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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Psicólogos são todos iguais, não é mesmo?

Psicólogos são todos iguais, não é mesmo? Errado. Para quem vê de fora a Psicologia é uma só, mas quem respira Psicologia sabe que não é bem assim.

Rafael Delgado

Publicado

em

Psicólogos são todos iguais, não é mesmo? Errado. Para quem vê de fora a Psicologia é uma só, mas quem respira Psicologia sabe que não é bem assim.

Existem tantas “psicologias” quanto existem diferentes formas de enxergar o ser humano. Algumas vão defender que somos inerentemente livres, outras, como a Psicologia Comportamental, vão entender que somos determinados e que a liberdade é uma ilusão.

A Análise do Comportamento, ou Psicologia Comportamental (ou até mesmo Psicologia Experimental) como também é chamada, tem voltado a crescer em popularidade por conta de suas aplicações em diversas áreas como Inteligência Artificial, Machine Learning, Marketing e Gestão de Recursos Humanos por ser uma Psicologia mais experimental e voltada a dados.

Ficou curioso e quer entender do que se trata? Preparamos uma série de 3 artigos para você entender o básico desta ciência.

Para a Análise do Comportamento o objeto de estudo da Psicologia é justamente o Comportamento

A principal diferença entre a Análise do Comportamento e as outras abordagens é como ela define o objeto de estudo da Psicologia. Enquanto a Psicanálise de Freud vai dizer que é o inconsciente, o Behaviorismo (que é a filosofia por trás da análise do comportamento) define como objeto de estudo o comportamento.

Comportamento é mais do que uma simples ação

Mas não se engane. Comportamento para a Análise do Comportamento não é somente aquelas ações que são observáveis por outras pessoas. Comportamento é definido como a relação entre as Respostas do indivíduo e os Estímulos do ambiente, sendo essa interação diretamente observável ou não.

3 conceitos básicos

Estímulos. Um estímulo é toda alteração no ambiente capaz de atingir o organismo, independente da ciência desse organismo sobre esse atingir. Basicamente, quase todo evento ambiental é um estímulo, desde que o organismo seja biologicamente sensível a esse evento.

Os exemplos mostram o quão variados esses estímulos podem ser:

  • Uma luz acessa
  • A fisionomia de alguém
  • Um prato de comida
  • Um choque no braço
  • Uma palavra em um texto

Resposta. Todo tipo de alteração no organismo, podendo ser inata ou adquirida. De forma simples, são as atividades do ser vivo.

Alguns exemplos:

  • Levantar-se
  • Correr
  • Piscar
  • Salivar
  • Falar
  • Imaginar

Ambiente. É o conjunto de estímulos externos e internos que são capazes de influenciar a probabilidade de resposta de um organismo. Isto é: são os eventos ambientais presentes antes da resposta ocorrer e depois da resposta ocorrer.

Comportamento é produzir mudanças e ser transformado com essas mudanças

Comportar-se então, é responder na presença de estímulos, produzir mudanças no ambiente e em última instância ser atingido por essas mudanças. Por isso, dizemos que é muito mais do que uma simples ação. Pensar assim obscurece toda essa complexidade tão própria da nossa relação com o mundo.

Nos próximos artigos

Nos textos seguintes vamos explorar melhor como a Análise do Comportamento nos ajuda a entender, prever e modificar nossos comportamentos. Apresentando novos conceitos e nos aprofundando nesse universo.

See you later ?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Diretor de Marketing na PsicoPUCJr, empreendedor e apaixonado por pessoas. Me interesso por Filosofia, Neurociências, Behaviorismo, Recursos Humanos e Marketing. Graduando em Psicologia na PUC-SP e terapeuta no CAISM.

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Comportamento 3 MIN DE LEITURA

A atualização não deve ser só na voz

O retrato de uma sociedade que assedia sexualmente até mesmo as assistentes virtuais!

Julie Damame

Publicado

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Foto: Austin Distel / Unsplash
​“Criar uma máquina consciente não é parte da história do homem. É a história dos deuses”. A frase é do filme “Ex_Machina: Instinto Artificial”, do diretor Alex Garland.
​Quem aqui já o assistiu?
​Eu o assisti há pouco tempo e, com a mesma sensação do meu último artigo, persisto impressionada em como as transformações tecnológicas desenvolvem novas conjunturas sociais. E outras nem tão inovadoras assim.
Então, para quem ainda não o viu – e contendo alguns spoilers! -, a narrativa do longa-metragem consiste na criação e acompanhamento de robôs humanoides dotados de alta e complexa inteligência artificial. No filme, os robôs foram programados para aparentar e realizar “funções sociais típicas” de uma mulher. Tais como obrigações para com o lar, com a aparência física e até mesmo sexuais.
​O modo como as máquinas são concebidas e o desfecho da trama são realmente surpreendentes (ou previsíveis para alguns, como para minha mãe). De qualquer forma, acredito que valha a pena ser visto. ​No final, fiquei com o mesmo questionamento do princípio: por que os robôs eram representados como mulheres?
​Por ironia do destino, recebi a campanha do movimento “#HeyUpdateMyVoice” (#HeyAtualizeMinhaVoz) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que relata que as assistentes virtuais (Siri, Alexa, Cortana, Robin, entre outras) sofrem assédio. Sim, é exatamente isso que você leu!
​De acordo com a Comissão de Banda Larga da ONU, 73% das mulheres – ao redor do mundo – que estão conectadas, já foram expostas a algum tipo de violência online. E, agora, por mais absurdo que pareça, essa “violência” foi estendida para as assistentes virtuais e suas vozes “femininas”!
​Loucura! A UNESCO prevê que aproximadamente 5% das interações com as assistentes virtuais são explicitamente sexuais. Apenas no caso de “Robin”, assistente pessoal para auxiliar no trânsito, são mais de 300 conversações diárias.
​Não bastasse isso, as declarações e insultos ganham respostas que só reforçam narrativas sexistas. O próprio título do relatório da UNESCO, “Eu coraria, se pudesse” (2019), refere-se a uma das reações dadas pela Siri, quando um homem a xingou: “Siri, você é uma vagabunda!”.
​Outras respostas, igualmente sem assertividade, foram projetadas para a mesma colocação, em 2017: “Oh”; “Agora, agora” e “A tua linguagem!”. Curiosamente, quando as investidas eram proferidas por mulheres, o dispositivo retrucava: “Isso não é simpático”.
​A UNESCO pondera e conclui o relatório da seguinte maneira: “A subserviência das assistentes de voz digital torna-se particularmente preocupante quando estas máquinas – antropomorfizadas como mulheres pelas empresas de tecnologia – dão respostas desviantes, fracas e apologéticas ao abuso sexual verbal. […] (Elas) são prestativas, dóceis e desejosas por agradar, disponíveis através de um simples clique num botão ou com um comando de voz”.
​Ademais, será que estes softwares não reforçam profissões estereotipadas? Ou seja, que funções como ajudante, secretária, são “mais de mulher”?
​Inclusive, a começar pelos nomes. Por exemplo, a origem da palavra “Siri” significa, na mitologia nórdica, “mulher bonita que te leva à vitória” ou “Sophia” que foi a primeira robô humanoide.
​Por isso, retorno e coincido com as indagações quanto ao filme: por que a vasta maioria dos robôs humanoides são “mulheres”?
​Acredito que uma parte foi explicada pela UNESCO.
Contudo, no filme que mencionei no início do texto, o “criador” (Nathan Bateman) do “Ex_Machina”, ambicionava que as humanoides fossem daquele jeito. Como discorre na obra, Nathan queria que elas fossem heterossexuais, que tivessem aptidão sexual e outras características para sua pura satisfação.
​Trazendo para a “vida real”, quem são os principais “criadores”? Ou, quem – em sua maioria – fez o uso com conotação sexual?
​Se as repostas para os dois questionamentos convergirem, significa que o que está errado não é – somente – na falha de programação do sistema. Uma atualização, por mais necessária que seja, não será suficiente.
​A campanha #HeyUpdateMyVoice sabe disso. O objetivo principal do movimento, além de desejar criar um banco de dados com as respostas necessárias e efusivas para os casos de assédios; é a educação da sociedade, contando com as empresas e seus consumidores globais.
​Por fim, o que me impressiona é que, mesmo agora, no “futuro tecnológico do século XXI”, ainda temos que lutar a infindável e exaustiva batalha contra os esteriótipos negativos femininos.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

Publicado

em

Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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