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Qualidade de Vida 12 MIN DE LEITURA

Um remédio chamado Cannabis

A Cannabis está na boca do povo. E também nas redes sociais.

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Artigo que o Jornal 140 publicou em março deste ano teve grande repercussão e altos índices de leitura (aqui). Em vários países ocidentais – do primeiro mundo como Canadá e EUA a países da América do Sul como Uruguai, Argentina e Colômbia – o uso medicinal já é permitido mediante prescrição médica e, em alguns casos, também o modelo recreativo.

Procuramos agora ir além da questão da comunicação e do negócio, tema do artigo anterior, e tentar entender melhor a Cannabis do ponto de vista de aplicação médica e terapêutica.

O Jornal 140 entrevistou a Dra. Paula Dall’Stella (veja foto acima e o link para a sua página aqui). Médica com residência em Radiologia/ultrassonografia geral e pós graduação em neuro-oncologia, trabalhou como voluntária em regiões pobres fora do Brasil na ONG Médicos Sem Fronteiras (Medecins San Frontieres), e especializou-se em medicina integrativa e no uso da Cannabis. Paula se interessou pelo assunto depois que uma pessoa muito próxima foi diagnosticada com tumor cerebral. Após acompanhar a trajetória deste paciente e ver como o uso da substância contribuiu significativamente para a melhoria na qualidade de vida, adotou a Cannabis como “ferramenta” para o tratamento de pacientes terminais, doentes crônicos, com problemas de depressão e de adolescentes adictos.

Há muitos anos acompanho a Cannabis na área da saúde. Minha irmã, Denise, foi portadora de uma doença autoimune grave, LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico) com quadros de convulsão, que eram tratados de maneira tradicional, à base de um coquetel de drogas potentes mas que não davam resultados consistentes e que apresentam efeitos colaterais indesejáveis. Após descobrir a maconha, as convulsões acabaram e ela passou finalmente a ter uma qualidade de vida melhor. Mesmo em sua fase terminal, fazia uso diário de cigarros de maconha. Infelizmente os remédios à base de CBD ainda não haviam chegado ao Brasil na época em que faleceu, 2007, após uma luta de mais de 30 anos convivendo com o LES.

Aqui no Brasil o assunto ainda é tabu. Graças a pressão de pacientes e médicos, a Anvisa autoriza desde 2015 a importação de remédios a base de CBD, nome do Cannabidiol, uma das substâncias químicas da Cannabis sativa e que é popularmente conhecida como Maconha.

A íntegra da entrevista está disponível em vídeo ao final.

Dra. Paula, vamos falar sobre Cannabis Medicinal e Cannabidiol. Esta é a sua especialidade?

Infelizmente ainda não existe especialidade “cannabidiologia” dentro da medicina – até gostaria que fosse uma cannabidiologista. Este é um assunto que vai acontecer, é necessário e é uma tendência. O que posso dizer é que comecei a trabalhar nesta área há cinco anos com pacientes no uso de Cannabis medicinal.

Qual é a sua formação?

Sou médica, com título em Ultrassonografia e diagnóstico por imagem, trabalhei por muitos anos no setor de Radiologia e por uma experiência pessoal acabei descobrindo a Cannabis medicinal como uma ótima alternativa para muitas doenças.

Como e porque você se interessou por este tema?

Comecei nesta área por causa de um paciente neuro-oncológico que me fez mergulhar na questão, infelizmente alguns tumores cerebrais não têm cura. Foi quando assisti a um vídeo da Dra. Christina Sanchez que trabalha com o Dr. Manuel Guzmán da Universidade Complutense de Madrid (vídeo aqui). Eles estudam vários tipos de tumores, inclusive cerebrais e procuram entender como a Cannabis interfere nestes processos. Mostram todas as características anti-neoplásicas desta substância.

Acompanhei o paciente e observei uma melhora na qualidade de vida, foi um impacto familiar muito grande. Entrei em contato com vários especialistas, especialmente o Dr. Manuel Guzmán, descobri que havia congressos internacionais sobre o tema e biologia molecular.

O que você quis entender deste processo?

O organismo tem receptores exclusivos para a Cannabis que produz substâncias que a mimetizam. Queria entender como isso se relaciona com o nosso organismo e quais as alterações deste sistema quando a gente está doente. Vários médicos começaram a me referenciar pacientes e percebi claramente que a doença era uma manifestação do estilo de vida deles.

Importante dizer que tenho uma abordagem de medicina de estilo de vida, também chamada de medicina integrativa ou “funcional”. Procuro entender se o estilo de vida dos pacientes causam ou acentuam os sintomas ou a própria doença.

O establishment médico é muito conservador. Como você consegue passar por cima dos preconceitos?

Ainda há médicos que não querem saber sobre isso e dizem que não há comprovação científica. Há até os que proíbem. A grande maioria percebeu que há uma ciência por trás disso. Tenho pacientes que fazem uso da Cannabis para diversas doenças e vejo que está acontecendo de maneira empírica. A minha opinião pessoal não interessa. Os pacientes contam as suas histórias de avanços e melhorias nas redes sociais. Não há mais como esconder as coisas em consultórios, hoje as coisas são muito mais claras e transparentes.

A medicina funcional tem uma série de aspectos, uma delas ligada à desintoxicação do corpo. Como explicar para pais e mães que vem a Cannabis, ou a Maconha (que tem psicoatividade), como uma substância que não é tóxica?

Esta é uma pergunta bastante frequente, a de que Cannabis “mata” os neurônios por causa da crença popular e do uso recreativo. Isto não acontece, a Cannabis é neuroprotetora, anti-inflamatória e antioxidante. Atua no nível cerebral de uma forma completamente diferente do que matar neurônios, ela faz o oposto – está muito relacionada à sobrevivência e ao nascimento neuronal. Porque os pacientes esquecem de coisas quando começam um tratamento? Isto acontece quando o fitocanabinóide se acopla ao receptor. Ele modula ou até impede a passagem da informação que pode ser a memória ou uma dor. Esta qualidade de “moduladora” de dor confere à Cannabis um caráter de analgésico.

Como desmistificar o uso da Cannabis?

Eu explico para o paciente como funciona fisiologicamente a Cannabis e durante a consulta procuro desmistificar esta ideia sedimentada por muitos anos na população e que não é verdadeira. O CBD também é psicoativo, quando é antidepressivo e ansiolítico. Já o THC tem um efeito intoxicante, no sentido de que o paciente pode ter uma alteração da percepção da realidade e uma sensação não prazerosa, dependendo da dose.

Como funciona fisiologicamente a Cannabis?

Temos receptores no corpo inteiro onde a Cannabis atua, não há o que chamamos na medicina de área “target”. O paciente tem de entender isso. Se eu tiver que estimular a fome no paciente oncológico ele será informado que poderá ter de lidar com situações não prazerosas, que pode alterar a percepção da realidade. Ele tem que ter consciência de todo o processo para lidar com esta medicação e ter menos efeitos negativos.

Toda a vez que se coloca um medicamento sintético no corpo há reações colaterais conhecidas, tem um comprometimento do fígado que é obrigado a metabolizar e normalmente estes medicamentos causam outros efeitos que ninguém quer ou deseja a longo prazo.

É possível trocar os antidepressivos pelo CBD?

Não se deve deixar de utilizar os antidepressivos e os ansiolíticos e simplesmente trocá-los pela Cannabis. Não é dessa forma que se faz medicina. A Cannabis não é um medicamento para todos, nem todos podem se beneficiar dela. Os antidepressivos têm o seu momento de utilidade, o problema é que as pessoas começam a utilizá-los e vão cinco, 10 anos em frente – e isso tem um impacto gigantesco para o organismo. Sempre que se coloca um medicamento sintético no corpo há reações colaterais conhecidas, tem um comprometimento do fígado que é obrigado a metabolizar e normalmente estes medicamentos causam outros efeitos que ninguém quer ou deseja a longo prazo. Os pacientes procuram hoje medicamentos mais saudáveis, que tenham menos interações, procuram diferentes abordagens em relação à medicina, aquela medicina baseada em sintoma e não na causa raiz.

A minha percepção é que muitos pacientes diagnosticados com transtornos e doenças como depressão e ansiedade tiveram os tratamentos mal prescritos. Não precisariam ter tantas prescrições de antidepressivos e ansiolíticos como a gente vê hoje.

O paciente está mais “educado” quando vai procurar o médico, já sabe o que quer ou chega com as perguntas certas – “será que eu tomo fluoxetina ou Cannabidiol”?

A minha percepção é que muitos pacientes diagnosticados com transtornos e doenças como depressão e ansiedade tiveram os tratamentos mal prescritos. Não precisariam ter tantas prescrições de antidepressivos e ansiolíticos como a gente vê hoje. Uma das drogas mais prescritas hoje no Brasil, não sei se é a primeira ou a segunda, é o antidepressivo. Não acredito que a maioria destas pessoas está de fato depressiva para fazer uso destes medicamentos. Estas pessoas poderiam optar por alternativas mais saudáveis, com menos efeitos colaterais.

Tenho muitos pacientes oncológicos, que já sabem ou conhecem alguém que se beneficiou. A Cannabis estimula o apetite, melhora o paladar, o humor, a qualidade do sono, é analgésico, protege contra as dores da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia.

Em que tipos de doenças o CBD pode ser ministrado?

Tenho muitos pacientes oncológicos, que já sabem ou conhecem alguém que se beneficiou. A Cannabis estimula o apetite, melhora o paladar, o humor, a qualidade do sono, é analgésico, protege contra as dores da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia. É o que eu chamo de um remédio “cinco em um” – não há nenhum que se equipare a Cannabis neste tipo de tratamento. Tenho também pacientes com dores crônicas, neurodegenerativas, doenças autoimunes, depressão, insônia e ansiedade. E mesmo doenças raras, quando me sinto motivada de tentar, ainda que não saiba qual será o resultado, porque todas as outras terapias convencionais não funcionaram mais. O objetivo sempre é melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A Cannabis não cura mas ajuda os pacientes a controlar os seus sintomas de maneira melhor.

Muita gente acha que medicina está baseada em “correção” de sintoma. O paciente muitas vezes chega ao consultório e acha que a Cannabis vai ser a solução do problema. Muitas vezes é o estilo de vida destes pacientes que os levam às doenças ou aprofundamento delas. A Cannabis pode ser uma ferramenta que pode ajudá-los a controlar os sintomas da doença mas o importante é identificar a causa “raiz” do problema.

A medicina integrativa ou funcional necessita de um olhar muito cauteloso. O médico funcional precisa perguntar para o paciente: 1) o que você come, 2) quantas horas você dorme, 3) seu sono é reparador, 4) qual é a capacidade de desintoxicação do seu corpo, 5) as suas relações são tóxicas ou não, 6) você gosta do seu trabalho, 7) você pratica atividade física, 8) como estão os seus hormônios, 8) como está o equilíbrio endócrino do seu organismo. Tudo isso conta na hora em que vou avaliar o paciente e entender que doença ele tem.

Existem vícios e hábitos. Uma taça de vinho por dia é remédio, mais de duas ou três pode ser droga. Existem pessoas com compulsão por tudo, refrigerante, café ou açúcar. Como explicar para um pai ou uma mãe e que tem um filho viciado sobre a importância do CDB?

O Cannabidiol não é uma substância que vicia. Tenho um paciente que fumava 10 cigarros de Cannabis por dia. Comecei a fazer um trabalho para ajudar a desintoxicá-lo e mudar seu estilo de vida. Não é um vício químico, é um vício psicológico, uma busca da sensação, muito diferente do vício da nicotina, que causa dependência química. O Cannabidiol está me ajudando com este adolescente, que passou de 10 cigarros por dia para dois em um mês. Sei que é difícil fazer esta transição mas posso dizer que estou muito feliz com os resultados.

A medicina tradicional aqui no Brasil é muito resistente à prescrição de drogas contra dor. Por outro lado, nos EUA há um boom na prescrição destes remédios como Propofol e que criaram uma crise de saúde. Aqui há pacientes terminais com qualidade de vida muito baixa, com muita dor. Como o CBD pode ajudar?

Depende muito do paciente, qual é o nível da dor. Muitas vezes não é possível atenuar a dor apenas com o uso do CBD sendo necessário associar uma ou outra substância ao tratamento, mas o paciente precisa querer. A Cannabis tem uma atuação sinérgica com os receptores opióides o que faz com que pacientes que utilizam medicamentos à base de derivados da morfina seja possível diminuir as doses com a Cannabis: os pacientes têm menos efeitos colaterais, menos interação, menos chance de se tornarem adictos a estas substâncias e melhora muito a qualidade de vida deles. Infelizmente os derivados da morfina impactam o intestino, o sono, o humor, enfim, há uma série de efeitos indesejáveis. O que temos visto é que conseguimos reduzir e, em alguns casos, até tirar o uso destes medicamentos. Nos casos dos pacientes terminais a substância escolhida é o THC que é mais associada a analgesia. Eu também tenho alguns pacientes que utilizam apenas o CBD que conseguiram a analgesia adequada e redução de doses de opióides. É tudo muito individual, é caso a caso. Não existe uma regra, um protocolo para todos. Em suma acho que a Cannabis e a junção das duas (CBD e THC) é uma ferramenta muito importante no universo da dor.

Em meu consultório, pergunto para o paciente porque ele acha que ficou doente, porque o corpo está manifestando uma doença. Se entendermos a doença como uma manifestação de algo que estamos fazendo fica claro que a alimentação é um dos pilares importantes da vida.

Me parece que neste nosso mundo contemporâneo vivemos em um processo crônico de inflamação, causado pelo acúmulo de substâncias e alimentos como glúten, lactose etc. A Cannabis pode ser uma ferramenta para diminuir esta “inflamação”?

Não acho que o Cannabidiol mudará o cenário – muitos pacientes já chegam ao consultório achando que isso vai acontecer. Não adianta arrumar de um lado e o paciente continuar estragando do outro, tendo uma alimentação inadequada baseada em pão, massa, macarrão, excesso de farináceos e substâncias que viram açúcar em nosso organismo. Um dos principais vilões da nossa alimentação é o açúcar, principalmente o excesso e que é considerado algo “normal” pela sociedade. Este é o pano de fundo de um processo inflamatório. Em meu consultório, pergunto para o paciente porque ele acha que ficou doente, porque o corpo está manifestando uma doença. Se entendermos a doença como uma manifestação de algo que estamos fazendo, fica claro que a alimentação é um dos pilares importantes da vida.

De certa maneira, a alimentação é a lenha que está sendo colocada na fogueira para que o nosso corpo inflame em um processo de muitos anos até manifestar alguma coisa.

As pessoas não acordam de um dia para o outro com artrite reumatóide. Isto acontece porque existem processos biológicos ao longo dos anos de inflamação do organismo, causados por uma série de fatores como a alimentação. A gente costuma associar o stress a uma situação mental ou emocional. As pessoas dizem estar estressadas por causa do trânsito, do banco, da família, dos problemas cotidianos e muitos esquecem que o problema principal pode ser a alimentação.

Açúcar é droga?

Sim, é uma droga. Há vários testes com ratos. Dois grupos são divididos: para um, são ministrados cocaína e para outros, açúcar. Descobriu-se que os ratinhos ficaram mais viciados em açúcar que em cocaína. O açúcar atua nas mesmas áreas cerebrais que a gente chama de “reward” (recompensa).

A nossa civilização esta viciada em açúcar?

Sim, tanto que a droga mais vendida no planeta é a insulina.

Entrei aqui para falar da CBD como uma droga e terminamos falando que o açúcar é uma droga!

Prefiro falar do aspecto anti-inflamatório da Cannabis nestes casos. Em pacientes que têm diabetes ou que tomam estatinas, por causa de colesterol elevado, o Cannabidiol tem um papel protetor das artérias, baixa a glicemia e ajuda no controle da inflamação. Outra vez: se não tiver uma dieta adequada eu não considero preventivo tomar Cannabidiol e continuar a se alimentar de pizza e macarrão três vezes por semana!

Não sei se o Dr. Dráusio Varella vai nos assistir mas estou muito curioso para saber qual é a opinião dele sobre CBD e se ele já estudou isso.

Ele fez um documentário (veja aqui o primeiro episódio da série) sobre este tema e penso que ele tem uma opinião favorável em relação ao uso da substância sim.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da Art Presse, 140 Online e do Jornal 140, empresário de comunicação, jornalista de formação e digital de paixão. Teve participação fundamental no lançamento da internet banda larga no Brasil em 1999. É autor do livro "Domingo no Sancho" (2018), Amazon Kindle.

Qualidade de Vida 4 MIN DE LEITURA

Autismo: Tecnologia e senso de comunidade

Como a tecnologia e o senso de comunidade podem ajudar as pessoas com autismo

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Não sei se todos me conhecem, portanto, acho legal uma breve apresentação. Me chamo Caio Bogos, tenho 24 anos e estou no último ano de Sistemas de Informação. No começo do 2019, juntamente com alguns amigos, fundei a Puzzle, uma plataforma para ajudar as pessoas que lidam com crianças com autismo. Essa plataforma irá entrar em fase de testes no mês que vem.

No fim do ano passado, juntamente com a Joyce Rocha (a minha sócia na Puzzle), fundamos a iniciativa Autismo Tech. Essa iniciativa busca levantar grupos de discussão, a fim de conversarmos sobre o autismo, tecnologia, design e comunidade.

A partir dessa iniciativa, surgiu a oportunidade de organizarmos o nosso primeiro Meetup. As discussões deste 1º meetup, como não poderia deixar de ser, abrangeram temas como contexto geral sobre o autismo, mercado de trabalho e tecnologia para autistas e design acessível. Esse Meetup ocorreu no dia 05/12/2019, na FIAP Aclimação. Nesse breve artigo, gostaria de focar em três pontos principais: Inclusão, tecnologia e design.

Adaptações Necessárias

Durante todo o planejamento do evento, eu e a Joyce pensamos em formas de adaptar o espaço, a fim de receber o máximo de pessoas possível. Uma das primeiras das nossas iniciativas foi mandar um questionário para as pessoas que se inscreviam no evento. O porquê desse questionário? Bom, ele foi importante para entendermos melhor qual seria o nosso público e quais eram as suas necessidades.

A lição que tiramos disso é: Perguntar não ofende. Somente perguntando é que conseguimos ter uma visão geral do público e, com base nisso, começar a pensar em soluções para tornar o grupo mais inclusivo possível.

O nosso 1º meetup teve um percentual expressivo de inscrições de autistas e pessoas com deficiência. Isso já mostra que a comunidade está ativa e busca discussões sobre o tema.

Aqui vão algumas adaptações que fizemos no evento, a fim de deixá-lo mais inclusivo:

  • Retirada de algumas luzes do ambiente, a fim de não agredir as pessoas com uma sensibilidade maior a luz;
  • Compra de abafadores de ouvido, pensando que algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis com os possíveis barulhos do ambiente;
  • Contratação de dois intérpretes de libras;
  • Solicitação que as palmas sejam feitas apenas ao final do evento.

Com essas soluções simples, conseguimos incluir as mais diversas pessoas no evento. Isso mostra que, às vezes, não são necessárias grandes adaptações no espaço. Apenas faça!

Tecnologia e Autismo

Antes de entrar nos aspectos tecnológicos, é importante frisar a necessidade de nos cercar de especialistas no assunto. No meetup tivemos a presença da Dra. Elise Lisboa. Essa participação foi muito importante para contextualizar sobre alguns aspectos do autismo e, principalmente, abrir a nossa cabeça sobre o que é efetivamente o Autismo, quais as formas de diagnóstico e quais as ações a serem tomadas. Toda essa contextualização foi super útil para entrarmos no tema da tecnologia em si.

A tecnologia e como ela pode ajudar a comunidade com autismo, foi um dos aspectos mais importantes deste meetup. É imprescindível destacar as participações do Eraldo Guerra, CEO e fundador da CanGame, um aplicativo focado nas pessoas com autismo. Além disso, durante essas discussões, chegamos a conclusão de que não faz sentido “tecnologia por tecnologia”. O que faz sentido é nós utilizarmos a tecnologia com o propósito de ajudar o máximo de pessoas possível.

É isso que o Eraldo se propõe com a CanGame e é isso que eu e a Joyce propomos com a Puzzle. Sempre é necessário ter o fator humano na jogada!

Design

O último ponto que eu gostaria de destacar deste meetup é a parte do Design acessível. Tivemos uma palestra da excelente Talita Pagani – UX Designer e mestre em ciência da computação. Através dela tivemos um panorama muito interessante sobre como construir interfaces web acessíveis para pessoas com autismo.

Pensar nesses pontos é extremamente essencial. Afinal, vivemos em um mundo cada vez mais conectado e integrado. Pensar em soluções desse tipo, na minha opinião, é um dever das pessoas, pois a internet precisa ser o mais inclusiva possível.

Aqui fica o contato da Talita: http://talitapagani.com/

Fomentar a comunidade

Como disse acima, criamos a AutismoTech para movimentar a comunidade e buscar soluções para as pessoas com autismo. E, já no nosso primeiro meetup, conseguimos um bom resultado.

Para esse ano, estamos planejando a execução de um Hackathon focado em desenvolver soluções para as pessoas com autismo. O diferencial desse Hackathon é a inclusão das próprias pessoas com autismo nos grupos, pois, quem melhor do que o próprio autista para pensar em soluções que irão ajudá-lo? Isso nos lembra da necessidade de colocar o autista no centro! Sempre.

Em breve iremos divulgar mais informações sobre o Hacka. Por ora, podem acessar o site da iniciativa: http://autismotech.com/

Agradecimentos

Bom, essa iniciativa não seria possível sem o apoio de alguns parceiros e amigos. Primeiramente, gostaria de destacar a atuação do Guilherme Estevão, Head da FIAP. Há algum tempo, o Guilherme tem sido essencial para as nossas iniciativas (Puzzle, AutismoTech, etc).

Não poderia deixar de agradecer também os palestrantes que toparam participar desse 1º meetup:

  • Amanda Rabelo e Thaysa Torres – Designers no Comitê Paraolímpico Brasileiro;
  • Dra. Elise Lisboa – Doutora em Psicologia e dedicada ao desenvolvimento humano;
  • Eraldo Guerra – Mestre em Engenharia de Software e fundador da CanGame;
  • Talita Pagani – Especialista de UX e acessibilidade web;

Além disso, não poderia deixar de agradecer muito minha sócia – Joyce Rocha – pela parceria e amizade.

Enfim, vamos juntos construir soluções!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Qualidade de Vida 4 MIN DE LEITURA

A alimentação dos brasileiros para 2020

Pesquisa mostra o comportamento do brasileiro na hora das refeições; segundo a Hibou, 6 em cada 10 brasileiros querem ter mais tempo e calma durante a alimentação com menos açúcar, glúten e carboidratos – em suma, uma alimentação mais saudável.

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Foto: Brandless / Unsplash

Mais tempo e muita calma. É isso o que os brasileiros mais querem durante o processo de alimentação, segundo pesquisa realizada pela Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de consumo.

O Jornal 140 recebeu o comunicado e transcreve a seguir os principais achados. A plataforma entrevistou digitalmente mais de 1.800 brasileiros entre 16 e 75 anos em todo o país, que fazem no mínimo uma refeição fora de casa entre segunda e sexta, analisando o comportamento de cada refeição, café da manhã, almoço e jantar.

Café da Manhã

Para 35% dos brasileiros entrevistados, o café da manhã deveria ser uma boa refeição, mas hoje não a consideram ideal. Entre os jovens esse número sobe para 41%.

64% dos brasileiros acreditam que poderiam ter mais tempo no café da manhã. 43% acreditam que esta refeição poderia ser mais saudável. 48% disseram que deveria reduzir o açúcar. 38% gostariam de mais frutas. 32% variariam o cardápio, e 26% gostariam de comer menos pão.

81% dos brasileiros tomam o café da manhã em suas casas, e 67% tomam o segundo café no trabalho ou no local de estudo em até 2 horas após terem saído de casa. Neste segundo momento a escolha do brasileiro é o café puro.

Como expectativas para 2020, o brasileiro pretende beber mais sucos e leites e deixar o café preto para depois do almoço ou no lanche da tarde. Trocar os petiscos gordurosos por snacks saudáveis. Incluir grãos sem glúten, torradas integrais, geléias naturais e produtos orgânicos locais. Menos açúcar também foi citado, e para substituí-lo de manhã, o brasileiro pretende incluir mais frutas.

Almoço

40% dos brasileiros almoçam fora de casa mais de 3x por semana, e esse número sobe para 49% entre jovens. Na hora do almoço, a pesquisa identificou que a maioria da reclamação é não conseguir manter uma dieta balanceada. Na hora de sair para almoçar, o brasileiro prefere restaurante por kilo, prato feito e Buffet, respectivamente nessa ordem.

73% dos entrevistados disseram que poderiam montar pratos mais saudáveis nos restaurantes por kilo. 71% gostariam de reduzir o consumo de “frituras”. 68% dos brasileiros gostariam de poder comer com mais calma. 51% acreditam que poderiam reduzir o consumo de refrigerantes. 40% evitariam buffets, pois misturam muitos tipos de alimentos e 33% acreditam que poderiam consumir mais frutas.

Em 2019, o brasileiro já modificou um pouco seu comportamento na hora do almoço. 49% dos entrevistados introduziram mais saladas no prato, buscando uma alimentação melhor. Porém, 61% ainda acham que não é o suficiente, e querem melhorar ainda mais seu mix diário de alimentos.

43% dos brasileiros com mais de 30 anos e 40% abaixo dos 30 anos, tentam se alimentar no dia a dia com marmitas que preparam em casa, visando economizar e se policiar para se alimentar saudavelmente.

61% consideram uma refeição completa na hora do almoço se ela é finalizada com uma sobremesa, fruta ou café.

E o que mais agrada e mais incomoda nos restaurantes? 69% dos entrevistados elogiaram os locais que tinham talhares, guardanapos e tempero na mesa; 73% dos brasileiros na hora de escolherem o restaurante para almoçar, tentam buscar opções onde suas roupas não fiquem com “cheiro de comida”. Na maioria das vezes não conseguem, e se conformam, mas acabam reclamando do local para outras pessoas.

O atendimento continua sendo um diferencial para o brasileiro. 66% dos brasileiros relacionam seu retorno ao local ao bom atendimento que tiveram. Nas cidades menores essa relação é ainda mais forte.

Como expectativas para 2020, o brasileiro gostaria de ter acesso a um conteúdo colaborativo, em que ele pudesse buscar mais informações sobre os alimentos que está consumindo, compartilhar suas experiências. Melhorar ainda mais o mix de opções do prato é um dos principais objetivos para o ano que vem. Os temperos naturais também foram citados, inclusive, reduzir sódio e condimentos, com molhos e temperos mais naturais e frescos. Um dos principais desejos do brasileiro para 2020 é conseguir fazer uma refeição com a família pelo menos 1x por semana.

Jantar

O jantar é a refeição mais praticada em casa pelo brasileiro. 77% jantam em suas casas no mínimo 6x por semana, entre brasileiros com mais de 30 anos, entre os brasileiros abaixo dos 30 esse número cai para 68%. Apesar de ser a refeição mais realizada nos lares brasileiros, é também a mais negligenciada. 56% dos brasileiros nem pensam no assunto até sentirem fome, entre os jovens brasileiros esse número sobe para 63%.

64% dos entrevistados acreditam que poderiam planejar o jantar antecipadamente. 43% disseram que poderiam comer algo mais leve e mais saudável. 49% gostariam de reduzir o pão e similares. 40% gostariam de evitar o consumo de comida pronta. 37% disseram que poderiam introduzir mais verduras e legumes, e 33% poderiam reduzir o consumo do café.

Segundo observado pela pesquisa, um dado chamou atenção: o pãozinho está presente no jantar tanto quanto no café da manhã. 81% dos entrevistados afirmaram ter o pão presente nas refeições noturnas. Ao menos uma pessoa da casa inclui esse alimento no jantar.

6 em cada 10 brasileiros gostariam de se alimentar mais cedo e mais leve, pois acreditam que dormiriam melhor desta forma. Nos jovens abaixo dos 30 anos, 7 em cada 10 pensam da mesma forma.

Para 2020, o brasileiro gostaria de ter um sono melhor, podendo se alimentar mais cedo, com mais saladas, e reduzindo consumo de cafeína. O lanchinho noturno, só se extremamente necessário, trocando o pão por alimentos mais saudáveis e leves, como barras de cereais, sementes frutas e leite. O brasileiro quer resgatar a refeição em família, e menos celulares a mesa.

Sobre os deliverys de comida, o brasileiro espera que em 2020 eles possam atender até mais tarde, porém com opções mais saudáveis do que pizzas e lanches.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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