“Toda foto tem uma música”

Foi pelas mãos do Rafael Sartori que o fotógrafo Bruno Creste aportou aqui no Jornal 140. Eles cresceram juntos em Jaú, interior de S. Paulo, e são torcedores do XV de Novembro. Bruno começou palpitando sobre algumas das imagens e depois ofereceu generosamente parte do seu acervo para ilustrar alguns dos textos. Suas fotos mostram a que Bruno veio: os detalhes ajudam a contar a história, o trabalho técnico é cuidadoso. Fizemos sete perguntas essenciais a ele, veja as resposta abaixo.

Me fale como você começou na fotografia.

Comecei na fotografia em 2015. Na verdade, comecei como videomaker. Um grande amigo, Elton Sabatino, que é videomaker de casamento, me convidou para integrar a equipe dele – disse que precisava de “alguém fora da caixinha” para trabalhar com ele. Ele me ensinou tudo, desde ligar a câmera à parte técnica dos equipamentos, técnicas de enquadramento, composição, fotometria, etc. A partir daí, me tornar um fotógrafo foi um pulo. Antes disso, minha formação acadêmica é a Educação Física, mas já fui músico, recreador, paisagista e um monte de coisa que todo mundo dizia “você é maluco”. Já ouviu falar em Polímata? Então, acho que isso explica um pouco o “alguém fora da caixinha” citado ao longo da resposta. Rs!

Em que área você se especializou?

80% dos meus jobs são na área publicitária. Rola bastante editorial de moda, comerciais pra TV, cobertura de eventos e festas. Não gosto de me definir. Faço de tudo! Prefiro, ao invés de me especializar em uma área, me aprofundar em técnicas, em novos olhares, novas tendências, edições, e aplica-las na minha fotografia como um todo.

O que você mais gosta de fotografar?

Gosto de contar histórias através da fotografia. O cotidiano, o movimento das pessoas, suas atitudes e relações, as mazelas e as alegrias de tudo que a sociedade pouco vê ou vê e não percebe o poder e a beleza de que está vendo. Ter a capacidade de ‘desolhar’ também, ou ver de uma maneira diferente, criativa. Gosto de fotografar e relaciona-las com a música. Tenho um projeto que se chama #Todafototemumamúsica onde, na espontaneidade do dia-a-dia, sempre me vêm uma música que, se colocássemos em um clip, poderia ilustrar a música ou um refrão, uma estrofe, um verso.

Segundo Cartier-Bresson foto é luz. Qual é a sua visão sobre esta abordagem?

Henri Cartier-Bresson foi meu pai em minha última vida (rs!). Ele disse que fotografia é luz, mas também disse que “tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado. É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.” Genial! Luz é apenas o princípio básico.

Bruno Creste, colaborador do Jornal 140

De repente, a fotografia virou arte, é exibida em salões como a SP Arte e conquistou novos públicos. Você vê a foto como arte?

Com certeza. Fotografia é intuição, expressão, sinestesia, criatividade, projeção. Fotografia causa sensações – euforia, angústia, alegria, tristeza. Causa análise, impacto, desconforto, entusiasmo. Fotografia é música, luz, som, cor, movimento apesar de todo silêncio e estar ali, estática. Não tem como dizer que fotografia não é arte.

A digitalização veio para melhorar este universo ou piorou?

Acredito que nada vêm pra piorar na área tecnológica. Facilitou muito! Abriu novos horizontes, novas tendências, novas oportunidades. Mas o analógico, a coisa de fazer na unha ainda me atrai e atrai muitos fotógrafos, com certeza.

A informatização vai substituir várias profissões, mas não os fotógrafos que correm apenas 2% de risco de serem substituídos por um robô, de acordo com o site “Will Robot take my job”? Você está feliz com este dado?

Só ficarei preocupado, ou infeliz, no dia que construírem um robô com alma.

Deixe uma resposta