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Negócios 2 MIN DE LEITURA

Dinheiro! Pra que dinheiro?

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Observe a foto que abre este post. Foi tirada ontem à noite por um viajante desavisado, colaborador do Jornal140, no bairro de Inman Park, em Atlanta, nos EUA. Um lugar transado, localizado na simpática North Highland Avenue Northeast, se anuncia um “cashless restaurant”, aceita apenas cartões de crédito ou débito. Agora, é isso mesmo que você está lendo, o dinheiro físico passa a não ser aceito em alguns estabelecimentos dos EUA.

Pode uma coisa dessa, discriminar pessoas que evitam o uso de cartões e preferem o bom e velho papel amassado? Sim e não. Este mês as autoridades municipais da Filadélfia, na Pensilvânia, determinaram que a partir de 1 de julho os estabelecimentos que não aceitarem pagamento em dinheiro serão multados em mais de US$ 2.000,00. Ficaram isentos de multas: estacionamentos e garagens, comércio que mantêm modelos de associados, operações de ecommerce, telefones e transações por email, além de produtos vendidos exclusivamente para empregados de uma empresa. Com esta medida Filadélfia será a primeira grande cidade dos EUA a proibir este tipo de restrição absurda.

Quem imaginaria que um dia algumas lojas ou restaurantes do berço do capitalismo não aceitariam mais pagamento em dinheiro?

De acordo com a publicação online CSA-Chain Store Age cresce nos EUA um movimento contra este tipo de tendência, que nasceu no ecommerce e é promovido extensivamente por marcas gigantes como a Amazon Go e a Sweetgreen. O argumento dos que são a favor: 1) torna as transações muito mais rápidas e 2) evita roubos. Os argumentos contra: trata-se de uma discriminação contra pessoas com menor poder aquisitivo que não têm condições de ter cartões (de débito ou crédito).

Estudo da Pew Research Study (veja aqui a análise de Andrew Perrin da Pew Research Center) mostra que cada vez menos americanos utilizam dinheiro para fazer compras. Três em cada 10 americanos adultos disseram que não fazem mais uso do dinheiro durante uma típica semana, um crescimento de 24% em relação a 2015.

O Jornal 140 não dispõe de dados sobre esta tendência no Brasil, embora todos saibam que cresce a tendência de uso do mobile (veja aqui post sobre este assunto – Conheça o seu novo banco. Ele é móvel!). Os apps inauguraram uma nova tendência, o “tap and go”: é usar o celular, chamar o carro (ou táxi) pelo aplicativo e sair sem pagar.

O Jornal 140 reproduz a primeira estrofe da música de Martinho da Vila, “Pra que dinheiro?”, que fez sucesso no longínquo 1969 quando os brasileiros compravam e vendiam utilizando o Cruzeiro Novo (que seria substituído em 1970 pelo Cruzeiro):

“Dinheiro? Pra que dinheiro?

Se ela não me dá bola

Em casa de batuqueiro

Só quem fala alto é a viola”

Atualização (7h40): o Jornal 140 soube agora de manhã que restaurante da foto acima adotou a decisão de não mais aceitar dinheiro em “cash” (espécie) depois de um assalto que resultou em morte. Pois é, estas coisas também acontecem nos EUA, ainda que com muito menos frequência que no Brasil.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Os artigos publicados em nome da Redação 140 são de responsabilidade dos responsáveis por este site de notícias. Entre em contato caso tenha alguma observação em relação às informações aqui contidas.

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Marketing 4 MIN DE LEITURA

Um compromisso ético que Machado de Assis me obriga a enfrentar

O quanto as marcas contribuem para que os consumidores sejam atendidos nos seus legítimos desejos e necessidades?

Jaime Troiano

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Foto: Francisco Kroner / Jornal 140

Faz tempo, que um dos contos do Machado de Assis me persegue. Não sei julgar o quanto ele é melhor avaliado do que dezenas de outros do autor, pelos especialistas em nossa literatura. Alguém saberá dizer. Mas o que me interessa é o porquê “O Espelho – esboço de uma nova teoria da alma humana ” é um conto de que eu não consegui me libertar.

Ele me inquieta pelas várias conexões que faço com nossa vida pessoal e, acreditem, com minhas investidas diárias na vida profissional. Quem me conhece bem, sabe disso. Não vou descrevê-lo, mas apenas pontuar o essencial para que vocês mesmos leiam e tirem suas conclusões. Jacobina é um alferes, no Rio de Janeiro do século 19. O seu fardamento é o que faz com que ele mesmo se reconheça como pessoa e suponha ser reconhecido socialmente também. Sem o fardamento, sua própria imagem desvanece. Diante do espelho ele não se vê. De divãs de psicanálise a treinamentos corporativos, esse é um texto quase obrigatório. Não percam.

Bem, a conexão que eu faço com o conto é a seguinte: marcas são “fardamentos”. Recursos que deveriam contribuir para configurar nossa identidade e atender necessidades, de diversos níveis. Mas nunca para apagar o que somos como sujeitos, acima de tudo. Nunca para nos ocultar, por meio de uma persona com a qual elas, as marcas, nos vestem.

E daí, vem a delicada pergunta que eu vivo me fazendo. No mundo do branding, que é meu dia a dia profissional, qual é nosso papel? Alimentar o Jacobina que existe dentro de nós, impondo de forma sedutora e autoritária uma identidade que, no fim das contas, contribui pouco para nossos autênticos projetos de felicidade? Seria isso mesmo?

Quantas vezes o “consumidor Jacobina” não consegue se identificar consigo mesmo, ou não se vê no espelho social, quando não tem acesso às marcas que ele admira?

Durante décadas, eu tenho vivido essa tensão. Uma tensão entre o que nós fazemos nesta profissão, contribuindo para alimentar os negócios de empresas que, em última instância, também desenvolvem a economia, e o quanto consumidores são atendidos nos seus legítimos desejos e necessidades.

Por que temos encarado tão poucas vezes essa delicada pergunta? Uma vez ou outra, surge algum pensador que resolve mexer nesse vespeiro, como é o caso do inspirador e corajoso Martin Lindstrom em seu livro Brandwashed. (Lançado pela HSM no Brasil).

A pergunta não se cala, e a resposta mais comum que costumo ouvir é do tipo evasiva. Algo assim: nós não estamos atropelando os desejos e necessidades dos consumidores com as marcas que eles acabam comprando. Ou, eles têm sempre o livre arbítrio a seu favor para decidir o que, de fato, querem e podem adquirir. Ou, alguns enfrentam a pergunta de outro jeito: nós não criamos desejos inexistentes nos outros, mas apenas identificamos aquilo que eles querem, mesmo que não tenham consciência disso.

E há os que, simplesmente, viram as costas para essa dúvida. Porque o importante seria, acima de tudo, a eficácia comercial da marca e sua capacidade de multiplicar os negócios da empresa em seu mercado. Por outro lado, há os seus opostos: os que veem um papel perverso nas marcas ao dirigir o comportamento do consumidor, como se elas fossem uma tutora de almas infantis que não sabem decidir por si. São os que afirmam, por exemplo, que as marcas deveriam estar sob suspeição por alimentarem a inadimplência das famílias. A bíblia desse grupo são livros como o No Logo da Naomi Klein.

Esses dois grupos dormem em paz com sua consciência. Afinal, suas respectivas convicções não exigem qualquer esforço intelectual nem tensões morais. Eu não! E muitos que trabalham comigo ou já trabalharam tem essa inquietação à flor da pele. Não pertencemos a nenhum dos dois grupos.

Nós não acreditamos que o indicador supremo de qualidade e êxito de uma marca seja, acima de tudo, sua eficácia comercial. Ela só será bem sucedida, e por mais tempo, se não for apenas um “fardamento” social. Se atender necessidades, sejam elas funcionais, objetivas ou emocionais, mas autênticas.

Nós, somos a única espécie animal que procura um sentido para as decisões que tomamos na vida. Não somos movidos por instintos, mas por escolhas que deem um sentido ao que fazemos. Desculpe-me a Naomi Klein, marcas dão significado a nossas decisões.

Impossível ignorar que existe, em maior ou menor grau, um Jacobina em cada um de nós. O que pode mudar é a natureza do “fardamento” que alimentará nosso projeto de felicidade como indivíduos, no seu sentido mais amplo. Nossa responsabilidade ética nesta profissão não nos permite escapar para nenhum dos dois extremos. Nem imaginar que marcas nunca cometam “pecados” contra seus clientes e tampouco imaginar que sem elas possamos dar um sentido às nossas escolhas.

A tensão que emerge para quem vive e pensa entre esses dois polos não chega a nos paralisar. Mas exige um compromisso de eterna vigilância. E também a clareza de que não trabalhamos para atender a volúpia do mercado, mas a sociedade acima de tudo.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Negócios 1 MIN DE LEITURA

Jaime Troiano: Conceito de Place Branding e o case do Baixo Pinheiros

Um dos principais especialistas em Branding do país fala sobre Place Branding

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Foto: Francisco Kroner / Jornal 140

Jornal 140 entrevista o Presidente da TroianoBranding, Jaime Troiano, que explica o conceito de Place Branding e conta o case do Baixo Pinheiros. Para saber mais sobre o projeto do Baixo Pinheiros, clique aqui.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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