Representatividade feminina: você conhece o Teste de Bechdel?

É impressão minha ou temos falado cada vez mais sobre mulheres por aqui?

Só por isso, hoje eu tomei a liberdade de sair um pouco da minha área de atuação (Produção de conteúdo e criatividade) para escrever sobre algo que ouvi falar pela primeira vez há pouquíssimo tempo e achei simplesmente fantástico: o Teste de Bechdel, criado para avaliar a representatividade feminina em filmes.

Tudo começou quando, na década de 1980, a cartunista Alison Bechdel, autora de quadrinhos com assuntos considerados tabu para a época, criou uma história que ironizava a forma como a indústria Holywoodiana retratava a mulher no cinema.

Assim surgiram as três ‘‘regrinhas’’ básicas do teste:

O filme deve ter, pelo menos, duas personagens femininas e com nome próprio;

Essas personagens devem conversar entre si;

A conversa pode ser sobre qualquer coisa, desde que não faça menção a um homem.

PARA REFLETIR

Parece fácil, né? Mas acredite: não é! Não é à toa que muitos filmes, mesmo que aparentemente feitos para enaltecer a figura feminina, já reprovaram no teste.

Ah! Não posso esquecer uma coisa: essa avaliação não inclui a qualidade da ficção.

Aliás, eu vejo como uma forma de entregar ao público um alerta. Principalmente se levarmos em consideração que nosso papel em processos de transformação social é fundamental, e isso inclui o que decidimos consumir.

Por exemplo:

De todos os filmes que você já assistiu na vida, quantos retrataram a mulher como uma pobre dama em perigo ou à procura do grande amor? Juro que ainda que eu tivesse 10 mãos, não seria o suficiente para ajudar a fechar essa conta. São muitos, a começar pelos desenhos animados infantis: a princesa que dependia do beijo do príncipe para acordar, a gata borralheira que virou princesa depois de ser escolhida por um príncipe em meio a tantas opções, a sereia que abdicou da vida no mar para viver feliz para sempre com um humano, e por aí vai. (Moana e Elsa, vocês são a nossa esperança!).

Agora, quantos filmes de super-heroínas você já viu?

Quantos filmes baseados em fatos reais de mulheres inspiradoras você já assistiu?

Quantos filmes que falam sobre mulheres têm uma equipe de mulheres por atrás das câmeras, comandando a produção, a maquiagem, o figurino, a fotografia etc.?

É uma reflexão que vale a pena fazer!

SELO BECHDEL

Lembra quando eu falei sobre transformação social? Um quadrinho deu origem a outras ideias, que deu origem a pesquisas e no final das contas, temos aqui uma bela prova da importância da representatividade feminina:

  • Em 2013, Ellen Tejle, diretora de uma sala de cinema em Estocolmo, começou a marcar os cartazes de filmes aprovados no Teste de Bechdel com adesivos personalizados. De quebra, a ideia se espalhou por mais de 10 países.
  • O Brasil foi o primeiro país da America Latina a adotar o selo idealizado por Ellen.
  • Uma pesquisa realizada pela Creative Artists Agency (CAA) e pela empresa de tecnologia Shift7 mostrou que os filmes aprovados no Teste de Bechdel estão lucrando muito mais.

TESTE DO TESTE

Vamos de desafio?

Esses são os trailers de Coisa mais linda, Pantera negra e Como treinar o seu dragão 2, respectivamente.

Se você já viu algum deles, deixa nos comentários: quais seriam aprovados pelo Teste de Bechdel? Se não assistiu nenhum, pode falar de algum outro filme/outra série.

O importante é participar!

Foto: Alison Bechdel / UVM Bored

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