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Música

Não se reprima

Infelizmente, preconceito existe e é um comportamento normalizado, o que faz com que deixamos de pensar e questionar coisas aparentemente corriqueiras.

Jéssica Patrine

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em

Infelizmente, preconceito existe e é um comportamento normalizado, o que faz com que deixamos de pensar e questionar coisas aparentemente corriqueiras. Existem várias maneiras de inferiorizar (e até criminalizar) o outro. E uma das formas mais eficientes é atacar a cultura alheia, como fizeram com o samba, que já foi extremamente marginalizado socialmente. Mas aí deram uma pequena repaginada no instrumental e notaram que poderiam lucrar. Veja bem, cultura não é só o que gostamos. Tampouco só o que é erudito ou acadêmico. A cultura abrange todas as formas artísticas de produção humana. Isso mesmo, todas. Ninguém é superior ou mais inteligente do que o outro por ouvir Chico Buarque ou Caetano Veloso. E claro, ninguém é inferior por curtir funk, forró ou brega. Afinal, todo mundo dança coladinho ou desce até o chão numa festa ou balada, principalmente se está com teor alcoólico alto no corpo. “É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”, como cantam sabiamente Amilcka e Chocolate.

Usar parâmetros imaginários e elitistas para humilhar o gosto musical dos outros é deplorável. E pior ainda é se limitar. Não querer conhecer e ironizar o diferente por birra é tosco. Quer um exemplo claro? Muita gente fala mal da Pabllo Vittar, inclusive usando argumentos LGBTfóbicos. Óbvio que ninguém é obrigado a gostar da drag queen. E nem deve ser. Mas ela foi longe demais de novo: o rapper Emicida a chamou para uma parceria juntamente com o cantor baiano Majur. E dá para ficar ainda mais surpreendente: a música, que se chama “AmarElo”, tem o sample de “Sujeito de Sorte” uma música conhecida do Belchior. É uma mistura altamente improvável que deu certo. A canção é harmoniosa e incrível. Aposto que muitos deixaram de ouvir a música quando leram o nome da Pabllo. O que é uma pena, já que é um dos bons lançamentos deste ano da cena brasileira.

Não adianta tapar os ouvidos: música é mistura. Sempre foi assim e continuará sendo. Por isso, aproveite. Cante, dance, fique na fossa, ouça novas músicas e também as playlists de sempre. Preconceito musical é tao demodê quanto Menudos, ombreiras e mullets. Moda é cíclica, já as ideias errôneas e equivocadas devem acabar logo.

Foto: Brooke Cagle/Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Jéssica Patrine é jornalista, nerd, leitora compulsiva e chocólatra. Não para de ouvir música, por isso escreve para o Ré Menor sobre o tema. Gosta de tudo um pouco, mesmo parecendo que não curta nada.

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Música

Ouça e leia: 5 músicas inspiradas na literatura

Muitos artistas se baseiam em outras obras para ter inspiração para criar. Confira 5 músicas que não existiriam caso não houvesse literatura.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Ed Robertson

A arte é intertextual. Ou seja, utiliza textos e obras de outras pessoas. Obviamente, há várias músicas inspiradas em livros, poemas e contos. Afinal, música e literatura sempre andaram juntas e até se confundem um pouco. Então aqui vai uma pequena lista de cinco músicas de gêneros diferentes que claramente foram inspiradas na literatura:

1. “Ismália”, Emicida feat. Larissa Luz e Fernanda Montenegro

AmarElo, último álbum do Emicida, é um dos melhores lançamentos nacionais neste ano. Isso caso não seja o melhor. Cheio das mais variadas referências, é uma obra incrível. “Ismália” começa com a voz forte de Larissa Luz, o que já causa um efeito impactante. O nome da música vem do poema do simbolista mineiro Alphonsus de Guimaraens. O simbolismo foi um movimento artístico do século XIX marcado pela linguagem fluída e musical, além dos temas como misticismo e morte. A música termina com a declamação de Fernanda Montenegro, que fecha a faixa com chave de ouro.

2. “Resistance”, Muse

“Resistance” é uma faixa do álbum homônimo do Muse, lançado em 2009. A banda britânica é considerada como rock alternativo. Essa faixa, assim como metade do álbum, tem influência direta de “1984”, do George Orwell. O livro é sobre uma realidade distópica em que todos os cidadãos são altamente vigiados pelo governo totalitário. Nem os pensamentos e relações pessoais conseguem escapar da Polícia do Pensamento, uma ferramenta da ditadura imposta pelo Grande Irmão citada na música.

3. “1984”, David Bowie

David Bowie também era um grande fã do livro de George Orwell. Queria fazer um musical baseado na obra, que não aconteceu por causa de uma briga com a ex esposa do escritor, que já havia morrido por causa de tuberculose. Então, ele colocou as músicas no álbum Diamond Dogs, lançado em 1974. A temática do álbum é justamente uma distopia pós-apocalíptica com uma estética bem chamativa e híbrida.

4. ”Lolita”, Kid Abelha

O polêmico livro de Vladimir Nabokov impactou a cultura pop. Ou melhor, a versão cinematográfica de 1962 lançada por Stanley Kubrick foi responsável por criar o imaginário de ninfeta provocadora, o que difere bastante do drama apresentado pelo livro de 1955. A personagem Lolita de Nabokov é completamente diferente da de Kubrick. A música do Kid Abelha, de 1991, segue mais a linha adotada pelo filme.

5. “The Fault in Our Stars”, Troye Sivan

O best-seller de 2012 “A culpa é das estrelas”, de John Green, foi responsável por inspirar uma das primeiras músicas do cantor pop Troye Sivan, que havia escutado o audiobook e decidiu escrever uma música sobre o livro. Assim como ele, vários adolescentes e jovens adultos se apaixonaram e choraram com o romance de Hazel Grace e Augustus Waters, seja lendo o livro ou vendo o filme de 2014.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Música

P!nk: a verdadeira rockstar do Rock In Rio 2019

Cantora pop une vários elementos artísticos e entrega o show mais completo do festival.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Divulgação/Rock In Rio

A edição do Rock In Rio 2019 já acabou. A line-up de rock contou com Red Hot Chili Peppers, Iron Maiden, Bon Jovi, Muse e Capital Inicial, bandas tão recorrentes no festival que dá a impressão de que é sempre a mesma coisa. Então, as novidades do Palco Mundo ficam reservadas para os dias pop. Ainda bem.

Pela primeira vez, a cantora P!nk veio para o Brasil. Famosa no mundo pop por ter um jeito meio rebelde e por ter feito o comercial icônico da Pepsi com Beyoncé, Britney Spears e Enrique Iglesias, ela foi a responsável por trazer o melhor e mais surpreendente show desta edição. Ou talvez desde 2011 para cá, arrisco dizer.

O show incrível faz parte da turnê Beautiful Trauma World Tour. Coreografias acrobáticas e o visual estonteante complementaram a voz maravilhosa e o carisma de P!nk. Era quase impossível não prestar atenção na TV. Muita gente, inclusive eu, duvidou que ela fosse voar sobre a plateia, como divulgado previamente. Ela voou, cantou e ainda deu tchauzinho. Apresentou uma setlist emocionante e cheia de hits para esfregar na cara de todo mundo que desdenhou. Como se isso não fosse suficiente, teve pedido de casamento de dois namorados que são fãs antigos da cantora. O clichê e o inovador se encontraram perfeitamente e proporcionaram uma experiência histórica.

Ainda bem que não é só de rock que vive o Rock In Rio. As performances de cantoras pop trazem espetáculos vistosos, dançantes e emocionantes. Algumas, como a P!nk, têm uma postura mais rock and roll do que muito roqueiro por aí. E nem é só a postura, já que muitas músicas dela são pop rock. Não ficam em uma zona de conforto, se desafiam e vão além do esperado. Não se contentam somente em cantar as músicas famosas, falar que ama os fãs e dizer duas palavras em português. Permanecer na mesmice é um atestado de óbito na carreira de qualquer cantora, já que as mulheres sempre são mais julgadas (e cobradas) no mundo artístico. Não inovar nas apresentações é um privilégio masculino. E não há problema em só fazer isso, desde que tenha capacidade para fazer um bom show, o que nem sempre acontece.

Se você duvida que o show dela foi tudo isso mesmo, antes de terminar o texto, me responda com sinceridade. Daqui a 5, 10 anos, ou mais, quando falarem sobre a edição de 2019, qual show que lembrarão primeiro: o da P!nk ou do Red Hot Chili Peppers?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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