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Trekonomics, a economia do futuro de “Jornada nas Estrelas”

Sergio Kulpas

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em

Há mais de 50 anos, a nave estelar Enterprise se aventurou pelo espaço sideral, com o capitão Kirk e sua tripulação dedicados a explorar novos mundos e encontrar novas civilizações. “Jornada Nas Estrelas” gerou seis séries para a TV (sete, contando o desenho animado), uma dúzia de longas-metragens, livros, discos, DVDs, e muitos milhões de fãs ao redor do mundo. O universo de Star Trek é cada vez mais familiar e próximo de nosso cotidiano. Atualmente, a série “Discovery” pode ser vista no Netflix.

Série de ficção-científica singular em muitos aspectos, Star Trek é o tema de vários estudos sérios escritos ao longo de décadas por cientistas políticos, sociólogos, físicos, engenheiros e até teólogos. Vários executivos e pesquisadores do Google (um ninho de fãs da série) dizem que o objetivo da empresa é criar tecnologias similares às da nave Enterprise para aumentar o conforto e facilitar a vida das pessoas. O Dr. Martin Cooper da Motorola declarou que se inspirou no comunicador usado por Kirk e Spock para criar o primeiro telefone celular. Várias tecnologias que usamos hoje também são inspiradas por objetos fictícios da série ou dos filmes de Star Trek.

Acima de tudo, Star Trek se passa em um universo onde a guerra, a fome e a pobreza foram eliminadas, bem como outras mazelas sociais, incluindo a discriminação e o racismo. É uma utopia audaciosa, onde a abundância gerada pela tecnologia eliminou também o capitalismo e outros modelos econômicos — e até mesmo o dinheiro (o “capital” continua existindo, mas definido de outro modo).

A ideia de uma sociedade não-monetária, ou “anumismática”, é dos maiores destaques da saga de Jornada nas Estrelas. É um elemento mais relevante que as ideias tecnológicas na narrativa, como o teletransporte, o tricorder, os torpedos fotônicos, e as naves que voam mais rápido que a luz.

Foi justamente esse aspecto do ambiente de Jornada nas Estrelas despertou o interesse de Manu Saadia, que escreveu um livro chamado “Trekonomics”, para discutir a economia e a sociedade humana do século 23. A ideia para o livro surgiu a partir de conversas entre Saadia e Chris Black, que foi roteirista da série “Star Trek: Enterprise”, e de textos publicados sobre o assunto no site Medium. O livro foi publicado pela plataforma Inkshares e Saadia disponibilizou a introdução e o primeiro capítulo do livro.

Em “Trekonomics”, Saadia examina a “pós-economia” do universo da Federação Unida de Planetas, onde o dinheiro é desnecessário porque tudo pode ser produzido em “replicadores”, máquinas que convertem energia em matéria e sintetizam desde alimentos até peças para naves espaciais. E de graça. A Terra do século 23 eliminou a escassez através da tecnologia.

A “ausência de escassez” produz uma sociedade onde dinheiro, preços ou mercados são irrelevantes. E também não existe lucro. Num mundo assim, por que as pessoas dedicariam suas vidas a projetos, carreiras e invenções, sem a expectativa de retorno material? Como avaliar as opções e mensurar os resultados do trabalho sem uma unidade monetária quantificável?

Saadia admite que é um grande salto de otimismo, mesmo para o fã mais devotado de Jornada nas Estrelas neste começo do século 21, imaginar que um mundo assim pode emergir de nossa sociedade obcecada pelo consumo e pela acumulação de bens.

O livro de Saadia pretende avaliar as possibilidades de chegarmos a esse mundo utópico, usando os enredos de episódios das séries e dos filmes de Star Trek como ponto de partida para estimular a discussão, bem como ideias de pensadores como Adam Smith e Jeremy Bentham. Talvez o resultado não seja um tratado fundamental de economia ou política financeira, mas deve ser uma leitura interessante.

Saadia observa que os roteiristas de Jornada nas Estrelas foram cuidadosos ao estabelecer que embora a economia interna da Federação seja não-monetária, essa união de planetas se relaciona com outras civilizações e sociedades que são monetárias, e que mantém regras de valor e preços em suas relações comerciais.

Saadia disse que na sociedade de Star Trek, a natureza do trabalho não dependerá mais do consumo, ou a mera subsistência. A chave para isso é dissociar o trabalho do pagamento, da recompensa monetária. Essa é a mensagem da série, disse Saadia.

Em entrevista ao Washington Post, Saadia disse que em vez de trabalhar para aumentar sua riqueza ou acumular bens, as pessoas em uma sociedade “anumismática” do futuro se esforçarão para aumentar sua reputação. A recompensa do trabalho será o prestígio. Para conquistar esse prestígio, você vai se esforçar para ser o melhor capitão de espaçonave da galáxia, o melhor médico, o melhor cientista, o melhor artista, etc. E vai competir com outros pela mesma distinção. Seria uma meritocracia em sua expressão mais pura, sem as desigualdades sociais de hoje.

Gene Roddenberry, o criador de Star Trek, reconhece que se inspirou nas histórias do escritor de ficção-científica Isaac Asimov para criar muitos dos elementos que se tornaram famosos na série. Mas Roddenberry era um visionário também, e sua visão humanista do futuro venceu até os preconceitos que eram os valores dos anos 1960. Muitas ideias “políticas” que estavam nos roteiros da série original foram vetadas, mas para horror dos executivos da rede NBC, Gene insistiu em colocar na ponte da Enterprise uma oficial negra (a tenente Uhura), um jovem gênio russo (em plena Guerra Fria!), um timoneiro japonês e um alienígena, em papéis de protagonistas. As tecnologias de Star Trek estão se tornando realidade, uma a uma. Talvez a sociedade sem dinheiro sonhada por Gene não esteja tão distante assim.

O vídeo para promover o livro “Trekonomics”:

Foto: Stefan Cosma / Unsplash.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

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Empregos

Os donos da hora

Ei você que é frila, leia isso: plataforma que conecta freelancers a empresas dá dicas para empresas e dados sobre este mercado de trabalho

Publicado

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Foto: Stefan Steinbauer / Unsplash

Que empresa já não contratou um freelancer, quem já não foi “frila” na vida? A redação do Jornal 140 recebeu um material super rico da Workana, plataforma que conecta freelancers a empresas em toda a América Latina.

O mercado de frilas só cresce. Segundo a plataforma, existem mais de 2,5 milhões de profissionais, um total de 880 mil projetos desenvolvidos por estes nobres soldados. E por falar em comunicação em tempos de cólera, as novas gerações não gostam de seguir horários, querem fazer os seus horários – querem flexibilidade: a plataforma identificou que 56% destes profissionais são frilas porque querem ser donos dos seus próprios horários.

Publicamos a seguir diversos itens compartilhados pela comunicação da Workana com a redação do Jornal 140, publicados na íntegra:

Quais são os pontos de atenção?

• Ter claro uma data de início e de finalização de projeto (pelo menos estimada);

• Definir que tipo de entregáveis são esperados (aplicadas ao projeto) e em que condições espera-se receber. Exemplos: código fonte, manual de marcas, editáveis, etc;

• Canal de comunicação: é muito importante manter a comunicação de maneira contínua, estabelecendo horários e modalidades preferidas;

• Apresentação de avances: é importante acordar antecipadamente sobre a frequência e horário que se espera para que o profissional apresente os avances. Isto ajuda a fazer correções ao longo do percurso, se for necessário.

• Demanda por horas para o projeto: mínimo de horas requeridas semanais, se é necessário que trabalhe em um horário específico ou ainda ter um horário comum para responder consultas, atender chat de clientes, recepcionar chamadas, reuniões, etc.

O que já deve estar acordado?

Antes de iniciar a pesquisa, a organização deve realizar um exercício de reflexão e tentar cobrir a maioria dos seguintes requisitos.

• É importante ter um breve resumo do projeto que cubra o que é, o que se espera, como serão alcançados os objetivos, quando e com que orçamento. Este resumo deve ser o mais claro possível, não apenas para ajudar a definir quais perfis são indicados para o projeto, mas também como um documento no qual o cliente e o profissional possam começar a trabalhar.

• Definir se prefere que o projeto seja executado como um projeto fixo, com entregas definidas ou se a modalidade de horas é melhor opção, porque é esperado que se cumpram as tarefas especificadas, as quais podem mudar ao longo de um projeto.

• Material de trabalho: deve ser disponibilizado e definido o material que será entregue ao profissional para levar o projeto adiante, otimizar o tempo e a qualidade do trabalho.

Perguntas frequentes que as empresas realizam para a Workana

As perguntas mais frequentes estão sempre relacionadas com os medos e com as preocupações diante da modalidade de trabalho que ainda desconhecem.

1) Como posso controlar o que faz um freelancer que não se encontra trabalhando de maneira presencial no escritório?

As metodologias de controle podem ser várias, dependendo do tipo de projeto. A primeira metodologia é a comunicação, estabelecer um canal claro e direto com o freelancer é um ponto fundamental. Por sua vez, acordar uma reunião semanal ou quinzenal é recomendável sobretudo para projetos grandes. Outra metodologia de controle são as pré entregas. Programar para receber conteúdos que adiantem a entrega final, ajuda a ter visibilidade do trabalho do freelancer. Isso te possibilita a tomar ações corretivas sobre o andamento e evitar desvios na entrega final ou atrasos no projeto.

2) Se os prazos e objetivos do projeto são cumpridos.

É importante discutir esses pontos em uma reunião inicial com o freelancer. Para ter este ponto bem claro é importante que o cliente já tenha identificado para quando precisa do trabalho e qual é o objetivo e necessidade do mesmo, para poder transmitir ao profissional de forma clara. Cruzar estas informações com as entregas ajudam a otimizar a experiência.

3) Se os profissionais são idôneos para assumir seus projetos.

Neste ponto, é importante ter como parceiro uma plataforma de confiança que faça o intermédio desses contatos, como a Workana. Só assim será possível pedir ajuda caso haja algum problema na entrega do projeto.

4) Como assegurar a qualidade do produto final entregue pelo freelancer.

A qualidade no produto final é composta pela qualidade durante todo o processo, desde ter claro o objetivo do projeto resumido a um briefing, seguido pela seleção do recurso, conhecer o mesmo em uma entrevista e contar de forma clara o objetivo do trabalho.

Uma vez selecionado o recurso, deve-se implementar metodologias de controle e feedback, instâncias parciais de entrega e revisão de resultados com relação ao freelancer e o cliente por um trabalho de qualidade.

5) Como posso proteger as informações que necessito compartilhar com o profissional.

Dependendo do tipo de projeto que está sendo realizado, o profissional que irá executá-lo pode contar com uma informação parcial, ou ter acesso integral a ela. Se houver esta necessidade num projeto, nós da Workana sugerimos que o cliente faça um contrato NDA (Non Disclosure Agreement) para reforçar ao freelancer a importância da confidencialidade no projeto e em seu conteúdo.

6) Se é possível realizar trabalhos de forma presencial.

O core da Workana é o trabalho remoto, já que acessamos o talento através de qualquer zona geográfica de onde se encontra o escritório do cliente. No momento em que limitamos uma determinada zona, a quantidade de profissionais passa a ser menor. Tendo em conta estes pontos, temos feito alguns projetos de forma presencial, nos quais incorremos em contratar um seguro para o freelancer pelos dias em que o projeto está em andamento, sendo os custos do seguro assumidos pelo cliente.

A Workana tem profissionais de diversas formações e especificações. Os principais perfis vão desde habilidades de TI e Programação, Marketing Digital, Design e Multimídia, Redação e Tradução, etc. Mas também temos outras categorias que já nos solicitaram, como engenheiros, especialistas em comunicação, perfis de finanças, equipe de vendas. Os requerimentos foram vários e nossa base é muito boa.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Empreendedorismo

Empreender: como se reinventar e manter o foco na realidade

Vivemos em uma sociedade onde as coisas mudam na velocidade da luz, onde a informação acontece e uma hora depois se torna ultrapassada.

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Foto: You X Ventures / Unsplash

Vivemos em uma sociedade onde as coisas mudam na velocidade da luz, onde a informação acontece e uma hora depois se torna ultrapassada. As empresas se assustam com tanta inovação. E, muitas vezes, se perdem no contexto. Tento levar aos clientes, todos os dias, progresso. Este é o papel da atividade que escolhi e tenho muito orgulho. Acredito que sempre podemos mudar, melhorar e, o principal, cuidar de todo o contexto da empresa sem desprezar a missão e a visão que deram origem ao seu negócio. Independentemente se é um negócio de família, um sonho, ou de outras circunstâncias, a empresa tem que prosperar, de preferência, a um custo baixo ou zero, dependendo das necessidades.

Acredito que temos de proporcionar facilidades e apresentar soluções a curto, médio ou longo prazo, independentemente do tipo de negócio ou da quantia de colaboradores que a empresa tenha e sem desprezar a história de cada um. Tendo em vista o cenário atual, devemos ouvir, compreender e avaliar e, após um diagnóstico, sugerir algo relacionado com a realidade. Entretanto, atualmente o que encontramos são muitos empresários reclamando por vários motivos e sem buscar soluções práticas. Aos longos dos vinte anos de vivência na área de consultoria empresarial, afirmo: as soluções devem ser estudadas e elaboradas individualmente, devemos ter o cuidado de diagnosticar baseado em fatos que condizem com a realidade da empresa.

Renovando os objetivos

Vou partilhar com você a minha própria experiência para que se tenha uma visão ampla. Há quatro anos optei por residir e trabalhar no Norte do país. Nessa época, trabalhava única e exclusivamente com indústria moveleira. Surgiu na época um projeto de dois anos e quando as coisas não saíram como o planejado, precisei me reinventar. Entendi que a minha paixão pessoal, aliada as possibilidades locais, me abriam um leque maior de atuação do que eu poderia imaginar. Passei a atender em três estados, Amazonas, Acre e Rondônia, nos mais diversos segmentos.

Já atendi uma granja de porcos, sem nenhum tipo de conhecimento prévio específico do assunto. No fim das contas, as estruturas das empresas não são tão diferentes quando se imagina. Adaptar técnicas, que já temos domínio podem nos tirar de um mercado já saturado e nos ajudar a reinventar a profissão que vamos seguir nos próximos anos. Também aprendi que a geografia física se tornou obsoleta; hoje  consigo assessorar empresas em outros estados por meio da (facilidade da) comunicação. Com isso vou abrindo mercado em locais jamais planejados. Portanto, reflita, o que está faltando para você se reinventar no mercado? Qual será o seu diferencial?

Acredite no seu negócio e na sua capacidade

Todo esse relato é para comprovar que nosso público está além de nossa imaginação. Independe do produto ou serviço que vendemos ou prestamos, podemos ir além. “Devemos pensar grande”, porém com os pés no chão e com os olhos na realidade. Acredite no seu negócio, ele é único. Apesar de demandar muita ou total dedicação, acredite e siga os passos da realidade econômica, sempre vislumbrando horizontes que irão compor seus ideais. Ler, conversar, partilhar os desempenhos e desejos com pessoas certas, para que consiga atingir o ápice do empreender.

Espero ter acendido em você, empreendedor, uma luz que lhe mostre o quanto somos capazes e estamos no caminho certo.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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