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Negócios

Um caso de insistência

Tatiana Perez

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em

Esse é um causo real de quando eu voava na companhia aérea do Oriente Médio. Era a minha primeira “reserva” ou plantão, estava super tensa e cheia de expectativa para saber aonde iria. E a mala? Seria com roupa de frio ou calor? Quando o telefone toca: “Tatiana, you have a Bombay flight”. Pensei..nãaao! Era um dos vôos mais temíveis da empresa, os colegas sempre ligavam dizendo que estavam doente, acionando os que estavam de reserva, no caso, eu! Por sorte, era apenas uma amiga tentando me sacanear imitando sotaque árabe! Depois de esclarecido o trote, pensei que eu tinha deixado o telefone ocupado nesse meio tempo e a escala poderia realmente ter me ligado.

Resolvi conferir possíveis mudanças pelo computador, pois era uma época que a empresa estava deseperadamente precisando de funcionários. Os funcionários de uma certa nacionalidade, como que se quisessem dar um recado a empresa, pediram demissão todos de uma vez. Que povinho mais sincronizado!

Eu havia sido escalada para um vôo até Bangladesh naquela noite, um vôo noturno e cansativo. Sem muito o que fazer por lá. Foi quando criei coragem e liguei pro pessoal responsável pela organização das escala:

-Oi, está ocupado, pode falar?
-Oi, fala!
-Hãã…Geralmente vocês são tão busy (ocupados)
-O que?? Somos bitchy?? (cachorros)
-Nãooo.. busy! Hahahah. Hum…estou vendo que tem um vôo pra São Paulo amanhã, quer me colocar pra trabalhar nele?
Super cara-de-pau.
-Não! Mas caso queira vir trabalhar agora, agorinha, sai um vôo para Londres e precisamos de funcionários urgentemente!
-Mas falta gente que fale português nesse vôo pra SP amanhã! Me põe nele, sou brasileira!
-Divirta-se voando pra Bangladesh hoje à noite. Tchau!
-Mas…. eu sou de SP, queria tanto visitar minha família!
-Ok, faz o seguinte, te dou esse Londres, depois um bate e volta pra Doha quando voltar, mais 5 dias de folga e termino com sua reserva, ok?
-Fechou! Obrigada!
-Vou estender o tempo de check-in para você poder se apresentar um pouco mais tarde.

Cheguei no vôo toda errada, fui levada pro avião sozinha e a tripulação toda já havia começado os preparativos em solo. Só me informaram, você já trabalhou na classe executiva né? Como assim, eu sou nova! “Vai trabalhar hoje.”

Logo eu, a mais perdida!

Sem saber bem o que fazer, me deparei com um passageiro mal humorado, voando na sessão da frente do avião. Não pude deixar de reparar, mas ele estava todo surrado, inchado, havia perdido alguns dentes. Ele só pedia por whisky diluído com água para beber a viagem inteira, não conseguia comer nada.

Meu inglês macarrônico da época não me permitiu conversar muito com ele, mas um colega australiano percebeu que algo não estava certo e passou um tempo batendo um papo com ele. Para nossa surpresa, na frente de todos, o passageiro abriu o coração. Ele contou ser dono de uma gravadora em vários países da Africa, um homem aparentemente muito importante. Com os olhos cheios de lágrimas, disse que a esposa deveria estar viajando ao lado dele, estariam comemorando uma data especial e que alguns dias antes do vôo, foram assaltados em casa.

Ela reagiu por instinto ao ver os criminosos chegando perto dele e então, atiraram nela, que não resistiu. Imagine ver quem você ama morrer na sua frente! É o tipo de coisa que você pisca e inclina a cabeça pra ver se entendeu bem, não sabe muito o que falar diante de uma declaração tão dolorosa. Coisa que parece que só acontece em filmes. Ainda bem que meu colega pensou rápido, convidou ele pra dar uma volta no avião, foi na econômica, primeira classe.. deixou ele bem “ocupado” de uma maneira que se distraísse, sempre conversando sobre coisas aleatórias.

No final do vôo, ele pediu desculpas pelo comportamento rude de início e pediu para que cada um de nós escolhesse um perfume da revistinha do duty free a bordo. Escolhi um Issey Miyaki. Você pode estar pensando que não precisávamos aceitar, mas naquela região, é de bom tom aceitar qualquer presente. Ele disse que preferiu viajar, pois ficar em casa sozinho seria pior. E se despediu. Fiquei feliz, pois havíamos conseguido fazer os momentos dele um pouco mais agradáveis.

No vôo de volta eu ainda trabalhei na classe executiva. Dessa vez com um pouco mais de prática. O que não era mau, pois eu nem havia recebido o treinamento oficial!

Passado esse vôo, fui pra Doha. Quando pousamos lá, eu como sempre, num misto de mau compreender o inglês com falta de atenção mesmo, perdi o anúncio da chefe de vôo para nos reunirmos na primeira classe. Pensei que haviam feito o anúncio oferecendo a comida servida naquela cabine, como era de costume. Nem liguei. A chefe me viu logo após e disse:

-Você já pegou seu bônus?
-Bônus…não?
Sem entender nada.
-Ok, havia uma Sheika no avião e ela deixou esse envelopinho para cada comissário.

Que coisa mais amada! Era um envelope escrito “Thank You” e o equivalente a U$ 550. Eu já era fã daquela moça!

Por muito tempo eu pensava que tinha que agradecer a criatura responsável por aquela mudança de escala, e contar sobre os presentes que ganhei. Isso só foi possível uns 5 anos depois, pois ele se lembrou do meu nome quando fui no escritório para pedir um “speech” para o vôo de São Paulo. Esse fica para um outro causo, talvez.

Foto: Free To Use Sounds / Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Tatiana Perez é Tecnóloga em TI e graduada em administração de empresas pela Coventry University, Inglaterra. Apaixonada por inovação, tecnologia e aviação, passou a traduzir artigos acadêmicos e outros materiais da área. Possui vivência internacional de 11 anos entre Emirados Árabes e Indonésia, maior pólo de startups do mundo.

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Empregos

Os donos da hora

Ei você que é frila, leia isso: plataforma que conecta freelancers a empresas dá dicas para empresas e dados sobre este mercado de trabalho

Publicado

em

Foto: Stefan Steinbauer / Unsplash

Que empresa já não contratou um freelancer, quem já não foi “frila” na vida? A redação do Jornal 140 recebeu um material super rico da Workana, plataforma que conecta freelancers a empresas em toda a América Latina.

O mercado de frilas só cresce. Segundo a plataforma, existem mais de 2,5 milhões de profissionais, um total de 880 mil projetos desenvolvidos por estes nobres soldados. E por falar em comunicação em tempos de cólera, as novas gerações não gostam de seguir horários, querem fazer os seus horários – querem flexibilidade: a plataforma identificou que 56% destes profissionais são frilas porque querem ser donos dos seus próprios horários.

Publicamos a seguir diversos itens compartilhados pela comunicação da Workana com a redação do Jornal 140, publicados na íntegra:

Quais são os pontos de atenção?

• Ter claro uma data de início e de finalização de projeto (pelo menos estimada);

• Definir que tipo de entregáveis são esperados (aplicadas ao projeto) e em que condições espera-se receber. Exemplos: código fonte, manual de marcas, editáveis, etc;

• Canal de comunicação: é muito importante manter a comunicação de maneira contínua, estabelecendo horários e modalidades preferidas;

• Apresentação de avances: é importante acordar antecipadamente sobre a frequência e horário que se espera para que o profissional apresente os avances. Isto ajuda a fazer correções ao longo do percurso, se for necessário.

• Demanda por horas para o projeto: mínimo de horas requeridas semanais, se é necessário que trabalhe em um horário específico ou ainda ter um horário comum para responder consultas, atender chat de clientes, recepcionar chamadas, reuniões, etc.

O que já deve estar acordado?

Antes de iniciar a pesquisa, a organização deve realizar um exercício de reflexão e tentar cobrir a maioria dos seguintes requisitos.

• É importante ter um breve resumo do projeto que cubra o que é, o que se espera, como serão alcançados os objetivos, quando e com que orçamento. Este resumo deve ser o mais claro possível, não apenas para ajudar a definir quais perfis são indicados para o projeto, mas também como um documento no qual o cliente e o profissional possam começar a trabalhar.

• Definir se prefere que o projeto seja executado como um projeto fixo, com entregas definidas ou se a modalidade de horas é melhor opção, porque é esperado que se cumpram as tarefas especificadas, as quais podem mudar ao longo de um projeto.

• Material de trabalho: deve ser disponibilizado e definido o material que será entregue ao profissional para levar o projeto adiante, otimizar o tempo e a qualidade do trabalho.

Perguntas frequentes que as empresas realizam para a Workana

As perguntas mais frequentes estão sempre relacionadas com os medos e com as preocupações diante da modalidade de trabalho que ainda desconhecem.

1) Como posso controlar o que faz um freelancer que não se encontra trabalhando de maneira presencial no escritório?

As metodologias de controle podem ser várias, dependendo do tipo de projeto. A primeira metodologia é a comunicação, estabelecer um canal claro e direto com o freelancer é um ponto fundamental. Por sua vez, acordar uma reunião semanal ou quinzenal é recomendável sobretudo para projetos grandes. Outra metodologia de controle são as pré entregas. Programar para receber conteúdos que adiantem a entrega final, ajuda a ter visibilidade do trabalho do freelancer. Isso te possibilita a tomar ações corretivas sobre o andamento e evitar desvios na entrega final ou atrasos no projeto.

2) Se os prazos e objetivos do projeto são cumpridos.

É importante discutir esses pontos em uma reunião inicial com o freelancer. Para ter este ponto bem claro é importante que o cliente já tenha identificado para quando precisa do trabalho e qual é o objetivo e necessidade do mesmo, para poder transmitir ao profissional de forma clara. Cruzar estas informações com as entregas ajudam a otimizar a experiência.

3) Se os profissionais são idôneos para assumir seus projetos.

Neste ponto, é importante ter como parceiro uma plataforma de confiança que faça o intermédio desses contatos, como a Workana. Só assim será possível pedir ajuda caso haja algum problema na entrega do projeto.

4) Como assegurar a qualidade do produto final entregue pelo freelancer.

A qualidade no produto final é composta pela qualidade durante todo o processo, desde ter claro o objetivo do projeto resumido a um briefing, seguido pela seleção do recurso, conhecer o mesmo em uma entrevista e contar de forma clara o objetivo do trabalho.

Uma vez selecionado o recurso, deve-se implementar metodologias de controle e feedback, instâncias parciais de entrega e revisão de resultados com relação ao freelancer e o cliente por um trabalho de qualidade.

5) Como posso proteger as informações que necessito compartilhar com o profissional.

Dependendo do tipo de projeto que está sendo realizado, o profissional que irá executá-lo pode contar com uma informação parcial, ou ter acesso integral a ela. Se houver esta necessidade num projeto, nós da Workana sugerimos que o cliente faça um contrato NDA (Non Disclosure Agreement) para reforçar ao freelancer a importância da confidencialidade no projeto e em seu conteúdo.

6) Se é possível realizar trabalhos de forma presencial.

O core da Workana é o trabalho remoto, já que acessamos o talento através de qualquer zona geográfica de onde se encontra o escritório do cliente. No momento em que limitamos uma determinada zona, a quantidade de profissionais passa a ser menor. Tendo em conta estes pontos, temos feito alguns projetos de forma presencial, nos quais incorremos em contratar um seguro para o freelancer pelos dias em que o projeto está em andamento, sendo os custos do seguro assumidos pelo cliente.

A Workana tem profissionais de diversas formações e especificações. Os principais perfis vão desde habilidades de TI e Programação, Marketing Digital, Design e Multimídia, Redação e Tradução, etc. Mas também temos outras categorias que já nos solicitaram, como engenheiros, especialistas em comunicação, perfis de finanças, equipe de vendas. Os requerimentos foram vários e nossa base é muito boa.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Empreendedorismo

Empreender: como se reinventar e manter o foco na realidade

Vivemos em uma sociedade onde as coisas mudam na velocidade da luz, onde a informação acontece e uma hora depois se torna ultrapassada.

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Foto: You X Ventures / Unsplash

Vivemos em uma sociedade onde as coisas mudam na velocidade da luz, onde a informação acontece e uma hora depois se torna ultrapassada. As empresas se assustam com tanta inovação. E, muitas vezes, se perdem no contexto. Tento levar aos clientes, todos os dias, progresso. Este é o papel da atividade que escolhi e tenho muito orgulho. Acredito que sempre podemos mudar, melhorar e, o principal, cuidar de todo o contexto da empresa sem desprezar a missão e a visão que deram origem ao seu negócio. Independentemente se é um negócio de família, um sonho, ou de outras circunstâncias, a empresa tem que prosperar, de preferência, a um custo baixo ou zero, dependendo das necessidades.

Acredito que temos de proporcionar facilidades e apresentar soluções a curto, médio ou longo prazo, independentemente do tipo de negócio ou da quantia de colaboradores que a empresa tenha e sem desprezar a história de cada um. Tendo em vista o cenário atual, devemos ouvir, compreender e avaliar e, após um diagnóstico, sugerir algo relacionado com a realidade. Entretanto, atualmente o que encontramos são muitos empresários reclamando por vários motivos e sem buscar soluções práticas. Aos longos dos vinte anos de vivência na área de consultoria empresarial, afirmo: as soluções devem ser estudadas e elaboradas individualmente, devemos ter o cuidado de diagnosticar baseado em fatos que condizem com a realidade da empresa.

Renovando os objetivos

Vou partilhar com você a minha própria experiência para que se tenha uma visão ampla. Há quatro anos optei por residir e trabalhar no Norte do país. Nessa época, trabalhava única e exclusivamente com indústria moveleira. Surgiu na época um projeto de dois anos e quando as coisas não saíram como o planejado, precisei me reinventar. Entendi que a minha paixão pessoal, aliada as possibilidades locais, me abriam um leque maior de atuação do que eu poderia imaginar. Passei a atender em três estados, Amazonas, Acre e Rondônia, nos mais diversos segmentos.

Já atendi uma granja de porcos, sem nenhum tipo de conhecimento prévio específico do assunto. No fim das contas, as estruturas das empresas não são tão diferentes quando se imagina. Adaptar técnicas, que já temos domínio podem nos tirar de um mercado já saturado e nos ajudar a reinventar a profissão que vamos seguir nos próximos anos. Também aprendi que a geografia física se tornou obsoleta; hoje  consigo assessorar empresas em outros estados por meio da (facilidade da) comunicação. Com isso vou abrindo mercado em locais jamais planejados. Portanto, reflita, o que está faltando para você se reinventar no mercado? Qual será o seu diferencial?

Acredite no seu negócio e na sua capacidade

Todo esse relato é para comprovar que nosso público está além de nossa imaginação. Independe do produto ou serviço que vendemos ou prestamos, podemos ir além. “Devemos pensar grande”, porém com os pés no chão e com os olhos na realidade. Acredite no seu negócio, ele é único. Apesar de demandar muita ou total dedicação, acredite e siga os passos da realidade econômica, sempre vislumbrando horizontes que irão compor seus ideais. Ler, conversar, partilhar os desempenhos e desejos com pessoas certas, para que consiga atingir o ápice do empreender.

Espero ter acendido em você, empreendedor, uma luz que lhe mostre o quanto somos capazes e estamos no caminho certo.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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