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Comportamento

O que é Behaviorismo?

Nos últimos dois textos introduzi alguns conceitos caros ao Behaviorismo enquanto prática e teoria.

Rafael Delgado

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Nos últimos dois textos introduzi alguns conceitos caros ao Behaviorismo enquanto prática e teoria.

O primeiro foi uma introdução ao Behaviorismo e o segundo foi um aprofundamento na teoria comportamentalista.

Agora é interessante entender algumas das contribuições que essa ciência comportamental traz em diversos campos.

Lidando com o comportamento (im) previsível

Uma crítica padrão que se escuta sobre a Análise do Comportamento (AC), a prática científica que deriva da filosofia do Behaviorismo Radical, é que sua proposta de prever e controlar comportamentos é inviável porque o ser humano é de natureza imprevisível.

Hoje a imprevisibilidade reside no não completo acesso a variáveis das quais o comportamento é função, como aquelas que estão sob domínio único e exclusivo da pessoa. E não em propriedades imateriais como a conceituação atual de “mente”, assumindo a existência de processos de pensamento inapreensíveis e impossíveis de ser analisados concretamente, caindo em explicações circulares.

Interessante é observar que os mesmos críticos que marcam a dificuldade de explicar o comportamento das pessoas também tentam explicar o comportamento, apelando, contudo, para ficções explanatórias, adiando a explicação e promovendo a nebulosidade do entendimento sobre nossas atitudes.

A circularidade de raciocínio fica evidente quando se assume propriedades como inteligência para justificar desempenhos diferentes de alunos, por exemplo:

— João fez a prova mais rápido que Caio porque é inteligente” (aqui poderia entrar qualquer outro conceito ou explicação, como “concentra”, “Aptidão privilegiada” ou até mesmo carácteristicas mais elaboradas como “Esquemas de processamento cognitivo”)
— Ok, mas de onde você assumiu que ele é mais inteligente?
— Ora, porque ele fez a tarefa mais rápido
— E porque você acredita que ele é mais rápido?
— Porque ele é mais inteligente/processa melhor as informações/(…)

Fica claro que a necessidade de explicar, por fim, o porquê de João ser mais rápido fica portergada. E é justamente o distanciamento dessa circularidade que a AC busca ao escanear todas as variáveis envolvidas na função orgânica que é nossa relação com o que nos rodeia.

Na clínica e na escola

Uma primeira e óbvia aplicação da AC está na clínica psicológica. Fornecendo modelos de trabalho e formas de entender o adoecimento psicológico, como a Depressão e o TOC, que tem eficiência reconhecida no mundo acadêmico e entre terapeutas.

Assim como na escola, auxiliando professores a eficientemente ajudar seus alunos a adquirem determinadas competências curriculares e a lidar com desvios de conduta.

Contudo, a AC não está restrita a estes microcosmos.

Na administração de Recursos Humanos das organizações

Os conhecimentos que a AC produz sobre a previsão e controle do comportamento são muito bem vindos no setor de Recursos Humanos, especialmente reconhecido o fato de que outras visões e teorias assinalam que o Ser Humano é inerentemente imprevisível — o que a AC demonstra ser bem o oposto.

Em RHs de diversas empresas a AC vem se tornando cada vez mais forte devido suas contribuições, sobretudo sob a alcunha de OBM — Organizational Behavior Management —, um método de trabalho que une Behaviorismo e Análise de Sistemas, fornecendo uma visão estratégica das práticas do RH na medida em que fomenta ações produtivas para o negócio em níveis sistêmicos e individuais.

No fim do dia, o sucesso das empresas está no comportamento bem sucedido dos funcionários de forma harmônica.

Na gestão de Marketing

“Without data you are just another person with an opinion.” — W. Edwards Deming

Em contextos de marketing, a aplicação da AC ainda é subaproveitada, estando periferizada à uma disciplina ultrapassada com contribuições bem particulares.

Em verdade, boa parte do que é transmitido sobre a AC é referente apenas ao condicionamento clássico — conceito desenvolvido no artigo anterior. Ignorando o fato de que o modelo teórico da AC abarca tudo quanto é importante em nível de Marketing. Do comportamento do consumidor à economia comportamental, fornecendo modelos práticos e teóricos para compreender fenômenos como elasticidade e conceitos como Brand Equity.

Assim como o RH tem a OBM, o Marketing tem o BPM — Behavioral Perspective Model. Uma abordagem para entendimento do consumo e de gestão de marketing que contempla as principais contribuições da AC nessa área crítica de qualquer organização.

Outras contribuições: UX, AI/ML, Gestão Pública e Muito mais (…)

Não bastasse todo esse poder que a AC traz nessas áreas citadas anteriormente, estamos também observando uma entrada cada vez mais enérgica da AC em áreas como User Experience, Inteligência Artificial e Machine Learning. Além de fornecer insights interessantes para administradores públicos e outros profissionais de diversas áreas que lidam com o Ser Humano.

O futuro da Análise do Comportamento

De toda sorte, é evidente que o Behaviorismo não é uma “old science” como alguns cognitivistas o querem, e suas contribuições cada vez mais poderosas e até muitas vezes desafiadoras do senso comum continuam a se proliferar assim como cresce numerosamente a atividade na Academia para fomento dessa ciência.

O que veremos no futuro? Não sei. Isso cabe a nós na medida em que aproveitamos todo o potencial dessa forma de entender o comportamento humano em todo seu potencial transformador de nós mesmos e da sociedade.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Diretor de Marketing na PsicoPUCJr, empreendedor e apaixonado por pessoas. Me interesso por Filosofia, Neurociências, Behaviorismo, Recursos Humanos e Marketing. Graduando em Psicologia na PUC-SP e terapeuta no CAISM.

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Comportamento

A conexão humana frente à era tecnológica

Entenda porque tanto se fala da importância das soft skills e o primeiro passo para desenvolvê-las

Publicado

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Foto: Rémi Walle / Unsplash

Após séculos e mais séculos de transformações e revoluções industriais apenas um fator comum de extrema importância permanece o mesmo: o capital humano. Atualmente, apesar do foco dado ao futuro tecnológico com o surgimento da Inteligência Artificial, Machine Learning, Realidade Virtual, IoT (Internet das Coisas) e automação dos processos, as pessoas ainda são as responsáveis por gerenciar essas novas ferramentas e, não podemos esquecer, quem consome o mercado. Principalmente nessa era digital em um mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), além de investir na capacidade dos colaboradores de acompanhar essas mudanças e se reinventar constantemente, as empresas devem prezar pela capacidade de conexão: conexão do indivíduo com ele mesmo, conexão com as pessoas e conexão com o negócio.

Se no surgimento das indústrias contratavam braços, com as revoluções industriais passaram a contratar mentes, agora contratam as pessoas pelo coração. Nunca se falou tanto no termo em inglês muito utilizado pelos RHs de empresas soft skills. Ao contrário do hard skills – competências técnicas – que podem ser aprendidas em uma sala de aula e facilmente avaliadas, o soft skills traduz as habilidades comportamentais como empatia, resiliência, comunicação, resolução de conflitos, tomada de decisão, liderança, entre outras, muito mais difíceis de serem mensuradas e desenvolvidas. Também são conhecidas como people skills (habilidades com pessoas) ou interpersonal skills (habilidades interpessoais), pois estão relacionadas à forma de se relacionar e interagir com as pessoas. São características pessoais que afetam diretamente na produtividade de toda a equipe.

Uma pesquisa da Você S/A revelou que somente 13% das demissões estão associadas às hard skills, enquanto 87% estão relacionadas a questões comportamentais, ou seja, à ausência de soft skills. Outra pesquisa, realizada pela Capgemini em 2017, diz que 60% das organizações estão insatisfeitas com as soft skills de seus colaboradores. O estudo verificou também uma crescente demanda por habilidades específicas entre os 1.250 executivos entrevistados (Capgemini, 2017):

Foco no cliente (65%): qualidade de atendimento e dedicação ao cliente;
Cooperação (64%): capacidade de trabalhar em equipe e assumir tarefas;
Aprendizagem contínua (64%): pensar “fora da caixa”, ou seja, aventurar-se além da zona de conforto para adquirir novos saberes;
Habilidade organizacional (61%): conhecimentos que os líderes devem dominar para lidar com situações complexas na rotina corporativa;
Habilidade de lidar com ambiguidade (56%): ser capaz de conviver com as ambiguidades e transformações inerentes ao meio corporativo é fundamental em um mundo cada vez mais VUCA;
Mindset empreendedor (54%);
Capacidade de promover mudanças (53%).

Está latente a importância do foco em mudança de comportamento. Por isso, é essencial – tanto para empresas quanto para os colaboradores – fazer um mapeamento para descobrir quais são as competências pessoais necessárias em cada cargo e também olhar para o momento e cultura da empresa para depois desenvolvê-las.

Como indivíduo, para identificar as próprias habilidades é preciso trabalhar o autoconhecimento, que pode ser feito de diversas formas como: refletindo sobre suas atitudes, pedindo feedback, por meio de avaliações de perfil comportamental, processos de desenvolvimento pessoal, que ajudam a reconhecer o seu potencial e desenvolvê-lo. Outra maneira é mergulhando em atividades que exijam essas habilidades e praticá-las sempre que surgir oportunidade. Por exemplo, quer praticar sua empatia, escuta ativa e flexibilidade? Procure conversar com pessoas totalmente diferentes de você ou que tenham opiniões contrárias. Faça tudo de forma consciente.

Para ajudar, as soft skills mais requisitadas são: Comunicação e Negociação, Liderança, Controle emocional e Resiliência, Trabalho em equipe, Solução de problemas, Gestão do tempo, Criatividade, Proatividade, Empatia, Pensamento crítico, Confiabilidade e Disposição para ensinar.

E aí? Por onde você pode começar?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento

O particular de cada dia

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos.

Julie Damame

Publicado

em

Foto: Aarón Blanco Tejedor / Unsplash

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos. Não só quanto a nossa essência, subjetiva e/ou egoísta, mas, também, quanto à forma como impactamos – direta ou indiretamente – terceiros. Nossos julgamentos, nossos preconceitos, nossas crenças que, muitas vezes, mitigam/ferem certos grupos sociais. Até mesmo, sem que nós percebamos!

Por exemplo: quando ouvirmos/curtimos músicas com letras ofensivas e discriminatórias! O autor Diogo Silva Manoel, em seu artigo “Música para historiadores: [Re] pensando canção popular como documento e fonte histórica” (2014), conclui que “a canção é uma interlocutora de acontecimentos culturais e sociais no mundo contemporâneo”. Ou seja, quando celebramos ao som de músicas que segregam, inferiorizam ou geram violência, acabamos aceitando ou normalizando esse tipo de comportamento.

Convergindo na mesma ideia, Marcos Napolitano, no livro “História e Música” (2005), teoriza que a música serve como fonte para pesquisa e um recurso didático para o ensino de humanidade em geral (história, sociologia, línguas etc.). Desse modo, tem sido “termômetro, caleidoscópio e espelho não só das mudanças sociais, mas sobretudo das nossas sociabilidades e sensibilidades coletivas mais profundas”.

Particularmente, acredito que a análise social é possível de ser observada em qualquer gênero musical e em qualquer nacionalidade. No entanto, mesmo que a letra incorpore um padrão de comportamento social real, do cotidiano, não significa que este não seja inapropriado.

Igualmente ocorre quando assistimos a certos programas de televisão, filmes e séries. Quantas vezes não foi dado mídia a discursos machistas, misóginos, LGBTQIA+fóbicos ou racistas, até como piada?

            Ou, ainda, quantas vezes vemos personagens/papéis que representam e enaltecem a pluralidade sociocultural e econômica?

As pesquisadoras Claudia Rosa Acevedo, Jouliana Nohara e Carmen Lídia Ramusk, em “Relações raciais na mídia: um estudo no contexto brasileiro”, relatam que “geralmente, as interações entre a população negra e a branca dizem respeito às situações de trabalho ou negócios. Raramente elas estão representadas em ambientes familiares. Além disso, as pesquisas revelam que, na maior parte das vezes, existe um desequilíbrio de poder ou de status socioeconômico na interação entre brancos e negros. Tal desequilíbrio é operacionalizado a partir das diferenças entre vestimentas ou profissões”.

Seguem: “os negros são apresentados com vestimentas mais simples ou em profissões subalternas. Verificou-se também que, quando as interações são mais equilibradas, é mais comum que ocorram entre crianças dos dois grupos raciais ou ainda entre crianças negras e adultos brancos. As pesquisas específicas no contexto da propaganda revelam que são pouco frequentes as cenas em que os dois grupos interagem ou ainda em que o negro é apresentado sozinho ou com outros membros de seu grupo (Bowen & Schmid, 1997; Bristor e col., 1995; Da Silva & Rosemberg, 2008; Hae & Reece, 2003; Taylor e col., 2005; Taylor & Stern, 1997)[…]. De modo geral, os estereótipos são marcados por traços de sensualidade, erotismo, criminalidade e feiura (Chinellato, 1996; Da Silva & Rosemberg, 2008; Pinto, 1987)”.

Isto posto, será que não internalizamos certos comportamentos preconceituosos por conta das representações constantes a que somos submetidos? Influenciando nossas análises, compreensões de mundo, relacionamentos e discursos?

Todos esses questionamentos poderão ser levados como metas para o ano que vem, da mesma maneira que planejamos objetivos profissionais ou amorosos.

Inclusive, entendo que a mudança em nós mesmos seja fundamental para uma sociedade harmônica e progressiva. Pois, o nosso particular tem a capacidade de intervir na existência em si do outro. Todos os dias.

Destarte, devemos repensar atitudes, comportamentos e sistemas de consumo que não se atentam aos direitos humanos e à dignidade de grupos socioculturais e econômicos. Estejamos nós compreendidos a eles ou não.

E, por fim, a palavra fundamental para o sucesso da nossa meta: empatia. Que no fundo, nada mais é que: respeito e compreensão para com o próximo.

É uma palavra muito simples de se dizer, contudo, bastante difícil de se transmutar em atitudes diárias, mas façamos um esforço!

Feliz ano novo! Feliz novo você!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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