A caminho de Marte

A Campus Party Brasil 2019 começou nesta terça-feira (12), apresentando uma imersão completa de tecnologia. Neste ano, a CPBR12 terá duração de cinco dias, utilizando como base o centro de exposições e convenções Expo Center Norte, em São Paulo. A jornada multidisciplinar é dividida em três áreas, Open Campus, Arena e Camping.

No Open Campus, o visitante pode conhecer gratuitamente os patrocinadores, startups, makers e ainda se divertir com simuladores, drones e o roboticampus. Na Arena, a área paga do evento, os visitantes participam de palestras, workshops e hackathons em 3 academias diferentes, creators, developers e gamers. O Camping é uma área reservada com barracas, duchas e um espaço wellness, para cuidados com a saúde e bem-estar.

A equipe de criação da CPBR12 realizou uma cerimônia de abertura diferente dos anos anteriores, uma experiência renovada que inciou-se com a palestra de Ivair Gontijo, brasileiro que trabalha à 13 anos na JPL (NASA Jet Propulsion Laboratory), o físico mineiro participou dos projetos que levaram o veículo Curiosity ao planeta vermelho e está diretamente ligado às novas missões de exploração à Marte.

Através da ferramenta do Google Earth, Ivair Gontijo apresentou um pouco de sua história até chegar na JPL. Uma viagem utilizando o mapa para mostrar a jornada que começou no rio São Francisco, passando pela Escócia e estabelecendo-se em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Ivair Gontijo (Foto Arquivo pessoal)

Logo em seguida, Ivair Gontijo contou a história das missões de exploração em Marte. Os veículos PatchFinder (1997), Spirity & Opportunity (2004) e Curiosity (2012), além das missões Viking 1 & 2 (1975), Phoenix (2007) e InSight (2018). Gontijo também apresentou a estrutura física da NASA nos Estados Unidos, com 10 centros de pesquisa. Somente na JPL, em Los Angeles, trabalham 6 mil pessoas.

Ivair Gontijo contou detalhadamente sobre a missão Curiosity e sua participação no projeto. Através de fotos e vídeos que estão disponíveis no site da NASA, Gontijo apresentou a criação, montagem da estrutura, sequência de lançamento do foguete Atlas 541 e a difícil chegada em Marte. Uma sequência complexa chamada EDL (Entry, Descent and Landing), utilizando um paraquedas e um radar de rádio frequência que controlou a descida.

Este foi o projeto do qual Ivair Gontijo liderou durante a missão Curiosity. O grupo de Gontijo construiu os transmissores e receptores que controlaram a descida. Ao enviar pulsos de microondas no solo, o grupo mediu o tempo que o pulso gastava para bater no solo e voltar ao veículo. Com o resultado, foi possível calcular a distancia.

O veículo carregou seis radares, que faziam leituras vinte vezes por segundo, fazendo o veículo descer exatamente na vertical. Os radares do grupo de Gontijo eram fundamentais para que o veículo controla-se a velocidade da descida, caso contrário, o veículo iria se chocar em alta velocidade com o solo e a missão estaria finalizada.

Durante seis minutos, a missão que custou dois bilhões de dólares estava depositada nos radares e sensores de Gontijo. O palestrante apresenta um vídeo em que a NASA celebra o sucesso da missão e resume a emoção:

Ciência e tecnologia podem ser tão emocionantes como gol em final de copa do mundo. Ivair Gontijo, CPBR12.

MARS 2020

O próximo passo é enviar a Marte um veículo muito parecido com o Curiosity, mas com um conjunto diferente de instrumentos, que irá descobrir e selecionar onde tem materiais orgânicos na cratera Jezero. Ao encontrar o material, amostras serão coletadas e reservadas em tubos de metal, onde serão deixadas na superfície de Marte.

Uma segunda missão com veículo menor, irá entrar na atmosfera marciana com combustível (pela primeira vez), coletar estes tubos e enviar de volta para a órbita marciana. A terceira missão sairá da Terra para recuperar essas amostras na órbita marciana e trazer de volta para a Terra.

Hoje em dia temos alta tecnologia, equipamentos sofisticados que fazem análises químicas, físicas, biológicas, mas que enchem um laboratório inteiro, as vezes um prédio inteiro. Não dá para fazer uma versão em miniatura e enviar para Marte, temos que trazer de volta para a Terra. Ivair Gontijo, CPBR12.

Além do conjunto diferente de instrumentos, o novo veículo irá levar um helicóptero para fazer reconhecimento e tirar fotos de Marte. Batizado como Leonardo, o drone autônomo (auto-pilotagem), gira suas pás à 2600 rotações por minuto para sustentar o ar maciano. Veja o vídeo de apresentação abaixo.

No final da apresentação, Ivair Gontijo deixou um bonito recado aos jovens de corpo e espírito:

Há um futuro brilhante a sua espera, mas você terá de aceitar o desafio de conquista-lo. Não existe segredo, é trabalho, foco e paciência. Ivair Gontijo, CPBR12.

Em 2018, Ivair Gontijo lançou um livro chamado A caminho de Marte onde detalha a sua história pessoal e profissional e você encontra clicando aqui. Para assistir a apresentação completa de Ivair Gontijo e o melhor do primeiro dia da Campus Party Brasil, clique aqui.

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