Siga-nos nas Redes Sociais

Universo Feminino

Maternidade Solo

Publicado

em

Maternidade Solo é um termo relativamente novo para a maioria das pessoas. Por muito tempo, as mulheres que assumem sozinhas a criação dos filhos ou que não contam com a participação do pai em uma divisão justa e equilibrada, financeira e emocionalmente, eram chamadas de mães “solteiras”. O que não é correto, porque prioriza o status de relacionamento dessa mãe em detrimento da importância que é educar um ou mais filhos.

De acordo com o censo demográfico do IBGE de 2010, mais de 68% das mulheres brasileiras acima de 15 anos, têm pelo menos um filho. Mais de 80% das crianças têm como primeiro responsável uma mulher e 5,5 milhões delas não têm o nome do pai no registro de nascimento. E só um em cada dez pais, reconhecerá o filho espontaneamente ao longo da vida.

Em dez anos, entre 2005 e 2015, o número de famílias compostas por mães solo subiu de 10,5 milhões para 11,6 milhões, segundo dados do IBGE de 2017. Em contrapartida, a quantidade de homens nesse mesmo arranjo é de apenas 3,6 milhões.

A maternidade solo pode se dar de diferentes formas: quando ocorre a adoção de uma criança; quando a mulher decide engravidar via inseminação artificial; quando ocorre uma gravidez e o parceiro não quer assumir a criança e a mãe opta por prosseguir, mesmo sozinha; e também quando relacionamentos acabam após a chegada dos filhos e a dinâmica da guarda compartilhada não é possível de ser acordada.

Somos muitas, em potência e vivências completamente diferentes, mas com algo em comum: a experiência de amar, educar e criar nossos filhos com independência e dilemas igualmente complexos.

Afinal, o que querem as mães solo?

É difícil falar de maternidade e fugir de todo o ideal que a cerca. O amor materno e incondicional; a relação mãe e filho como uma simbiose perfeita; a glorificação da maternidade como senso de completude e modelo de felicidade; o papel social do cuidar; a lógica da doação irrestrita e absoluta.

Tanta pressão social isola as mulheres. Somos verdadeiras equilibristas e precisamos nos desdobrar para conciliar todos os papéis que exercemos, muitas vezes sem uma rede de apoio e sem escutas verdadeiramente empáticas. Além dos julgamentos cotidianos, é preciso desconstruir a romantização da maternidade e os preconceitos.

“A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não quando somos julgadas, criticadas ou aconselhadas.” Laura Gutman

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Aline Moreno trabalha com moda para mulheres feita por mulheres, escreve sobre o universo feminino, mãe do Luis Otavio e apaixonada por café.

Continuar Lendo
Clique para comentar

You must be logged in to post a comment Login

Escreva um Comentário

Universo Feminino

As espiãs nunca vistas

As mais temidas espiãs em tempo de guerra e que (quase) ninguém foi capaz de reconhecer.

Julie Damame

Publicado

em

Foto: RyanMcGuire / Pixabay

“Não seja comum”.

Essa pequena frase ficou na minha cabeça por dias, depois de eu ter assistido a série “The Bletchley Circle: San Francisco” (Assistam!). A série de suspense acompanha a vida de quatro mulheres que ocuparam altos cargos na 2ª Guerra Mundial, em equipes de decodificação, espionagem, construção de armamentos e estratégia, e que, após o conflito, com o retorno dos homens, foram dispensadas da atuação em atividades que envolvessem segurança nacional.

Decidiram, então, iniciar um trabalho de elucidação de crimes considerados irresolúveis, para provar o valor e a capacidade que elas possuíam, especialmente, para a sociedade.

A narrativa traz um elemento muito interessante: analisar a complexa situação das mulheres que ocuparam posições com responsabilidades ainda mais significativas que seus maridos e/ou conhecidos durante a guerra, e que, para o “bom funcionamento social”, tiveram que permanecer em silêncio no pós-guerra, por exigência dos seus governos.

A realidade pode até ter sido um pouco diferente da narrativa da série, especialmente porque a maioria dos que participaram dos programas de segurança nacional, em territórios inimigos, não voltou. Contudo, os livros “The Wolves at the Door: The True Story of America’s Greatest Female Spy” (Judith L. Person), “Sisterhood of Spies” (Elizabeth P. McIntosh) e “Young, Brave & Beautiful” (Tania Szabo)” bem comprovam o papel fundamental que essas mulheres ocupam na história.

Casos como o da Virginia Hall, Princesa Noor-un-Nisa Inayat Khan, Violette Reine Elizabeth Bushell, Barbara Lauwers, Amy Elizabeth Thorpe, Maria Gulovich, Julia McWilliams Child, Marlene Dietrich, Elizabeth P. McIntosh, Genevieve Feinstein, Mary Louise Prather, Juliana Mickwitz, Odette Sansom Churchill, Josephine Baker, Hedy Lamarr, Nancy Grace Augusta Wake, e de muitas outras mulheres, inspiram.

Elas são as personificações do “não seja comum”; ou melhor, o de ser o que quiser e não o que se espera de você. Inclusive, quanto a participação em serviços ditos como, majoritariamente, masculinos.

Entre as inúmeras espiãs conhecidas, Virginia Hall se destaca, por conta do vasto conteúdo que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) dispõe a seu respeito, em seu site. Seguem alguns trechos que merecem menção (livre tradução):

“Natural de Baltimore, Virginia Hall Goillot é, talvez, mais conhecida por seu serviço heroico nas Operações Especiais Executivas Britânicas e no Escritório Americano de Serviços Estratégicos, durante a 2ª Guerra Mundial, contudo, é na CIA, que ela passou mais tempo. Uma das poucas mulheres relativamente seniores do serviço clandestino, ela trabalhou em vários setores da CIA até a sua aposentadoria compulsória, em 1966, quando tinha 60 anos. Virginia fez de TUDO, apesar de ter uma perna protética de madeira, que ela chamou de Cuthbert”.

“O historiador britânico M. R. D. Foot a apelidou de “agente indomável com um pé de bronze”. O oficial do Executivo de Operações Especiais (SOE), Philippe de Vomécourt, escreveu que ele serviu na França com essa “mulher extraordinária…com uma perna de madeira”. O autor francês Marcel Ruby disse que ela perdeu a perna em um acidente com um cavalo. Outros a fizeram perder um membro depois de cair embaixo de um bonde. O ex-oficial da CIA, Harry Mahoney, descreve uma missão da OSS, na qual ela saltou de paraquedas atrás das linhas inimigas com sua “perna de pau na mochila”. A autora e ex-oficial da OSS, Elizabeth P. McIntosh, escreveu que ela desembarcou na França de barco. A Gestapo, polícia secreta nazista, colocou sua imagem em um cartaz de “procurada” e, uma vez, como a “mais perigosa entre os espiões aliados” (Judith L. Pearson. Guilford, CT: The Lyon Press, 2005, página 324).

Sua reputação fala por si. Virginia escolheu um caminho cheio de sacríficos e dificuldades, mas sua vontade de atuar no meio diplomático, impulsionou seu desejo. Teve que se condicionar a andar sem mancar para não chamar atenção, aprendeu mais de quatro idiomas, ajudou a treinar batalhões para a resistência francesa, foi correspondente e informante, livrou espiões que haviam sido capturados e executou a maior rede de auxílio em território inimigo.

No final, “os britânicos fizeram dela, membro do Império Britânico. Os Estados Unidos, concederam a ela, o reconhecimento “Distinguished Service Cross”, por heroísmo extraordinário em conexão com operações militares contra o inimigo, a única mulher civil a receber essa medalha pelo serviço da Segunda Guerra Mundial”.

Infelizmente, pouco se conhece sobre o Brasil e suas espiãs também. Temos, como exemplos, Estela Borges Morato e Jean Sarkis.

A Conferência Nacional de Polícia Política, em 1943, tratou de assuntos como espionagem, contraespionagem, métodos de reconhecimento de agentes inimigos, técnicas de investigação e de interrogatório, e discutiu, sincronicamente, se o país poderia conceder às mulheres o papel de espiãs. Esse assunto foi muito bem analisado no artigo “Gênero e Serviço Secreto”, do autor Thiago da Silva Pacheco.

Essa conferência acabou chegando a uma despicienda conclusão: “Muitos dizem, sorrindo, que a mulher é um mal necessário. Não se pode viver com elas, mas tampouco viver sem elas. Esta última afirmação parece especialmente acertada no que se refere ao trabalho de espionagem. Verá o senhor que as mulheres tomavam uma parte importante em quase todos os trabalhos de espionagem mais importantes registrados na história” (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Conferência Nacional de Polícia Política. Fundo DESPS, Notação 921, página 55).

Complementa Thiago: “Dependendo de seu desempenho, [as mulheres] poderiam alcançar status enquanto agente importante numa instituição fundamental para a sustentação do Estado, e até mesmo gozar de influência e respeito entre autoridades policiais e líderes dos grupos sociais postos sob vigilância”.

A título de comparação, em 1945, o governo brasileiro infiltrou Jean Sarkis no Partido Comunista. Ela acabou sendo presa como uma subversiva e, para não ser descoberta, recusou-se a usitar suas conexões com policiais para sair da prisão. Ficou encarcerada por dois anos, sofrendo severas punições.

Ao sair, Jean conseguiu o respeito do Partido Comunista e, ao mesmo tempo, uma posição de destaque na Polícia Política, sendo considerada uma das espiãs mais bem-sucedidas do país:

“A requerente, de fato, colaborou, eficiente e patrioticamente com as autoridades deste Departamento (…) nas suas tarefas, se houve com tão elevado espírito de renúncia que, por ocasião da prisão da comunista Maria Afonso Martins, em companhia de quem se achava, e do que resultou a condenação de ambas, preferiu não revelar sua posição neste Departamento, evitando, assim, que a situação daquela agitadora fosse atenuada. Cumpriu mais de dois anos de prisão, durante a qual continuou prestando relevantes serviços, pois, elevada à condição de heroína do partido, suas possibilidades em informar aumentaram, ensejando este Departamento diligências proveitosas” (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Fundo Polícias Políticas. Pront. GB 22.327).

Ou seja, no Brasil ou no mundo, independentemente de quais foram as razões que possibilitaram às mulheres tais posições de trabalho – que, definitivamente, no início, eram puro retrato de uma estrutura social machista e conservadora –, permitiu que muitas delas pudessem quebrar tabus, abrir o mercado de trabalho para outras e redefinir seus papéis sociais à época.

Em 2018, quando Gina Haspel foi nomeada a primeira diretora da CIA, em meio a muita discussão por conta da sua trajetória profissional, ela admitiu, enfaticamente, sua dívida para com todas as “heroínas que nunca buscaram aplausos do público”. Por estas mulheres, mencionando Virginia Hall, foi possível sua nomeação, que desafiou barreiras e estereótipos de gênero.

Assim, apesar de serem espiãs nunca vistas, são parte de uma parcela de mulheres que segue nos permitindo ampliar nossos horizontes.

Precisamos dessas mulheres, cada vez mais.

Não sejamos comuns.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Universo Feminino

Papo–furado, “Salve Jorge” e a invisibilidade das mulheres traficadas

Por isso, pergunto, qual é a terceira atividade criminosa mais rentável do mundo?

Julie Damame

Publicado

em

Foto: Kat J / Unsplash

Não é papo-furado. Mas, parte considerável da sociedade brasileira insiste em culpar as vítimas dos crimes de tráfico e exploração da prostituição com preconceito e falta de informação:

43% acreditam que o tráfico de mulheres é realizado com o consentimento das vítimas. 55% acreditam que as vítimas estão em busca de vida fácil (Percepção da Sociedade sobre o Tráfico de Mulheres (Datafolha/Associação Mulheres pela Paz, 2016)).

E, é nessa falta/falha de conhecimento/comunicação que acontecem circunstâncias que poderiam ser evitadas diariamente!

Por isso, pergunto, qual é a terceira atividade criminosa mais rentável do mundo? Sim, é o tráfico de seres humanos. A novela “Salve Jorge” (2012/2013), de autoria de Glória Perez, bem denunciou essa realidade.

Calcula-se um lucro anual de, aproximadamente, 32 bilhões de dólares. Mais de 2,4 milhões de pessoas são traficadas por ano, globalmente.

Cerca de 83% das vítimas são mulheres, entre 18 e 29 anos, pobres e com baixa escolaridade. Sendo a maioria para fins de exploração sexual (43%) (Datafolha/Associação Mulheres pela Paz, 2016).

Mas, esta não é a única finalidade. O trabalho análogo à escravidão, a servidão doméstica, a adoção ilegal de crianças e adolescentes, a venda de órgãos, pele, cabelo e ossos (!!!), também representam uma parcela significativa.

A autora Tânia Teixeira Laky de Sousa, do livro “Tráfico Internacional de Mulheres – nova face de uma velha escravidão”, discorre sobre a temática:

“Embora a maior quantidade seja para exploração sexual comercial de mulheres, nós temos um crime bárbaro que ninguém estuda, nem pesquisadores, pois é muito difícil chegar a ele. É o tráfico de órgãos, tecidos, ossos e cabelos. Antes, falávamos só de tráfico de órgãos, mas querem os ossos para transplantes dentários e cabelo vale ouro. Então, a pessoa é desmontada, como se fosse um desmanche de carro para venda de peças. Na Campanha da Fraternidade, que focou o tema do tráfico de pessoas, nós colocamos os valores dos órgãos. Coração vale 100 mil dólares, pulmão tanto, rim tanto, córnea tanto. A pessoa é desmanchada para o crime organizado. Além de que nós não trabalhamos no Brasil, a questão do desaparecimento de pessoas. Quer dizer que as pessoas desaparecem, são abduzidas, nunca mais aparecem… Ou, às vezes, somem e depois aparecem, sem que haja essa informação, ou as pessoas são mortas e enterradas como indigentes. Isso tem que ser verificado. Será que foram para o desmanche de órgãos?”.

A gravidade do assunto foi veemente reconhecida por instituições internacionais, em 2000, na célebre “Convenção de Palermo das Nações Unidas”. A partir daí, sua definição foi complementada pelo “Protocolo Adicional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças” e o “Protocolo Relativo ao Combate ao Tráfico de Migrantes por Via Terrestre, Marítima e Aérea”.

Em 2004, o governo brasileiro ratificou a Convenção de Palermo. E, pasmem, o Brasil foi considerado país de origem, destino e circulação, para o tráfico de pessoas. De modo complementar, em 2010, no relatório Globalização do Crime (ONU), o Brasil aparece como o “maior fornecedor de escravas sexuais da América Latina” (Pesquisa Nacional sobre Tráfico de Crianças, Mulheres e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual – Pestraf).

A realidade é que sabemos disso, sim. Quem já não escutou sobre algum parente/vizinho/conhecido que casou com alguma menina, bem mais nova, simplesmente, para ser “bem cuidado”? Que acabou por negociar com os pais dela, que, em sua maioria, estão em situação de vulnerabilidade, com a abordagem de tomar conta ou em troca de alguns trocados? Ou, quem já não sofreu algum assédio suspeito para um “trabalho”/“intercâmbio” dos sonhos?…

Tantos são os casos, todos emblemáticos e pouco discutidos.

A novela “Salve Jorge” tentou expor esse crime invisível, baseando-se em histórias reais e sob a perspectiva da exploração sexual. Inclusive, a partir de três símbolos da luta contra o tráfico de mulheres, Simone Borges, Kelly Fernanda Martins e Ana Lúcia Furtado.

Simone, que pretendia trabalhar em um bar, na Espanha, a fim de juntar dinheiro para o enxoval do casamento, acabou sendo obrigada a se prostituir.

Kelly, que viajou para trabalhar como garçonete em Israel, logo na chegada, teve o seu passaporte confiscado pela máfia russa e foi forçada a manter relações sexuais com mais de 10 homens por dia, em jornadas de, aproximadamente, 13 horas.

Ambas mortas.

De modo semelhante, Ana Lúcia Furtado, prima de Kelly, passou pela prostituição no exterior, mas acabou resgatada, graças a uma advogada que acreditou na sua história. Ao voltar ao Brasil, narrou todo o seu drama à autora da novela, confirmando que conseguiram salvar um total de oito vítimas do tráfico e prostituição, todas mulheres brasileiras.

A descrição dos acontecimentos converge com o que é estudado pelos pesquisadores. Conforme o Relatório Global (2014), realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes, os fluxos transregionais de tráfico de pessoas são detectados em países ricos, como os do Oriente Médio, da Europa Ocidental e da América do Norte. E os países de origem, das vítimas, são os do “Sul e Leste Global”, especialmente, as regiões do Leste e do Sul da Ásia, da América Latina, das Bahamas e da África.

Verifica-se uma correlação entre o PIB do país de destino e o do país de origem. Constata-se, portanto, que as vítimas, em sua maioria, têm uma expectativa de melhora de vida com o trabalho (e não em uma vida fácil, totalmente o contrário do que alguns pensam!). Querem emigrar devido a conflitos e guerras em seus países, às dificuldades econômicas, às instabilidades política e social, aos desastres naturais, à ineficácia das leis e ao desinteresse do Estado, entre outros (Global Report On Trafficking In Persons, 2014).

No caso específico do Brasil, nota-se que a insegurança socioeconômica e a baixa escolaridade refletem na decisão de mudança. Geralmente, as mulheres vítimas de exploração sexual são jovens e possuem filhos – o que repercute no ímpeto pela mudança e na maior facilidade em acreditar nas promessas.

A abordagem é muito semelhante em todas as espécies de tráfico de pessoas. Os aliciadores se aproximam das vítimas através de parentes, de redes sociais e/ou amigos. São pessoas que ostentam um estilo de vida luxuoso e com alto poder aquisitivo, atraindo suas “presas” por meio de promessas de melhores condições de vida, mediante empregos, prostituição lucrativa, casamento ou outros.

A vítima sofre ameaças, maus-tratos, estupros, abusos, negligências, exposições a doenças e humilhações periódicas dos clientes, aliciadores e chefes das organizações criminosas. Até mesmo, os aliciadores podem estar em conjuntura semelhante.

Não preciso nem comentar o tamanho dos traumas psicológicos e físicos que as vítimas sofrem. Se não acabarem, antes, mortas.

Exatamente por isso, no Brasil, diversas políticas públicas foram adotadas para o combate a esse tipo de crime, como a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (PNETP) e os planos nacionais. Ademais, contamos com os núcleos e comitês especializados, a cooperação jurídica internacional sobre os crimes transacionais, o “Ligue 180” (central para denúncias que funciona 24 horas) e os postos/centros de acolhimento.

Porém, tudo isso ainda não é suficiente. As políticas podem estar sendo executadas, mas não com a divulgação necessária. A sociedade brasileira sabe da existência do crime, todavia ignora que os criminosos estejam “logo aí” e em tamanha proporção!

Pesquisas confirmam que 87% dos brasileiros concordam que faltam informações sobre tema do tráfico na mídia (Datafolha/Associação Mulheres pela Paz, 2016).

Este é o papel – verdadeiro – que a novela “Salve Jorge” teve. Denunciar.

Independentemente, se nós não vemos esse fato de forma expressiva no nosso cotidiano, se nós pensamos que tudo não passa de “papo furado de marketing social”: tráfico de pessoas, especialmente de mulheres e crianças, existe. Em larga escala. Todos os dias. No mundo todo.

E o conhecimento disseminado sobre a matéria é o primeiro passo para afastarmos as possíveis vítimas de situações perigosas ou duvidosas.

Precisamos persistir e continuar falando sobre o tema. Todos nós somos responsáveis!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Trending