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Comportamento

Psicólogos são todos iguais, não é mesmo?

Psicólogos são todos iguais, não é mesmo? Errado. Para quem vê de fora a Psicologia é uma só, mas quem respira Psicologia sabe que não é bem assim.

Rafael Delgado

Publicado

em

Psicólogos são todos iguais, não é mesmo? Errado. Para quem vê de fora a Psicologia é uma só, mas quem respira Psicologia sabe que não é bem assim.

Existem tantas “psicologias” quanto existem diferentes formas de enxergar o ser humano. Algumas vão defender que somos inerentemente livres, outras, como a Psicologia Comportamental, vão entender que somos determinados e que a liberdade é uma ilusão.

A Análise do Comportamento, ou Psicologia Comportamental (ou até mesmo Psicologia Experimental) como também é chamada, tem voltado a crescer em popularidade por conta de suas aplicações em diversas áreas como Inteligência Artificial, Machine Learning, Marketing e Gestão de Recursos Humanos por ser uma Psicologia mais experimental e voltada a dados.

Ficou curioso e quer entender do que se trata? Preparamos uma série de 3 artigos para você entender o básico desta ciência.

Para a Análise do Comportamento o objeto de estudo da Psicologia é justamente o Comportamento

A principal diferença entre a Análise do Comportamento e as outras abordagens é como ela define o objeto de estudo da Psicologia. Enquanto a Psicanálise de Freud vai dizer que é o inconsciente, o Behaviorismo (que é a filosofia por trás da análise do comportamento) define como objeto de estudo o comportamento.

Comportamento é mais do que uma simples ação

Mas não se engane. Comportamento para a Análise do Comportamento não é somente aquelas ações que são observáveis por outras pessoas. Comportamento é definido como a relação entre as Respostas do indivíduo e os Estímulos do ambiente, sendo essa interação diretamente observável ou não.

3 conceitos básicos

Estímulos. Um estímulo é toda alteração no ambiente capaz de atingir o organismo, independente da ciência desse organismo sobre esse atingir. Basicamente, quase todo evento ambiental é um estímulo, desde que o organismo seja biologicamente sensível a esse evento.

Os exemplos mostram o quão variados esses estímulos podem ser:

  • Uma luz acessa
  • A fisionomia de alguém
  • Um prato de comida
  • Um choque no braço
  • Uma palavra em um texto

Resposta. Todo tipo de alteração no organismo, podendo ser inata ou adquirida. De forma simples, são as atividades do ser vivo.

Alguns exemplos:

  • Levantar-se
  • Correr
  • Piscar
  • Salivar
  • Falar
  • Imaginar

Ambiente. É o conjunto de estímulos externos e internos que são capazes de influenciar a probabilidade de resposta de um organismo. Isto é: são os eventos ambientais presentes antes da resposta ocorrer e depois da resposta ocorrer.

Comportamento é produzir mudanças e ser transformado com essas mudanças

Comportar-se então, é responder na presença de estímulos, produzir mudanças no ambiente e em última instância ser atingido por essas mudanças. Por isso, dizemos que é muito mais do que uma simples ação. Pensar assim obscurece toda essa complexidade tão própria da nossa relação com o mundo.

Nos próximos artigos

Nos textos seguintes vamos explorar melhor como a Análise do Comportamento nos ajuda a entender, prever e modificar nossos comportamentos. Apresentando novos conceitos e nos aprofundando nesse universo.

See you later 😉

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Diretor de Marketing na PsicoPUCJr, empreendedor e apaixonado por pessoas. Me interesso por Filosofia, Neurociências, Behaviorismo, Recursos Humanos e Marketing. Graduando em Psicologia na PUC-SP e terapeuta no CAISM.

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Comportamento

O ponto de Deus: por que ninguém fala de inteligência espiritual?

Ao contrário do quociente intelectual e do quociente emocional, a inteligência espiritual tem sido relegada a segundo plano.

Isabel Franchon

Publicado

em

Foto: Fotosearch

O conceito não é novo, pelo contrário. O livro “QS – Spiritual Quociente”, da física e filósofa norte-americana Danah Zohar em parceria com o psiquiatra Ian Marshal, foi lançado em 2000, portanto há quase 20 anos. Sustentado sobre pesquisas científicas feitas ao longo de uma década nas áreas de neurologia, neuropsicologia e neurolinguística, o livro mostra que o QS é a base para que o QI (Quociente Intelectual) e QE (Quociente Emocional) operem em conjunto, de modo eficiente. Mas o assunto sobre o qual se fala é apenas o QE, ou Inteligência Emocional. Será tabu? Melhor desmistificar.

Espiritual vem do latim spiritualis, que quer dizer, de acordo com Houaiss, “próprio à respiração, relativo ao espírito humano”, portanto, o que dá a vida a um sistema. Ocorre que espiritualidade é confundida com organizações religiosas, sistema de crenças teológicas, opções pessoais. Não se trata de ser agnóstico, ateu, católico, budista ou espírita; trata-se de reconhecer em si a capacidade – ou característica – inerente ao ser humano.

Absolutamente nada contra nenhuma religião ou aceitação de uma realidade metafísica! Apenas um outro enfoque que nos leva a reconhecer essa dimensão interior do ser humano que não vive só para suprir suas necessidades básicas para sobreviver, como os animais. Encontrar um significado, um propósito maior pelo qual viver é natural e nos leva sempre a questionar sobre nossas ações e a buscar uma maneira melhor de executá-las. Mas voltemos às Inteligências. Sim, Inteligências.

No início do século passado, a ideia era a de que o ser humano tinha uma organização neural que permitia pensar de forma lógica e racional – surgiu então o conceito de QI – Quociente de Inteligência, quando testes mediam o nível de inteligência do indivíduo através de qualidades lógicas. Isaac Newton tinha 190; Einstein, 160!

Na prática, no entanto, nem sempre os mais bem-dotados intelectualmente eram os mais competentes para exercerem determinadas funções: gênios tinham, por exemplo, extrema dificuldade para os relacionamentos ou para a vida prática. O conceito de Inteligência Única foi então ampliado para Inteligências Múltiplas (IM) pelo psicólogo e pesquisador americano Howard Gardner, na década de 80, que chegou a oito diferentes habilidades naturais que compunham o conceito. Mais tarde, ampliando para onze.

Foi só em 1995 que o psicólogo Daniel Goleman apresentou o conceito de Quociente Emocional (QE) ou Inteligência Emocional – que dá ao ser humano a capacidade de reconhecer seus sentimentos, lidar com suas emoções e, consequentemente, reconhecer as emoções dos outros criando relações mais saudáveis. E sobre Inteligência Emocional não é preciso falar, porque todo mundo lê, todos os dias, inúmeros artigos sobre o assunto, participa de workshops para aprender a ter IE, discute em grupos. Extremamente importante, sem dúvida!

Voltemos então a falar de QS, a Inteligência que é a base essencial para que todas as outras operem com eficiência – porque vai muito além das capacidades intelectual e emocional ao colocar as ações e experiências num amplo contexto de sentido e valor.

Na década de 90, Vilanu Ramachandran, neurologista, e Michael Persinger, neuropsicólogo, identificaram, através de escaneamentos no cérebro, uma área que se iluminava a cada vez que as discussões giravam em torno de temas espirituais. Nas inúmeras repetições dos testes, identificaram, nas conexões neurais nos lobos temporais, um ponto ligado à necessidade humana na busca do sentido da vida, ao qual chamaram de “o Ponto de Deus”.

Numa sociedade em crise como a nossa, onde o assunto espiritualidade provoca um certo desconforto, vale a pena falar do ponto de vista científico. Segundo Danah Zohar, a Inteligência Espiritual está ligada à nossa necessidade de ter um propósito de vida que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que norteiam nossas ações em sociedade. É uma inteligência que nos impulsiona, que transforma nossa vida deixando-a mais rica e cheia de sentido. E encontrar esse sentido mais amplo, para além da sobrevivência, é uma necessidade que sempre esteve presente na história da humanidade; leva-nos a compreender o “sentido de pertencer”, de fazer parte de algo maior ao ampliar a nossa percepção de que somos todos interligados e interdependentes nesse grande círculo de relações em que vivemos, abarcando também o planeta.

É a nossa Inteligência Espiritual, em maior ou menor grau, que nos faz sair em busca da autoconsciência; desenvolver qualidades baseadas em valores como o amor, a compaixão, a capacidade de perdoar, a tolerância, a paciência, a harmonia, a responsabilidade perante o mundo que nos leva a acreditar nas pessoas; que nos dá capacidade para lidar com as adversidades e a capacidade de ir além dos nossos interesses pessoais ao compartilhar nossas ideias.

Desenvolver a Espiritualidade é apenas usar nossa Inteligência Espiritual para transformar o mundo em um lugar melhor, agindo com base em motivações mais elevadas – tomar atitudes a partir do que temos de melhor, a nossa dimensão interior, a nossa capacidade de reconhecermos nos outros a nossa própria humanidade, aceitando a diversidade e nos movimentando para o bem comum.

O potencial está aí, faz parte de todos nós; o que nos falta é apenas recuperar a consciência de que cada um é responsável por si mesmo. E – devido à nossa conexão espiritual – também por todos.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento

O menino é o pai do homem

Não é viável excluir algum segmento populacional do debate sobre educação sexual, ou restringir os espaços em que ele ocorre.

Paula Akkari

Publicado

em

Foto: Vimeo

Com a incerteza da permanência dos necessários debates sobre educação sexual nos colégios, fui convidada a lembrar de eventos da minha vida escolar. Pincelo alguns deles, com o saber de que os sofrimentos decorrentes deles seriam multiplicados se interseccionados com questões de raça e classe.

(Aviso de gatilho para assédio sexual e questões corporais)

No Ensino Fundamental, os garotos descobriram que meninas tem seus corpos desenvolvidos, sendo cada um único e incompatível com os propagados pela mídia. Mal resolvidos, tentavam organizar a realidade ranqueando a beleza das garotas da sala, xingando as magras, ridicularizando as gordas e espalhando desenhos caricaturescos das remanescentes. Por vezes, se organizavam no corredor do banheiro para passar a mão no corpo das meninas que lá passavam desacompanhadas. Por outras, tiravam em seus Nokias fotos de pares de pernas em shorts, para posterior propagação no MSN.

Mudei de escola no colegial. Não houve repetição dos fatos por ter ocorrido uma atualização deles, proporcionada por aumento de repertório intelectual e disponibilidade de recursos tecnológicos. A moda masculina da época era os meninos divulgarem suas (supostas) experiências sexuais, acrescentando maldizeres a toda e qualquer colega (hipoteticamente) sexualmente ativa. No ambiente virtual, as ações multiplicavam-se inconsequentemente nos aplicativos de mensagens anônimas. Por fim, vale citar o marcante evento “concurso de beleza” no último dia de aula, quando os garanhões saudosos gritavam notas como “gostosa”, “gorda” e “sem sal” para as estudantes arrastadas ao palco.

Havia uma tentativa de justificar as agressões via “hormônios” e “inocência” e a promessa de que “com o tempo elas melhoram”. Além de ser ridículo reduzir manifestações de violências estruturais ao âmbito pessoal, as premissas são empiricamente comprovadas falsas. Uma ilustração recente de suas desonestidades é o fato do sexagenário presidente Jair Bolsonaro ter zombado da aparência física da professora e primeira-dama Brigitte Macron em rede social.

A sugestão machadiana reverbera: “o menino é o pai do homem”. Brás Cubas “cresceu e a família não interveio”, “mereceu desde os cinco anos a alcunha de menino diabo, verdadeiramente não foi outra coisa; foi dos mais malignos de seu tempo”. O resultado não teria como ser diferente da tragédia anunciada.

Não é viável excluir algum segmento populacional do debate sobre questões sociais ou restringir os ambientes em que ele acontece . É necessário persistir na conscientização de que interesses mobilizam os homens a reproduzirem machismos e mostrar que eles produzem consequências negativas inclusive em suas próprias vidas. Até quando eles serão protegidos pela consideração, por tempo indeterminado, de que são “apenas meninos”?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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