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Séries

Coisa mais linda: será que realmente evoluímos nos últimos anos?

As produções brasileiras estão mudando bastante nos últimos anos e muitas fogem do óbvio de uma maneira surpreendente.

Êrica Blanc

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As produções brasileiras estão mudando bastante nos últimos anos e muitas fogem do óbvio de uma maneira surpreendente. Mas quando Coisa mais linda foi lançada na Netflix, não foi minha primeira escolha do fim de semana. Na verdade, só me entreguei a série, quando uma cena começou a repercutir no Instagram. Com 8 episódios iniciais, Coisa mais linda nos mostra que não mudou muito dos anos 60 para cá.

E, quando digo isso, me refiro especificamente ao comportamento dos homens em relação às mulheres. Por que para nós, os avanços foram inúmeros. Mas, antes de gerar polêmica desnecessária, vamos contextualizar a trama. Coisa mais linda acompanha 4 mulheres que tem suas histórias entrelaçadas. Uma delas é negra e faxineira. A outra é dona de casa e esposa que sabe bem ficar calada. Outra é jornalista, dona do próprio nariz e que conta com o apoio do marido em tudo. E, por fim, a personagem principal, é abandonada pelo marido, em uma cidade que pouco conhece, sem um tostão no bolso e um bar que mais parece um mausoléu.

Coisa mais linda é para refletir

Enquanto elas lutam em busca dos próprios sonhos, vários personagens buscam puxa-lás para baixo. Seja o marido, o colega de trabalho ou até um grande amor do passado. E, verdade seja dita, todas são julgadas com crueldade, por pessoas que não sabem absolutamente nada sobre suas histórias. Coisa mais linda vem fazer protesto, contando o passado, mas firmando a ideia de que ainda há muito para evoluir. Coisa mais linda é daquele tipo de série que vai te prender, mesmo que não pareça nada demais, para que no fim você fique meio desorientado em busca de novos episódios. Porém, trago desde já a boa notícia: a série foi renovada! Espero que goste.

Foto: Coisa mais linda / Netflix

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Êrica Blanc é jornalista, criadora do @blogremenor, co-criadora da @amoor.co, apaixonada por contar histórias de amor reais, empreendedora de primeira viagem e louca das listas.

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Séries

Younger: para você que acredita ser tarde demais

Você se acha velho demais para tentar ou até recomeçar? Vem cá, precisamos conversar sobre tudo que Younger pode trazer para você.

Êrica Blanc

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Divulgação: TV Land

Você tem 20 anos e acha que se não conseguir o emprego dos sonhos até o fim do ano vai ficar velho demais para tentar? Ou você já passou dos 40, criou filhos e gostaria de voltar para o meio profissional e acredita que não terá oportunidades? Ou não sabe como se reinventar? Se a resposta para uma das perguntas foi sim, sente aqui, porque Younger é para você.

A trama acompanha Liza, que tem por volta dos 40 anos, sua filha foi para a faculdade, seu marido lhe traiu e ela após se divorciar e ficar com uma mão na frente e outra atrás, está pronta para voltar para o mercado de trabalho. Liza foi editora de livros até os 26 anos, quando engravidou e decidiu se dedicar a família. Mas, quando começa a passar por entrevistas, percebe que “está velha demais para o mercado”. Como ela tem carinha de novinha, sua melhor amiga ajuda na transformação e, de repente, ela se parece uma jovem recém-saída da faculdade. Com isso, ela consegue uma vaga, tipo um estágio, numa editora e a vida começa a andar como o planejado, mas baseada em uma mentira.

Nem todo mundo tem cara de novinha

A essa altura, você deve estar pensando: “Mas, Êrica, nem que eu me esforçasse pareceria ter 25 novamente” (caso seu sim tenha sido na segunda pergunta, é claro). Só que, quando eu digo que Younger é para você, não estou dizendo para você seguir os passos da Liza e se transformar numa jovem novamente. Tanto para você que tem 20 e poucos, quanto você que já passou dos 40, precisam entender que o mundo não acaba amanhã. Não estou te julgando! Eu também preciso, inclusive. A gente vive com a ideia de que a vida depois dos 30 acaba. E, só no Brasil, a expectativa de vida é em torno dos 70/80 anos.

Ou seja, de uma forma muito leve, engraçada e cheia de surpresas, Younger nos mostra que tá tudo bem recomeçar após os 40, 50, 60. Ou tentar! Se jogar de cabeça em tudo o que você sempre quis, mas sempre adiou ou nunca tentou. A trama é bem divertida e cheia de significado, se você der a atenção devida as mensagens que estão nas entrelinhas. É o tipo de roteiro que te faz se sentir jovem, cheio de vida, feliz e ansioso pelo o que ainda está por vir. Sendo assim, se você está precisando desse sentimento de renovação (aproveitando a virada do ano chegando), vai fundo, que Younger é para você.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Séries

O homem que assistia séries demais

Desafiado a escrever sobre Euphoria, da HBO, nosso coletivista Paulo Gustavo acaba ficando positivamente surpreendido ao assistir uma série turca O Último Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis.

Paulo Gustavo Pereira

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Foto: Alex Suprun / Unsplash

É interessante quando sou questionado sobre a quantidade de séries que assisto. A pergunta é invariavelmente, comparando com o tempo livre de quem pergunta, sempre questionando que não há tempo suficiente para ver tudo o que interessa. E é exatamente isso que é o ponto crucial no trabalho que faço ao analisar o conteúdo de séries para os textos e programas que faço. O que realmente é interessante de se assistir?

Como todo bom ser humano que cresceu vendo filmes e séries, há um momento em que ver uma série por obrigação de trabalho deixa de ser importante para ser crucial para o próximo episódio. Explico: tento ver o primeiro episódio para saber se a série tem algo diferente, uma história ou personagens que valham a pena continuar vendo. Dessa forma, já deixei de ver várias produções que viram “moda” e que, na minha análise, não trouxe nada de novo para meu HD.

Ao mesmo tempo, fico impactado quando descubro uma produção fora dos Estados Unidos, pátria-mãe das séries de TV. É uma surpresa ver que uma série turca O Ultimo Guardião que fala sobre o universo dos super-heróis; da mesma maneira que Kingdom, da Coréia, mostra uma luta da corte real do século 14 contra uma infestação de zumbis; ou mesmo a produção indiana Jogos Sagrados, onde a narração da história é feita por um personagem que morre no primeiro episódio.

É claro que não dá pra escapar das séries da moda, não por que não tenham qualidades, mas muitas vezes, é mais do mesmo. Quando muitos canais exibem séries sobre os bastidores do crime organizado ou não, descubro a beleza e a leveza de Coisa Mais Linda, da Netflix, com quatro personagens femininas que fogem felizmente do politicamente cansado empoderamento da mulher em qualquer lugar e qualquer tempo.

Quando a bola da vez chegou em Euphoria, da HBO, me chamou a atenção que a personagem principal era interpretada por Zendaya, que havia feito várias produções da Disney e recentemente se tornou o interesse amoroso de Peter Parker nos últimos dois filmes do Homem-Aranha, estrelado por Tom Holland. E mais: seria um papel totalmente diferente do que a atriz-cantora faria, algo que ela mesmo pedido para se desafiar como atriz. E não decepcionou.

Ao mesmo tempo, a Netflix lançou Sintonia, uma produção de fôlego, com roteiro muito bem escrito e com uma história que me atraiu, mesmo com vários clichês tradicionais sobre a luta de três jovens da periferia de São Paulo para subir na vida. Em Euphoria, a personagem de Zendaya tentava se descobrir no meio de uma continua adoração à drogas, desrespeito à família, e amizades complexas e confusas. Ou seja, as duas séries se comunicavam com o mesmo publico jovem, de maneiras diferentes.

Não vou entrar nessa análise mais formal sobre cada um dos pontos de cruzamentos entre Euphoria e Sintonia. O que importa nesse crossoover imaginário é que os personagens lutam para fazer a melhor escolha sobre seus futuros. E cada uma das tentativas, os leva a caminhos que podem afastá-los de seus reais destinos. Afinal, lutar para sobreviver a uma sociedade opressiva, sem a base adequada, deixa qualquer jornada heróica pendente de algo real. Não adianta lutar contra um vício se o viciado não quer enxergar suas próprias dores. Da mesma maneira, dizer que não existe saída para um jovem da periferia a não ser entrar para o crime,, a sublimar outros jovens que já lutaram e venceram essa guerra íntima.

Dito isso, não me surpreende que séries como The End of the F**ing World, Dark, The Rain e até mesmo Casa de Papel, serem as mais vistas pelos brasileiros na Netflix. Elas chamaram a atenção do publico não por que suas tramas são diferentes, mas por que elas estão ligadas a outras histórias mais identificáveis pelo telespectador. Casa de Papel fez sucesso no Brasil por sua mistura de Golpe de Mestre e Onze Homens e um Segredo. The Rain mostra jovens tentando superar os desafios de um futuro distópico como The 100. Ou mesmo as reviravoltas de um destino insólito da série alemã Dark, que fez muita gente mergulhar em universos paralelos e viagens no tempo, dois gêneros populares da ficção-científica, mesmo não entendendo metade da história.

O melhor de tudo é que a diversidade de produções que tem chegado ao Brasil na última década, especialmente com a chegada das plataformas streamings, tem ajudado o público a entender que não são apenas as séries de língua inglesa que fazem os próximos episódios divertidos. O que muito bom nessa história, independente do país de origem, é como se conta essa mesma história. O melhor exemplo disso é a série Criminal, que mostra o interrogatório de um suspeito, vista por policiais alemães, franceses, espanhóis e britânicos. Cada um no seu quadrado dramático e emocionante a cada episódio.16

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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