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Comportamento 4 MIN DE LEITURA

O que é Behaviorismo?

Nos últimos dois textos introduzi alguns conceitos caros ao Behaviorismo enquanto prática e teoria.

Rafael Delgado

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Nos últimos dois textos introduzi alguns conceitos caros ao Behaviorismo enquanto prática e teoria.

O primeiro foi uma introdução ao Behaviorismo e o segundo foi um aprofundamento na teoria comportamentalista.

Agora é interessante entender algumas das contribuições que essa ciência comportamental traz em diversos campos.

Lidando com o comportamento (im) previsível

Uma crítica padrão que se escuta sobre a Análise do Comportamento (AC), a prática científica que deriva da filosofia do Behaviorismo Radical, é que sua proposta de prever e controlar comportamentos é inviável porque o ser humano é de natureza imprevisível.

Hoje a imprevisibilidade reside no não completo acesso a variáveis das quais o comportamento é função, como aquelas que estão sob domínio único e exclusivo da pessoa. E não em propriedades imateriais como a conceituação atual de “mente”, assumindo a existência de processos de pensamento inapreensíveis e impossíveis de ser analisados concretamente, caindo em explicações circulares.

Interessante é observar que os mesmos críticos que marcam a dificuldade de explicar o comportamento das pessoas também tentam explicar o comportamento, apelando, contudo, para ficções explanatórias, adiando a explicação e promovendo a nebulosidade do entendimento sobre nossas atitudes.

A circularidade de raciocínio fica evidente quando se assume propriedades como inteligência para justificar desempenhos diferentes de alunos, por exemplo:

— João fez a prova mais rápido que Caio porque é inteligente” (aqui poderia entrar qualquer outro conceito ou explicação, como “concentra”, “Aptidão privilegiada” ou até mesmo carácteristicas mais elaboradas como “Esquemas de processamento cognitivo”)
— Ok, mas de onde você assumiu que ele é mais inteligente?
— Ora, porque ele fez a tarefa mais rápido
— E porque você acredita que ele é mais rápido?
— Porque ele é mais inteligente/processa melhor as informações/(…)

Fica claro que a necessidade de explicar, por fim, o porquê de João ser mais rápido fica portergada. E é justamente o distanciamento dessa circularidade que a AC busca ao escanear todas as variáveis envolvidas na função orgânica que é nossa relação com o que nos rodeia.

Na clínica e na escola

Uma primeira e óbvia aplicação da AC está na clínica psicológica. Fornecendo modelos de trabalho e formas de entender o adoecimento psicológico, como a Depressão e o TOC, que tem eficiência reconhecida no mundo acadêmico e entre terapeutas.

Assim como na escola, auxiliando professores a eficientemente ajudar seus alunos a adquirem determinadas competências curriculares e a lidar com desvios de conduta.

Contudo, a AC não está restrita a estes microcosmos.

Na administração de Recursos Humanos das organizações

Os conhecimentos que a AC produz sobre a previsão e controle do comportamento são muito bem vindos no setor de Recursos Humanos, especialmente reconhecido o fato de que outras visões e teorias assinalam que o Ser Humano é inerentemente imprevisível — o que a AC demonstra ser bem o oposto.

Em RHs de diversas empresas a AC vem se tornando cada vez mais forte devido suas contribuições, sobretudo sob a alcunha de OBM — Organizational Behavior Management —, um método de trabalho que une Behaviorismo e Análise de Sistemas, fornecendo uma visão estratégica das práticas do RH na medida em que fomenta ações produtivas para o negócio em níveis sistêmicos e individuais.

No fim do dia, o sucesso das empresas está no comportamento bem sucedido dos funcionários de forma harmônica.

Na gestão de Marketing

“Without data you are just another person with an opinion.” — W. Edwards Deming

Em contextos de marketing, a aplicação da AC ainda é subaproveitada, estando periferizada à uma disciplina ultrapassada com contribuições bem particulares.

Em verdade, boa parte do que é transmitido sobre a AC é referente apenas ao condicionamento clássico — conceito desenvolvido no artigo anterior. Ignorando o fato de que o modelo teórico da AC abarca tudo quanto é importante em nível de Marketing. Do comportamento do consumidor à economia comportamental, fornecendo modelos práticos e teóricos para compreender fenômenos como elasticidade e conceitos como Brand Equity.

Assim como o RH tem a OBM, o Marketing tem o BPM — Behavioral Perspective Model. Uma abordagem para entendimento do consumo e de gestão de marketing que contempla as principais contribuições da AC nessa área crítica de qualquer organização.

Outras contribuições: UX, AI/ML, Gestão Pública e Muito mais (…)

Não bastasse todo esse poder que a AC traz nessas áreas citadas anteriormente, estamos também observando uma entrada cada vez mais enérgica da AC em áreas como User Experience, Inteligência Artificial e Machine Learning. Além de fornecer insights interessantes para administradores públicos e outros profissionais de diversas áreas que lidam com o Ser Humano.

O futuro da Análise do Comportamento

De toda sorte, é evidente que o Behaviorismo não é uma “old science” como alguns cognitivistas o querem, e suas contribuições cada vez mais poderosas e até muitas vezes desafiadoras do senso comum continuam a se proliferar assim como cresce numerosamente a atividade na Academia para fomento dessa ciência.

O que veremos no futuro? Não sei. Isso cabe a nós na medida em que aproveitamos todo o potencial dessa forma de entender o comportamento humano em todo seu potencial transformador de nós mesmos e da sociedade.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Diretor de Marketing na PsicoPUCJr, empreendedor e apaixonado por pessoas. Me interesso por Filosofia, Neurociências, Behaviorismo, Recursos Humanos e Marketing. Graduando em Psicologia na PUC-SP e terapeuta no CAISM.

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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

Publicado

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Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

A polêmica dos corpos reais

Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas.

Paula Akkari

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Foto: Lethu Zimu / Unsplash

No fim de dezembro, os feeds de notícias ficaram saturados pelos compartilhamentos de uma postagem de marca de cosméticos contendo uma mulher negra de biquíni com celulites à mostra.

Apesar de a imagem estar longe de ser original, é relativa novidade que a indústria da beleza se preocupe em divulgar imagens de corpos minimamente coerentes com a realidade. Eis a dinamicidade capitalista: o mercado é adaptável às demandas. Muitos nomes souberam se apropriar do desejo de desconstrução de ideais de aparência vigentes, posição em destaque desde a primavera feminista. Adicionalmente, muitas dessas empresas ganharam visibilidade devido aos elogios segmentos liberais dos movimentos.

Tais concepções, a serviço do capital ou não, refletem a incongruência do real com o (nem tão) antigo modelo estético, inevitavelmente fadado à falência. O que é feito para atrair um nicho consumidor é um dos sintomas da insustentabilidade dos padrões de ser.

Mas, haveria vitórias no microcosmo ou novidades transformadoras de épocas? A representatividade mostra-se insuficiente,  as ficções midiáticas alienantes compõem os processos de subjetivação de todos, sendo especialmente tóxicas para mulheres, pessoas negras, trans, gordas e/ou pobres. Quanto aos costumes relacionados à vaidade, são naturalizadas as mutilações, cirurgias e despesas demasiadas. O processo de gostar da própria imagem não é consequência delas, mas por diversas vias, um alvo cruelmente bombardeado.

Assim, cada episódio empoderador é passível de comemoração. Obviedades, infelizmente não redundantes, devem ser ressaltadas: corpos são de todos os tamanhos e cores; apresentam assimetria, odores, secreções, texturas, gorduras, estrias, celulites, espinhas, manchas, cicatrizes, pelos…

As constituições físicas, em suas autenticidades, são as materialidades no mundo, o intermédio de cada ser com o exterior. A elas devemos todas as experiências sensoriais, cada alimento saboreado, música ouvida, paisagem vista, orgasmo atingido.

Cuidar do corpo é um dos caminhos para a merecida paz com ele. Essa prática, diferente do modista “autocuidado” simpático ao status quo, consiste em promoção de saúde. Exemplos de ações caras são, conforme a viabilidade de cada rotina, dormir uma quantidade de horas diárias próximas a sete, manter a alimentação saudável (incluindo a ingestão do que gosta), entrar em contato com o sol com proteção e praticar atividades físicas – o hábito aumenta a disposição e a imunidade, diminui o estresse, melhora a postura e fortalece as articulações.

Os ambientes virtuais e físicos, ademais, são variáveis relevantes aos encaminhamentos. Nem toda toxidade é evitável, entretanto, vale deletar das redes sociais os perfis que obstaculizam desenvolvimentos e ignorar/rebater falas contraproducentes. Outra benevolência é a evitação ativa de comparações com terceiros – elas nem ao menos fazem sentido, afinal, são entre diferentes sujeitos.

Por fim, vale a reflexão a respeito do tempo e do esforço em encaixar-se em padrões já desmascarados, ou estar bem apesar deles. Como seria mais bela, criativa e simples a vida livre da ditadura em que estamos inseridos. Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas. Pois façamos desde agora.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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