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Negócios 9 MIN DE LEITURA

Como lidar com a agressividade em 3 passos?

Thomas Brieu

Publicado

em

Assumir sem se culpar, acolher sem concordar

Ao começar este artigo, reconheço o quanto é mais fácil falar sobre como lidar com a agressividade do outro, do que realmente “fazer”. Isso porque, quando ao vivo, nosso corpo reage com um banho hormonal que origina uma série de reações automáticas, muitas vezes contra produtivas. Destaco aqui três passos para responder a um caso de agressividade verbal entre duas pessoas de mente sã, embora saber destes três passos possa também lhe ajudar no dia em que se surpreender, você mesmo agredindo verbalmente o outro.

1º passo: Inspire

Entre o estímulo e a reação, existe um espaço. Neste espaço reside a nossa liberdade e a possibilidade de crescimento” Vitor Frankl

O primeiro passo é acessar este espaço de liberdade com uma inspiração longa, por exemplo de uns três segundos. Sem a pausa, a informação fica sequestrada na amídala e seus três reflexos reptilianos (Lutar/Fugir/Congelar) levando a adoção momentânea de comportamentos totalmente irracionais, dos quais costumamos nos arrepender depois.

Com a pausa, a informação sai do sistema límbico e chega até o córtex pré-frontal onde se situa sua capacidade de raciocínio e sobretudo de empatia.

Esta inspiração favorece um processo de ‘desidentificação’, um desapego na forma de uma suspensão temporária do ego para evitar que levemos as palavras do outro para o pessoal, condição preliminar para conseguir executar o segundo passo.

2º passo: Descentre e se interesse pelo outro

Face a agressividade do outro, precisamos praticar o nosso discernimento. De um lado temos os fatos “geradores” que levaram a pessoa a estar no estado que está, e do outro lado temos o simples fato dela estar no estado em que ela está. Os primeiros resultam do encontro entre duas histórias: a sua e a dele. O segundo fato é incontestável e é só dele.

Quando estamos no modo “autodefesa” costumamos nos identificar com as palavras do outro e levá-las pelo lado pessoal, focando então todos os nossos recursos cognitivos sobre o nosso ponto de vista em relação aos fatos geradores. O problema é que apesar de sempre termos bons motivos para isso, essa nossa reação autocentrada, que muitas vezes espelha a agressividade do outro, acaba colocando mais lenha na fogueira.

A solução está em focar no segundo fato: o estado do outro. Mesmo que custe acreditar, o outro sempre tem bons motivos que o levam a ter o comportamento que tem. Insisto: independentemente de concordarmos ou não com os motivos do outro, o fato principal e inquestionável, é que do ponto de vista dele, os motivos são legítimos. E enquanto não darmos prova de escuta na história do outro, a maior probabilidade é que continuaremos sendo o vilão da história dele.

Assim, o segundo passo é descentrar, no sentido de tirar o foco de si mesmo e se interessar pela história do outro. Atrás do gatilho gerador de uma emoção, sempre existe uma causa raiz. Falando de outra maneira, atrás de qualquer emoção negativa sempre existe uma necessidade não atendida.

Investigue, explore e ajude o outro a verbalizar qual é a história atrás da emoção. Faça isso usando perguntas abertas e neutras, por exemplo: “Como assim?” “O que aconteceu?”, “me diga mais?”, “Não entendi, me explique?”

A tentação é grande de focar nos fatos geradores da emoção, ainda mais considerando que eles são passíveis de debate e discussão. Sobretudo, não se justifique, não argumente, não sobreponha sua versão da história à do outro – é cedo demais. Em vez disso, se interesse pelo outro, pela história dele, reconheça que independentemente da sua versão sobre os fatos geradores, o fato dele se encontrar neste estado emocional é legítimo.

Esse é o momento da empatia, onde se aplica a lei universal da reciprocidade: “é preciso dar para receber”. Dê prova de escuta para que ele sinta sua necessidade escutada e acolhida, sem isso ele não irá lhe escutar. Agora, cuidado! não confunda acolher e concordar com o outro.

Quando a mágica acontece, observe, em geral aparecerá no seu rosto um leve sorriso, neutro e acolhedor que chamo de sorriso da Madre Teresa de Calcutá. Cuidado! não tente fingir o sorriso pois o risco é grande de ser um sorriso sarcástico ou irônico (Postura acima do outro) ou ser um sorriso de submissão e de culpa (postura abaixo do outro). Apenas se interesse pela história do outro e sentirá um leve sorriso, e quando estiver realmente em empatia, quando não se identificar mais com as palavras do outro, então naturalmente este sorriso refletirá uma postura de igual para igual.

Na prática: Para ilustrar este passo sugiro utilizar um caso que uso nas minhas palestras. Imaginemos que você não tenha vindo trabalhar ontem, devido a necessidade de fazer um check up de saúde obrigatório pelo plano de saúde da empresa. Você avisou o seu chefe por e-mail com um mês de antecedência, só que provavelmente ele esqueceu. Ao chegar na empresa no dia seguinte, o seu chefe começa a lhe dizer as seguintes palavras de forma bem agressiva:

Poxa que folgado(a)!!!!”

Ciente das dicas acima mencionadas, você inspirou, saiu do foco, se desidentificou, e conseguiu perguntar com um tom acolhedor e neutro:

Folgado(a)?? Como assim?” ou “Folgado? Não entendi? O que aconteceu?”

Em muitas situações uma simples inspiração e uma pausa, com uma postura acolhedora é suficiente para dissolver os conflitos. Outras vezes precisa ir mais longe, por exemplo imaginamos que o seu chefe tenha respondido, sempre de forma agressiva:

Você não veio ontem! Não avisou! Voltou hoje como se de nada tivesse acontecido! E ainda se atreve a me perguntar o que aconteceu! Por isso chamo você de folgado(a)”.

E aí você se pergunta: “e agora como eu faço? Não resolveu nada o artigo! Deveria ter lido até o final!” ?

3º passo: Assumir sem se culpar e acolher sem concordar

Vimos acima o quanto misturamos as palavras do outro e respondemos a elas por uma única e igualmente misturada resposta.

Por exemplo, quando faço este exercício, o que mais ouço, são respostas com o mesmo tom e agressividade: “Mas eu te enviei o e-mail!” (justificativa), “ você que é folgado e não lê seus e-mails!”(contra-ataque) “Não me fale neste tom!” “ você que está errado…” (defensiva) “Entendo o teu ponto mas….” (falso acolhimento)…

Acontece que dentro de uma única fala do outro, têm fatos geradores, fatos externos, fatos internos, coisas que você concorda, coisas que discorda, boas notícias e más notícias, etc.

Para desarmar o outro e acelerar as etapas da curva das emoções*, não basta escutar e ter empatia, ainda precisa dar prova de escuta e prova de empatia. É um exercício de discernimento que inicia com a escuta interna.

A minha experiência é que nas palavras do outro, procurando bem e exercendo a empatia, em geral encontramos um terreno em comum. O segredo para não cair em oposição é sempre começar acolhendo o outro, reusando trechos de fala exatos do outro, verbalizando a escuta interna de forma não violenta e só depois disso se posicionar de forma assertiva. Isso resulta em inúmeras combinações possíveis, a seguir alguns exemplos:

Observação: Quanto mais forte é o acolhimento, tanto mais forte será a escuta do posicionamento.

Cuidado: A solução de facilidade é concordar com o outro para se livrar dele. Neste caso, acabamos entrando no viés de assumir se culpando, ou de acolher concordando:“Realmente eu não vim ontem, deveria ter te avisado”/ “Você tem razão”/ “não farei mais” ….

Isso tem a ver com uma frase que viralizou e que, ao meu ver, pode fazer grandes estragos quando mal interpretada:

Você quer ter razão ou ser feliz?” Muitas vezes eu vi pessoas entregarem a razão para o outro para serem felizes. Para mim, a interpretação é diferente: “É feliz quem entendeu que não há “Razão”, que não há certo e errado, ou seja, que há apenas opiniões diferentes sobre os mesmos fatos”.

Na prática: Outro exemplo, imagine que você entregou um trabalho atrasado para um cliente de confiança para o qual você já entregou dezenas de trabalhos, sempre nos prazos e de forma impecável, e que ele lhe fale, no embalo da emoção:

São inúmeras combinações possíveis, veja dois exemplos, sempre se apoiando nas palavras exatas do outro:

Resumo da coreografia: quando confrontado com a alteridade, pause, inspire, saia do foco, se descentre para compreender o lugar legítimo de fala do outro, dê uma prova verbal de empatia e acolhimento e só depois volte para o seu centro e se posicione de forma assertiva. Quando exercitado com frequência, este gesto substitui respostas precipitadas e automáticas e faz milagres, experimentem!

*Nota: Nos exemplos acima, enquanto a pessoa estiver do lado esquerdo da curva das emoções, ela não irá escutar a parte azul, apenas a parte verde irá ajudar a fazer com que ela passe do outro lado da curva. De que curva estamos falando? Para saber mais sobre curva de emoções, veja os demais artigos, ou clique aqui

**Imagem: Renato Inacio Fluencydesign.com.br

Sobre o AutorThomas BRIEU, Franco-Brasileiro, ao longo de 15 anos de observação e experimentação em milhares de conversas e negociações, se questionou: o que provoca aproximação e o que provoca resistência no outro?

Incorporando os estudos mais recentes sobre neurociência, liderança, negociação e andragogia, desenvolveu um método que permite a cada pessoa mapear os seus padrões não produtivos de linguagem e de escuta e praticar alternativas eficientes de comunicação como uma nova ecologia da linguagem.

Atualmente reside no Brasil e é reconhecidopelos seus treinamentos em Escutatória, Foco, Liderança, Vendas, Storytelling ao vivo e Inteligência Emocional.

Além disso, se dedica à projetos de conservação (RPPN´s) e estuda o que a natureza e a biomimética têm para nos ensinar no que se refere a comportamentos e relações humanas, por exemplo, no jogo de competição x cooperação.

QUADROS EM FORMATO ABERTO

Fala do outro

Escuta interna

Você não veio ontem! É um fato verídico que não custa nada assumir sem se culpar
Não avisou! Tenho uma versão diferente da história. Mesmo assim, seu eu contestar este fato (gerador da emoção do outro) de início, vou adicionar lenha na fogueira. Independentemente de eu ter razão, provavelmente eu não fui claro o suficiente na minha comunicação. (vulnerabilidade)
Voltou hoje como se de nada tivesse acontecido! E ainda se atreve a me perguntar o que aconteceu! Por isso chamo você de folgado(a)” Trata-se de um mal entendido. Por outro lado, faz todo sentido ele reagir desta forma se não viu o meu e-mail. Mesmo assim considero a palavra “folgado” meio exagerada.

 

Acolher primeiro

Se posicionar a seguir

Realmente eu não vim ontem […]”

Sinto muito que você possa me achar folgado, agora entendi, estamos com um mal-entendido […]”

faz sentido você me chamar de folgado se você não viu o meu e-mail […]”

Caramba! Tenho a impressão que

deveria ter lhe comunicado de outra forma e que meu e-mail não foi suficiente […]”

É natural chamar a atenção se você achar que não vim e não avisei, ainda mais que o nosso combinado é sempre avisar neste tipo de situação […]”

[…]agora, vejo as coisas de forma diferente, o fato é que fiz o checkup ontem e percebo que da próxima vez preciso verificar melhor a maneira de avisar você”

[…]agora, tenho uma outra visão, embora o meu e-mail não tenha sido claro, preciso que não me chame de folgado por qualquer mal-entendido”

[…]agora como podemos nos organizar para que não passemos por este constrangimento daqui para frente?”

 

Fala do outro

Escuta interna

Já que vocês atrasaram o trabalho É um fato verídico que não custa nada assumir sem se culpar
Vou finalizar o contrato com vocês! Independentemente do atraso, provavelmente você ache uma medida desproporcional e não se conforma.
Não dá para confiar em vocês, são uns incompetentes. No seu coração, você se sente injustiçado, apesar de tudo, foi a primeira vez e até agora sempre demonstrou confiabilidade.

 

Acolher primeiro

Se posicionar a seguir

É verdade que atrasamos este trabalho, sinto muito e lamento os impactos que teve na sua empresa […] […]por outro lado, finalizar o contrato me parece uma medida precipitada, e antes de falar que não dá para confiar em nós, preciso que reconsidere o histórico da nossa parceria e nos dê uma nova chance, o que você acha?
É natural que queira buscar uma compensação em relação ao atraso que aconteceu, lamentamos e sentimos muito pelo que aconteceu […] […]ao mesmo tempo, não me conformo quando diz que vai finalizar o contrato e que somos incompetentes, vamos tomar todas as medidas para que não aconteça novamente, o que você acha de continuar a parceria?

Foto: Gabriel Matula / Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Thomas Brieu Formado em sócio-economia e agronomia na Europa e com mestrado em energias e biocombustíveis pela USP, desenvolveu um método que mapeia os padrões de linguagem cooperativos e propõe alternativas de comunicação como uma nova ecologia da linguagem.

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Vagas de emprego: Limite até 42 anos

Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida aumentou, o profissional é rejeitado nas organizações cada vez mais cedo. Como lidar com a situação que deve virar um problema social num futuro próximo?

Isabel Franchon

Publicado

em

Geralt / Pixabay

09Sim, você leu certo – vagas de emprego são anunciadas com limite de idade cada vez mais baixo. Assim mesmo, acintosamente. A oferta acima estava em post no Linkedin. Ao mesmo tempo, a aposentadoria é empurrada lá para a frente, com valores cada vez menores. Como diria o Professor Raimundo da Escolinha, “e o salário ó…!”

Não se trata de ser contra ou a favor da reforma da Previdência. Trata-se de refletir sobre um problema que, em breve, será social e economicamente grave: ao mesmo tempo em que a expectativa de vida aumenta, o profissional é rejeitado nas organizações cada vez mais cedo, sem perspectiva de emprego.

Este é um assunto sobre o qual posso falar com propriedade, já que 60% dos meus clientes de Coaching pertencem à mesma faixa etária, em busca do mesmo objetivo: profissionais de várias áreas, entre 40 e 50 anos, preparando-se para uma carreira alternativa, pois sabem que logo serão substituídos por mais jovens. No ritmo que vai não duvido que, em breve, a maioria estará fora do mercado aos 45 anos.

Ao mesmo tempo, a vida foi esticada: segundo o IBGE, em 2019 a expectativa, ao nascer, é de 80 anos para mulheres e de 73 anos para os homens – na média, é de 76.3 anos. E a aposentadoria passou para 65 anos. Antigamente aos 60 anos, a perspectiva era aproveitar um pouco mais a vida. Hoje, literalmente virou estatística de pobreza. Aquela imagem do idoso saudável se divertindo, correndo na praia e passeando é uma falácia.

Posso ilustrar com o caso de um conhecido, funcionário de uma empresa, que completou 60 anos em um dia e no seguinte foi mandado embora. O choque foi tão grande que caiu e quebrou o pé. Depois adoeceu. Passou meses sem entender nada. Para quem conviveu com ele seu estado assemelhava-se ao de uma pessoa encarando a morte ao descobrir uma doença séria. Literalmente passou por todos os estágios descritos por Elisabeth Kübler-Ross em seu livro Sobre a Morte e o Morrer: Negação e isolamento; Raiva; Barganha; Depressão e Aceitação. Hoje, ainda abatido, revende tudo que consegue: virou ambulante. Há os que viram motorista ou entregadores de aplicativos; os que se especializam em dar palestras para ensinar o que nem eles conseguiram alcançar; os que viram consultores sem clientes; os que cozinham em casa para vender. A sensação é de morte e acaba em depressão – segundo dados do IBGE, quase 12% da população com mais de 60 anos sofre da doença.

Enquanto no Brasil as empresas descartam os trabalhadores cada vez mais cedo, na Alemanha, onde 21% da população tem mais de 65 anos, as empresas se adaptam para reter os trabalhadores por mais tempo, investindo em ergonomia e tecnologia adaptada, segundo reportagem publicada pela BBC Brasil. A diferença, além de cultural, é que aqui ninguém está preparado para envelhecer – nem as pessoas, nem as famílias ou o governo.

Os dados que antecipam um futuro que se desenha crítico, são claros:

  • Hoje as pessoas acima de 60 anos representam 10% da população. Em 2025 serão 64 milhões e, em 2060, serão um em cada 3 brasileiros, de acordo com o IPEA. Segundo a OMS o Brasil será o 6º país do mundo em número de idosos.
  • Em virtude do avanço da medicina, da tecnologia, e das mudanças culturais, até 2050 teremos uma inversão da pirâmide social, segundo o IBGE – 32% da população será de idosos e 15% de crianças. Dados confirmados por estudo da PwC Brasil, que mostra em 11 anos uma população com mais idosos que crianças menores de 10 anos.
  • Até 2040, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Aplicadas), metade da força de trabalho no Brasil terá mais de 50 anos.
  • Os gastos do SUS com o envelhecimento, hoje em 45 bilhões, poderão atingir 115 bilhões por ano em 2030. Atualmente 70% dos idosos dependem do sistema público.
  • O rendimento com aposentadoria e pensão é de 1670 reais em média.

Poderia continuar aqui citando dados e mais dados que podem nos levar, ou aos nossos descendentes, ao caos. A verdade é que o envelhecimento saudável deve ser preocupação de toda a sociedade. Questão de consciência, já que envelhecer faz parte da vida. E se a população mais velha aumenta, é necessário que os preconceitos sejam superados e surjam novos modos de vida inclusiva – não há nada, absolutamente nada, que justifique a crença de que a idade torna o ser humano improdutivo, incapaz de contribuir com a sociedade. Acredite, ainda que o corpo envelheça, dentro de cada um existe um jovem ansioso por continuar a viver, realizar, contribuir, devolvendo ao mundo tudo que recebeu e aprendeu.
A pergunta que faço é: quando o idoso for você, como quer ser tratado?

Vale a pena, se ainda não viu, assistir ao filme de Nancy Meyes, Um Senhor Estagiário, de 2015, com Robert de Niro e Anne Hathaway, sobre um viúvo de 70 anos que descobre que a aposentadoria não é exatamente aquilo que pensava e volta à ativa como estagiário Sênior de um site de moda. No mínimo instrutivo sobre os sentimentos da maturidade.

Virou moda falar de longevidade, senioridade, inclusão, maturidade. Moda. Mesmo porque ninguém tem solução nenhuma para apresentar. Muitas vezes parece mais um remédio para dor de cabeça que pretende curar um câncer. Não deve ser cura, mas cultura.

O que incomoda é o modelo quase assistencialista que se desenha – o que precisa ficar claro é que nenhum sênior precisa de assistencialismo porque ele chegou até aqui com muitas realizações e um legado: reconhecer suas capacidades e seu potencial vivo, é questão de justiça social. Contratar, ou manter, pessoas com mais idade é obrigação e não propaganda para ser comemorada em rede com elogios de “Que lindo! Tal empresa tem uma vaga sênior!”

Aliás, pesquisa Towards a Longevity Dividend mostra que existe relação direta entre longevidade e produtividade no trabalho. Tendo superado fases da vida que exigem outro tipo de atenção, como estudar ou criar filhos, o ser humano maduro consegue se comprometer mais com o trabalho, é mais rápido e mais seguro ao tomar decisões. Experiência é fundamental na vida e o aprendizado é contínuo, independente da idade.

Embora 9 em cada 10 empresas no Brasil acreditem que pessoas com mais de 50 anos têm mais equilíbrio emocional, apenas 11% delas possuem programas de contratação de profissionais maduros. Ah! E um detalhe importante: estudo do Serasa Experian de 2018 afirma que uma empresa tem 24% mais chance de ser saudável se tiver sócios com mais de 60 anos. Para completar, dê um Google! Você verá que o mercado da 3ª idade é o que mais cresce em quase todos os setores.

Enfim, você que está lendo este artigo pode ser uma das pessoas “seniores” que busca emprego, ou pode ser um jovem executivo de uma empresa que prefere manter-se à parte na resolução do problema. Ou não. Pode ser alguém disposto a entender que colaboradores jovens não excluem os mais maduros: o equilíbrio está na soma, onde um aprende com o outro para uma organização e uma sociedade saudáveis. E começar o futuro agora.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Os donos da hora

Ei você que é frila, leia isso: plataforma que conecta freelancers a empresas dá dicas para empresas e dados sobre este mercado de trabalho

Publicado

em

Foto: Stefan Steinbauer / Unsplash

Que empresa já não contratou um freelancer, quem já não foi “frila” na vida? A redação do Jornal 140 recebeu um material super rico da Workana, plataforma que conecta freelancers a empresas em toda a América Latina.

O mercado de frilas só cresce. Segundo a plataforma, existem mais de 2,5 milhões de profissionais, um total de 880 mil projetos desenvolvidos por estes nobres soldados. E por falar em comunicação em tempos de cólera, as novas gerações não gostam de seguir horários, querem fazer os seus horários – querem flexibilidade: a plataforma identificou que 56% destes profissionais são frilas porque querem ser donos dos seus próprios horários.

Publicamos a seguir diversos itens compartilhados pela comunicação da Workana com a redação do Jornal 140, publicados na íntegra:

Quais são os pontos de atenção?

• Ter claro uma data de início e de finalização de projeto (pelo menos estimada);

• Definir que tipo de entregáveis são esperados (aplicadas ao projeto) e em que condições espera-se receber. Exemplos: código fonte, manual de marcas, editáveis, etc;

• Canal de comunicação: é muito importante manter a comunicação de maneira contínua, estabelecendo horários e modalidades preferidas;

• Apresentação de avances: é importante acordar antecipadamente sobre a frequência e horário que se espera para que o profissional apresente os avances. Isto ajuda a fazer correções ao longo do percurso, se for necessário.

• Demanda por horas para o projeto: mínimo de horas requeridas semanais, se é necessário que trabalhe em um horário específico ou ainda ter um horário comum para responder consultas, atender chat de clientes, recepcionar chamadas, reuniões, etc.

O que já deve estar acordado?

Antes de iniciar a pesquisa, a organização deve realizar um exercício de reflexão e tentar cobrir a maioria dos seguintes requisitos.

• É importante ter um breve resumo do projeto que cubra o que é, o que se espera, como serão alcançados os objetivos, quando e com que orçamento. Este resumo deve ser o mais claro possível, não apenas para ajudar a definir quais perfis são indicados para o projeto, mas também como um documento no qual o cliente e o profissional possam começar a trabalhar.

• Definir se prefere que o projeto seja executado como um projeto fixo, com entregas definidas ou se a modalidade de horas é melhor opção, porque é esperado que se cumpram as tarefas especificadas, as quais podem mudar ao longo de um projeto.

• Material de trabalho: deve ser disponibilizado e definido o material que será entregue ao profissional para levar o projeto adiante, otimizar o tempo e a qualidade do trabalho.

Perguntas frequentes que as empresas realizam para a Workana

As perguntas mais frequentes estão sempre relacionadas com os medos e com as preocupações diante da modalidade de trabalho que ainda desconhecem.

1) Como posso controlar o que faz um freelancer que não se encontra trabalhando de maneira presencial no escritório?

As metodologias de controle podem ser várias, dependendo do tipo de projeto. A primeira metodologia é a comunicação, estabelecer um canal claro e direto com o freelancer é um ponto fundamental. Por sua vez, acordar uma reunião semanal ou quinzenal é recomendável sobretudo para projetos grandes. Outra metodologia de controle são as pré entregas. Programar para receber conteúdos que adiantem a entrega final, ajuda a ter visibilidade do trabalho do freelancer. Isso te possibilita a tomar ações corretivas sobre o andamento e evitar desvios na entrega final ou atrasos no projeto.

2) Se os prazos e objetivos do projeto são cumpridos.

É importante discutir esses pontos em uma reunião inicial com o freelancer. Para ter este ponto bem claro é importante que o cliente já tenha identificado para quando precisa do trabalho e qual é o objetivo e necessidade do mesmo, para poder transmitir ao profissional de forma clara. Cruzar estas informações com as entregas ajudam a otimizar a experiência.

3) Se os profissionais são idôneos para assumir seus projetos.

Neste ponto, é importante ter como parceiro uma plataforma de confiança que faça o intermédio desses contatos, como a Workana. Só assim será possível pedir ajuda caso haja algum problema na entrega do projeto.

4) Como assegurar a qualidade do produto final entregue pelo freelancer.

A qualidade no produto final é composta pela qualidade durante todo o processo, desde ter claro o objetivo do projeto resumido a um briefing, seguido pela seleção do recurso, conhecer o mesmo em uma entrevista e contar de forma clara o objetivo do trabalho.

Uma vez selecionado o recurso, deve-se implementar metodologias de controle e feedback, instâncias parciais de entrega e revisão de resultados com relação ao freelancer e o cliente por um trabalho de qualidade.

5) Como posso proteger as informações que necessito compartilhar com o profissional.

Dependendo do tipo de projeto que está sendo realizado, o profissional que irá executá-lo pode contar com uma informação parcial, ou ter acesso integral a ela. Se houver esta necessidade num projeto, nós da Workana sugerimos que o cliente faça um contrato NDA (Non Disclosure Agreement) para reforçar ao freelancer a importância da confidencialidade no projeto e em seu conteúdo.

6) Se é possível realizar trabalhos de forma presencial.

O core da Workana é o trabalho remoto, já que acessamos o talento através de qualquer zona geográfica de onde se encontra o escritório do cliente. No momento em que limitamos uma determinada zona, a quantidade de profissionais passa a ser menor. Tendo em conta estes pontos, temos feito alguns projetos de forma presencial, nos quais incorremos em contratar um seguro para o freelancer pelos dias em que o projeto está em andamento, sendo os custos do seguro assumidos pelo cliente.

A Workana tem profissionais de diversas formações e especificações. Os principais perfis vão desde habilidades de TI e Programação, Marketing Digital, Design e Multimídia, Redação e Tradução, etc. Mas também temos outras categorias que já nos solicitaram, como engenheiros, especialistas em comunicação, perfis de finanças, equipe de vendas. Os requerimentos foram vários e nossa base é muito boa.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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