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Com uma entrevista sobre publicidade digital com Marco Frade, diretor de digital e RP da LG e presidente do comitê de Mídia da ABAAssociação Brasileira de Anunciantes, o Jornal 140 inicia uma série de entrevistas em podcast.

Começamos de cara com um tema árido, complexo, que não tem consenso no mercado anunciante. Vale o alerta: se você não é anunciante, publicitário ou não trabalha no mercado de marketing é melhor nem continuar e parar por aqui.

Conheci o Marco Frade em uma apresentação no WTC Club onde falou sobre o documento “Carta Global de Mídia” que reúne as boas práticas no ambiente de publicidade digital. Vários pontos me chamaram a atenção mas o mais chocante foi a informação de que para cada Real investido o anunciante só tem 50% da entrega garantida.

Abordamos nesta entrevista a problemática questão do sistema de anúncios publicitários nos meios digitais. Se por um lado as plataformas como Facebook, Instagram, Google e YouTube trouxeram a possibilidade dos anunciantes mostrarem as suas mensagens de maneira extremamente direcionada e eficiente, por outro oferecem métricas de entrega duvidáveis por não permitirem auditoria de terceiros (“third-party viewability” como diz Marco Frade). A analogia seria entregar a chave do galinheiro (a plataforma digital onde todos os usuários se encontram e deixam rastros de suas passagens) para a raposa (os gestores da plataforma) – a raposa entrega as métricas para os anunciantes que têm de acreditar que os dados são verdadeiros.

Marco Frade define este sistema fechado, controlado apenas pelas plataformas, como um jardim murado (“Walled Garden”). Pergunto para ele: “não é uma contradição? O mundo digital se gaba de ser totalmente contabilizável (accountability) e ao mesmo tempo promete alcançar pessoas que efetivamente não alcança”. Acompanhe a seguir o podcast.

PS.: Marco Frade menciona nesta entrevista vários modelos e ferramentas da mídia programática como DMP e DSP. Se você não sabe o que são estas siglas recomendo a matéria do Lucas Gonçalves, aqui.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da Art Presse, 140 Online e do Jornal 140, empresário de comunicação, jornalista de formação e digital de paixão. Teve participação fundamental no lançamento da internet banda larga no Brasil em 1999. É autor do livro "Domingo no Sancho" (2018), Amazon Kindle.

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Orelhas em Pé

A fotografia com propósito de Roberto Cecato

Um dos maiores fotógrafos brasileiros reflete sobre a banalização da imagem e diz como quer contribuir para melhorar a qualidade por meio de cursos e tutorais disponíveis nas plataformas digitais.

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Foto: Jo Cecato / Arquivo Pessoal

O Jornal 140 bate um papo cabeça com Roberto Cecato, um dos maiores fotógrafos brasileiros da atualidade. Roberto é um fotografo sintonizado com o mundo em transformação e da cólera do caos: seus cursos ministrados em plataformas digitais são um sucesso de publico. Prepara, junto com outro fotografo, Bob Wolfenson, um curso sobre Retratos. Antes de começar este dialogo, adianto desde já que o Roberto será um dos colaboradores deste coletivo, do Jornal 140. Detalhe: as fotos que ilustram este conteúdo são do Jo Cecato, seu filho.

1. Você é um dos maiores fotógrafos brasileiros. Decidiu morar mais de 20 anos na Itália e voltou. Fale sobre a sua trajetória como pessoa, artista e empreendedor.

Antes de mais nada obrigado pela deferência que provavelmente não mereço, mas com certeza tive uma trajetória pouco usual entre os meus colegas brasileiros, por ter vivido a maior parte da minha vida profissional na Europa com meu próprio estúdio.

Tudo começou com um curso no MASP em 1975, tendo como professores Claudia Andujar e George Love, grandes fotógrafos com quem aprendi que a fotografia é um instrumento de expressão. A partir daí a minha trajetória pessoal se confunde muito com a fotografia.

Abandonei a faculdade no no seguinte e meu pai sentenciou: “O meu compromisso com a sua educação acaba aqui, não conte comigo nem para comprar um rolinho de filme.”

Engoli em seco e segui meu instinto, tentando descobrir como me tornar um fotógrafo. Anos depois me formei em Cinema na USP quando já trabalhava como assistente de câmera e fotojornalista.

Após alguns momentos de glória no fotojornalismo entendi que seria muito difícil me sustentar como freelancer e o cinema era muito inconstante, assim em 1982 abri meu primeiro estúdio e comecei a trabalhar com publicidade e editoriais, colaborando sobretudo com as revistas Vogue e Casa Vogue.

Porém com raras exceções a publicidade e o editorial brasileiros imitavam tudo o que se fazia na Europa e nos Estados Unidos, e eu me sentia muito frustrado com isso. Decidi então ir viver onde se criava, ao invés de ficar onde se copiava.

Em 1991 mudei para Milão, e nos primeiros anos me dediquei muito ao meu trabalho pessoal, realizando exposições individuais na Italia, França, Alemanha, Portugal e Brasil.

Comecei também a colaborar com as revistas Vogue e Casa Vogue Italia, Elle Decor, Wallpaper, Votre Beautè e trabalhei muitos anos para a Gucci, o que me abriu as portas para Yves Saint Laurent, Alexander McQueen, Burberry, Tom Ford, Bulgari, Bally, Ferragamo e outros.

Foi muito interessante me confrontar com um mercado onde trabalhavam os meus grandes ídolos, gente com uma formação sólida e muita cultura, um jogo bem mais pesado mas fascinante. Baseado em Milão trabalhei também em Paris, Londres, Madrid, Munique, New York, Tokyo.

Fui uma das primeiras pessoas na Europa a usar a fotografia digital comercialmente e contratado como consultor de imagem pela Gucci para avaliar as propostas do seu primeiro web site em agências de Londres e New York, num cenário bem diferente de quando comecei a fotografar.

Voltei ao Brasil em 2012, com um hiato de 21 anos, num mercado completamente mudado. Em 2016 comecei um canal no YouTube para compartilhar com os outros o que aprendi, instalei minha base no Studio Imaginar e em 2019 inaugurei uma plataforma de ensino online, a Fotoweb Academy

2. Você tem se dedicado a realização de uma série de cursos que ensinam as pessoas a fotografar. É curioso, porque nunca se fotografou tanto, nunca tantos tiveram à disposição tantas máquinas fotográficas visto que os seus celulares são máquinas poderosas. As pessoas então não sabem fotografar?

O fotógrafo Pedro Meyer, que fundou um museu de fotografia no México, disse que hoje somos todos fotógrafos, mas analfabetos da imagem.

Achei uma declaração muito interessante, pois a fotografia é uma linguagem, com seus princípios e uma história importante que quase ninguém conhece. Por outro lado em geral o ensino de fotografia se limita a repetir monotonamente as mesmas questões técnicas.

A inteligência artificial faz dos celulares e das câmeras modernas dispositivos que entregam uma grande qualidade de imagem, mas e o conteúdo? O que se vê é uma avalanche de imagens sem sentido, feitas sem pensar e para não fazer pensar, ou seja, completamente inúteis.

Neste cenário a minha contribuição é falar da estrutura da imagem, da sua linguagem e de como ela se articula como instrumento expressivo.

A imagem é a linguagem do nosso tempo e é necessário entende-la, estudá-la, compreende-la para podermos nos exprimir e ser mais críticos com relação ao que nos é mostrado.

3. Os cursos são online. Ou seja, o digital, ao mesmo tempo que causou um grande estrago nos modelos de negócio dos estúdios fotográficos e no mercado publicitário, trouxe a facilidade dos fotógrafos alcançarem um público maior, certo?

A internet possibilitou uma difusão do conhecimento jamais vista na história da humanidade. Nesse sentido abriu-se um grande mercado para o ensino online, que porém é povoado de ignorantes e charlatões, entre poucas propostas de real valor.

O modelo de negócios dos estúdios fotográficos mudou fundamentalmente porque hoje todos são capazes de produzir uma imagem com uma qualidade razoável. Some-se a isso os arquivos de imagem online e o 3d, e temos muito menos necessidade hoje de contratar um fotógrafo.

Com o desaparecimento progressivo das revistas o mercado publicitário se adequa às novas mídias e os novos modelos colocam todos em pé de igualdade, fotógrafos ou não, num oceano de imagens onde se distinguir é o grande desafio.

4. Você mergulhou em tecnologia há muito tempo, desde que lançou um canal no YouTube, certo?

O meu mergulho na tecnologia começou bem antes, quando projetava equipamentos de laboratório de eletrônica aos 21 anos de idade. Na época larguei tudo para viver de imagem, e com o tempo a imagem se tornou eletrônica.

Creio que tive a sorte de viver num tempo onde o mundo se transformou mais do que nos 2 mil anos precedentes. Só precisamos estar atentos para que a tecnologia não passe a comandar nossas vidas.

[O link do canal no YouTube aqui].

5. Digital é tecnologia pura, os equipamentos que sempre são aprimorados

Sim, o problema é que o ritmo da evolução tecnológica nos força a consumir sempre mais novidades que muitas vezes não acrescentam nada ao resultado. Por isso é importante conhecer para poder escolher.

6. O que é uma fotografia com propósito a que você se refere no site Fotoweb Academy?

A facilidade de produzir imagens e o seu uso imediato para comunicar algo trivial, como um prato de comida no restaurante, uma selfie ou qualquer outro evento corriqueiro situa a fotografia no campo das banalidades, do sentido imediato, o que seria uma mensagem de texto transformada em imagem.

A fotografia com propósito tem uma intenção que vai além do óbvio, um objetivo, uma finalidade que transcende o fato e comunica algo mais que a informação objetiva do quadro.

É uma fotografia que quer se colocar como expressão, que na metáfora da linguagem escrita poderia ser uma poesia, uma crônica, uma reflexão.

7. Qual é o propósito da Fotoweb Academy, porque você lançou esta plataforma?

O propósito da Fotoweb Academy é levar às pessoas instrumentos para que ela possam se expressar através da imagem.

O termo Academy é usado para descrever instituições que reúnem estudiosos e artistas com o objetivo de promover e manter um alto padrão em seu campo.

Lancei esta plataforma porque após muitos anos de estudo e prática entendi o que é relevante na linguagem fotográfica, e quero ajudar as pessoas a se tornarem conscientes do seu poder e a terem prazer em praticá-la.

8. Você prepara um novo curso sobre Retratos, junto com o Bob Wolfenson.

Quando criei a Fotoweb Academy a minha idéia era abrir espaço para outros fotógrafos que fossem relevantes no seu campo de atuação. Esse aspecto da experiência é fundamental, pois aí é que está a grande contribuição, que não é acadêmica mas real, consistente.

Bob Wolfenson tem retratado as personalidades da cultura e da arte brasileiras nos últimos cinquenta anos, num recorte único e inspirador. Assim o convidei para fazermos essa parceria, num curso que eu produzi e dirigi, organizando os conteúdos num formato dinâmico e original que respeita a sua trajetória e o seu modo de trabalhar.

Este é o segundo curso online da Fotoweb Academy, após “A Linguagem do Olhar “, de minha autoria.

Em ambos os cursos criamos uma dinâmica de exercícios práticos e interações dentro de uma comunidade fechada que sedimentam o aprendizado e enriquecem a experiência dos alunos, pois só na prática o conhecimento se realiza.

9. Fotografia é arte, deve ser arte ou pode ser arte?

A fotografia pode ser arte, assim como a escrita, a pintura, a música, a escultura. A questão é sempre de forma e conteúdo.

10. Ainda sobre arte. Você parece desenhar abstrações a partir de objetos. É intencional?

A minha origem italiana me legou algo de anarquista e inconformista, portanto sempre me interessei em explorar os limites da linguagem.

A fotografia desde os seus primórdios tem sido confundida como afirmação da objetividade e o seu caráter figurativo predomina quase sempre.

Desde os anos 90 venho escondendo ou mascarando a natureza do sujeito fotografado em certos trabalhos, de modo que vemos uma imagem com formas e eventualmente cores, mas sem que possamos entender o que é.

Os resultados se aproximam da gravura ou da pintura, mas tem natureza fotográfica, sem que haja manipulação em pós-produção. São imagens que se propõem como enigmas, mostrando no seu silêncio o que querem esconder.

11. A fotografia é apenas um conjunto de bites, traduzido em pixels. A digitalização mudou a fotografia para melhor, ainda que tenha arrasado o mercado que conhecíamos?

O mundo digital uniformiza a estrutura básica do conhecimento, que passa a ser traduzido em código binário, seja música, vídeo ou fotografia, e a sua natureza é ser efêmero.

A primeira característica da fotografia digital é a perda da materialidade. Antes tínhamos um negativo, um objeto que podia ser manipulado e avaliado sem nenhum recurso externo, com uma durabilidade de pelo menos 100 anos se devidamente processado e conservado.

A digitalização mudou a natureza da fotografia de material para imaterial. Não é melhor nem pior, é outra coisa, e o seu aspecto efêmero reflete a natureza do nosso tempo.

Nunca se produziu tanta imagem e talvez este será um tempo sem memória.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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