Por que fazemos o que fazemos?

No texto anterior, introduzindo a análise do comportamento, abordamos questões cruciais definindo conceitos como Estímulo, Resposta e Ambiente.

Agora vamos nos aprofundar nas relações que esses conceitos guardam entre si e como isso nos ajuda a entender e prever nossas ações e dos outros.

O Condicionamento Clássico e o Experimento de Pavlov

Uma forma comum de explicar porque fazemos o que fazemos é olhando para o que aconteceu imediatamente antes. Em uma lógica mecanicista somos seres que Respondem automaticamente a Estímulos e nada mais. A Análise do Comportamento (AC) vai além disso, mas vamos considerar a implicação que essa lógica trás no entendimento das nossas atitudes.

Nascemos dotados de uma série de Reflexos Naturais. Piscamos os olhos quando algo se aproxima rapidamente de nosso rosto e salivamos diante de um prato de comida. Esses reflexos filogenéticos são resultado da história na nossa própria espécie, tendo uma importância grande para nossos antepassados. E damos aos estímulos que eliciam estes Reflexos o nome de Eliciadores Incondicionados, sendo capazes de independente de nossa história de vida de eliciar Reflexos que não controlamos.

A parte interessante está na tendência que possuímos de transformar Estímulos Neutros em Eliciadores Condicionados, também presente nos animais, como revelou Pavlov em seu clássico experimento.

Pavlov apresentava um som (Estímulo Neutro) ao seu cachorro que não emitia nenhuma reação importante, e logo lhe apresentava um pedaço generoso de bife (Eliciador Incondicionado) que este sim gerava uma reação no cachorro, a salivação (Reflexo Incondicionado).

Fazer essa apresentação do som junto à carne repetidas vezes gerou um resultado interessante. Agora, sempre que Pavlov apresentava o som (agora um Eliciador Condicionado), mesmo na ausência da carne, seu cachorro salivava (Reflexo Condicionado).

A este processo damos o nome de Condicionamento Clássico e é capaz de explicar algumas fobias em seres humanos seguindo o mesmo raciocínio.

O ponto central da Análise do Comportamento é a Lei do Reforço

Contudo, apesar de esse modelo explicar boa parte do que fazemos, ainda não é suficiente. Só explica uma parte, dando conta apenas desse controle do que vem imediatamente antes sobre o que fazemos. Mas e as consequências do que fazemos? Como elas explicam nossas ações?

Skinner, fundador do Behaviorismo Radical, descobriu que na verdade o grande motivo do que fazemos está nas consequências que produzimos. Uma criança birrenta não faz birra porque a imagem dos seus pais eliciou esse “reflexo”. E sim, essa criança Responde deste modo porque seus pais dão o que ela quer quando ela assim o faz.

Ao fenômeno em que Respostas que produzem consequências positivas (“birra”) ou removem Estímulos Aversivos (como tomar um remédio para dor e a dor sumir) se tornam mais prováveis de acontecer, damos o nome de Reforçamento. E ao processo damos o nome de Condicionamento Operante.

Isso pode ser traduzido em uma Lei. A Lei do Reforço. Postulando que tudo que fazemos sendo produtor de uma consequência relevante, como desligar uma situação aversiva (agredir alguém que estava te ameaçando) ou produzir uma situação recompensadora (apertar botões no smartphone e uma pizza chegar na sua casa) tem uma chance maior de acontecer no futuro se forem preservadas as situações do passado.

No próximo texto

Até agora demos uma pincelada sobre o que é a Análise do Comportamento e entendemos melhor como ela nos ajuda a compreender os motivos de nossas atitudes. Na próxima publicação iremos avaliar algumas das contribuições que podemos extrair dessa Ciência Comportamental.

See you later 😉

Foto: Toa Heftiba / Unsplash

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