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Aeroespacial 3 MIN DE LEITURA

Vira-latas foram os primeiros astronautas

Cães vira-latas russos, entre eles a cadelinha Laika, foram os grandes pioneiros da exploração espacial, há mais de meio século.

Sergio Kulpas

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(Para Neuber e Pingo)

Cães vira-latas russos, entre eles a cadelinha Laika, foram os grandes pioneiros da exploração espacial, há mais de meio século. Boa parte desses cosmonautas e astronautas caninos foram resgatados das ruas geladas de Moscou. Os cientistas acharam (corretamente) que eles seriam candidatos ideais para voos espaciais.

Em 3 de novembro de 1957, a União Soviética assombrou o mundo ao lançar o Sputnik 2 – mais espetacular que o primeiro satélite, este carregava a bordo a cachorrinha Laika, o primeiro animal a entrar em órbita ao redor Terra.

Laika era uma vira-lata que havia sido resgatada das ruas gélidas de Moscou. Os cientistas concluíram que cães acostumados a passar fome e aos rigores do inverno russo seria os passageiros ideais para uma viagem ao espaço.

Para a missão Sputnik, Laika e dois outros cães foram treinados para aguentar a viagem vivendo em gaiolas apertadas a aprendendo a comer uma pasta nutritiva que seria sua alimentação a bordo. O verdadeiro nome de Laika era “Kudryavka”, que quer dizer “Cachinhos”. A palavra “laika” é usada para designar os vira-latas com parentesco com o husky siberiano.

Infelizmente, a viagem gloriosa de Laika foi apenas de ida. Os soviéticos se preocuparam mais com a publicidade política do que com a vida da cachorrinha, e não deu tempo para os cientistas planejarem uma rota de reentrada da nave. Não se sabe quanto tempo Laika permaneceu viva em órbita até que o suporte de vida se esgotou a bordo. Talvez tenha vivido alguns dias, até morrer de fome ou de frio. O Sputnik 2 se desintegrou ao entrar na atmosfera em abril de 1958.

Durante as décadas de 1950 e 60, a URSS privilegiou o uso de cães como passageiros de voos orbitais e sub-orbitais para avaliar as possibilidades para voos tripulados por humanos. Nesse período, a União Soviética tinha uma equipe de pelo menos 57 cachorros para voos de grande altitude. Apesar de não existir uma fronteira estrita entre a atmosfera da Terra, um limite imaginário chamado “linha de Karman” estabelece essa passagem a 110 km da superfície.

O número de cães que superaram a barreira de 110 km é menor, já que vários deles fizeram diversas viagens. A maioria dos cães cosmonautas sobreviveu – alguns poucos morreram devido a problemas técnicos, naqueles primeiros tempos da exploração espacial. Uma exceção é justamente a cachorrinha Laika, cuja morte já estava prevista desde o lançamento do Sputnik 2. Em 1960, Belka e Strelka foram os primeiros cães a completar uma órbita e voltarem vivos para casa.

Os primeiros animais a chegar ao espaço foram as moscas de frutas. Em 20 de fevereiro de 1947, os EUA colocaram um jarro com essas mosquinhas dentro de um foguete V-2 construído pela Alemanha nazista para estudar os efeitos da radiação em grandes altitudes. As moscas chegaram a 130 km de altitude em 3 minutos e 10 segundos. Veja aqui um infográfico com mais animais no espaço.

O primeiro mamífero no espaço foi Albert II, um macaquinho Rhesus. Enviado pelos EUA em 1949, o foguete com Albert II chegou a mais de 130 km de altitude. O macaquinho voou anestesiado, com sensores para medir seus sinais vitais. Ele não resistiu ao impacto da volta.

Nos anos 1960, os cães russos Veterok e o Ugolyok passaram 22 dias em órbita da Terra, e depois voltaram em segurança para o solo. Eles detêm até hoje o recorde de permanência de cães no espaço.

Esses animais valentes foram preciosíssimos para o avanço da astronáutica. Sem eles, não teria sido possível que humanos subissem para ver que a Terra é azul, andassem na Lua e consertassem satélites em órbita.

Quem gosta de animais diz que quando um cãozinho ou gatinho morre, ele se torna uma estrela. Laika e seus amigos chegaram mais perto e foram verdadeiras estrelas.

Leia no site da NASA uma história mais detalhada sobre o uso de animais na exploração espacial.

Ilustração/GIF: Gabriela Yaroslavsky/140 Design.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

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Aeroespacial 1 MIN DE LEITURA

Yutu-2 e o material misterioso no lado oculto da Lua

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser.

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Imagem que mostra a área destacada na cratera. Crédito: CNSA/Clep

No ano passado, a CNSA (Administração Espacial Nacional da China) aterrou com sucesso um módulo de pouso lunar  Chang’e-4 (嫦娥四号), em South Pole-Aitken, a maior e mais profunda bacia da lua, no lado oculto da Lua.

Desde então, um jipe lunar chamado Yutu-2 (玉兔二号, Jade Rabbit-2) estuda a Lua. No mês passado, enquanto trafegava pelo lado oculto da Lua, avistou uma ”substância misteriosa e colorida”. A substância foi descrita como um material semelhante a gel, que parecia completamente diferente em forma, cor e textura do solo lunar circundante.

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser. Os cientistas levaram o Yutu-2 para perto do material, que parece estar localizado no centro de uma cratera. 

O que as imagens mostram?

A explicação mais provável é que um impacto gerou calor suficiente para formar vidro a partir dos minerais espalhados pela superfície lunar, deixando fragmentos para trás. 

Em entrevista ao Space.com, o professor Clive Neal, cientista lunar da Universidade de Notre Dame, disse que embora a foto resultante não seja perfeita, ela ainda pode oferecer pistas sobre a descoberta inesperada. O professor Neal disse que o material encontrado se assemelha a uma amostra de vidro de impacto encontrado durante a missão Apollo 17 em 1972.

O Yutu-2 está silencioso no momento e começará a operar novamente na próxima semana devido a incidência solar.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Cinquenta anos depois da Apollo 11, vivemos todos no mundo da Lua

O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra.

Sergio Kulpas

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O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra. Eles foram os últimos homens a pisar na superfície lunar. Mas o projeto Apollo deixou uma imensa herança científica e social, que está integrada ao cotidiano de todos nós, meio século depois do primeiro pouso na Lua.

O programa espacial americano que levou astronautas para a Lua foi um projeto político, uma resposta da superpotência ocidental ao pioneirismo soviético, que colocou o jovem cosmonauta Yuri Gagarin em órbita da Terra em 1961. No ano seguinte, o presidente americano John F. Kennedy prometeu em discurso que os americanos chegariam à Lua antes do final da década de 1960. Dito e feito.

O mundo da última missão tripulada à Lua era muito diferente daqueles primeiros voos dos anos 1960. Os assassinatos de John Kennedy, Martin Luther King e Bob Kennedy arrasaram com os sonhos da Era de Aquarius e da geração “paz e amor”. As turbulências sociais que varreram o mundo naquele final de década empalideceram o brilho da Lua.

Em 1972, o presidente dos EUA era o republicano Richard Nixon, e o país estava atolado na insana guerra do Vietnã, um conflito que custou a vida de dezenas de milhares de jovens americanos e milhões de vietnamitas. Os recursos destinados a essa guerra foram se tornando cada vez maiores e atenção do público americano estava muito mais concentrada nas notícias sobre seus filhos morrendo na selva de um distante país da Ásia do que em bravos astronautas no vácuo lunar.

Em 1973, a primeira crise do petróleo causou um terremoto no mapa político do mundo, e pode ter sido a pá de cal no programa espacial tripulado da NASA. O último foguete Apollo voou em 1975, para se acoplar em órbita com a nave soviética Soyuz, uma missão colaborativa criada para tentar amenizar a tensão da Guerra Fria. As estações espaciais criadas nos anos 1970, o Skylab americano e a Mir soviética, são crias do projeto Apollo, mas foram projetos relativamente modestos e com orçamentos muito menores do que deveriam ter.

Apesar desse final quase melancólico, o projeto Apollo deixou um legado riquíssimo, que faz parte essencial do mundo que vivemos hoje. As tecnologias desenvolvidas para as missões lunares foram aperfeiçoadas e produzidas em massa nas últimas décadas, e são parte integral de nossas vidas.

Circuitos integrados (chips) minúsculos, GPS, comida desidratada, trajes térmicos usados por bombeiros, velcro, ferramentas portáteis movidas por baterias, sistemas de imagem eletrônica, sistemas de transmissão via satélite, lentes de câmeras e capacetes a prova de riscos, e uma infinidade de outras tecnologias criadas para o projeto lunar estão presentes hoje, e continuam evoluindo.
Como o projeto de missões tripuladas na Lua foi encerrado há 47 anos, esse feito histórico parece ter perdido a relevância. O programa Apollo sempre teve muitas críticas, mesmo em seu apogeu. Foi tachado como propaganda política dos EUA (e era), e mesmo nos EUA o orçamento das missões era considerado um “escândalo” em comparação com outros problemas urgentes nos Estados Unidos na época.

Nos últimos anos, o número de “céticos” sobre a caminhada humana na Lua aumentou exponencialmente. Esses céticos poderiam ser classificados como meros ignorantes, e são. Mas o abandono da exploração lunar, não apenas pelos EUA mas por outros países ricos (incluindo a China) é visto como uma prova de que o ser humano jamais pisou no satélite. Mas mesmo os conspiradores mais radicais não duvidam das missões robotizadas até Marte, e das sondas enviadas aos confins do sistema solar.

Viagens tripuladas para a Lua são empreendimentos caríssimos. A NASA é uma agência pública, financiada com dinheiro dos contribuintes americanos. Só recentemente o setor privado mostrou algum interesse pela exploração do espaço. Bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos têm planos para criar estações orbitais e voos tripulados para a Lua.

Americanos, chineses, indianos e russos podem promover uma nova corrida espacial, com objetivos comerciais – e políticos, como de costume. Mas nada que se aproxime ao cenário imaginado pelo escritor Arthur C. Clarke e o diretor Stanley Kubrick no filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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