Guia do Líder do Século XXI, parte 4

Antes de começar mais este artigo desta série de reflexões sobre liderança, tenho que fazer um mea culpa. Talvez não tenhamos definido o que chamamos de liderança e o que é um líder. Então, antes de continuar a escrever sobre as competências do líder do Século XXI, preciso fazer uma volta. Mas prometo que no próximo recupero a ideia que estava desenvolvendo e progrido.

Nas empresas com que trabalhei estes termos liderança e líder podem ter os significados mais diversos. Um líder pode ser o colaborador no primeiro nível de coordenação da empresa, aquele que tem equipe, mas não tem poder, que lidera as equipes “chão de fábrica”. Os que tem cargos mais elevados na hierarquia são os “gerentes”. Ou o termo líder pode ser reservado para os diretores da empresa. Aqui, para nós, vamos manter as coisas simples, mas complicadas.

Vamos então definir Liderança como:

Liderança é uma relação recíproca entre aqueles que optam por conduzir e aqueles que optam por seguir (KOUZES, POSNER 1994, p. 1)

Já para definir o que é um líder, nada melhor do que ficar com a definição sucinta e direta de Peter Drucker:

A única definição de Líder é alguém que tem seguidores. (DRUCKER, 1996)

Por essas definições, que já tem mais de 20 anos, pode-se entender que não estamos aqui falando de hierarquia e poder e sim de influência e persuasão. Se saímos da empresa para almoçar e um colega diz “vamos na churrascaria” e eu digo “vamos ao restaurante japonês” e o grupo decide ir comer yakissobas e temakis, eu liderei. Este exemplo simples acontece o tempo todo dentro das empresas. Claro que aqueles que tem posições de poder podem obrigar o grupo no curto prazo a obedecer ordens. Mas no médio e longo prazo será difícil manter aqueles mais qualificados e criativos se as suas ideias não forem ouvidas ou se não forem oferecidas a elas e eles ideias que os cativem. Lembre-se, são elas e eles que optam por seguir.

Fato é que cada vez mais fala-se em liderar equipes por projetos. Nos chamados métodos ágeis que em vez de chefes e gerentes temos líderes de “squads”. Esses se reúnem em “guilds” e “chapters”. Tudo isso reunido em “tribos”. Estruturas de fácil união e fácil dissolução. Líderes que servem muito mais à articulação e à conexão do que ao comando e ao controle.  Abaixo o exemplo da Spotify,

Como prometido retornamos às ideias apresentadas no último artigo, tornadas palpáveis pela imagem acima. O líder do Século XXI deve ter a sensibilidade e a ação para desobstruir fluxos e conectar nós da rede. Fluxos e nós que precisam estar presentes nos designs organizacionais como este apresentado. O líder do Século XXI deve valorizar o trabalho que depende da interação humana e deve ser o incentivador e facilitador do trabalho em equipe e do trabalho em rede.

No próximo artigo, sem falta, apresento mais três características que os líderes, influenciadores, scrum masters squad leaders do futuro apresentarão.

Referências:

DRUCKER, P. Christianity Today International, v. 17, n. 4, p. 54, 1996

KOUZES, J.  POSNER, B.; Credibilidade, Rio de Janeiro: Campus, 1994

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