada na cratera. Crédito: CNSA/Clep

No ano passado, a CNSA (Administração Espacial Nacional da China) aterrou com sucesso um módulo de pouso lunar  Chang’e-4 (嫦娥四号), em South Pole-Aitken, a maior e mais profunda bacia da lua, no lado oculto da Lua.

Desde então, um jipe lunar chamado Yutu-2 (玉兔二号, Jade Rabbit-2) estuda a Lua. No mês passado, enquanto trafegava pelo lado oculto da Lua, avistou uma ”substância misteriosa e colorida”. A substância foi descrita como um material semelhante a gel, que parecia completamente diferente em forma, cor e textura do solo lunar circundante.

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser. Os cientistas levaram o Yutu-2 para perto do material, que parece estar localizado no centro de uma cratera. 

O que as imagens mostram?

A explicação mais provável é que um impacto gerou calor suficiente para formar vidro a partir dos minerais espalhados pela superfície lunar, deixando fragmentos para trás. 

Em entrevista ao Space.com, o professor Clive Neal, cientista lunar da Universidade de Notre Dame, disse que embora a foto resultante não seja perfeita, ela ainda pode oferecer pistas sobre a descoberta inesperada. O professor Neal disse que o material encontrado se assemelha a uma amostra de vidro de impacto encontrado durante a missão Apollo 17 em 1972.

O Yutu-2 está silencioso no momento e começará a operar novamente na próxima semana devido a incidência solar.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Cinquenta anos depois da Apollo 11, vivemos todos no mundo da Lua

O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra.

Sergio Kulpas

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O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra. Eles foram os últimos homens a pisar na superfície lunar. Mas o projeto Apollo deixou uma imensa herança científica e social, que está integrada ao cotidiano de todos nós, meio século depois do primeiro pouso na Lua.

O programa espacial americano que levou astronautas para a Lua foi um projeto político, uma resposta da superpotência ocidental ao pioneirismo soviético, que colocou o jovem cosmonauta Yuri Gagarin em órbita da Terra em 1961. No ano seguinte, o presidente americano John F. Kennedy prometeu em discurso que os americanos chegariam à Lua antes do final da década de 1960. Dito e feito.

O mundo da última missão tripulada à Lua era muito diferente daqueles primeiros voos dos anos 1960. Os assassinatos de John Kennedy, Martin Luther King e Bob Kennedy arrasaram com os sonhos da Era de Aquarius e da geração “paz e amor”. As turbulências sociais que varreram o mundo naquele final de década empalideceram o brilho da Lua.

Em 1972, o presidente dos EUA era o republicano Richard Nixon, e o país estava atolado na insana guerra do Vietnã, um conflito que custou a vida de dezenas de milhares de jovens americanos e milhões de vietnamitas. Os recursos destinados a essa guerra foram se tornando cada vez maiores e atenção do público americano estava muito mais concentrada nas notícias sobre seus filhos morrendo na selva de um distante país da Ásia do que em bravos astronautas no vácuo lunar.

Em 1973, a primeira crise do petróleo causou um terremoto no mapa político do mundo, e pode ter sido a pá de cal no programa espacial tripulado da NASA. O último foguete Apollo voou em 1975, para se acoplar em órbita com a nave soviética Soyuz, uma missão colaborativa criada para tentar amenizar a tensão da Guerra Fria. As estações espaciais criadas nos anos 1970, o Skylab americano e a Mir soviética, são crias do projeto Apollo, mas foram projetos relativamente modestos e com orçamentos muito menores do que deveriam ter.

Apesar desse final quase melancólico, o projeto Apollo deixou um legado riquíssimo, que faz parte essencial do mundo que vivemos hoje. As tecnologias desenvolvidas para as missões lunares foram aperfeiçoadas e produzidas em massa nas últimas décadas, e são parte integral de nossas vidas.

Circuitos integrados (chips) minúsculos, GPS, comida desidratada, trajes térmicos usados por bombeiros, velcro, ferramentas portáteis movidas por baterias, sistemas de imagem eletrônica, sistemas de transmissão via satélite, lentes de câmeras e capacetes a prova de riscos, e uma infinidade de outras tecnologias criadas para o projeto lunar estão presentes hoje, e continuam evoluindo.
Como o projeto de missões tripuladas na Lua foi encerrado há 47 anos, esse feito histórico parece ter perdido a relevância. O programa Apollo sempre teve muitas críticas, mesmo em seu apogeu. Foi tachado como propaganda política dos EUA (e era), e mesmo nos EUA o orçamento das missões era considerado um “escândalo” em comparação com outros problemas urgentes nos Estados Unidos na época.

Nos últimos anos, o número de “céticos” sobre a caminhada humana na Lua aumentou exponencialmente. Esses céticos poderiam ser classificados como meros ignorantes, e são. Mas o abandono da exploração lunar, não apenas pelos EUA mas por outros países ricos (incluindo a China) é visto como uma prova de que o ser humano jamais pisou no satélite. Mas mesmo os conspiradores mais radicais não duvidam das missões robotizadas até Marte, e das sondas enviadas aos confins do sistema solar.

Viagens tripuladas para a Lua são empreendimentos caríssimos. A NASA é uma agência pública, financiada com dinheiro dos contribuintes americanos. Só recentemente o setor privado mostrou algum interesse pela exploração do espaço. Bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos têm planos para criar estações orbitais e voos tripulados para a Lua.

Americanos, chineses, indianos e russos podem promover uma nova corrida espacial, com objetivos comerciais – e políticos, como de costume. Mas nada que se aproxime ao cenário imaginado pelo escritor Arthur C. Clarke e o diretor Stanley Kubrick no filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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