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Aeroespacial 2 MIN DE LEITURA

O pouso da Apollo 11 na Lua, triunfo da Ciência e da Educação

Cinquenta anos se passaram desde que os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins pilotaram o primeiro pouso na Lua.

Sergio Kulpas

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Cinquenta anos se passaram desde que os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins pilotaram o primeiro pouso na Lua. Neil Armstrong foi o primeiro ser humano a pisar em outro mundo, no que foi e continua sendo o maior feito científico da história da Humanidade. E mesmo assim, meio século depois, existe uma horda de idiotas que duvida desse feito. Ironicamente, usam outra grande conquista científica (a internet) para espalhar sua ignorância. Negar que a NASA mandou várias missões tripuladas para a Lua no final dos anos 1960 e começo dos 70 é desrespeitar o trabalho de centenas, milhares de mulheres e homens dedicados. Cientistas, engenheiros, mecânicos, técnicos e profissionais de todas as áreas que trabalharam como loucos para atingir essa meta.

O projeto Apollo teve sua origem no esforço tecnológico dos EUA para vencer a Alemanha de Hitler e os países do Eixo. Durante a 2ª Guerra Mundial, o governo americano atraiu talentos do mundo todo para criar novos armamentos que garantissem a vitória dos Aliados. Muitos cientistas que contribuíram para essa corrida armamentista eram refugiados dos países inimigos, especialmente da Alemanha. Grandes gênios como Albert Einstein, Enrico Fermi e John von Neumann e muitos outros eram refugiados do regime nazista. Alguns desses cientistas foram responsáveis pelo Projeto Manhattan, que desenvolveu as primeiras bombas atômicas. Wernher von Braun, que foi o criador dos mísseis nazistas V1 e V2 que arrasaram Londres, é reconhecido como o pai do projeto espacial americano depois da guerra.

Esses cientistas foram o ponto focal para uma transformação no sistema educacional dos Estados Unidos. Depois da guerra, o ensino público americano enfatizou o aprendizado de ciências. Escolas com professores bem remunerados, laboratórios aparelhados, feiras de ciências e toda uma estrutura de apoio para destacar as ciências como essenciais para o desenvolvimento do país. É claro que os “nerds” nunca tiveram o sex appeal dos atletas nas escolas, mas foi nesse sistema educacional que Bill Gates, Steve Jobs, Elon Musk, Mark Zuckerberg e muitos outros homens e mulheres de talento se formaram, e depois forjaram o mundo que vivemos hoje, muito além daquelas salas de aula.

É simplesmente abominável que o cinquentenário do primeiro passo da Humanidade na Lua ocorra em um momento em que as Ciências e a Educação de modo geral estejam tão subestimadas e vilipendiadas. Ao redor do mundo, pessoas ignorantes difundem boatos sem qualquer fundamento negando as árduas conquistas científicas dos últimos séculos. No conforto de seus lares modernos, usam computadores e a internet para afirmar que a Terra é plana, que as vacinas fazem mal para a saúde, que as mudanças climáticas causadas pela nossa civilização são um engodo. E que a chegada da Humanidade à Lua nunca ocorreu de fato, foi apenas uma encenação em algum estúdio de cinema.

Comemorar 50 anos da chegada da espécie humana à Lua é comemorar o talento e a dedicação de um imenso grupo de pessoas apaixonadas pela Ciência. Deveria também ser um protesto contra a ignorância dos tempos atuais, e contra aqueles que acham que a educação é apenas uma despesa na planilha de gastos. Ou apenas uma balbúrdia.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

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Aeroespacial 1 MIN DE LEITURA

Yutu-2 e o material misterioso no lado oculto da Lua

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser.

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Imagem que mostra a área destacada na cratera. Crédito: CNSA/Clep

No ano passado, a CNSA (Administração Espacial Nacional da China) aterrou com sucesso um módulo de pouso lunar  Chang’e-4 (嫦娥四号), em South Pole-Aitken, a maior e mais profunda bacia da lua, no lado oculto da Lua.

Desde então, um jipe lunar chamado Yutu-2 (玉兔二号, Jade Rabbit-2) estuda a Lua. No mês passado, enquanto trafegava pelo lado oculto da Lua, avistou uma ”substância misteriosa e colorida”. A substância foi descrita como um material semelhante a gel, que parecia completamente diferente em forma, cor e textura do solo lunar circundante.

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser. Os cientistas levaram o Yutu-2 para perto do material, que parece estar localizado no centro de uma cratera. 

O que as imagens mostram?

A explicação mais provável é que um impacto gerou calor suficiente para formar vidro a partir dos minerais espalhados pela superfície lunar, deixando fragmentos para trás. 

Em entrevista ao Space.com, o professor Clive Neal, cientista lunar da Universidade de Notre Dame, disse que embora a foto resultante não seja perfeita, ela ainda pode oferecer pistas sobre a descoberta inesperada. O professor Neal disse que o material encontrado se assemelha a uma amostra de vidro de impacto encontrado durante a missão Apollo 17 em 1972.

O Yutu-2 está silencioso no momento e começará a operar novamente na próxima semana devido a incidência solar.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Aeroespacial 3 MIN DE LEITURA

Cinquenta anos depois da Apollo 11, vivemos todos no mundo da Lua

O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra.

Sergio Kulpas

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O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra. Eles foram os últimos homens a pisar na superfície lunar. Mas o projeto Apollo deixou uma imensa herança científica e social, que está integrada ao cotidiano de todos nós, meio século depois do primeiro pouso na Lua.

O programa espacial americano que levou astronautas para a Lua foi um projeto político, uma resposta da superpotência ocidental ao pioneirismo soviético, que colocou o jovem cosmonauta Yuri Gagarin em órbita da Terra em 1961. No ano seguinte, o presidente americano John F. Kennedy prometeu em discurso que os americanos chegariam à Lua antes do final da década de 1960. Dito e feito.

O mundo da última missão tripulada à Lua era muito diferente daqueles primeiros voos dos anos 1960. Os assassinatos de John Kennedy, Martin Luther King e Bob Kennedy arrasaram com os sonhos da Era de Aquarius e da geração “paz e amor”. As turbulências sociais que varreram o mundo naquele final de década empalideceram o brilho da Lua.

Em 1972, o presidente dos EUA era o republicano Richard Nixon, e o país estava atolado na insana guerra do Vietnã, um conflito que custou a vida de dezenas de milhares de jovens americanos e milhões de vietnamitas. Os recursos destinados a essa guerra foram se tornando cada vez maiores e atenção do público americano estava muito mais concentrada nas notícias sobre seus filhos morrendo na selva de um distante país da Ásia do que em bravos astronautas no vácuo lunar.

Em 1973, a primeira crise do petróleo causou um terremoto no mapa político do mundo, e pode ter sido a pá de cal no programa espacial tripulado da NASA. O último foguete Apollo voou em 1975, para se acoplar em órbita com a nave soviética Soyuz, uma missão colaborativa criada para tentar amenizar a tensão da Guerra Fria. As estações espaciais criadas nos anos 1970, o Skylab americano e a Mir soviética, são crias do projeto Apollo, mas foram projetos relativamente modestos e com orçamentos muito menores do que deveriam ter.

Apesar desse final quase melancólico, o projeto Apollo deixou um legado riquíssimo, que faz parte essencial do mundo que vivemos hoje. As tecnologias desenvolvidas para as missões lunares foram aperfeiçoadas e produzidas em massa nas últimas décadas, e são parte integral de nossas vidas.

Circuitos integrados (chips) minúsculos, GPS, comida desidratada, trajes térmicos usados por bombeiros, velcro, ferramentas portáteis movidas por baterias, sistemas de imagem eletrônica, sistemas de transmissão via satélite, lentes de câmeras e capacetes a prova de riscos, e uma infinidade de outras tecnologias criadas para o projeto lunar estão presentes hoje, e continuam evoluindo.
Como o projeto de missões tripuladas na Lua foi encerrado há 47 anos, esse feito histórico parece ter perdido a relevância. O programa Apollo sempre teve muitas críticas, mesmo em seu apogeu. Foi tachado como propaganda política dos EUA (e era), e mesmo nos EUA o orçamento das missões era considerado um “escândalo” em comparação com outros problemas urgentes nos Estados Unidos na época.

Nos últimos anos, o número de “céticos” sobre a caminhada humana na Lua aumentou exponencialmente. Esses céticos poderiam ser classificados como meros ignorantes, e são. Mas o abandono da exploração lunar, não apenas pelos EUA mas por outros países ricos (incluindo a China) é visto como uma prova de que o ser humano jamais pisou no satélite. Mas mesmo os conspiradores mais radicais não duvidam das missões robotizadas até Marte, e das sondas enviadas aos confins do sistema solar.

Viagens tripuladas para a Lua são empreendimentos caríssimos. A NASA é uma agência pública, financiada com dinheiro dos contribuintes americanos. Só recentemente o setor privado mostrou algum interesse pela exploração do espaço. Bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos têm planos para criar estações orbitais e voos tripulados para a Lua.

Americanos, chineses, indianos e russos podem promover uma nova corrida espacial, com objetivos comerciais – e políticos, como de costume. Mas nada que se aproxime ao cenário imaginado pelo escritor Arthur C. Clarke e o diretor Stanley Kubrick no filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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