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Comportamento

O que fazemos com o que fizeram de nós?

Jana Corteze

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A eterna necessidade, a busca incessante e alucinada por coisas e situações que nem sabemos se realmente precisamos, se queremos. Mecanicamente, trocamos liberdade por conforto e constantemente nos perguntamos se estamos felizes.

Em todo nosso processo politico, social e tecnológico entendemos e observamos, mesmo que lentamente, o conceito de transformação. Transformações são necessárias, feitas por pessoas buscando determinando interesse e/ou, apontando para determinado objetivo. A forma com que as transformações afetam o meio são inúmeras e de tantas variáveis, gerando efeitos diversos em todos os lugares, em todos as pessoas.

O que vivemos é ação de transformações do mundo, baseado em nossas escolhas, nossa liberdade. Liberdade angustiante, já diria Sartre. Quando surge o homem, pela primeira vez aparece a liberdade. Temos a liberdade de ser ou não ser. Por outro lado, temos angústia, o medo de que possa ou não ser capaz, medo do que vai acontecer. Todo momento é um momento em suspense. Nada é seguro ou certo, nada é previsível com o homem: tudo é imprevisível.

O medo de ser livre diante as transformações é grande, real e cada vez mais potente em um numero maior de pessoas. O mundo dinâmico, a tecnologia do futuro que torna o hoje obsoleto, onde nossas buscas e descobertas nunca são suficientes ou tão atualizadas. Logo, somos de alguma forma, forçados a mudar.

A etimologia da palavra crise, é mudança. Se está sentado de maneira desconfortável, automaticamente seu corpo se movimenta, reorienta e sentada, muda o cruzo das pernas, estica as canelas, nós mudamos. Mesmo não querendo, mesmo se chafurdando na zona de conforto, no espaço e tempo programado, no fácil, mecânico e racional, mudamos. Momentos de paz e riqueza, podem rapidamente ser substituídos por períodos de guerra e medo, se não muda, o mundo muda, as ações são constantes e isso afeta a todos, inclusive essa zona de conforto tão bem vinda.

Essa necessidade constante de atualização, da busca de algo instantâneo que nunca chega, sempre a eterna corrida, uma luta diária e muitas vezes, dolorosa. O homem tem medo de liberdade, mas a liberdade é a única coisa que nos faz humanos.

Assim, se pensar bem, nós somos suicidas – ao destruir nossa liberdade. E com isso, estamos destruindo toda nossa possibilidade de ser. Talvez seja cultural e socialmente construído; estude, estude mais. Trabalhe, mas trabalhe muito e depois, consuma e consuma cada vez mais. Logo, estamos satisfeitos pela segurança do acumulo e sentindo cada vez mais necessidade de tudo mesmo sabendo que se transformou em tão pouco. O pouco, que logo vira vazio e facilmente migra para tristeza e uma culpa enorme de talvez, não ter feito correto, de não ter sido suficiente, de buscar mais estudo, mais trabalho e tornar seu pouco em quase nada.

São escolhas livres do individuo em como lidar com mudanças e situações externas, gerando mudanças internas. É de única e exclusiva liberdade de cada um, direcionar sua vida, fazer escolhas do que fazer e como viver. Por que temos medo de nossas escolhas, medo de viver sem medo.

A liberdade que já era assustadora se torna um aprisionamento em medos, traumas e angustias. A exaustão por ter a breve noção que nada dá certo. Penso que nada dá certo fazendo as mesmas coisas, claro que isso parece frase motivacional de livros que nunca lemos, de autores que sempre citamos, mas ainda é verdade. A angustia da liberdade é a escolha; um sofá retrátil e uma TV 4K ou paz de espírito? Trocar de carro ou dormir tranquilamente sem Rivotril? Se já souber a resposta, e ainda assim, não está feliz, mude as perguntas. O ser humano é consciente. Resta ainda a consciência de sua liberdade e também, consciência de seu medo da liberdade. Na medida que sua consciência cresce, a sua liberdade cresce. Elas são correlacionadas. Seja mais livre e será mais consciente; seja mais consciente e você será mais livre.

Foto: Golconda, do René Magritte

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Jana Corteze, historiadora da arte com formação em Artes Plásticas pela Unesp de Bauru e especialização em Ensino da Arte e Políticas Publicas pelo Instituto de Arte da Unesp de São Paulo. Entusiasta e curiosa por Arte em todas suas linguagens e manifestações; interessada por história, ciência, sociologia nas diversas culturas e seus olhares; leitora, pensadora e professora, sempre fazendo novas perguntas sobre velhas respostas.

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Comportamento

A conexão humana frente à era tecnológica

Entenda porque tanto se fala da importância das soft skills e o primeiro passo para desenvolvê-las

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Foto: Rémi Walle / Unsplash

Após séculos e mais séculos de transformações e revoluções industriais apenas um fator comum de extrema importância permanece o mesmo: o capital humano. Atualmente, apesar do foco dado ao futuro tecnológico com o surgimento da Inteligência Artificial, Machine Learning, Realidade Virtual, IoT (Internet das Coisas) e automação dos processos, as pessoas ainda são as responsáveis por gerenciar essas novas ferramentas e, não podemos esquecer, quem consome o mercado. Principalmente nessa era digital em um mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), além de investir na capacidade dos colaboradores de acompanhar essas mudanças e se reinventar constantemente, as empresas devem prezar pela capacidade de conexão: conexão do indivíduo com ele mesmo, conexão com as pessoas e conexão com o negócio.

Se no surgimento das indústrias contratavam braços, com as revoluções industriais passaram a contratar mentes, agora contratam as pessoas pelo coração. Nunca se falou tanto no termo em inglês muito utilizado pelos RHs de empresas soft skills. Ao contrário do hard skills – competências técnicas – que podem ser aprendidas em uma sala de aula e facilmente avaliadas, o soft skills traduz as habilidades comportamentais como empatia, resiliência, comunicação, resolução de conflitos, tomada de decisão, liderança, entre outras, muito mais difíceis de serem mensuradas e desenvolvidas. Também são conhecidas como people skills (habilidades com pessoas) ou interpersonal skills (habilidades interpessoais), pois estão relacionadas à forma de se relacionar e interagir com as pessoas. São características pessoais que afetam diretamente na produtividade de toda a equipe.

Uma pesquisa da Você S/A revelou que somente 13% das demissões estão associadas às hard skills, enquanto 87% estão relacionadas a questões comportamentais, ou seja, à ausência de soft skills. Outra pesquisa, realizada pela Capgemini em 2017, diz que 60% das organizações estão insatisfeitas com as soft skills de seus colaboradores. O estudo verificou também uma crescente demanda por habilidades específicas entre os 1.250 executivos entrevistados (Capgemini, 2017):

Foco no cliente (65%): qualidade de atendimento e dedicação ao cliente;
Cooperação (64%): capacidade de trabalhar em equipe e assumir tarefas;
Aprendizagem contínua (64%): pensar “fora da caixa”, ou seja, aventurar-se além da zona de conforto para adquirir novos saberes;
Habilidade organizacional (61%): conhecimentos que os líderes devem dominar para lidar com situações complexas na rotina corporativa;
Habilidade de lidar com ambiguidade (56%): ser capaz de conviver com as ambiguidades e transformações inerentes ao meio corporativo é fundamental em um mundo cada vez mais VUCA;
Mindset empreendedor (54%);
Capacidade de promover mudanças (53%).

Está latente a importância do foco em mudança de comportamento. Por isso, é essencial – tanto para empresas quanto para os colaboradores – fazer um mapeamento para descobrir quais são as competências pessoais necessárias em cada cargo e também olhar para o momento e cultura da empresa para depois desenvolvê-las.

Como indivíduo, para identificar as próprias habilidades é preciso trabalhar o autoconhecimento, que pode ser feito de diversas formas como: refletindo sobre suas atitudes, pedindo feedback, por meio de avaliações de perfil comportamental, processos de desenvolvimento pessoal, que ajudam a reconhecer o seu potencial e desenvolvê-lo. Outra maneira é mergulhando em atividades que exijam essas habilidades e praticá-las sempre que surgir oportunidade. Por exemplo, quer praticar sua empatia, escuta ativa e flexibilidade? Procure conversar com pessoas totalmente diferentes de você ou que tenham opiniões contrárias. Faça tudo de forma consciente.

Para ajudar, as soft skills mais requisitadas são: Comunicação e Negociação, Liderança, Controle emocional e Resiliência, Trabalho em equipe, Solução de problemas, Gestão do tempo, Criatividade, Proatividade, Empatia, Pensamento crítico, Confiabilidade e Disposição para ensinar.

E aí? Por onde você pode começar?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento

O particular de cada dia

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos.

Julie Damame

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Foto: Aarón Blanco Tejedor / Unsplash

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos. Não só quanto a nossa essência, subjetiva e/ou egoísta, mas, também, quanto à forma como impactamos – direta ou indiretamente – terceiros. Nossos julgamentos, nossos preconceitos, nossas crenças que, muitas vezes, mitigam/ferem certos grupos sociais. Até mesmo, sem que nós percebamos!

Por exemplo: quando ouvirmos/curtimos músicas com letras ofensivas e discriminatórias! O autor Diogo Silva Manoel, em seu artigo “Música para historiadores: [Re] pensando canção popular como documento e fonte histórica” (2014), conclui que “a canção é uma interlocutora de acontecimentos culturais e sociais no mundo contemporâneo”. Ou seja, quando celebramos ao som de músicas que segregam, inferiorizam ou geram violência, acabamos aceitando ou normalizando esse tipo de comportamento.

Convergindo na mesma ideia, Marcos Napolitano, no livro “História e Música” (2005), teoriza que a música serve como fonte para pesquisa e um recurso didático para o ensino de humanidade em geral (história, sociologia, línguas etc.). Desse modo, tem sido “termômetro, caleidoscópio e espelho não só das mudanças sociais, mas sobretudo das nossas sociabilidades e sensibilidades coletivas mais profundas”.

Particularmente, acredito que a análise social é possível de ser observada em qualquer gênero musical e em qualquer nacionalidade. No entanto, mesmo que a letra incorpore um padrão de comportamento social real, do cotidiano, não significa que este não seja inapropriado.

Igualmente ocorre quando assistimos a certos programas de televisão, filmes e séries. Quantas vezes não foi dado mídia a discursos machistas, misóginos, LGBTQIA+fóbicos ou racistas, até como piada?

            Ou, ainda, quantas vezes vemos personagens/papéis que representam e enaltecem a pluralidade sociocultural e econômica?

As pesquisadoras Claudia Rosa Acevedo, Jouliana Nohara e Carmen Lídia Ramusk, em “Relações raciais na mídia: um estudo no contexto brasileiro”, relatam que “geralmente, as interações entre a população negra e a branca dizem respeito às situações de trabalho ou negócios. Raramente elas estão representadas em ambientes familiares. Além disso, as pesquisas revelam que, na maior parte das vezes, existe um desequilíbrio de poder ou de status socioeconômico na interação entre brancos e negros. Tal desequilíbrio é operacionalizado a partir das diferenças entre vestimentas ou profissões”.

Seguem: “os negros são apresentados com vestimentas mais simples ou em profissões subalternas. Verificou-se também que, quando as interações são mais equilibradas, é mais comum que ocorram entre crianças dos dois grupos raciais ou ainda entre crianças negras e adultos brancos. As pesquisas específicas no contexto da propaganda revelam que são pouco frequentes as cenas em que os dois grupos interagem ou ainda em que o negro é apresentado sozinho ou com outros membros de seu grupo (Bowen & Schmid, 1997; Bristor e col., 1995; Da Silva & Rosemberg, 2008; Hae & Reece, 2003; Taylor e col., 2005; Taylor & Stern, 1997)[…]. De modo geral, os estereótipos são marcados por traços de sensualidade, erotismo, criminalidade e feiura (Chinellato, 1996; Da Silva & Rosemberg, 2008; Pinto, 1987)”.

Isto posto, será que não internalizamos certos comportamentos preconceituosos por conta das representações constantes a que somos submetidos? Influenciando nossas análises, compreensões de mundo, relacionamentos e discursos?

Todos esses questionamentos poderão ser levados como metas para o ano que vem, da mesma maneira que planejamos objetivos profissionais ou amorosos.

Inclusive, entendo que a mudança em nós mesmos seja fundamental para uma sociedade harmônica e progressiva. Pois, o nosso particular tem a capacidade de intervir na existência em si do outro. Todos os dias.

Destarte, devemos repensar atitudes, comportamentos e sistemas de consumo que não se atentam aos direitos humanos e à dignidade de grupos socioculturais e econômicos. Estejamos nós compreendidos a eles ou não.

E, por fim, a palavra fundamental para o sucesso da nossa meta: empatia. Que no fundo, nada mais é que: respeito e compreensão para com o próximo.

É uma palavra muito simples de se dizer, contudo, bastante difícil de se transmutar em atitudes diárias, mas façamos um esforço!

Feliz ano novo! Feliz novo você!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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