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Esportes

Desrespeito clássico

Quem nunca provocou o amigo após um clássico? Ou foi o provocado, dependendo da fase. Espírito competitivo é saudável caso promova respeito e união.

Jéssica Patrine

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Foto: Itamar Aguiar/ALLSPORTS (FotosPúblicas).

Em qualquer esporte tem competitividade: saber ganhar, perder ou empatar. A rivalidade é inerente em esportes que despertam paixões e possuem torcidas fiéis, como futebol. Quem nunca provocou o amigo após um clássico? Ou foi o provocado, dependendo da fase. Espírito competitivo é saudável caso promova respeito e união.

Tem uma cena (lamentável) que virou tema de conversas na internet e fora após o último clássico gaúcho Internacional x Grêmio, no Beira-Rio, em Porto Alegre: uma mãe e filho gremistas sendo agredidos por um pequeno grupo de torcedores colorados. O fato é até surpreendente, já que não envolve rixa de torcida organizada ou momentos tensos da partida, que inclusive foi 1 x 1. O que mais me incomodou foi a atitude impensada e covarde dos colorados sob a justificativa de que ali não era o lugar apropriado para a mãe e a criança por causa do setor em que estavam. Isso não dá razão em hostilizar outras pessoas, seja verbalmente ou fisicamente. Creio que a mãe tenha levado o menino para ter uma experiência agradável e divertida. Provavelmente eles assistam os jogos pela TV ou ouçam pelo rádio e queriam vivenciar isso ao vivo, sentir a energia. Mas infelizmente, eles se depararam com um tipo bem comum de torcedor: aquele que não sabe dialogar e ignora a importância do coletivo. O diferente é atacado e humilhado, mesmo que o futebol seja feito puramente disso.

Tanto se fala em atrair novamente as pessoas para os estádios, mas essa é uma questão além da elitização do futebol e outros aspectos complexos financeiros e sociais. Não é possível conquistar público diverso se não houver respeito, se um lugar que pode ser visto como festivo é enxergado como perigoso. E é claro que somente medidas repressivas que tentam coibir brigas de maneiras falhas não são capazes de melhorar e apaziguar. Essa mudança de mentalidade precisa ser incentivada constantemente pelos clubes, que não podem parar de promover ações contra qualquer tipo de discriminação e hostilidade. E fomentar esse tipo de cultura não é só dizer vagamente “paz no futebol” ou frases feitas com esse teor. É dar o exemplo por meio dos atletas e dirigentes, mostrar que o intolerável não pode ser aceito de maneira alguma. Estádio é lugar de todos, mas nesse jogo truculento, todos saem perdendo.

 

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Jéssica Patrine é jornalista, nerd, leitora compulsiva e chocólatra. Não para de ouvir música, por isso escreve para o Ré Menor sobre o tema. Gosta de tudo um pouco, mesmo parecendo que não curta nada.

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Esportes

F1 2021: um futuro competitivo e bonito

Os desafios e o futuro da Fórmula 1

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Foto: Fómula 1 / Divulgaçao

A temporada 2019 da F1 está chegando ao fim, mas os olhos de quem comanda a categoria já estão voltados para o futuro. O projeto proposto para o futuro das corridas é, acima de tudo, tornar a competição mais competitiva, sustentável e financeiramente viável.

Aerodinâmica

Atualmente, o arrasto aerodinâmico reduz a força do carro que persegue o adversário em 50%. O conceito para 2021 melhora o fluxo de ar embaixo do carro é derruba a força descendente para 10%. O efeito colateral da mudança aerodinâmica sobrecarregaria os pneus, por isso, a pasta de borracha dos pneus passará de 13 para 18 polegadas.

Motores

Embora os fãs tenham saudades do famoso ronco dos motores, a F1 não pode perder as poucas fornecedoras que ainda tem. Portanto, a manutenção do regulamento com a versão híbrida dos motores é uma realidade que veio para ficar. A FIA não pode caminhar na contramão da indústria automobilística.

Combustível

Com a prática sustentável de não agressão ao meio ambiente, o objetivo da FIA é diminuir a utilização de gasolina e chegar a 100% de combustível sintético até 2025.

Finanças

A F1 busca um regulamento mais rígido para 2021. A FIA deseja que as equipes possam competir com menor investimento, o objetivo é impedir que as grandes equipes superem os pequenos com recursos superiores.

Design

O design conceito para 2021 é de tirar o fôlego. Para merecer um poster no quarto de um fã, é necessário ser esteticamente agradável. Veja o conceito abaixo.

Conceito 1 / F1 / 2021 / Divulgação

Fonte: Grande Prêmio

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Esportes

A Estrela de Davi do Corinthians

Time corintiano faz um golaço ao utilizar a sua plataforma como divulgação de um dos episódios mais tristes da história da civilização moderna, conhecido como a Noite dos Cristais

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Foto de Joe Pregadio (Unsplash).

Ainda que apenas por um dia, hoje, dia 6, a camiseta do Corinthians terá uma imagem especial , a estrela de Davi. Os torcedores poderão percebê-la durante o jogo contra o Fortaleza pelo Campeonato Brasileiro. A ação combinada entre o time, o Museu do Holocausto e a agência Tech and Soul, tem por objetivo lembrar a Noite dos Cristais.

Aqui no Jornal 140 temos observado que os posts que mais polarizam, chamam a atenção e movimentam os ponteiros dos likes e views são provenientes da área política, futebol e celebridades, ou seja, fofoca. Chama a atenção que o Corinthians tenha utilizado a sua imensa plataforma para chamar a atenção dos brasileiros para este assunto, para lembrar a história.

Põe brasileiro nisso. O Corinthians tem a segunda maior torcida de futebol do país, segundo pesquisa do DataFolha de setembro deste ano – 14% dos torcedores brasileiros (o primeiro é o Flamengo, com 20%, e logo em seguida aparecem o São Paulo, com 8%, Palmeiras, com 6%, seguidos de Vasco, Cruzeiro e Grêmio, com 4%).

A religião e o esporte são universos repletos de simbologia. O símbolo traz significados que nos convidam a reflexões sobre o que fazemos individualmente e o nosso papel e responsabilidade na sociedade. E, mais do que isso, são elementos de conexão e transcendência porque um objeto, o símbolo, nos obriga a refletir sobre o mundo exterior e entender a dualidade entre o interno (a consciência sensível) e o externo (a experiência do mundo).

No dia 9 de novembro de 2019, milícias paramilitares alemãs conhecidas como SA (Sturmabteilung, “destacamento tempestade”) em conjunto com adolescentes da juventude hitlerista, atacaram estabelecimentos comerciais, sinagogas e residências de judeus tendo como pretexto o assassinato do diplomata alemão Ernst vom Rath por Herschel Grynspam. É considerada o início do Holocausto porque recebeu a aprovação tácita e imediata dos governantes da Alemanha, liderado por Adolf Hitler.

Foi uma noite de barbárie e caos na até então civilizada Europa. A selvageria começou em Berlim e se estendeu por toda a Alemanha, Áustria e Checoslováquia tendo um total macabro de 91 judeus mortos, 267 sinagogas destruídas, 7.000 lojas e 29 edifícios depredados e detenção de 30 mil judeus em campos de concentração. A Noite dos Cristais (Kristallnacht, em alemão) recebeu também vários outros nomes como “Noite dos Vidros Quebrados” ou “Pogroms de Novembro” (pogrom é uma palavra ídiche que significa perseguição religiosa aprovado pelo estado), por causa dos cacos de vidros que se espalharam pelas cidades.

Foi a partir desta noite fatídica que os judeus de toda a Alemanha foram obrigados a estampar em suas roupas, casas e lojas, a estrela de Davi, como se fossem leprosos ou seres a serem evitados. A antítese da diversidade, a ojeriza ao estranho, ao estrangeiro e ao diferente.

Eu, como são-paulino e profissional de comunicação e marketing, elogio a postura e utilização da plataforma corintiana, golaço do diretor responsável pela brilhante ideia. Genial.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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