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Cultura 2 MIN DE LEITURA

“Years and Years”, muito além de Black Mirror

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O canal HBO acaba de exibir a minissérie “Years and Years”, uma co-produção com a BBC. A série foi criada e escrita por Russell T Davies, um dos maiores “show-runners” da televisão britânica.

Estrelada por Emma Thompson, é uma ficção-científica hiper-realista, que mostra as transformações políticas e sociais no Reino Unido, a partir de 2019 e pelos 15 anos seguintes. A trama gira em torno da família Lyons, que sofre grandes abalos e transformações ao longo da história.

“Years & Years” foi comparada à série “Black Mirror”, também uma produção originalmente inglesa. De fato, há semelhanças entre as produções: são histórias de ficção-científica, que se passam no futuro próximo e onde a tecnologia desempenha um papel muito relevante.

Mas “Years & Years” é uma distopia mais profunda que as especulações pontuais dos episódios de “Black Mirror”. Apesar do destaque para várias tecnologias digitais, o tema central da série é a desumanização progressiva e a escalada da insegurança social ao longo dos anos.

“Years & Years” pinta um cenário onde o populismo de direita se tornou dominante e mais opressor ao redor do mundo. Trump é reeleito logo no primeiro episódio, e a série acompanha a ascensão de Vivienne Rook, magnificamente interpretada por Emma Thompson. Vivienne é uma política racista, xenofóbica, quer que o mundo se exploda. E ganha adeptos justamente por isso. É derrotada nas primeiras tentativas, mas finalmente chega ao poder, ao ser eleita primeira-ministra.

Os Lyons são o retrato da família britânica de classe média, que sofre progressivamente com as restrições impostas pela política. Mais notável que a personagem adolescente que pretende se tornar “trans-humana”, fazendo o “download” de sua consciência para um sistema de computadores, é o fato de bairros inteiros de cidades inglesas serem isolados fisicamente, com cercas e portões, segundo um “mapa da criminalidade” criado pelo governo. Ou os apagões frequentes, apesar das contas altíssimas de energia elétrica.

As visões políticas dentro da família Lyons fazem o contraponto com a escalada populista de Vivienne Rook. Edith, a irmã mais engajada em causas humanitárias é justamente a que mais se empolga inicialmente com Vivienne, considerando-a uma “renovação” no cenário político do país.

A melhor reflexão da narrativa é feita pela avó Muriel Deacon, interpretada pela talentosíssima atriz Anne Reid. Em uma celebração de família marcada pela perda e melancolia, a matriarca da família Lyons aponta o dedo para todos os familiares e para si mesma: as ações egoístas e irresponsáveis de cada um levaram ao estado atual das coisas.

Há muitos detalhes interessantes na série, mas comentá-los aqui seria estragar o prazer de ver uma história bem produzida, bem escrita e bem interpretada.

Na atual “era de ouro” da produção audiovisual, com muitos recursos técnicos e financeiros, é muito interessante ver séries e filmes onde boas ideias e atores talentosos são mais importantes que os efeitos especiais.

Foto: Reprodução / Matt Squire/HBO

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

Séries 2 MIN DE LEITURA

Grace and Frankie: por que você ainda não deu uma chance?

Se você ainda não deu uma chance para Grace and Frankie, essa é a hora. Vem cá, que eu vou te contar um pouquinho sobre a série.

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cena de grace and frankie

Grace and Frankie é uma série de comédia dramática, que estreou em 2015 e conta com as maravilhosas Jane Fonda e Lily Tomlin. Além disso, é original Netflix, e aborda os tabus da terceira idade. Portanto,  no primeiro episódio, quando os personagens são apresentados, conhecemos Grace, uma madame nariz em pé. Mas, em contra partida, temos Frankie, uma hippie que é comédia pura. Os respectivos maridos trabalharam juntos a vida toda e elas são obrigadas a conviver. Até que eles marcam um jantar com as duas, em que elas supoe que será o momento em que os dois vão anunciar a aposentadoria. Entretanto, eles revelam que são amantes há 40 anos e querem pedir o divórcio delas, para que os dois pudessem viver felizes.

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*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Literatura 2 MIN DE LEITURA

Por que ler?

As leituras, tão plurais em gêneros, são, além de formas de entretenimento, ferramentas de formação de saber e senso crítico.

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Foto: Priscilla Du Preez / Unsplash

No dia 15 de setembro de 2017, o escritor Valter Hugo Mãe publicou em seu Facebook a seguinte afirmação: “Antes de ler, a bênção de todo o conhecimento ser possível. Em alguns minutos, posso não ter regresso de uma pessoa subitamente nova.”

É caro seu apontamento de que as leituras, tão plurais em gêneros, são, além de formas de entretenimento, ferramentas de formação e enriquecimento pessoal.

Tal afirmação deveria ser uma obviedade, entretanto, na atual conjuntura, é uma fala condenável: o governo desestimula saberes como os da leitura, seus seguidores sugerem que livros são “esquerdismos”. 6,8% da população brasileira é analfabeta, e o método de ensino de adultos mais eficiente e é considerado “comunista”. Uma ilustração risível deste desserviço quanto ao tema é a fala de Jair Bolsonaro, no dia 03/01/2020, sobre livros didáticos: “os livros hoje em dia, como regra, é um amontoado… Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo.”.

A recusa da leitura não é em todos os casos justificável por alienação devido ao contexto ao qual o sujeito está inserido. Logo, vale ressaltar que ler não é “marxismo cultural”. Seus benefícios não são ideológicos ou moralistas.

Eis cinco consequências que ler propicia:

  • Promoção saúde cerebral: A Universidade Emory considera que a leitura atua como uma atividade física mental que afeta principalmente a memória. Como exemplo, o hábito de previne demências, entre elas, o Mal de Alzheimer;
  • Aumento da capacidade de foco: Diferente de atividades de possível realização enquanto outra é simultaneamente executada, ler é uma atividade que exige concentração. Assim, essa maneira de agir será treinada e transposta para tarefas nas quais atenção é condição para produtividade e qualidade;
  • Enriquecimento linguístico: Ler é uma forma leve de expandir o vocabulário e aprender as regras gramaticais e semânticas. Tais conhecimentos são úteis em qualquer situação de comunicação verbal;
  • Melhora da qualidade do sono: A leitura é uma das atividades indicadas tanto para higiene de sono quanto ocupação durante a insônia – principalmente sob luz amarela e em um ambiente diferente do no qual o sujeito dorme;
  • Promoção de empatia: Ler é contatar cosmos e sentimentos inimagináveis, por vezes, a única maneira de conhecê-los;

Por fim, se há vontade de início ou fortalecimento do hábito de ler, seguem 10 dicas para tal:

  • Leia o que você gosta, não o que você consideraria interessante apreciar. Se não haver prazer ou recompensa imediata, será mais difícil que o hábito faça sentido a curto prazo
    Se você não sabe do que gosta, experimente o máximo de gêneros e estilos possíveis;
  • Também descubra onde você gosta de ler, se é em casa, em um lugar aberto ou em locais onde há trânsito de pessoas;
  • Encaixe o momento da leitura perto do de uma atividade já estabelecida, como depois de almoçar ou antes de dormir;
  • Estipule um tempo crescente para dedicar-se, não uma meta de páginas ou capítulos. A quantidade de leitura não diz sobre a absorção de seu conteúdo;
  • Fique longe do celular. O ter em vista já é um fator de desconcentração;
  • Procure pessoas com quem possa conversar sobre as leituras indicar outras;
  • Pesquise bibliotecas, sebos ou interessados em trocas. Comprar livros novos não é a única alternativa, tampouco a mais inclusiva;
  • Desconsidere comentários que desvalorizem seu interesse;
  • Comemore cada passo.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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