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Quadrinhos 2 MIN DE LEITURA

Graphic MSP: abrindo espaço para novos talentos e temas profundos

Quando se trata de Mauricio de Sousa e Turma da Mônica eu sou suspeita para falar.

Êrica Blanc

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Quando se trata de Mauricio de Sousa e Turma da Mônica eu sou suspeita para falar. Sou fã de carteirinha e acompanho a turminha desde que me entendo por gente. Não sou o tipo de fã enlouquecida por nada, nem ninguém. Quer dizer, exceto o Mauricio e a J. K. Rowling. Mas, com ele o caso é bem mais grave. Não posso ver ele dando entrevista, que eu choro. Inclusive, na Campus Party Brasil 12, eu chorei da hora que ele subiu no palco até a hora que ele foi embora. Pelo simples fato de que o Mauricio (e a J. K. Rowling) ajudou a formar a pessoa que eu sou, tanto quanto os meus próprios pais.

Não só a mim, mas a várias e várias gerações de pessoas que existem nesse país. Quanto mais conheço a sua história, mais o admiro. Mauricio tem talento para se reinventar (e eu juro que agora já estamos entrando no assunto do post). Turma da Mônica acompanha os sucessos de cada geração e por isso é tão atual. Na época da sua avó, o crush da Mônica e da Magali, era o Francisco Cuoco. Na minha época, era os Jonas Brothers, assim como para muita gente da minha geração.

Entenda a Graphic MSP

Só que ele não parou por aí. Nasceu a Mônica Toy, que é sucesso no Youtube, e também a Graphic MSP! Que, nada mais são, do que um projeto da Mauricio de Sousa Produções, que abre espaço para que outros artistas brasileiros deem seus próprios estilos para histórias em quadrinhos com os personagens que conhecemos. Essas graphics costumam ter uma impressão diferente e mais refinada do que os gibis. Tendo até capa dura e, consequentemente, um pouco mais cara do que os quadrinhos tradicionais. Entretanto, prometo que vale cada centavo (pelo menos todas as que eu li até agora).

O projeto começou a nascer em 2009, com a MSP 50 – Mauricio de Sousa Por 50 Artistas. Mas, foi só em 2012, que a primeira Graphic MSP oficial foi publicada. E, dessa vez Mônica abriu espaço para que o Astronauta fosse o primeiro personagem a ganhar uma graphic. Na verdade, a dentuça preferida desse Brasil, só ganhou sua primeira edição na Graphic MSP, em 2016. Com Força, da Bianca Pinheiro. Nessa edição, o tema trabalhado é o relacionamento dos pais da Mônica, que está estremecido e a baixinha se sente impotente buscando uma solução para ajudar o casal.

Temas mais profundos do que estamos acostumados

Turma da Mônica sempre teve uma pegada bem leve e divertida. A Graphic MSP abre espaço para novos talentos e até temas mais profundos. Já que nós não veríamos temas como o trabalhado em Força, nas revistinhas tradicionais. Ou seja, as graphics são uma ótima oportunidade para conhecer novos traços e passar a valorizar o trabalho de outros ilustradores. Mas, acima de tudo, é uma oportunidade incrível para se sentir mais próximo dos personagens que já amamos tanto.

Definitivamente, Mauricio e Turma da Mônica tem um total de 0 defeitos!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Êrica Blanc é jornalista, criadora do @blogremenor, co-criadora da @amoor.co, apaixonada por contar histórias de amor reais, empreendedora de primeira viagem e louca das listas.

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Quadrinhos 2 MIN DE LEITURA

Inspector Akane Tsunemori: utopia duvidosa

O anime de ficção científica Psycho-Pass foi adaptado para o mangá e recebeu o nome de Inspector Akane Tsunemori. Confira os motivos pelos quais vale a pena ver e ler.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Psycho-Pass Wiki

Este artigo começa mostrando algo um pouco diferente. Normalmente as resenhas surgem de adaptações do impresso para o audiovisual, principalmente no caso de adaptações cinematográficas. Inspector Akane Tsunemori contraria essa lógica: primeiro surgiu a primeira temporada do anime Psycho-Pass, lançada em outubro de 2012 no Japão, para depois ser adaptado para o mangá, com menos de um mês de diferença, em novembro de 2012. O material impresso recebeu o nome de Inspector Akane Tsunemori, que é o mesmo da protagonista. No Brasil, a Panini Mangá só lançou os seis volumes em 2018.

O mangá corresponde à primeira temporada do anime. Apresenta o abalo do Sistema Sybil, que governa e controla um Japão pacífico e utópico. Sybil monitora todos e decide profissões, namoros e a vida dos que têm o Psycho-Pass baixo e claro. Esse parâmetro é uma análise do estado mental e controle das emoções negativas, como raiva e estresse. Quem tem o Psycho-Pass alto e turvo, é isolado socialmente e considerado como criminoso latente, ou seja, que tem a possibilidade de cometer algum crime. Sim, as pessoas são monitoradas constantemente e presas antes de fazer qualquer coisa.

A partir disso surge uma questão: e se existisse gente que perturbasse a ordem social e que Sybil não conseguisse fazer a leitura adequada do Psycho-Pass? Ou seja, para o sistema, essas pessoas sequer existem. E com a falta de reconhecimento do próprio sistema, acontecem muitas possibilidades de gerar caos. Isso fica para a Agência de Segurança Pública, que funciona como o sistema investigativo e policial, cuidar e desvendar. E é  aí que a protagonista Akane Tsunemori entra. No começo, assim como qualquer pessoa, ela é ingênua e otimista. Conforme o desenrolar do enredo, ela se adapta ao trabalho e mostra o porquê dela ser apta para o cargo de inspetora.

Leves diferenças

O mangá é extremamente fiel ao anime. E com um bônus: os personagens secundários (e bem carismáticos) como Kagari, Sasayama, Masaoka e Ginoza têm seus arcos levemente mais aprofundados e explicados. As referências literárias, filosóficas e históricas permanecem, já que é uma das características marcantes do anime. Diria que há mais referências históricas do que o resto, o que não tira de maneira alguma a característica da obra.

Akane Tsunemori é mostrada sob uma perspectiva mais íntima. Assim como no anime, é possível acompanhar a evolução da personagem como inspetora da Agência. Mas no mangá, os conflitos emocionais de Akane são mais enfatizados. Como é possível endurecer a maneira de agir sem se tornar totalmente fria? O dilema persiste e Akane consegue lidar com isso muito bem, mesmo com os acontecimentos mórbidos. A parceria estranha e levemente paradoxal com Shinya Kogami continua como um dos pontos altos do enredo. Afinal, Kogami é, em partes, o que Akane busca como inspetora: determinado, inteligente e com habilidades acima da média. Mas ela não pode esquecer que ele se tornou um criminoso latente. O limiar entre frieza e raiva extrema é mostrado de forma tênue.

Então, se você gosta de ficção científica, protagonistas femininas fortes e reais, investigação criminal, conflitos políticos e sociais, ação, literatura e filosofia, leia Inspector Akane Tsunemori e veja Psycho-Pass. É uma das raras obras com uma junção realmente boa de todos esses itens.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Quadrinhos 5 MIN DE LEITURA

Mangás: gêneros e classificações

O termo que designa histórias em quadrinhos, está inserido no cotidiano japonês de tal forma que, 40% de todo papel impresso no Japão é destinado a esse estilo de leitura.

Jorge Massarollo

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Foto: Martijn Baudoin / Unsplash

Mangás, fenômeno cultural que faz parte de um imenso mercado de entretenimento que movimenta milhares de fãs. O termo que designa histórias em quadrinhos, está inserido no cotidiano japonês de tal forma que, 40% de todo papel impresso no Japão é destinado a esse estilo de leitura.

Adultos, jovens, crianças, são todos tomados pelo espírito das breves páginas semanais/mensais, feitas com papel barato e histórias excêntricas. Embora esse mercado pareça estar voltado ao público infantojuvenil, onde mais de ⅓ deste é destinado ao consumidor adulto, resultando nas mais variadas temáticas.

Essa diversidade permite a formação de grupos que compartilham do mesmo gosto e apreciam aquele, ou outro mangá, sendo possível a classificação de diferentes categorias de indivíduos, de acordo com o tipo de produto que consome. O que para as editoras facilita bastante quando falamos de público alvo.

Obviamente assim como as grande produções hollywoodianas e as HQ americanas, os mangás são classificados por gêneros, tais como fantasia, ficção, aventura, ação, comédia. Entretanto existe uma classificação referente ao público alvo, ou seja, a quem está destinado aquele produto e enredo específico , que se relaciona diretamente com características do consumidor.

Essa divisão é clara no mercado japonês, e recebem nomes e classificações específicas como veremos a seguir:

SHONEN
Termo japonês que designa a palavra menino.
Público Alvo: Meninos de 10 a 18 anos
Descrição: É a categoria mais famosa mundialmente, são histórias de ação e aventura, com temas fantasiosos, de ficção científica, magia, que podem envolver alienígenas, demônios, deuses, robôs, guerreiros, samurais, esportes, com uma boa dose de competição, lutas, heróis e humor. São aqueles tipos de mangás que quando adaptados para versão animada, lhe faz vibrar com batalhas ferozes e seus personagens Badass. Porradaria pura, embora tenha seus momentos românticos e filosóficos. Onde a amizade, busca pelos sonhos e persistência contra os desafios são marca registrada dos personagens principais do gênero.

SHOUJO
Termo japonês que designa a palavra menina.
Público Alvo: Meninas de 10 a 18 anos
Descrição: É uma categoria destinada a um público feminino, interessante notar que até a década de 1970 esses mangás eram feito por homens, somente a partir dos anos 70, que as mangakás femininas começam a ganhar espaço. Inclusive atualmente a maioria dos mangás desse gênero é escrito, desenhado e editado por mulheres. Hoje as mangakás são responsáveis pela criação de histórias em diversos gêneros de mangás, como exemplo da famosa Hiromu Arakawa com a obra Full Metal, considerado por muitos o melhor mangá/anime da história. Voltando ao Shoujo, estes são mangás de traços mais delicados, que abordam histórias de amor, onde existe normalmente um personagem masculino, foco da paixão das personagens principais, o romance pode ocorrer em cenários fantasiosos, mágicos ou colegiais. Histórias que embora possam ter alguma ação, o enfoque está nos sentimentos adolescentes e dramas familiares. A psicologia infantojuvenil e os desafios dessa fase da vida são o tema principal desse gênero.

SEINEN
Termo cujo significado é “Homem Adulto’’.
Público Alvo: Adulto
Descrição: Seria algo como uma versão adulta do gênero Shonen, com temas mais realistas e sombrios, com tramas complexas, que se aproximam de histórias em HQ americanas. Sangue, palavras impróprias, cenas explícitas, humor negro são algumas características desses mangás. Embora a fantasia e ficção se encontrem presentes, existe uma profundidade maior nos temas, com uma seriedade e forte críticas sociais.

JOSEI
Termo cujo significado é “Mulher Adulta’’
Público Alvo: Adulto
Descrição: A mesma ideia de SEINEN vale aqui, entretanto para o público feminino. São histórias que envolvem romances, paixões, intrigas, com caráter mais realista e adulto. O conteúdo sexual é fortemente explorado nesse gênero, não necessariamente explícito. Aqui o romance adolescente pueril é colocada de lado, e dá espaço a romances de forma mais direta e séria. Além de enredos fantasiosos, o estilo procura abordar o cotidiano das mulheres japonesas.

JIDAIGEKI
Público Alvo: Adolescente/Adulto
Descrição: Esse gênero explora dramas e feitos históricos, recriando batalhas e heroísmo. Os japoneses são um povo bastante nacionalista, contar sua história através das páginas de mangás parece ser um jeito interessante de atrair a atenção e curiosidade os jovens, bem como adultos que gostam do período feudal, onde os samurais caminhavam livremente, travando batalhas lendárias.

GEKIGÁ
Termo que significa “figuras dramáticas’’
Público Alvo: Adulto
Descrição: O termo foi criado por Yoshihiro Tatsumi, foi um movimento que surgiu na década de 50 em contraste aos gêneros de mangás voltados ao público infanto-juvenil. Seu objetivo era atingir público adulto com histórias que contém um caráter mais realista e dramático, explorando principalmente o cotidiano do povo Japonês. Se encaixa no naquilo que compreendemos como Drama no Ocidente. Seriam um tipo de quadrinhos alternativos no Japão.

KODOMO
A palavra significa criança em japonês.
Público Alvo: Infantil
Descrição: Com traços mais simples, esse gênero é focado em crianças, com temas voltados a educação, momentos interativos e instrutivos, onde a criança aprende e se diverte ao mesmo tempo. As tramas são simples, com menos ação e mais “comédia’’ com abordagem infantil. É difícil não fazer uma comparação ao nosso equivalente no Brasil, a turma da mônica.

HENTAI
É uma gíria japonesa que significa Pervertido.
Público Alvo: Adultos Jovens
Descrição: Provavelmente o gênero mais polêmico, são mangás destinados a conteúdos eróticos. Existem diversos tipos e sub gêneros, os assuntos vão desde sexo entre indivíduos à coisas bizarras como tentáculos. A história não é o forte desses mangás em si, eles dialogam com uma linguagem jovem, e o apelo sexual é forte e explícito. Lolicon,Shotacon, Yuri, Yaoi são nomes de categorias que pertencem a esse estilo. Existe até o Ecchi, que aborda conteúdo não pornagráfico porém com forte apelo ao erotismo. Mangás portanto com foco no tema sexual.

Como simplificado acima, existe uma gama de gêneros e estilos específicos para todos os públicos, que tornam a experiência de leitura única, particular e ao mesmo tempo compartilhada. No Brasil embora o público alvo não seja caracterizado com essa divisão, os consumidores possuem preferências e identificação com um ou mais desses gêneros, no qual eles mesmo se reconhecem. Em grandes eventos sobre o tema podemos perceber de forma nítida, pelos diferentes grupos que se formam e compartilham suas experiências essa divisão.  E embora aparente fronteiras, no fim somos todos amantes dessa arte.

Referências Bibliográficas

Winterstein, Claudia Pedro.’’Mangás e animes : sociabilidade entre cosplayers e otakus.’’. São Carlos : UFSCar, 2010.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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