Siga-nos nas Redes Sociais

Cloud

A memória digital é frágil, muito frágil

Sergio Kulpas

Publicado

em

Escritos cuneiformes, ideogramas, letras de vários alfabetos com centenas e até milhares de anos podem ser vistos em muitos museus do mundo. Registradas em pedra, argila, cerâmica, papiro e papel, essas mensagens atravessaram o desgaste natural do tempo até os dias de hoje sem perdas significativas e ainda podem ser lidas, traduzidas e contextualizadas. O mesmo ocorre com imagens e pinturas sobre suportes físicos, desde as cavernas paleolíticas até a arte moderna do século 20.

Na Era Digital que vivemos, as coisas não são assim. Nos últimos cinquenta anos, o registro de conhecimentos e também da expressão artística da humanidade se tornou cada vez mais delicado, deixando os suportes físicos de alta durabilidade e migrando para formatos progressivamente mais delicados e efêmeros.

O National Institute of Standards and Technology (NIST), maior autoridade nos Estados Unidos a respeito da longevidade dos vários tipos de mídia, não tem dados exatos sobre a vida útil dos vários formatos usados atualmente para registrar dados, trabalhando apenas com estimativas médias. Um relatório recente do NIST estima que CDs e DVDs podem durar entre 20 e 200 anos, mas mesmo no limite mínimo essa duração só se daria em condições ideais de armazenamento, fora do alcance financeiro da maioria das pessoas, especialmente para conservação doméstica. O estudo diz que uma parcela significativa dos CDs lançados na década de 1980 já estão irreproduzíveis – nos ambientes domésticos comuns, a perda é ainda maior. A Biblioteca do Congresso dos EUA, cujo acervo de cerca de 150.000 CDs é mantido em um ambiente rigorosamente controlado, avalia que entre 1% e 10% dos discos contém algum tipo de corrupção de dados – o que significa que não podem mais ser reproduzidos de modo algum.

Papiros parcialmente devorados por insetos egípcios há 4.000 anos ainda podem ser lidos. Cartas e fotografias manchadas e desbotadas por décadas de exposição solar ainda podem ser decifradas por historiadores. Mas os chamados “objetos digitais” são infinitamente mais frágeis: basta uma descarga estática ou um campo magnético mais forte que “queime” alguns bits entre os bilhões que compõem um texto, música ou imagem digital para que o arquivo inteiro se torne ilegível, na maior parte das vezes de modo irreversível. Salvo em alguns casos especiais, a maioria dos formatos digitais exige um alto nível de integridade para funcionar.

Há outros problemas, também. O Centro de Linguagem e Cultura Ivar Aasen, na Noruega, perdeu o acesso a um imenso catálogo de conteúdo eletrônico depois da morte de um administrador que era o único que sabia a senha de acesso inicial do sistema. Demorou quatro anos para o museu conseguir recuperar o acesso ao acervo, com a ajuda de um hacker de 25 anos.

Um outro caso ilustra o perigo que o conhecimento corre na Era Digital. Na década de 1980, a BBC lançou um projeto para coletar exemplos de cultura por todo o Reino Unido, para comemorar os 900 anos do “Domesday Book”, que reuniu os registros da vida de 13.000 aldeias britânicas a partir da chegada de William, o Conquistador, em 1066. O “Domesday Project” da BBC recebeu contribuições de mais de um milhão de cidadãos britânicos. Dezenas de bancos de dados, milhares de fotos digitais e mapas digitais que podiam ser navegados. O ambicioso projeto foi finalmente registrado em dois videodiscos especiais, feitos para serem executados no aparelho LaserVison da Philips, usando o sistema BBC Master Microcomputer ou o Research Machines Nimbus. No final dos anos 1990, LaserVision e a linha de computadores da BBC estavam tão extintos quanto o pássaro dodô. Os videodiscos não podem mais ser lidos. Mas os grandes volumes de papel-algodão do Domesday Book do século 12 podem ser consultados no Museu Britânico a qualquer momento.

Estamos perdendo a capacidade de conservar a memória da humanidade de modo durável para as gerações futuras. Nossas criações, nossos pensamentos, nossa arte, nossas leis e nossa história estão sendo depositadas em nuvens eletrônicas, em servidores e HDs espalhados ao redor do mundo. Basta uma tempestade solar de grande intensidade ou uma outra catástrofe natural localizada estrategicamente para soprar essas nuvens, desmanchando o trabalho de muitas gerações.

Está na hora de pensarmos modos mais permanentes de registro na Era da Internet, ou todos esses momentos se perderão, como lágrimas na chuva.

Foto: Skye Studios / Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

Continuar Lendo
Comentários

Cloud

e-Sports cresce com a ajuda da nuvem

Redação 140

Publicado

em

O mercado de games – os “e-Sports” – só cresce. Uma das razões, talvez a principal, seja o avanço da infraestrutura do cloud gaming que permite aos usuários terem a acesso aos jogos de qualquer lugar ou dispositivo. E, melhor, possibilita não só que vários jogadores se conectem ao mesmo tempo como também comentem – os streamers, que combinam a qualidade de ótimos jogadores com comentaristas e narradores.

As empresas especializadas agradecem. O Google demorou para entrar no negócio com a sua marca (e serviço) Stadia. As plataformas, como o site de streaming Twitch, veem o número de leads e novos clientes crescerem de maneira geométrica.

Os gigantes, como a Microsoft, Amazon e a novata Nvidia, estão desenvolvendo os seus próprios serviços de cloud gaming. O Statista cita rumores de uma eventual entrada do Walmart no segmento,.

O mercado de cloug gaming, que movimentava US$ 45 milhões em 2017 deve chegar em US$ 450 milhões em 2023 segundo o Statista. No ano passado o número foi de US$ 66 milhões e em 2019 preveem algo como US$ 97 milhões.

Foto: Sean Do (Unsplash).

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Cloud

O que é uma hospedagem WordPress?

Rafael Sartori

Publicado

em

De acordo com a W3Techs, uma empresa de consultoria austríaca, a WordPress mantém a participação de mercado de 51%. Por quê?

Bem, o WordPress fornece recursos e instalações de aplicativos de clique único, entre outras funções exclusivas, mas também é incrivelmente fácil de usar para integrar com sua própria hospedagem. Na verdade, você pode verificar, modificar e integrar o WordPress a partir da sua conta de hospedagem. Vamos descobrir como isso é feito.

O que é o Hospedagem WordPress?

Primeiramente, o WordPress não pode operar sozinho como uma entidade singular. É um programa que precisa ser hospedado em uma plataforma que pode executar seu código PHP (Hyper Processor). Na hospedagem WordPress, como o nome indica, é a plataforma é ideal para hospedar seu site WordPress.

Shared Vs Hospedagem WordPress

Ao optar pela hospedagem compartilhada, você pode basicamente se inscrever para um instalador do WordPress de 1 clique, temas atualizados e plugins, atualizações automáticas para o software WordPress, bem como o software de proteção de segurança e malware, e outros recursos para melhorar o desempenho. A razão pela qual é mais barato é que você obtenha esses recursos e otimização para o seu WordPress, mas que seu site será hospedado em um servidor que também é compartilhado por muitos outros.

Na hospedagem WordPress, além de todos os recursos de hospedagem compartilhada, você também receberá uma execução muito mais rápida e suave, uma parede de segurança impenetrável, sites de teste ou teste, bem como um servidor para desenvolvimento. Na verdade, esses serviços adicionais são adaptados pelo provedor de hospedagem do site para oferecer uma hospedagem mais flexível e poderosa a blogueiros e sites que usam o aplicativo WordPress.

Um plano de hospedagem WordPress é específico do hardware, o que significa uma operação mais eficiente. O serviço tende a fazer todo o trabalho pesado para você, garantindo que todos os seus softwares, incluindo proteção contra malware e medidas de segurança, estejam sempre atualizados, e que não haja bugs que possam atrapalhar você ou seu site. Mas, para todas as funções e recursos aprimorados que oferece, a hospedagem WordPress tem preços e serviços a partir de R$ 33 por mês, oferecendo aos usuários melhor qualidade, desempenho e recursos personalizados adicionados pelo provedor de serviços.

Por que você deve olhar para a Hospedagem WordPress?

Se você procura por um site em WordPress, considere a obtenção de um plano de hospedagem WordPress com seu provedor, como a ZionLab. Sem dúvida, produzirá os melhores resultados e operações para você no longo prazo. A hospedagem WordPress melhora essencialmente em dois aspectos principais do site, desempenho e segurança.

Os navegadores de internet modernos oferecem aos usuários muitas opções para escolher. Tanto é assim que, se um site levar mais de 10 a 20 segundos para carregar, é mais provável que um usuário clique fora para procurar outra alternativa. Com uma plataforma de hospedagem WordPress, você pode obter várias configurações que aprimoram seu site e, em última análise, se traduzem em velocidades de carregamento e de trabalho muito mais rápidas, o que leva a uma melhor capacidade de resposta e interação com os clientes.

Não há nenhuma razão para você ter uma plataforma de hospedagem lenta e sem resposta. Existe uma maneira fácil de tornar sua experiência de hospedagem dez vezes mais eficiente e segura. Então, por que não ir atrás disso? Dê o passo extra e vá para uma hospedagem personalizada do WordPress.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Trending