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Política

A estratégia Sergio Moro, o efeito Tiririca e o macete do Tinder

Bruna Maldonado

Publicado

em

Neurociência e crítica: como as estratégias políticas podem te ajudar a encontrar um(a) namorado(a)?

Dia 13 de junho foi dia de Santo Antônio, o nosso popular santo casamenteiro! E como manda a regra, milhares de solteiros pulverizaram memes e simpatias em prol da chegada, tão sonhada, de suas almas-gêmeas.

Uma superstição fofa, mas pouco estratégica quando comparada à equação matemática ensinada por Hannah Fry, professora da Universidade College London, no seu livro The Mathematics of Love (A Matemática do amor – ainda sem tradução para o português), que ensina como conquistar um relacionamento em Apps como Tinder, sem precisar colocar o santo de ponta cabeça.

Em parceria com o site norte-americano OkCupid, Hannah analisou profundamente todos os dados e comportamentos dos usuários do Tinder, ao longo destes anos, nos Estados Unidos, a fim de compreender qual seria a  fórmula do “match perfeito”.

Em sua análise Hannah constatou que dentre os 30 milhões de usuários do aplicativo, apenas 5 mil poderiam ser considerados como ‘perfis  campeões’ e (pasmem agora), que esta “nata tinderiana” não é composta pelos bonitões fitness, com belas poses em praias paradisíacas, e sim por candidatos que possuem 50% de rejeição (ou seja, que são arrastados para a esquerda por 50% dos eleitores).

Segundo os dados apresentados pela  OkCupid, os perfis com maior audiência são responsáveis por 70% do sucesso (encontros, namoros e casamentos) dos perfil mais “normaizinhos” (tipo o meu).

Fiquei intrigada ao ler isso, claro, e decidi usar meu pensamento lento-analítico (leia sobre, neste meu outro artigo) para compreender a lógica, e me surpreendi – acompanhe a minha linha de raciocínio:

  1. Fato: os bonitões recebem a maioria dos likes, mantendo-se no “hall dos populares” do App;
  2. Questionamento: como os bonitões do Tinder conseguiriam analisar 100% do potencial de cada like recebido, para decidir com qual conversar? Isso demoraria horas (ou dias, no caso do Sr. Morningstar ♥). Não seria possível;
  3. Compreensão: logo, os fatores ‘ordem de chegada’ e ‘abordagem inicial’ são tão importantes quanto a escolha das fotos;
  4. Questionamento final: o que acontece com os demais interessados que passaram desapercebidos pelos bonitões? Resposta: Darão likes em perfis dos ‘não tão exuberantes’, mas que terão tempo para desenvolver uma conversa (e minimamente avaliar os perfis apresentados), dada a sua menor expressividade no quesito ‘Ibope’.
  5. Conclusão: a probabilidade de um encontro para um perfil mediano é maior que a de um popular. Voilà!

Ou seja, pela teoria apresentada acima, não devemos nos intimidar pela popularidade da concorrência e sim agradecê-los!

SUPERLIKE: O efeito Tiririca na política brasileira

Cargos políticos como os de senador, deputado estadual e deputado federal nem sempre são conquistados pela métrica ‘votos recebidos’. O sistema proporcional de lista aberta, outorgado pela nossa constituição, defende que se um candidato recebe um número maior que o quociente necessário para sua eleição, os votos restantes podem ser repassados a outros candidatos do seu partido ou de partidos coligados.

O quociente eleitoral é calculado com base na quantidade de votos válidos, divididos pelo número de cadeiras no senado, por exemplo. Logo, se houverem 10.000 votos válidos e 10 posições à serem preenchidas, um partido só consegue eleger seu candidato se este quociente individual for alcançado (1.000 votos, neste exemplo); E quando ultrapassado, os votos excedentes podem ser repassados à outros candidatos que, por conta, não conquistaram os postos sozinhos.

No ano de 2010, o humorista cearense Tiririca (PR – Partido Republicano) conquistou a sua primeira vaga na Câmara, como Deputado Estadual de São Paulo, com o marco de 1,3 milhões de votos recebidos. Neste ano o quociente eleitoral foi de um pouco mais de 304 mil votos. O que nos mostra que, além da sua cadeira, o humorista também conquistou o direito a outras três posições que foram ocupadas, por Vanderlei Siraque (PT) e Delegado Protógenes (PC do B). Sabe aquela tese do “bonitão do Tinder”, pois é, também funciona bem no Congresso mas, neste caso, sem o frio na barriga de um match legal.

Por isso é necessário conhecer a fundo a coligação a qual o seu candidato pertence, pois sem perceber você pode estar votando no Tiririca, contudo, elegendo a Florentina (que nem sempre é um “partidão”).

Sergio Moro e Lula: o match do milênio

Avaliar opções não é uma tarefa difícil apenas para os librianos (rs), todo ser humano proprietário de um cérebro passa por este dilema.

Segundo o neurocientista francês Jean-Philippe Lachaux, autor de diversos livros sobre o tema e diretor do Laboratório de Pesquisas Cognitivas do Inserm (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica) em Lyon, o nosso cérebro limita os nossos esforços de comparação tendenciando à desatenção, quando exposto a centenas de opções de matches, por exemplo.

A mesma dificuldade é percebida quando tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo, o que o cientista também defende não ser possível com 100% de atividade cerebral.

A equipe de Lachaux estuda os mecanismos cerebrais que são responsáveis pela nossa atenção, mais especificamente os neurônios envolvidos no processo, incluindo os aspectos químicos e fisiológicos das sinapses.

Os estudos realizados provam que só é possível fazer duas coisas ao mesmo tempo se uma delas for feita de maneira automática pelo nosso cérebro (ou seja, sem 100% do uso da CPU) – como correr em uma esteira ouvindo música.

Porém, ler emails durante uma reunião ou conversar com várias pessoas ao mesmo tempo no Tinder (ações que requerem a alternação de foco e o uso intensivo de nossa máquina pensante), por exemplo, não são possíveis com total atenção, pois contrariam a natureza cerebral e “fragmentam a vida cognitiva”– afirma Jean-Philippe Lachaux.

Para realizar várias tarefas de forma simultânea, que exigem atenção e concentração, o cérebro teria que  ser capaz de utilizar a mesma rede neuronal nas ações, o que é fisiologicamente impossível. Esse é o caso de atividades gerenciadas pelo córtex pré-frontal, como a compreensão de um texto.

Você pode chegar a esta mesma conclusão caso já tenha sido interrompido durante a sua leitura, por uma pergunta de alguém que estava por perto. Das opções de reações você pode ter: 1- Ignorado; 2- Proferido uma resposta automática rápida monossilábica (tipo ‘não’) ou 3- Precisou parar o seu raciocino (…) responder (…) e então reiniciar o seu foco para continuar a ler. É elementar, meu caro Watson!

Se nos dedicarmos a compreender a individualidade da nossa capacidade cerebral de foco, entenderemos como a aceitação do ex-juiz Sergio Moro ao cargo de ministro da Justiça pode jogar muito mais a favor de Lula, do que dele mesmo. Explico:

A atuação de Sergio Moro na operação Lava-Jato foi condecorada com o convite do atual presidente, Jair Bolsonaro, para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, propondo assim um acréscimo de focos à sua atuação – uma vez que nem todos os problemas judiciais do país se resumem aos escândalos “petrobrasilianos”.

Posta a atual situação política do nosso país, fico aqui imaginando como deve ter sido difícil receber as notícias sobre os vazamentos, via The Intercept, durante o momento em que Moro estudava outra pasta judicial – com certeza ele não deu uma resposta monossilábica do tipo “esquerda” e continuou seus afazeres -, não é mesmo?

Neurológicamente, deve estar bem complicado manter o foco em outras ações, principalmente se considerarmos que, ao final do seu mandato, o atual ministro deverá apresentar diversos resultados obtidos, e não apenas um único.

Até o presente momento Sergio Moro está mais para “o bonitão do Tinder”: que com sua popularidade angariou votos para um partido, e que agora não consegue dar total atenção ao seu propósito como um todo (pois ainda está preso às mesmas questões de quando era juiz. Baita dilema).

Desta maneira, a popularidade de Moro e seu limite humano cerebral favorecem o seu antigo réu, o ex-presidente Lula – cuja atividade cerebral está focada exclusivamente em promover a sua defesa, sem ter que se preocupar com outros afazeres –, o que explica a queda de popularidade do ministro, apontada na pesquisa feita pelo instituto Atlas Político, nos últimos dias 11 e 12, após a Vaza Jato…

E talvez também o fato de Lula estar namorando, afinal ele faz parte daqueles 50% de rejeição (que são arrastados para a esquerda por 50% dos eleitores).

Ilustração: Gabriela Yaroslavsky / 140 Design

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Marketeira, Publicitária, Terapêuta e Taróloga. Apaixonada por cachorros, livros de suspense e Marketing Digital.

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Política

Evo Morales e futebol nas buscas e trending topics do domingo

Anúncio da renuncia a presidência movimenta as redes e os buscadores

Redação 140

Publicado

em

Foto: Kremlin / Public Database

Hoje não foi o dia do Lula nas redes sociais e buscadores. Às 19h22 da noite de domingo, uma das cinco palavras/expressões mais buscadas no Google eram Evo Morales, que anunciou há pouco a renúncia à presidência da Bolívia, após uma semana de intensos protestos por todo o país que resultaram na morte de três pessoas e ferimentos em mais de 300. No Google o nome “Evo Morales” apresentava mais de 20 mil buscas.

Já no trending topics do Twitter Bolivia aparece em primeiro lugar, em um dia dominado pelo noticiário esportivo. Nomes como Rodinei e Arão, do Flamengo, e Muriel , do Fluminense, aparecem logo em seguida.

No Google, a liderança por buscas ainda é ocupada pelo futebol, com Athletico do Paraná em primeiro, seguido de Seleção Brasileira e Manchester United, com Evo Morales em quarto.

Evo Morales tem 60 anos; recentemente reelegeu-se pela 4a vez, após 13 anos no poder e conseguir  reduzir a extrema pobreza na Bolívia de 36,7% para 16,8%, em um pais que vem crescendo a taxas de 5% ao ano, e que tem um PIB de US$ 36,7 bilhões por ano.

Morales é indígena, da tribo uru-aimará e ganhou notoriedade como líder sindical dos cocaleros. Aparece sempre vestido de maneira peculiar e elegante, com roupas desenvolvidas pela estilista Beatriz Cando Patiño, principalmente os suéteres, ou “chompa” como são conhecidos na Bolívia.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Política

Bites exclusivo: Lula pode ser candidato em 2022? Veja o que as ruas digitais querem saber

Equipe de análise da BITES, mostra como as quatro forças de apoio ao presidente Jair Bolsonaro estão se reagrupando para enfrentar o PT nas eleições presidenciais de 2022

Redação 140

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Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
A equipe do Jornal 140 publica a integra da analise da BITES enviada hoje à noite por Whatsapp para uma lista reservada dos clientes da consultoria. Veja a seguir.Em abril do ano passado, quando BITES indicou, a partir dos dados digitais, que o segundo turno da eleição ocorreria entre o então candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e um nome do PT a ser indicado por Lula, foram identificados quatro forças de apoio ao atual presidente da República.

Esse contingente era formado por eleitores preocupados com questões de violência e segurança, outros focados na pauta de costumes, aqueles que apostavam na agenda econômica de Paulo Guedes e, por último, os antipetistas.

Logo nos primeiros meses de administração Bolsonaro, os dois primeiros continuaram ao seu lado. Os apoiadores de Guedes entraram em silêncio na espera da aprovação das reformas e os antipetistas acreditavam que tinham cumprido a sua missão.

Hoje, após a saída do ex-presidente Lula da prisão, as quatros forças estão se reagrupando em torno do mesmo objetivo: enfrentar o PT e Lula. O estoque de votos contra os petistas em 2018, materializados em diversas perspectivas de ressentimento, ainda continua muito expressivo.

Logo após o anúncio do STF sobre a prisão em 2ª instância, as buscas no Google Brasil para a palavra-chave “2022” sofreram um aumento expressivo.

E o tema mais procurado envolve detalhes sobre a “lei da ficha limpa”, que proíbe candidaturas de quem foi condenado em duas instâncias. O eleitorado de Lula e os seus críticos querem saber se ele poderá ser o nome da oposição em 2022 contra uma possível reeleição de Bolsonaro.

Os estados nordestinos estão entre aqueles que mais buscam por esse tipo de informação. Uma das principais perguntas ao Google é: “Lula pode se candidatar em 2022?” O interesse nessa expressão cresceu 2.100% nas 2.100%.

No Twitter, entre 8 milhões de post publicados em português até às 19h30 de hoje, Lula aparece em 1,6 milhão. O melhor resultado desde para o ex-presidente nos últimos 12 meses.

E quando combinado com 2022, candidato e eleição o ex-presidente apareceu em 18.487 posts nesse contexto.

Há um significado nessa diferença entre Twitter e o Google. Como o serviço de buscas registra maior volume de consultas, a tendência mostra que muitos eleitores ainda não sabem com certeza se Lula será candidato em 2022.

O histórico de dados do Sistema BITES ao longo de 2018 mostra que Bolsonaro sempre cresceu em número de fãs e seguidores nas redes sociais quando a ameaça de Lula era mais constante.

As curvas do algoritmo de tração da BITES, utilizado para medir a capacidade de um agente criar movimentações dentro da sua rede digital, de Lula e Bolsonaro sempre foram semelhantes. Um crescia em função do outro.

Mas, o presidente da República tem maior vantagem sobre o ex-presidente.

Hoje, Bolsonaro tem 32,2 milhões de aliados digitais nas suas contas oficiais no Facebook, Twiter, Youtube e Instagram contra 6,2 milhões de Lula.

Nos últimos sete dias, Bolsonaro aumentou essa base em 129 mil perfis contra 81.696 de Lula, sendo que 67 mil foram acrescentados nas últimas 24 horas.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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