Os dois lados da economia cashless

Você já conhece a economia cashless? Pode ser que você nem conheça o termo, mas já tenha contato com suas novas formas de pagamento na prática. É o caso do pagamento com cartão de crédito autorizado no Uber ou das carteiras digitais. O nome seria traduzido como “sem dinheiro”, porque com a tecnologia, no momento de pagar, o comprador não entra em contato com o dinheiro físico e nem precisa pegar a carteira para sacar o cartão.

O uso da tecnologia cashless é cada vez mais comum. Na Suécia, país onde ela é mais disseminada, a Bloomberg chegou a noticiar que até Deus estava recebendo de forma cashless: no país, as igrejas passaram a receber doações por meio de aplicativo.
O que isso muda para o cliente? Maior praticidade e também uma certa dificuldade em contabilizar de forma automática o quanto está gastando, tornando-o mais propenso a gastar mais.

Pra entender por que o cashless pode impulsionar os gastos, é preciso conhecer um pouco de psicologia econômica. De acordo com estudos na área, o dinheiro têm um papel inibidor de gastos, porque ao pagar com ele, imediatamente o comprador vê a soma indo embora. Isso é chamado de dor da separação. Já as outras formas não têm esse efeito, ou têm de maneira muito mais sutil.

Um estudo com o título “Efeitos do mecanismo de pagamento no comportamento de gastos” chegou à conclusão de que as pessoas que usam rotineiramente o cartão de crédito tinham tendência a comprar mais. Acontece que esse estudo foi publicado em 2001, quando o cartão de crédito era a forma de pagamento mais moderna, disputando com as opções dinheiro vivo ou talão de cheques.

O cheque e o dinheiro têm um aspecto muito parecido, no sentido psicológico: o comprador manipula as folhas e se tem de contar ou preencher um valor. Enquanto isso, o cartão torna o pagamento muito mais fluido, ou seja, quase não tem aquela dor da separação.

Já o cartão de débito fica no meio do caminho. De acordo com Dan Ariely, professor de economia comportamental e autor de livros sobre o tema, ao comprar com o cartão de débito, apesar de não se ver o dinheiro na hora, o comprador sente uma dor similar à do pagamento com o dinheiro, pois sabe que ele está sendo descontado naquele momento.

Para vendedores, portanto, as formas de pagamento mais modernas e mais distantes do dinheiro são as que mais têm o poder de influenciar para que o comprador não só gaste mais, mas tenha uma experiência de compra mais prazerosa.

Foto: Bruno Creste, colaborador do Jornal 140.

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