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Cultura 4 MIN DE LEITURA

O rei da distribuição da música independente no Brasil

De artista e gravador, começou a investir em distribuição por acaso e para resolver seu próprio problema. Aos poucos tornou-se o dono da maior plataforma nacional de distribuição de musica independente do Brasil, a  Tratore.

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Conheci o Mauricio Bussab por coincidência geográfica: ele morava no andar de cima do meu prédio, na cobertura da rua Barão de Capanema. E que cobertura: adquirido com os bônus conquistados por seu trabalho pioneiro de implantação comercial da Microsoft no Brasil  (comandado pelo primeiro country manager da empresa, o Gregorio Diaz) instalou um estúdio de musica de alta tecnologia e qualidade onde gravava trilhas e CDs de música experimental. Um deles foi de seu conjunto, o Bojo. Houve muitos outros. Lembro um dia de ter encontrado a Maria Alcina no elevador – acho que sua interpretação da canção “O Drama” é uma das mais poderosas da musica brasileira.

De artista e gravador, começou a investir em distribuição por acaso e para resolver seu próprio problema. Aos poucos tornou-se o dono da maior plataforma nacional de distribuição de musica independente do Brasil, a  Tratore. Em um passeio pelo site contei mais de 70 ritmos musicais categorizados – da boa e velha Bossa Nova, passando por pagode, Jovem guarda, ska, jazz e até tecnobrega. Casado com a intelectual Isabelle Décarie, especialista da nova literatura feminina francesa e canadense e pai da Violeta, Mauricio me enviou por email as seguintes respostas, afiadas e inteligentes.

Antes de você ser um bem-sucedido start-up man, você era um bem-sucedido músico de start-up music, com a banda Bojo, de música eletrônica e experimental. Como foi isso?

O Bojo foi uma banda que tinha várias ideias originais. Foi a primeira banda brasileira a lançar um álbum na internet em abril de 1999, foi uma das primeiras a juntar a canção brasileira com a eletrônica, acho que a gente sempre pensou na inovação, na ideia de não repetir as coisas só porque era assim que todo mundo fazia. Acho que é uma característica minha e do outro fundador da banda, Lulu Camargo.

Você acompanhou a derrocada da indústria fonográfica com a chegada de novos modelos peer-to-peer como o Napster e depois o ressurgimento de plataformas de streaming. A sua experiência como um dos primeiros funcionários da Microsoft no Brasil te ajudou nisso?

Sim, na verdade ajudou. Na Microsoft e na indústria de TI em geral a gente vivia sempre num mercado turbulento. A empresa que estava no topo em bancos de dados num ano podia desaparecer no ano seguinte, a empresa que prometia ser a maior do mundo em 1994, que era a Netscape, não entregou nada do que prometia e desapareceu, a própria Microsoft dormiu no ponto e perdeu o bonde, então sempre foi evidente para mim, em primeira pessoa, que esses cenários são móveis, que os modelos mudam, que uma crise serve para filtrar as empresas que estão ineficientes, que uma crise também serve para as pessoas se posicionarem, e que só tem uma constante: tudo muda. Então a gente enxergava a indústria fonográfica e era mais ou menos evidente que uma revolução digital estava a caminho, a gente só não sabia quanto tempo ia demorar.

Quando você decidiu abrir a Tratore?

Em 2002 quando eu tinha dois discos prontos na mão e não tinha quem distribuísse. Na época distribuir era colocar o CD físico na loja e não existia empresa que fizesse isso. Montamos a Tratore para fazer este serviço para os independentes. Foi uma das primeiras a fazer isso com este modelo aberto e includente.

Você imaginava que seria o responsável pela maior operação de distribuição de música independente do Brasil?

Sempre teve concorrência, sempre teve gente abrindo empresas de distribuição, muitas vezes associadas a grupos maiores e mais fortes. Hoje os concorrentes são todos multinacionais, alguns ligados a grupos imensos e a Tratore é a única brasileira no mercado. Não imaginava chegar ao tamanho que chegamos, especialmente vindo de um lado musical, e nunca ter tido a vocação de investidor de sempre querer dobrar o tamanho. Nossa preocupação sempre foi na qualidade do atendimento, em entregar o que prometíamos. Mas claro que ficamos felizes com o resultado.

Há também outros gêneros como poesia, humor, infantil, religioso e entrevistas. O mercado e que te pediu, há demanda, de que tipo?

Esses conteúdos de voz e programas que hoje estão aparecendo nas plataformas como álbuns devem gradativamente se transformar em podcasts. A grande nova fronteira é o podcast. O podcast fora do Brasil é uma explosão, é o que as plataformas de VOD foram para a televisão só que para o rádio. Gradualmente as pessoas estão deixando de ouvir rádio ao vivo e ouvindo seus podcasts preferidos, da mesma forma como aconteceu na televisão. Esta é a grande revolução que vem na mídia de áudio por aí.

Fale da nova operação de licenciamento para cinema, TV e publicidade, a Kiwii.

É um modelo novo que atende ao pessoal que está criando audiovisual de conteúdo, principalmente cinema, séries e youtube. Serve muito bem para este pessoal porque o valor é tabelado e pré-aprovado mas não é formado por trilhas brancas e sim por musica comercial. Não é tão apropriado para a publicidade que normalmente tem orçamentos maiores mas é uma bênção para quem está terminando um curta e precisa de 10 musicas regionais brasileiras de um dia para o outro.

O mundo caminha para ser streaming, assinatura, fremium, grátis …?

Sim, acho que este modelo de áudio com catálogos imensos e pagamento mensal (com a opção de grátis com propaganda) é perfeito. O free supõe que você vai querer ouvir as propagandas entre as músicas e nem todo mundo quer isso. mas acho um modelo ótimo. A tendência agora é o modelo no áudio se estabilizar e ampliar em alcance. Não vejo grandes mudanças revolucionarias como aconteceram nos últimos dez anos mas sim um processo de evolução e ampliação.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Fundador da Art Presse, 140 Online e do Jornal 140, empresário de comunicação, jornalista de formação e digital de paixão. Teve participação fundamental no lançamento da internet banda larga no Brasil em 1999. É autor do livro "Domingo no Sancho" (2018), Amazon Kindle.

Quadrinhos 2 MIN DE LEITURA

Inspector Akane Tsunemori: utopia duvidosa

O anime de ficção científica Psycho-Pass foi adaptado para o mangá e recebeu o nome de Inspector Akane Tsunemori. Confira os motivos pelos quais vale a pena ver e ler.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Psycho-Pass Wiki

Este artigo começa mostrando algo um pouco diferente. Normalmente as resenhas surgem de adaptações do impresso para o audiovisual, principalmente no caso de adaptações cinematográficas. Inspector Akane Tsunemori contraria essa lógica: primeiro surgiu a primeira temporada do anime Psycho-Pass, lançada em outubro de 2012 no Japão, para depois ser adaptado para o mangá, com menos de um mês de diferença, em novembro de 2012. O material impresso recebeu o nome de Inspector Akane Tsunemori, que é o mesmo da protagonista. No Brasil, a Panini Mangá só lançou os seis volumes em 2018.

O mangá corresponde à primeira temporada do anime. Apresenta o abalo do Sistema Sybil, que governa e controla um Japão pacífico e utópico. Sybil monitora todos e decide profissões, namoros e a vida dos que têm o Psycho-Pass baixo e claro. Esse parâmetro é uma análise do estado mental e controle das emoções negativas, como raiva e estresse. Quem tem o Psycho-Pass alto e turvo, é isolado socialmente e considerado como criminoso latente, ou seja, que tem a possibilidade de cometer algum crime. Sim, as pessoas são monitoradas constantemente e presas antes de fazer qualquer coisa.

A partir disso surge uma questão: e se existisse gente que perturbasse a ordem social e que Sybil não conseguisse fazer a leitura adequada do Psycho-Pass? Ou seja, para o sistema, essas pessoas sequer existem. E com a falta de reconhecimento do próprio sistema, acontecem muitas possibilidades de gerar caos. Isso fica para a Agência de Segurança Pública, que funciona como o sistema investigativo e policial, cuidar e desvendar. E é  aí que a protagonista Akane Tsunemori entra. No começo, assim como qualquer pessoa, ela é ingênua e otimista. Conforme o desenrolar do enredo, ela se adapta ao trabalho e mostra o porquê dela ser apta para o cargo de inspetora.

Leves diferenças

O mangá é extremamente fiel ao anime. E com um bônus: os personagens secundários (e bem carismáticos) como Kagari, Sasayama, Masaoka e Ginoza têm seus arcos levemente mais aprofundados e explicados. As referências literárias, filosóficas e históricas permanecem, já que é uma das características marcantes do anime. Diria que há mais referências históricas do que o resto, o que não tira de maneira alguma a característica da obra.

Akane Tsunemori é mostrada sob uma perspectiva mais íntima. Assim como no anime, é possível acompanhar a evolução da personagem como inspetora da Agência. Mas no mangá, os conflitos emocionais de Akane são mais enfatizados. Como é possível endurecer a maneira de agir sem se tornar totalmente fria? O dilema persiste e Akane consegue lidar com isso muito bem, mesmo com os acontecimentos mórbidos. A parceria estranha e levemente paradoxal com Shinya Kogami continua como um dos pontos altos do enredo. Afinal, Kogami é, em partes, o que Akane busca como inspetora: determinado, inteligente e com habilidades acima da média. Mas ela não pode esquecer que ele se tornou um criminoso latente. O limiar entre frieza e raiva extrema é mostrado de forma tênue.

Então, se você gosta de ficção científica, protagonistas femininas fortes e reais, investigação criminal, conflitos políticos e sociais, ação, literatura e filosofia, leia Inspector Akane Tsunemori e veja Psycho-Pass. É uma das raras obras com uma junção realmente boa de todos esses itens.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Televisão 3 MIN DE LEITURA

Roku, a maior plataforma de streaming dos EUA, chega ao Brasil

Conhecida num primeiro momento por ter desenvolvido um dos primeiros tocadores de Netflix do mercado, a Roku reúne diversos provedores de conteúdo, inclusive o Globoplay, que vem crescendo no Brasil com o diferencial de produção de novas séries

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Matthew Anderson, executivo chefe de marketing da Roku.

Em um evento realizado no bairro do Itaim Bibi em S. Paulo, foi anunciada hoje a chegada da Roku ao Brasil, a maior plataforma de streaming dos EUA.

Muitos brasileiros que viajam aos EUA conhecem a Roku por meio de um aparelhinho (player) que é conectado à TV e que permite o acesso a milhares de conteúdos dispostos em sites de vídeo na Internet.

Só que o Roku é muito mais do que isso: é uma plataforma em nuvem que reúne diversos provedores de conteúdos como Netflix, Apple TV, Globoplay, Telecine Play, HBO Go, Spotify, PlayKids, DAZN, Google Play Filmes, e outros e os disponibiliza em um único ambiente. Tecnicamente falando, a Roku é um “agregador”, uma plataforma que funciona como uma grande loja de marcas de conteúdos de vídeo e áudio, algumas gratuitas e outras pagas no modelo de assinatura.

O acesso à plataforma pode ser feito por meio de um pequeno aparelho conectado à TV, ainda não disponível no Brasil, ou por meio de um app que já vem instalado nas SmarTVs. Para inaugurar o serviço no Brasil, a Roku fez um acordo com a AOC e lançou dois aparelhos (32 e 43 polegadas) de SmarTVs no Brasil com a marca Roku TV. Entre as vantagens anunciadas destas TVs estão o controle remoto que traz as logomarcas nos botões, Netflix e Globoplay, por exemplo, e o controle também via app no celular.

O evento de lançamento contou com a participação de Matthew Anderson, executivo chefe de marketing da Roku, Luis Bianchi, diretor de marketing da cia. para a América Latina, Andre Giampaoli Romanon, diretor de marketing e produto da TPV (holding controladora da AOC) e Erick Brêtas, diretor geral do Globoplay, além de Fernando Ramos, diretor-executivo da G2C Globo.

Atualmente a Roku já opera em mais de 20 países, como EUA, Canadá, México e Reino Unido. A empresa tem sede em Los Gatos, California, e começou a sua história sendo uma espécie de “player” (tocador) da Netflix, lançando a primeira geração de aparelhos que conferia “inteligência” aos aparelhos de TV e conectava os usuários via Internet à plataforma da Roku em 2008.

Segundo Matthew Anderson, a Roku é a líder número 1 em streaming nos EUA, seguido da Amazon, Samsung e Playstation. Segundo ele “estamos vivendo a revolução do streaming, da TV conectada” em todo o mundo: foram consumidas 10.3 bilhões de horas de streaming em 2019, média de mais de duas horas por dia. Este ano serão mais de 900 milhões de residências conectadas em todo o mundo e que deve chegar em 2021 a 1 bilhão.

Um diferencial da Roku é a simplicidade de acesso dos usuários ao mundo do streaming (também conhecida como OTT-Over the Top). O sistema foi pensado para atender pessoas de todas as idades, inclusive aquelas que têm dificuldade em acessar o streaming por outros aparelhos e que requer algum conhecimento de conexão e rede, o que restringe pessoas acima de 50 anos. O outro é o preço: um aparelho custa 25 dólares; aqui no Brasil deverá custar entre 100 e 150 Reais, o equivalente ao similar ChromeCast do Google e mais em conta que o aparelho da Apple TV (cerca de 1.099,00 Reais). Por enquanto o acesso à plataforma Roku será exclusivamente por meio da Roku TV (aparelho de TV da AOC).

Segundo Matthew Anderson, a Roku investe intensamente em desenvolvimento de softwares e encoders, de modo a melhorar a experiência do usuário que quer rapidez no acesso e fluidez para assistir ao conteúdo (sem travamento de sinal). São 15 desenvolvedores de software em todo o mundo.

Chamou a atenção no evento a presença do Globoplay, que foi representado por seu diretor-geral Erick Brêtas. O executivo ressaltou a importância da parceria em um momento que o serviço de streaming da Globo tem apresentado a mais alta taxa de crescimento do mercado, segundo ele: 56% no último semestre. “Pretendemos ser o maior provedor de streaming do Brasil em uma década. Para isso, vamos apostar na força da marca Globo, na qualidade das produções e talentos, na produção e aquisição para várias janelas, no alcance das nossas plataformas digitais e, por último, na força de comunicação do grupo”.

A apresentação do Globoplay terminou com a exibição do trailer “Arcanjo Renegado”, que será lançado no próximo dia 7 de fevereiro e de trechos do drama sobrenatural “Desalma” (Nunca Desconfie do Sobrenatural), dirigido por Carlos Manga Junior e estrelado pela atriz Cássia Kiss, ambos presentes no evento.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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