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Desenvolvimento Pessoal

4 habilidades sem as quais a inovação não floresce

Thomas Brieu

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em

Operamos no mundo por meio de modelos mentais que nos permitem navegar pela vida de forma eficaz, ainda assim, em um mundo em franca transformação e ebulição, talvez não sejam os mais eficientes.

A miscigenação das gerações, das culturas, dos diferentes níveis de formação, dos idiomas, dos homens e das mulheres nas organizações, das próprias formas organizacionais que misturam modelos piramidais, matriciais e de redes exige, cada vez mais, competências comportamentais por parte das lideranças. As exigências do chefe não podem mais ser pautadas pelo argumento de que ele é uma autoridade, ou de que possui o conhecimento técnico, ou de que sabe mais do que os outros.

O líder precisa, agora, ser o alquimista de um ambiente de trabalho calcado em confiança, em que as pessoas se sentem seguras para se expressarem, sem medo de errar. Dessa forma, as ideias surgem e são lapidadas a partir de insights e percepções compartilhados; os fluxos criativos individuais unem-se aos fluxos coletivos. De alguma maneira, é um desapego do conceito de autoria individual. Assim, quanto mais diversidade, mais rico será o resultado.

Muitas vezes surge a inovação quando desapegamos de buscar a solução apenas na nossa cabeça. Quando nós abrimos para investigar e confrontar visões diferentes na cabeça dos outros fomentando um ambiente para co-criar com eles algo realmente novo.

Ao mesmo tempo, lidar com tantas divergências acarreta, naturalmente, mais conflitos. Nesse contexto, o líder precisa conjugar abertura sobre o conteúdo (as ideias) com firmeza sobre a forma (a condução das reuniões, do processo em si). Nesse momento, o fato de ter princípios e valores claros em torno de um propósito compartilhado faz toda a diferença.

Não se trata de evitar conflitos e sim, de abrir-se para acolher o diferente, sem, necessariamente, concordar ou discordar. Trata-se de verbalizar de forma não agressiva aquilo que muitas vezes fica “não dito” e, por isso, gera desgaste emocional nas organizações. Trata-se de manejar situações ambíguas e conjugar interesses por vezes antagônicos, transmutando potenciais conflitos e confrontações em negociações cooperativas, conduzindo o grupo a alcançar soluções mais eficientes do que se obtidas individualmente.

Não é de surpreender que as metodologias de inovação, tais como Ágil e “Scrum”, recomendem pactuar um contrato de atitudes e comportamentos nas equipes, começando pela qualidade da comunicação, a simplicidade, a capacidade de dar e receber a coragem e o respeito. No mesmo sentido, as tendências mostram que no futuro as habilidades de maior destaque serão as sociais, como a capacidade de estabelecer e manter relações de confiança, empatia e inteligência emocional.

Quanto mais inovador, tecnológico e digital precisa ser o ambiente de trabalho, mais necessárias se tornam as competências comportamentais e socioemocionais.

Enfim, de acordo com minhas observações, para que se manifestem modelos mentais capazes de aumentar a capacidade de adaptação e inovação de uma empresa, bem como de fomentar o engajamento e a inteligência coletiva, é preciso fortalecer nossas habilidades em conjugar:

–     escuta empática e profunda com fala assertiva, clara e direta;

–     coragem com vulnerabilidade;

–     abertura com foco;

–     desapego com determinação.

Dica: o segredo está na arte de “conjugar”… Fique atento, irei desenvolver estes 4 pontos e a ideia de conjugar em um futuro artigo ou vídeo!

Sobre o Autor: Thomas BRIEU, Franco-Brasileiro, ao longo de 15 anos de observação e experimentação em milhares de conversas e negociações, se questionou: o que provoca aproximação e o que provoca resistência no outro?

Incorporando os estudos mais recentes sobre neurociência, liderança, negociação e andragogia, desenvolveu um método que permite a cada pessoa mapear os seus padrões não produtivos de linguagem e de escuta e praticar alternativas eficientes de comunicação como uma nova ecologia da linguagem.

Atualmente reside no Brasil e é reconhecidopelos seus treinamentos em Escutatória, Foco, Liderança, Vendas, Storytelling ao vivo e Inteligência Emocional.

Além disso, se dedica à projetos de conservação (RPPN´s) e estuda o que a natureza e a biomimética têm para nos ensinar no que se refere a comportamentos e relações.

Foto: Bruno Creste, colaborador do Jornal 140.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Thomas Brieu Formado em sócio-economia e agronomia na Europa e com mestrado em energias e biocombustíveis pela USP, desenvolveu um método que mapeia os padrões de linguagem cooperativos e propõe alternativas de comunicação como uma nova ecologia da linguagem.

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Desenvolvimento Pessoal

Qual é seu valor?

Não estou perguntando quanto você vale no mercado. Minha pergunta é sobre o que está por trás de seus pensamentos, comportamentos e ações.

Isabel Franchon

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Foto: Fares Hamouche / Unsplash

Não estou perguntando quanto você vale no mercado. Minha pergunta é sobre o que está por trás de seus pensamentos, comportamentos e ações. Pode ser que você seja uma de milhões de pessoas que se sentiram mal pelos acontecimentos políticos dos últimos dias, quando a decisão do STF derrubou o entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância. Pode ser que tenha comemorado. Qual a diferença?

Valores. Os seres humanos são os únicos que têm a capacidade de definir sua identidade, escolher seus valores e estabelecer suas crenças. Juntos, identidade, valores e crenças traduzem as nossas preferências, ajudam-nos a estabelecer prioridades e determinam a maneira como agimos. Trocando em miúdos, estão por trás de todas as nossas atitudes: agimos a partir do que é importante para nós. Difícil mesmo é apoiar ou validar valores e crenças de outros, contrários aos nossos.

Pense em suas ações e nas escolhas que faz na vida. O que é realmente importante para você? O que motiva suas escolhas? E o que elas lhe proporcionam? Que sentimento ou sensação lhe trazem? Quando pensa em algum objetivo, o que pretende alcançar com sua realização?

Responder a estas perguntas pode levar você a tomar consciência dos seus valores, pois são eles que determinam suas atitudes e comportamentos. Em outras palavras, fazemos determinadas coisas porque acreditamos que elas vão satisfazer alguma necessidade mais profunda que temos e que em última instância, como diz S.S. o Dalai Lama, sempre leva ao desejo de ser feliz.

Na ânsia de satisfazer desejos pessoais e conquistar a felicidade – um anseio justo – muitas pessoas se valem de meios, artifícios e valores negativos ou destrutivos. Vale perguntar: será que os fins justificam os meios? Todos nós temos sentimentos, desejos e emoções negativos ou destrutivos. Somos humanos e isso é natural. Mas o que fazemos com eles é definido pela qualidade dos valores pessoais que cultivamos.

Você pode, por exemplo, sentir uma inveja danada de alguém. Se movido por tal sentimento fizer tudo para prejudicar esse alguém (boicotar, inventar, mentir) os valores que expressa são negativos: maldade, injustiça, deslealdade, desonestidade. Se, pelo contrário, mesmo sentindo inveja limitar-se ao sentimento procurando superá-lo, e não tomar nenhuma atitude que interfira negativamente na vida do outro, será movido por valores extremamente positivos como justiça, respeito, verdade, lealdade. Faz sentido?

Uma vez perguntaram a S.S. o Dalai Lama se ele sentia raiva. Depois de alguns minutos comendo calmamente uma maçã ele respondeu que o importante não é se você sente raiva, mas sim o que faz com sua raiva. É exatamente isso! Os valores são expressos nas suas ações.

Se valores são os critérios que justificam e motivam nossas ações baseados em coisas que valorizamos ou desvalorizamos, como entender – e conviver – com o que temos visto no nosso cotidiano? Pois é, nem todos possuímos os mesmos valores. Sequer valorizamos as mesmas coisas. E muito menos atribuímos a mesma importância aos valores que temos. E, claro, ficamos chocados quando o que vemos nos agride de uma maneira tão profunda!

Para você, por exemplo, dizer a verdade e ser honesto é mais importante do que ganhar dinheiro a qualquer custo. Para outra pessoa pode ser o inverso. Mas ambos são governados por valores. Embora acreditemos que a palavra Valor se aplique apenas no sentido positivo, que denominamos Bem, a polaridade oposta negativa – o Mal – também é valor.

Há anos estudiosos pesquisam os valores humanos e listaram 2.270 (Enciclopédia dos problemas mundiais e do potencial humano) classificando-os de acordo com suas polaridades: eles chegaram ao incrível número de 960 valores construtivos (como compaixão, bondade, justiça) e 1040 valores destrutivos (abuso, maldade, injustiça). Para onde caminha a humanidade? Algumas diretrizes, ou critérios, têm sido usados para definir valores:

  • Ser universal, aplicável a todos os seres humanos, independente de credo, nacionalidade, religião
  • Ser racional, não baseado em crenças e dogmas, mas sim passível de raciocínio
  • Ser verificável, ou seja, quando aceito e praticado, leva à felicidade
  • Ser abrangente, cobrindo as dimensões do ser humano e os níveis em que vive
  • Levar à harmonia individual, em sociedade e com a natureza

Acostumamo-nos a ver os valores da empresa pendurados em quadrinhos na parede. Mas quais são seus reais valores quando permite que pessoas com poder se comportem como psicopatas? Quando ignora que seus funcionários adoecem por causa de um ambiente nocivo? Ou quando só visa o lucro em detrimento de seus colaboradores?
E o que dizer da vida política nacional com mensalões, propinas, ataques à liberdade, mentiras, assassinatos, atos escusos, mau uso do bem público por aqueles que deviam defender-nos?

Pessoas se juntam porque possuem valores semelhantes, porque acreditam nas mesmas coisas e caminham na mesma direção. O que muda, na verdade, é a forma como exercem seus valores – os meios para a conquista dos objetivos que expressam seus valores podem ser absolutamente diferentes. Quer um exemplo? Algumas pessoas lutam pela justiça através das leis; outras, através de armas. E matar? Que valor está por trás de tirar a vida humana?

Quando aprendermos efetivamente a rejeitar todas as ações e atitudes que ferem nosso mais profundo senso de valor deixaremos de alimentar pessoas que corrompem a sociedade com seus valores destrutivos – não é preciso acabar com elas, apenas não aumentar sua força. Se o objetivo final de todo ser humano é a felicidade, que possamos alcançá-la sem roubar de nenhum outro ser humano a mesma possibilidade de ser feliz. Isso é ética. Caso contrário, o objetivo que buscamos pode ser ótimo, mas não valerá a pena se o caminho para alcançá-lo ameaçar, de qualquer forma que seja, o direito do outro ser feliz.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Desenvolvimento Pessoal

A trilha para a diversidade

Os ganhos e um caminho a ser seguido nas empresas e na sociedade

Ana Lu Tanaka

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Foto: Ali Yahya / Unsplash

Em novembro do ano passado o missionário norte-americano John Allen Chau perdeu a vida ao tentar entrar em uma ilha proibida do arquipélago de Andaman e Nicobar, território da União da Índia, para converter os Sentineleses – uma tribo indígena considerada a mais isolada e primitiva do mundo. O povo nativo é conhecido por sua hostilidade e por atirar flechas e lanças em todos os intrusos que tentam se aproximar. Já faz anos que não existe rota direta para o local e a área é protegida pela Guarda Costeira e pelo Departamento Florestal da Índia.

Rejeitar o que é diferente, estranho, não é apenas uma característica dos Sentineleses ou de tribos afastadas. Podemos perceber isso no nosso dia a dia, observando grupos ou mesmo dentro das organizações. Desde os primórdios o ser humano tem a tendência a se identificar com o outro que é parecido e criar afinidade de acordo com as características semelhantes, sejam elas físicas ou comportamentais. Já o contrário é visto como uma possível ameaça. Isso porque, segundo a neurociência, o nosso cérebro reconhece o diferente – que podem ser pessoas ou mesmo situações – como perigo e envia sinais de alerta como forma de proteção.

Esse mecanismo de autodefesa, que era essencial para a sobrevivência no período paleolítico, é importante até hoje para outros aspectos que não é o foco aqui, mas a diferença é que hoje somos praticamente obrigados a conviver em sociedade e nos relacionar com pessoas completamente diferentes em questão de raça, gênero, opção sexual, idade, comportamento, ideias, entre outras. E não é lindo isso? Fico encantada quando observo, converso e descubro o mundo de pessoas que são meu oposto.

Os ganhos da diversidade

Um dos temas mais comentados ultimamente é sobre a diversidade dentro das organizações. De fato, acredito não só que um grupo heterogêneo pode fazer com que as empresas sejam mais criativas, inovadoras e se desenvolvam exponencialmente, pois quando a diversidade é exercida na prática ela promove um ambiente acolhedor, engajado, colaborativo e estimulante, mas que as pessoas podem se desenvolver e evoluir ainda mais em contato com o que é “diferente”, quando são desafiadas, questionadas, contrariadas, instigadas e passam a ver por outras perspectivas. Costumo dizer que a somatória de mundos diferentes é muito rica e é por meio da diversidade que conseguimos entender quem nós somos, como pensamos e no que acreditamos.

De acordo com pesquisa divulgada pela Harvard Business Review, empresas heterogêneas têm 45% mais chances de apresentar um crescimento sobre o ano anterior e 70% a mais de probabilidade de ter ganho de mercado. Sem falar que essas características e benefícios nunca foram tão necessários como nesse mundo V.U.C.A..

Não podemos deixar de lado a questão da inclusão

Nesse contexto, também é indispensável falar sobre inclusão, que significa valorizar essas características que nos tornam únicos. Podemos contratar diversos perfis, mas se não tivermos um ambiente inclusivo onde essas diferenças possam se manifestar e que elas sejam acolhidas não há o verdadeiro ganho citado para ambos os lados. Outro ponto é olhar para todos os níveis hierárquicos e ver se temos a mesma representatividade.

No Brasil, um levantamento do Instituto Ethos com as 500 maiores corporações revela que em questão de gênero, quando olhamos para o topo das empresas brasileiras, 87% são homens e 13% são mulheres. Já pelo corte racial o número é de 4.7% de pessoas negras contra 95,3% de pessoas brancas ou de outras raças. Se cruzarmos esses dados olhando para mulheres negras o número é 0.4% em cargos diretivos.

As organizações precisam estar preparadas e a liderança também

Como podemos ver, a diversidade é mais do que um recurso necessário e benéfico, porém as organizações não podem deixar de lado a questão da inclusão e adotá-la por ser uma exigência, por estar em discussão ou ser vista com bons olhos, precisam estar preparadas para tal. Abaixo listei alguns pontos que valem ser refletidos:

  • Como é a cultura organizacional da sua empresa hoje? Quais são os valores atuais?
  • Como a sua empresa lida com a diversidade já existente?
  • Como o RH encara a diversidade na contratação? E a questão da inclusão?
  • A liderança está preparada para fazer a gestão de equipes heterogêneas?
  • Qual é a cultura organizacional e valores desejados para o futuro?

A prática precisa ser congruente com a fala. Antes de tudo, para adotar a diversidade, as empresas precisam conhecer seus ambientes, desenvolver novas políticas internas e a comunicação entre as equipes, líderes e gestores precisa estar bem alinhada. Fazer a gestão da cultura organizacional envolve uma série de cuidados e ações para sustentar as mudanças e, durante esse processo, o papel da liderança é fundamental, ela precisa estar consciente, preparada e treinada.

Discutir, levar informação e promover workshops, treinamentos, ações internas, para gerar relações de confiança, desenvolver a empatia etc, também traz ganhos em todos os aspectos, não só para trabalhar a questão em si, não só para as empresas, mas para a sociedade como um todo. Precisamos diminuir um pouco esse instinto de autodefesa como o dos Sentineleses e nos permitir aumentar a nossa conexão com as pessoas. Há um longo caminho a ser trilhado, pois envolve toda questão histórica e social, mas trazer o tema à tona já é um grande passo à frente.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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