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Tecnologia 3 MIN DE LEITURA

A memória digital é frágil, muito frágil

Sergio Kulpas

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Escritos cuneiformes, ideogramas, letras de vários alfabetos com centenas e até milhares de anos podem ser vistos em muitos museus do mundo. Registradas em pedra, argila, cerâmica, papiro e papel, essas mensagens atravessaram o desgaste natural do tempo até os dias de hoje sem perdas significativas e ainda podem ser lidas, traduzidas e contextualizadas. O mesmo ocorre com imagens e pinturas sobre suportes físicos, desde as cavernas paleolíticas até a arte moderna do século 20.

Na Era Digital que vivemos, as coisas não são assim. Nos últimos cinquenta anos, o registro de conhecimentos e também da expressão artística da humanidade se tornou cada vez mais delicado, deixando os suportes físicos de alta durabilidade e migrando para formatos progressivamente mais delicados e efêmeros.

O National Institute of Standards and Technology (NIST), maior autoridade nos Estados Unidos a respeito da longevidade dos vários tipos de mídia, não tem dados exatos sobre a vida útil dos vários formatos usados atualmente para registrar dados, trabalhando apenas com estimativas médias. Um relatório recente do NIST estima que CDs e DVDs podem durar entre 20 e 200 anos, mas mesmo no limite mínimo essa duração só se daria em condições ideais de armazenamento, fora do alcance financeiro da maioria das pessoas, especialmente para conservação doméstica. O estudo diz que uma parcela significativa dos CDs lançados na década de 1980 já estão irreproduzíveis – nos ambientes domésticos comuns, a perda é ainda maior. A Biblioteca do Congresso dos EUA, cujo acervo de cerca de 150.000 CDs é mantido em um ambiente rigorosamente controlado, avalia que entre 1% e 10% dos discos contém algum tipo de corrupção de dados – o que significa que não podem mais ser reproduzidos de modo algum.

Papiros parcialmente devorados por insetos egípcios há 4.000 anos ainda podem ser lidos. Cartas e fotografias manchadas e desbotadas por décadas de exposição solar ainda podem ser decifradas por historiadores. Mas os chamados “objetos digitais” são infinitamente mais frágeis: basta uma descarga estática ou um campo magnético mais forte que “queime” alguns bits entre os bilhões que compõem um texto, música ou imagem digital para que o arquivo inteiro se torne ilegível, na maior parte das vezes de modo irreversível. Salvo em alguns casos especiais, a maioria dos formatos digitais exige um alto nível de integridade para funcionar.

Há outros problemas, também. O Centro de Linguagem e Cultura Ivar Aasen, na Noruega, perdeu o acesso a um imenso catálogo de conteúdo eletrônico depois da morte de um administrador que era o único que sabia a senha de acesso inicial do sistema. Demorou quatro anos para o museu conseguir recuperar o acesso ao acervo, com a ajuda de um hacker de 25 anos.

Um outro caso ilustra o perigo que o conhecimento corre na Era Digital. Na década de 1980, a BBC lançou um projeto para coletar exemplos de cultura por todo o Reino Unido, para comemorar os 900 anos do “Domesday Book”, que reuniu os registros da vida de 13.000 aldeias britânicas a partir da chegada de William, o Conquistador, em 1066. O “Domesday Project” da BBC recebeu contribuições de mais de um milhão de cidadãos britânicos. Dezenas de bancos de dados, milhares de fotos digitais e mapas digitais que podiam ser navegados. O ambicioso projeto foi finalmente registrado em dois videodiscos especiais, feitos para serem executados no aparelho LaserVison da Philips, usando o sistema BBC Master Microcomputer ou o Research Machines Nimbus. No final dos anos 1990, LaserVision e a linha de computadores da BBC estavam tão extintos quanto o pássaro dodô. Os videodiscos não podem mais ser lidos. Mas os grandes volumes de papel-algodão do Domesday Book do século 12 podem ser consultados no Museu Britânico a qualquer momento.

Estamos perdendo a capacidade de conservar a memória da humanidade de modo durável para as gerações futuras. Nossas criações, nossos pensamentos, nossa arte, nossas leis e nossa história estão sendo depositadas em nuvens eletrônicas, em servidores e HDs espalhados ao redor do mundo. Basta uma tempestade solar de grande intensidade ou uma outra catástrofe natural localizada estrategicamente para soprar essas nuvens, desmanchando o trabalho de muitas gerações.

Está na hora de pensarmos modos mais permanentes de registro na Era da Internet, ou todos esses momentos se perderão, como lágrimas na chuva.

Foto: Skye Studios / Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

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Sistemas Operativos 1 MIN DE LEITURA

Ubuntu 20.04 LTS: Nova versão, novo tema

Com lançamento previsto para abril, o sistema operacional chega repleto de novidades.

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Foto: Divulgação / Canonical

Com lançamento previsto para abril, a Canonical e a equipe da comunidade Yaru começaram a trabalhar em um sucessor do tema Yaru para a nova versão de distribuição do Linux Ubuntu 20.04 LTS.

A equipe de design da Yaru esteve recentemente nos escritórios da Canonical em Londres para trabalhar no novo tema. Além das variações normais de luz e escuridão do tema, está sendo trabalhada uma terceira versão que utilizará cores claras. Os desenvolvedores também estão trabalhando para facilitar a alternância entre essas variantes de tema / cor.

É possível que as alterações mais importantes – como os ícones de pastas experimentais – possam ser adiadas para o final do ano, em outubro, com a chegada da versão do Ubuntu 20.10. Espero que você tenha gostado do trabalho da Canonical no Ubuntu 20.04.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Tecnologia 2 MIN DE LEITURA

Será mesmo que internet é coisa de jovem?

Segundo uma pesquisa do Kantar – Consumer Insights, 90% dos idosos possuem celulares e 45% acessam a internet.

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foto: Pixabay

Não há como negar o crescimento da população Sênior no Brasil. Com a diminuição da taxa de natalidade, a população Brasileira vem envelhecendo cada vez mais, além disso por causa dos avanços da tecnologia, a medicina colabora para que a expectativa de vida aumente. Hoje o número de idosos que possuem mais 60 anos, ultrapassa os 29 milhões de pessoas e segundo o IBGE estima que até 2060 o número de idosos cresça para 73 milhões de idosos. Isso significa um aumento de 160%. Um número expressivo que aumenta cada vez mais ano a ano.

A medida em que a população envelhece, aumenta o interesse em relação ao assunto. Segundo o Google, as buscas em relação ao termo envelhecimento cresceram mais de 60% em relação a 2015 e em 2018 foram feitas buscas referente ao assunto a cada 2 minutos. No entanto, segundo o próprio IBGE diz que ¼ dos brasileiros acima de 60 anos já estão conectados à internet. Esse número tende a crescer cada vez mais!

Com isso é preciso acabar com o preconceito e estereótipos em que a internet é “coisa de jovem” e que a população sênior não possui interesse no âmbito digital. Segundo uma pesquisa do Kantar – Consumer Insights, 90% dos idosos possuem celulares e 45% acessam a internet. Além disso 28% dos que possuem mais de 60 anos já realizaram compras pela internet. Diferente do que o senso comum, o universo digital diminui as barreiras e facilitam para uma melhor vivência, pois segundo o Google, em 2018, foram mais de 120 mil buscas pelo site Coroa metade – especializado em relacionamentos entre pessoas maduras. Isso mostra o quão os mesmos estão ligados a internet.

Dessa forma, tanto os profissionais de marketing como os profissionais de comunicação precisam deixar o estereótipo de lado e começar a pensar em alguma forma de incluir esse nicho em seu planejamento, pois as marcas precisam de comunicar para que os idosos possam se identificar com a mensagem que está sendo transmitida. É necessário fazer parte da rotina desse público-alvo, em que o principal objetivo das marcas é fazer a diferença na vida dos idosos, visto que segundo o mercado do consumidor, apenas 5% tem identificação com o segmento de vestuários. Quantas marcas estão perdendo oportunidade de negócio em relação a esse a esse grupo?

O público sênior além de ser o que mais cresce, também é o que mais se diversifica e consequentemente estarão mais conectadas e por dentro do que acontece no meio digital. O envelhecimento é inevitável e está cada vez mais próximo da nossa realidade e isso está acontecendo de uma forma que nunca foi imaginado, então cabe as empresas, marcas e agencias o papel de entender quais são suas necessidades, criar empatia e construir um diálogo sólido e fazer parte da vida deles de forma significativa.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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