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Política

Jair Bolsonaro: um produto dos algoritmos do Facebook

Rafael Delgado

Publicado

em

Nem é preciso dizer que essa última eleição teve seu resultado influenciado pelas redes sociais. Mas como essas redes virtuais foram capazes de polarizar o discurso e fortalecer atitudes extremistas?

Algoritmos.

A “cuestão” é descobrir como engajar os usuários

Desde o MySpace, sempre tem sido um desafio para os desenvolvedores de redes sociais engajar mais e mais os usuários. Principalmente depois que viu-se ser possível fazer dinheiro no processo.

Notavelmente o Facebook se destacou como uma rede que soube fazer isso como ninguém. Com o propósito de engajar mais os usuários foi desenvolvido um algoritmo de funcionamento simples: usuários que interagem ou demonstram interesses por coisas específicas teriam seu feed modificado e veriam muito mais daquilo e muito menos do que não gostam.

Como resultado, um usuário padrão veria muito mais as postagens das pessoas e páginas que ele gosta, assim como seria visto por pessoas que ele também tem alguma afinidade. Ponto para o Facebook e uma séria questão sociológica, especialmente nos lembrando da enorme necessidade de atenção que as pessoas tem na nossa cultura de consumo.

Todo mundo concorda comigo, “taokei”

Um primeiro desdobramento é que opiniões diferentes da sua vão sumindo do feed e opiniões similares a sua começam a brotar.

A partir daí, seja seu time azul, vermelho ou verde e amarelo, seu Facebook vai se pintando. Claro que no início ainda sobram manchas aqui e alí, mas os comentários que você mais verá serão aqueles em que seus companheiros de time professam as verdades que você provavelmente vai curtir, e curte.

Com o tempo vai parecendo que, como mágica, as pessoas começam a ter opiniões muito parecidas com a sua. Sem refletir a realidade senão aquela que você construiu para si mesmo.

Não importa o que você diga, pareça estar certo e tenha um apelo sentimental

Se sua opinião não for impactante não irá gerar engajamento. Ponto.

Quanto mais apelo emocional melhor. Não importa se para deixar as pessoas com medo, raiva ou ódio você tenha que falar algumas mentiras. Afinal, elas funcionam que é uma beleza.

Funcionam porque te trazem atenção, e como discutido no artigo sobre Behaviorismo, nada fortalece mais um comportamento do que uma consequência reforçadora. Quanto mais extremista você é, independente do campo, maior a chance dos seus se agradarem e maior é seu parâmetro para reforçar seus companheiros.

Triste resultado: fazer barulho é mais importante que fazer sentido. Para que uma batalha de argumentos se uma batalha de egos tem uma audiência maior?

Quem fica em cima do muro toma pedrada dos dois lados

Não é novidade na Psicologia Social que quanto mais você interage com um grupo específico de pessoas mais você aumenta sua similaridade com elas, tanto quanto mais diferente você se torna de grupos externos. Transformando pessoas de contextos distintos parte de um “clubinho” próprio, que ganha ainda mais força quando há um inimigo em comum (o risco é maior quando ele é propositalmente mal definido para fazer com que qualquer um que não seja do seu time, faça parte desse grande grupo que conspira por esse inimigo) e um elemento simbólico de identificação — ainda mais se ele já tem alta circulação e valor social, como a bandeira do brasil. Se você não é do meu time, você só pode ser do outro.

A questão se espinha ainda mais quando a internet já não é mais o suficiente. Pregar para convertidos não é tão divertido quanto tentar eliminar tudo que é diferente de você no mundo lá fora.

Com as eleições, os ânimos se acentuam e o contexto favorece a polarização por conta dos fatores que foram citados. Não à toa já era possível observar o choque entre essas placas tectônicas sociais se aproximando e a cordilheira do ódio desmedido ganhando corpo já no embate Dilma vs. Aécio. Antes se formasse apenas uma montanha, já mais alta do que deveria, como foi a deposição da Dilma. Em verdade, o que estávamos vendo era um vulcão em formação.

Na história já tivemos muitos exemplos do quanto um discurso extremista é aderente em períodos de abalo político e econômico em um país. Mas se antes um discurso de ódio tinha uma propagação lenta e onerosa, agora esse se faz como um vírus. Pior, o discurso evolui em nível de extremismo com velocidade e aceleração muito maiores, até porque os algoritmos o moldam assim.

Pautas de caráter universal passam a ser automaticamente vinculadas a um movimento, a despeito da universalidade. Meio ambiente vira um “assunto de esquerda”, segurança um “assunto de direita” e as figuras políticas se cristalizam em preconcepções que garantem sua popularidade e poder.

Os algoritmos ditam o jogo.

“Tem que mudar isso daí!” (mas só dia sim, dia não)

2018, o vulcão explode. Uma figura que já vinha se popularizando por ter opiniões extremistas, com grupos alimentados por esses algoritmos, atinge sua forma final e passa a utilizar todas as armas possíveis. E funciona.

Uma personalidade de contornos sociopáticos acentuados nas redes tem uma multidão amedrontada e insatisfeita pronta para aceitar esse ou aquele grupo, essa ou aquela pauta como o inimigo em comum. A justiça personificada, desnecessariamente já que ela idealmente nada enxerga, surge oportunamente para ajudar e o povo moldado pelo funcionamento de algoritmos aceita.

Por fim, temos uma pessoa que ironiza a diplomacia, professa absurdos, advoga contra pautas humanitárias e desmoraliza toda uma nação.

Por que? Porque dá audiência e aparecer é poder.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Diretor de Marketing na PsicoPUCJr, empreendedor e apaixonado por pessoas. Me interesso por Filosofia, Neurociências, Behaviorismo, Recursos Humanos e Marketing. Graduando em Psicologia na PUC-SP e terapeuta no CAISM.

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Política

Evo Morales e futebol nas buscas e trending topics do domingo

Anúncio da renuncia a presidência movimenta as redes e os buscadores

Redação 140

Publicado

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Foto: Kremlin / Public Database

Hoje não foi o dia do Lula nas redes sociais e buscadores. Às 19h22 da noite de domingo, uma das cinco palavras/expressões mais buscadas no Google eram Evo Morales, que anunciou há pouco a renúncia à presidência da Bolívia, após uma semana de intensos protestos por todo o país que resultaram na morte de três pessoas e ferimentos em mais de 300. No Google o nome “Evo Morales” apresentava mais de 20 mil buscas.

Já no trending topics do Twitter Bolivia aparece em primeiro lugar, em um dia dominado pelo noticiário esportivo. Nomes como Rodinei e Arão, do Flamengo, e Muriel , do Fluminense, aparecem logo em seguida.

No Google, a liderança por buscas ainda é ocupada pelo futebol, com Athletico do Paraná em primeiro, seguido de Seleção Brasileira e Manchester United, com Evo Morales em quarto.

Evo Morales tem 60 anos; recentemente reelegeu-se pela 4a vez, após 13 anos no poder e conseguir  reduzir a extrema pobreza na Bolívia de 36,7% para 16,8%, em um pais que vem crescendo a taxas de 5% ao ano, e que tem um PIB de US$ 36,7 bilhões por ano.

Morales é indígena, da tribo uru-aimará e ganhou notoriedade como líder sindical dos cocaleros. Aparece sempre vestido de maneira peculiar e elegante, com roupas desenvolvidas pela estilista Beatriz Cando Patiño, principalmente os suéteres, ou “chompa” como são conhecidos na Bolívia.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Política

Bites exclusivo: Lula pode ser candidato em 2022? Veja o que as ruas digitais querem saber

Equipe de análise da BITES, mostra como as quatro forças de apoio ao presidente Jair Bolsonaro estão se reagrupando para enfrentar o PT nas eleições presidenciais de 2022

Redação 140

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Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
A equipe do Jornal 140 publica a integra da analise da BITES enviada hoje à noite por Whatsapp para uma lista reservada dos clientes da consultoria. Veja a seguir.Em abril do ano passado, quando BITES indicou, a partir dos dados digitais, que o segundo turno da eleição ocorreria entre o então candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e um nome do PT a ser indicado por Lula, foram identificados quatro forças de apoio ao atual presidente da República.

Esse contingente era formado por eleitores preocupados com questões de violência e segurança, outros focados na pauta de costumes, aqueles que apostavam na agenda econômica de Paulo Guedes e, por último, os antipetistas.

Logo nos primeiros meses de administração Bolsonaro, os dois primeiros continuaram ao seu lado. Os apoiadores de Guedes entraram em silêncio na espera da aprovação das reformas e os antipetistas acreditavam que tinham cumprido a sua missão.

Hoje, após a saída do ex-presidente Lula da prisão, as quatros forças estão se reagrupando em torno do mesmo objetivo: enfrentar o PT e Lula. O estoque de votos contra os petistas em 2018, materializados em diversas perspectivas de ressentimento, ainda continua muito expressivo.

Logo após o anúncio do STF sobre a prisão em 2ª instância, as buscas no Google Brasil para a palavra-chave “2022” sofreram um aumento expressivo.

E o tema mais procurado envolve detalhes sobre a “lei da ficha limpa”, que proíbe candidaturas de quem foi condenado em duas instâncias. O eleitorado de Lula e os seus críticos querem saber se ele poderá ser o nome da oposição em 2022 contra uma possível reeleição de Bolsonaro.

Os estados nordestinos estão entre aqueles que mais buscam por esse tipo de informação. Uma das principais perguntas ao Google é: “Lula pode se candidatar em 2022?” O interesse nessa expressão cresceu 2.100% nas 2.100%.

No Twitter, entre 8 milhões de post publicados em português até às 19h30 de hoje, Lula aparece em 1,6 milhão. O melhor resultado desde para o ex-presidente nos últimos 12 meses.

E quando combinado com 2022, candidato e eleição o ex-presidente apareceu em 18.487 posts nesse contexto.

Há um significado nessa diferença entre Twitter e o Google. Como o serviço de buscas registra maior volume de consultas, a tendência mostra que muitos eleitores ainda não sabem com certeza se Lula será candidato em 2022.

O histórico de dados do Sistema BITES ao longo de 2018 mostra que Bolsonaro sempre cresceu em número de fãs e seguidores nas redes sociais quando a ameaça de Lula era mais constante.

As curvas do algoritmo de tração da BITES, utilizado para medir a capacidade de um agente criar movimentações dentro da sua rede digital, de Lula e Bolsonaro sempre foram semelhantes. Um crescia em função do outro.

Mas, o presidente da República tem maior vantagem sobre o ex-presidente.

Hoje, Bolsonaro tem 32,2 milhões de aliados digitais nas suas contas oficiais no Facebook, Twiter, Youtube e Instagram contra 6,2 milhões de Lula.

Nos últimos sete dias, Bolsonaro aumentou essa base em 129 mil perfis contra 81.696 de Lula, sendo que 67 mil foram acrescentados nas últimas 24 horas.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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