Emoji, o esperanto do século 21?

Emoji, o esperanto do século 21?

Ao redor do mundo, a palavra mais vista em celulares e tablets não é uma palavra. É um desenhinho de um rosto risonho, com lágrimas. Trata-se de um “emoji” chamado “face com lágrimas de alegria”, registrado com o código U+1F602. Os emojis evoluíram dos antigos emoticons e podem se tornar uma língua franca mundial.

“Esperanto, lingo universala”. No século 19, o médico polonês Ludwik Lejzer Zamenhof criou a língua artificial Esperanto, que devia ser um idioma universal entre os povos da Terra. Criado a partir de linguagens românicas e germânicas (vocabulário) e eslavas (fonologia), o Esperanto tem hoje cerca de 2 milhões de falantes fluentes e 10 milhões de não fluentes. São números respeitáveis, mas não se comparam aos fluentes na nova língua artificial: os emojis usados nos celulares, computadores e outros aparelhos de centenas de milhões de pessoas.

A palavra “emoji” vem do japonês “絵文字”, que é união dos termos “e” (imagem) e “moji” (personagem). Os orientais estão acostumados a usar pictogramas para a comunicação. O mundo ocidental entrou em contato com os emojis quando a Apple incluiu um teclado específico para as figurinhas no iOS 5. Em 2011, o consórcio de padrões Unicode incluiu as figurinhas em sua versão 6.0. Desde então, o uso vem crescendo exponencialmente.

Há hoje uma discussão ampla se “Emoji” já pode ser considerado uma linguagem em si. Descendentes diretos dos “emoticons” que existem desde os primórdios da informática, os emojis transmitem uma grande variedade de significados – isolados ou em “sentenças”, como hieróglifos egípcios. Mas serão uma linguagem de fato, ou apenas um tipo de estenografia para transmitir mensagens rápidas, ou um recurso para os preguiçosos ou semi-alfabetizados?

O fato é que há cada vez mais pessoas “fluentes” em Emoji no mundo. O Instagram detectou que na Finlândia, os usuários já usam emojis em 60% dos textos que acompanham as fotos. Segundo o jornal inglês The Mirror, os linguistas dizem que o Emoji já é a língua que mais cresce no Reino Unido. O também inglês The Guardian especula em um artigo se estamos vendo o Emoji se tornar a primeira linguagem realmente mundial. A mesma pergunta se repete no jornal americano USA Today e em publicações de tecnologia como Wired e Motherboard. Essa explosão no uso de emojis em comunicações digitais se explica em parte porque são rápidos e práticos e transmitem contextos relevantes. As marcas e agências de publicidade já perceberam isso, e estão apostando em campanhas que usam emojis para atrair a atenção dos consumidores;

As marcas e anunciantes não deixaram de perceber essa explosão do uso de pictogramas eletrônicos nas mensagens, e veem aí uma nova plataforma de publicidade. Um artigo da Advertising Age mostra como as empresas estão buscando usar a nova linguagem pictórica para incluir seus logotipos e produtos na comunicação instantânea de milhões de pessoas. Para acompanhar a velocidade e as tendências de uso dos emojis, existe o Emojitracker – o site monitora em tempo real os emojis mais populares no Twitter.

Seja como for, nos smartphones da Apple ou do sistema Android, o Emoji já figura como “opção” de linguagem global, situado em ordem alfabética entre o holandês (Dutch) e estoniano. O “vocabulário” tem 722 símbolos oficialmente registrados em Unicode, mas figurinhas independentes surgem a cada dia ou hora. O mesmo emoji pode ter aparência diferente no iOS e no Android.

E o mesmo desenho pode ter significados diferentes, de acordo com a nacionalidade e cultura. O desenho de um buquê de flores brancas pode significar uma coisa para um francês, e outra totalmente diferente para um chinês, por exemplo. Essa matéria do The Standard apresenta 10 emojis que fazem sentido para os moradores de Londres, e talvez não sejam entendidos em outros lugares. Talvez o Emoji não seja uma língua tão universal assim – ou será uma língua comum neste bendito século, mas com muitos sotaques regionais…

Para ilustrar, o sucesso da Disney “Frozen”, contado com emojis:

Foto: Fausto García / Unsplash

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