O pouso da Apollo 11 na Lua, triunfo da Ciência e da Educação

Cinquenta anos se passaram desde que os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins pilotaram o primeiro pouso na Lua. Neil Armstrong foi o primeiro ser humano a pisar em outro mundo, no que foi e continua sendo o maior feito científico da história da Humanidade. E mesmo assim, meio século depois, existe uma horda de idiotas que duvida desse feito. Ironicamente, usam outra grande conquista científica (a internet) para espalhar sua ignorância. Negar que a NASA mandou várias missões tripuladas para a Lua no final dos anos 1960 e começo dos 70 é desrespeitar o trabalho de centenas, milhares de mulheres e homens dedicados. Cientistas, engenheiros, mecânicos, técnicos e profissionais de todas as áreas que trabalharam como loucos para atingir essa meta.

O projeto Apollo teve sua origem no esforço tecnológico dos EUA para vencer a Alemanha de Hitler e os países do Eixo. Durante a 2ª Guerra Mundial, o governo americano atraiu talentos do mundo todo para criar novos armamentos que garantissem a vitória dos Aliados. Muitos cientistas que contribuíram para essa corrida armamentista eram refugiados dos países inimigos, especialmente da Alemanha. Grandes gênios como Albert Einstein, Enrico Fermi e John von Neumann e muitos outros eram refugiados do regime nazista. Alguns desses cientistas foram responsáveis pelo Projeto Manhattan, que desenvolveu as primeiras bombas atômicas. Wernher von Braun, que foi o criador dos mísseis nazistas V1 e V2 que arrasaram Londres, é reconhecido como o pai do projeto espacial americano depois da guerra.

Esses cientistas foram o ponto focal para uma transformação no sistema educacional dos Estados Unidos. Depois da guerra, o ensino público americano enfatizou o aprendizado de ciências. Escolas com professores bem remunerados, laboratórios aparelhados, feiras de ciências e toda uma estrutura de apoio para destacar as ciências como essenciais para o desenvolvimento do país. É claro que os “nerds” nunca tiveram o sex appeal dos atletas nas escolas, mas foi nesse sistema educacional que Bill Gates, Steve Jobs, Elon Musk, Mark Zuckerberg e muitos outros homens e mulheres de talento se formaram, e depois forjaram o mundo que vivemos hoje, muito além daquelas salas de aula.

É simplesmente abominável que o cinquentenário do primeiro passo da Humanidade na Lua ocorra em um momento em que as Ciências e a Educação de modo geral estejam tão subestimadas e vilipendiadas. Ao redor do mundo, pessoas ignorantes difundem boatos sem qualquer fundamento negando as árduas conquistas científicas dos últimos séculos. No conforto de seus lares modernos, usam computadores e a internet para afirmar que a Terra é plana, que as vacinas fazem mal para a saúde, que as mudanças climáticas causadas pela nossa civilização são um engodo. E que a chegada da Humanidade à Lua nunca ocorreu de fato, foi apenas uma encenação em algum estúdio de cinema.

Comemorar 50 anos da chegada da espécie humana à Lua é comemorar o talento e a dedicação de um imenso grupo de pessoas apaixonadas pela Ciência. Deveria também ser um protesto contra a ignorância dos tempos atuais, e contra aqueles que acham que a educação é apenas uma despesa na planilha de gastos. Ou apenas uma balbúrdia.

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Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.
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Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.
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