Criatividade não é dom e uma fake news sobre Mozart pode provar

“Quando sou completamente eu mesmo, quando me encontro sozinho e de bom humor – por exemplo, se estou viajando de carruagem, caminhando depois de uma boa refeição ou sem sono à noite –, minhas ideias fluem melhor e com mais abundância.’’

Esse trecho faz parte de uma carta publicada por um periódico musical da Alemanha no ano de 1815, onde o artista Amadeus Mozart descrevia em detalhes o processo criativo de suas óperas e sinfonias: ‘‘(…) Quando passo a escrever tais ideias, faço-o com bastante rapidez, uma vez que tudo já está acabado e no papel elas raramente diferem do que eram na imaginação.”

Gênio perfeito que nunca errou? Elfo sensato das eurekas? Lindíssimo dos melhores insights? Nenhuma das alternativas. Quatro décadas depois ficou comprovado que o documento divulgado era falso.

E se quatro horas já são o suficiente para que uma fake news viralize, interfira nas emoções dos envolvidos e faça todos os ´´estragos“ possíveis, imagine quarenta anos.

É claro que Mozart foi um pianista e compositor talentoso. Não é à toa que até hoje é reconhecido como um dos mais importantes nomes da música erudita e da história da música clássica. Mas suas obras primas sempre foram consequências de muito esforço, incansáveis revisões e tentativas, erros e até bloqueios criativos.

Porque a grande verdade é que ser criativo não necessariamente é um dom ou uma característica nata. Embora romântica, essa ideia é completamente equivocada. Uma crença limitante que provavelmente nasceu da necessidade de explicar resultados extraordinários através de atos especiais de grandes gênios.

Acredite! Criatividade tem mais a ver com atos simples de pessoas comuns. Assim mesmo, sem segredo: é trabalho e persistência!

LAI INDICA

Se você chegou até aqui, gostou do que leu e quer saber mais sobre criatividade, tenho três livros para indicar:

Roube como um artista

Nele, Austin Kleon dá 10 dicas sobre criatividade. De todas, minha preferida é a segunda: não espere até saber quem você é para começar. Afinal, é na ação que a gente se descobre.

Tudo bem que o livro parte do princípio de que ´´Nada se cria, tudo se copia!“ e eu discordo dessa teoria, mas ainda assim recomendo a leitura. É leve, objetiva e motivadora!

Mindset: a nova psicologia do sucesso

Sensacional!

Serve não só para quem trabalha com criatividade, como também para pais, atletas e professores.

Aliás, é o tipo de livro que todo mundo deveria ter. Carol Dweck mostra, através de pesquisas que realizou em sua área de atuação, de onde vêm as crenças limitantes que carregamos durante a vida e de que forma elas atrapalham nosso desenvolvimento pessoal e profissional.

Tem solução? Tem e está no último capítulo.

A história secreta da criatividade

´´Em A história secreta da criatividade, o professor do MIT Kevin Ashton mostra que o processo criativo é lento, complexo, espinhoso e repleto de falhas, frustrações e recomeços.“

Assino embaixo da sinopse e acrescento que:

  1. O livro tem histórias inspiradoras de pessoas simples que mudaram o mundo.
  2. Foi por meio dele que eu aprendi sobre o mito da criatividade.
  3. Inevitavelmente é uma leitura que abre a mente para ideias, sonhos e criatividade.

Já leu algum desses livros? Vai ler? Me conta o que achou.

Por hoje é só, mas semana que vem tem mais!

Foto: Amadeus / Warner Bros.

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