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Comportamento

Aonde foi parar a coragem de dizer o que sentimos?

Raissa Fernanda

Publicado

em

Quando nascemos, ainda pequenos aprendemos aos poucos as sensações novas que o mundo nos proporciona: O cheiro, o toque, o olhar, o “se manter em pé”, as palavras, os números. Tudo muito novo e curioso. A verdade é que com o tempo passamos a aprender como nos encaixar. E com isso, perdemos a essência de quem somos.  Não quero generalizar, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é – Já dizia o sábio cantor Caetano Veloso – então não leve tão a ferro e fogo.

Mas verdade seja dita, quem nunca se perguntou em que momento perdeu a coragem de dizer sinceramente o que sente? Ou o simples: “Não quero, obrigada!” sem seguir da sensação agonizante de explicar o por que não?

A inocência te faz parecer estúpido

Depois de aprender a andar aprendemos a nos portar nos ambientes – normalmente ensinado pelos nossos pais – ainda quando crianças, o que devemos dizer, o que não devemos dizer, na frente de um, na frente de outro. É um processo bem cansativo regado de: “Não’s”. Não faça isso, não faça aquilo, jamais faça isso na frente das pessoas.

Aprendemos a não mentir, mas aprendemos também que algumas mentiras podem trazer benefícios interessantes.

Vira e mexe, vemos crianças falar o que pensam e achamos o máximo – Maisa que o diga –  A inocência de uma criança a permite se expressar sem julgamento externo. Mas quando adultos, se utiliza dessa inocência para se expressar, parecemos estúpidos(grosseiros) aos olhos de quem escuta. E devido essa rejeição passamos a ter ‘medo’ de simplesmente dizer o que pensamos.

“Eu não sei dizer não”

Ouço essa frase com demasiada frequência de amigos e conhecidos e muitas vezes(quase sempre) de mim mesma. Acontece que as pessoas associam a expressão dos seus sentimentos à algo relacionado à grosseria. A verdade é que quando você abre mão de dizer o que pensa, você deixa de dar à outra pessoa a oportunidade de entender o que você pensa a respeito daquilo e mais, de entender como ela é interpretada. Vamos a um exemplo clássico:

  • Você está repleto de papelada de trabalho para resolver;
  • Seu chefe te pede para assumir um projeto;
  • Você sabe que não vai dar conta, mas resolve assumir. Afinal, o que ele vai pensar se você disser que não? E se ele te achar preguiçoso?;

Resultado: Você não dá conta, adoece. E seu chefe perde a chance de alocar a tarefa a outra pessoa e mais, saber que a demanda atual que você está assumindo está muito alta e te apoiar.

Claro que, estou usando um exemplo corporativo, mas podemos enxergar esse movimento acontecer em diversas áreas das nossas vidas. Nos relacionamentos, nas amizades, na família e mais.

E se as pessoas não aceitarem o que eu penso

A verdade é que alguém sempre vai recusar, pensar diferente, o mundo é feito disso afinal. Pessoas, opiniões. Agora nesse exato momento – por exemplo – você está lendo a minha. E pode ser que nem concorde. E tudo bem também, certo?

Entenda que quando digo sobre falar o que pensa, não é para “por a boca no trombone” e sair ofendendo ou gritando com todo mundo – Não confunda sinceridade com grosseria –  é sobre ser sincero com você e com outra pessoa sobre como aquilo ou aquela situação em particular te faz sentir de forma gentil.

A transparência tem efeito físico comprovado no nosso corpo. Quando feito de forma gentil, o ato de falar exatamente aquilo que pensa é libertador para quem fala e para quem escuta. Te permite dar abertura para conversas francas sem que alguém se machuque e isso é sim, liberdade.

A sinceridade só te traz benefícios

Eu poderia enumerar diversos benefícios que a transparência e a sinceridade traz para você. Mas quero pontuar uma em especial que tem atingido mais de 4,4% da população da terra: a Ansiedade.

Ser sincero com o outro é ser sincero com você mesmo. E isso é um grande redutor de ansiedade, uma vez que se é possível criar laços honestos e tirar de você o peso de não ter dito aquilo que precisava ser dito, no momento em que deveria ter sido dito.

Então, a partir de hoje, faça um compromisso consigo mesmo, de ser honesto sobre seus sentimentos sem culpa. Afinal, você tem todas as ferramentas necessárias para fazer o que precisa ser feito. Só precisa começar. Compartilha com a gente como é para você se expressar?

E lembre-se: Gentileza, gera gentileza! SEMPRE.

Foto: Helena Lopes / Unsplash

Raissa é contadora de histórias de coração. Com 7 anos de experiência em produção de conteúdo, UX Writer, SEO, planejamento de comunicação e marketing.

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Publicidade O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
3 Comentários

3 Comments

  1. Marcia Aparecida Souza

    10/09/2019 at 18:25

    Dizer nao e necessário ,ou como criar uma criança neste mundo ,com total liberdade…A criança tem que saber o cque é erto e o que é errado…e tudo comeca com um “sim ou um não “…I liked

  2. Tatiana Perez

    Tatiana Perez

    10/09/2019 at 21:33

    Isso porque você nem entrou em relacionamentos.

  3. Tatiane Rodrigues

    11/09/2019 at 17:56

    Algumas pessoas infelizmente usam a sinceridade para ferir as outras, as vezes ser sincero demais em algumas áreas de nossas vidas, pode acabar nos prejudicando com quem quer que seja, pois como foi dito neste artigo, saiba ser sincero, seja gentil em suas palavras para com o próximo. –Gentileza gera gentileza ❤

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Comportamento

Necessidade de imaginarmos utopias

Utopia quer dizer um “não-lugar” ou ainda “um lugar ideal que não é agora”.

Caio Bogos

Publicado

em

Currens / Pixabay

Estamos caminhando para 20% do século 21. Nós não poderíamos estar mais avançados no quesito tecnológico. Hoje em dia, celulares estão fazendo de tudo, menos ligações, os carros estão conectados, os eletrodomésticos se conversam, a distancia já não é mais uma barreira para a comunicação e as informações estão navegando em uma velocidade nunca antes vista. Ainda assim, apesar de todos os benefícios, glorias e conquistas que esse mundo “do futuro” nos proporciona, alguns problemas antigos insistem em coexistir em meio a tanta evolução. Para começar essa “conversa”, gostaria de citar três deles.

#1 Polarização

De uns quatro anos para cá, tenho acompanhado um movimento bastante estranho no mundo inteiro, em especial no Brasil. Nosso pais vinha numa toada de grandes conquistas e motivos para se comemorar. Contudo, por uma conjuntura de fatores, o Brasil, ao meu ver, assim como outros países, acabou pegando carona numa polarização politica irracional. Hoje em dia não é possível debatermos com qualidade sem esbarrar em pensamentos que explodem em dualidade. Preto ou branco. Para algumas pessoas, pessoas essas que estão dominando o discurso atual, não há mais cores entre esses extremos. Nós conseguimos observar esse fenômeno nos Estados Unidos, Hungria, Espanha e, pasmem, na Alemanha. Obviamente essa polarização sempre existiu, contudo, a impressão que eu tenho é que ela está mais acentuada do que no século 20. Inclusive, de acordo com uma pesquisa do Instituto Ipsos, 32% dos brasileiros acreditam que não vale a pena conversar com pessoas com visões politicas diferentes das suas.

Bom, essa pesquisa só reforça o ponto de que a polarização é real e, na minha opinião, perigosa para a evolução do pensamento humano e ao estado de direito.

#2 Desigualdade

Desde 2015, a desigualdade no Brasil vem crescendo. Nós vínhamos de um histórico de melhora nessa área, contudo, devido a diversos fatores, essas melhorias atualmente estão em risco. O coeficiente de Gini está em alta constante (quanto mais próximo de zero, mais igualitário é o pais) e a renda média do brasileiro está diminuindo. Por que nós estamos nessa toada? Dado o desenvolvimento do nosso mundo, é simplesmente absurdo que ainda existam pessoas que passem fome ou que vivam a margem da sociedade. Simplesmente inconcebível.

E, para piorar, a desigualdade traz outros problemas. Um bom exemplo disso é o aumento da criminalidade. Infelizmente, a criminalidade urbana está intimamente ligada com a desigualdade, ou seja, quanto mais desigual é o pais, maiores os índices de criminalidade.

Pegando um exemplo recente para elucidar a questão, nós temos o caso do menino NEGRO que foi torturado por quase 1h porque supostamente furtou um chocolate. Há tantos problemas nesse historia que é muito difícil ser sucinto para discutir sobre ela, contudo, na minha opinião, esse é mais um caso absurdo que tem como raiz a desigualdade social.

#3 Intolerância

O discurso fundamentalista e conservador está tomando conta de alguns países.

No Brasil, como não poderia deixar de ser diferente, estamos passando por essa fase e, talvez, de forma mais acentuada. Contudo, esses discursos fundamentalistas levantam diversos perigos para alguns grupos de pessoas. Negros, gays, lésbicas, trans, etc, que nunca foram muito aceitos no meio social, agora vivem um dos seus piores momentos. Diariamente nós temos demonstrações do aumento do preconceito e da intolerância a diversidade e a liberdade. É só pegar o exemplo mais recente: Em pleno século 21, o prefeito do Rio de Janeiro pede a CENSURA de uma HQ, pois a publicação apresenta um simples beijo homoafetivo. Em resumo: Claro caso de censura!

Uma utopia necessária

Tenho a impressão de que as pessoas estão cada vez mais descrentes com o futuro. Todos os problemas que nós enfrentamos estão latentes nas nossas cabeças, fazendo com que o espaço para imaginar um futuro melhor seja preenchido com a melancolia do presente.

Dado esse contexto, mais do que nunca, se faz necessário que voltemos a imaginar um lugar melhor, onde as pessoas possam conviver em uma sociedade harmônica e sem essa violência e desigualdade que nos atinge diariamente. Precisamos de um Utopia.

Utopia

O termo “Utopia” foi cunhado pelo escritor britânico Thomas More enquanto escrevia o livro de mesmo nome. Utopia quer dizer um “Não-lugar” ou ainda “um lugar ideal que não é agora”.

O livro apresenta uma estrutura muito simples, dividido em duas partes. A primeira delas é a discussão do filosofo Rafael com o More e o seu amigo. É o Rafael quem traz para o conhecimento de todos a existência de um lugar chamado Utopia. Nessa primeira parte nós temos também algumas discussões sobre a influencia dos filósofos na vida politica, a questão da dominação de classes e a pobreza explorada pelos autos poderes.

Já na segunda parte, nós é apresentada a descrição detalhada de Utopia, a ilha. Trata-se de um lugar afastado do restante dos lugares, onde a igualdade de posses e de posição é algo real. Todas as pessoas compartilham a felicidade e a fraternidade. Não há pobreza, as instituições funcionam e as pessoas valorizam os estudos. Seria um sonho, certo?
Logicamente que um lugar como esse não existe, contudo, essa leitura suscita diversas questões e nos oferece diversas ideias para melhorar a nossa vida atual.

Como podemos imaginar isso?

Se uma pessoa do século 19 fosse inserida no contexto atual, ela ficaria impressionada com a configuração do nosso mundo. Na época dela, tudo que nós temos (tecnologia avançada, cura para doenças, etc), não passava de uma utopia.

Um bom exemplo de um pensador que está imaginando utopias é o historiador holandês Rutger Bregman, autor do livro “Utopia para Realistas”. Nesse livro, ele nós apresenta um panorama da evolução de renda e bem estar mundial e nos propõe a seguinte utopia:

“E se cada pessoa da sociedade recebesse uma renda mensal que seria usada para garantir uma existência digna?”

Utópico, não? Pois é, mas isso não está tão distante assim. Logicamente essa ideia levanta diversos outros debates quanto a eficácia disso, contudo, temos que começar por algum lugar. A sociedade nunca foi tão rica, mas, ao mesmo tempo, tão desigual. A sociedade nunca foi tão informada, mas, ao mesmo tempo, intolerante.
Precisamos pensar em formas de melhorar esse panorama. E isso passa, invariavelmente por imaginar uma Utopia. Comêssemos assim.

“Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã “ – Victor Hugo

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Comportamento

O que fazemos com o que fizeram de nós?

Jana Corteze

Publicado

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A eterna necessidade, a busca incessante e alucinada por coisas e situações que nem sabemos se realmente precisamos, se queremos. Mecanicamente, trocamos liberdade por conforto e constantemente nos perguntamos se estamos felizes.

Em todo nosso processo politico, social e tecnológico entendemos e observamos, mesmo que lentamente, o conceito de transformação. Transformações são necessárias, feitas por pessoas buscando determinando interesse e/ou, apontando para determinado objetivo. A forma com que as transformações afetam o meio são inúmeras e de tantas variáveis, gerando efeitos diversos em todos os lugares, em todos as pessoas.

O que vivemos é ação de transformações do mundo, baseado em nossas escolhas, nossa liberdade. Liberdade angustiante, já diria Sartre. Quando surge o homem, pela primeira vez aparece a liberdade. Temos a liberdade de ser ou não ser. Por outro lado, temos angústia, o medo de que possa ou não ser capaz, medo do que vai acontecer. Todo momento é um momento em suspense. Nada é seguro ou certo, nada é previsível com o homem: tudo é imprevisível.

O medo de ser livre diante as transformações é grande, real e cada vez mais potente em um numero maior de pessoas. O mundo dinâmico, a tecnologia do futuro que torna o hoje obsoleto, onde nossas buscas e descobertas nunca são suficientes ou tão atualizadas. Logo, somos de alguma forma, forçados a mudar.

A etimologia da palavra crise, é mudança. Se está sentado de maneira desconfortável, automaticamente seu corpo se movimenta, reorienta e sentada, muda o cruzo das pernas, estica as canelas, nós mudamos. Mesmo não querendo, mesmo se chafurdando na zona de conforto, no espaço e tempo programado, no fácil, mecânico e racional, mudamos. Momentos de paz e riqueza, podem rapidamente ser substituídos por períodos de guerra e medo, se não muda, o mundo muda, as ações são constantes e isso afeta a todos, inclusive essa zona de conforto tão bem vinda.

Essa necessidade constante de atualização, da busca de algo instantâneo que nunca chega, sempre a eterna corrida, uma luta diária e muitas vezes, dolorosa. O homem tem medo de liberdade, mas a liberdade é a única coisa que nos faz humanos.

Assim, se pensar bem, nós somos suicidas – ao destruir nossa liberdade. E com isso, estamos destruindo toda nossa possibilidade de ser. Talvez seja cultural e socialmente construído; estude, estude mais. Trabalhe, mas trabalhe muito e depois, consuma e consuma cada vez mais. Logo, estamos satisfeitos pela segurança do acumulo e sentindo cada vez mais necessidade de tudo mesmo sabendo que se transformou em tão pouco. O pouco, que logo vira vazio e facilmente migra para tristeza e uma culpa enorme de talvez, não ter feito correto, de não ter sido suficiente, de buscar mais estudo, mais trabalho e tornar seu pouco em quase nada.

São escolhas livres do individuo em como lidar com mudanças e situações externas, gerando mudanças internas. É de única e exclusiva liberdade de cada um, direcionar sua vida, fazer escolhas do que fazer e como viver. Por que temos medo de nossas escolhas, medo de viver sem medo.

A liberdade que já era assustadora se torna um aprisionamento em medos, traumas e angustias. A exaustão por ter a breve noção que nada dá certo. Penso que nada dá certo fazendo as mesmas coisas, claro que isso parece frase motivacional de livros que nunca lemos, de autores que sempre citamos, mas ainda é verdade. A angustia da liberdade é a escolha; um sofá retrátil e uma TV 4K ou paz de espírito? Trocar de carro ou dormir tranquilamente sem Rivotril? Se já souber a resposta, e ainda assim, não está feliz, mude as perguntas. O ser humano é consciente. Resta ainda a consciência de sua liberdade e também, consciência de seu medo da liberdade. Na medida que sua consciência cresce, a sua liberdade cresce. Elas são correlacionadas. Seja mais livre e será mais consciente; seja mais consciente e você será mais livre.

Foto: Golconda, do René Magritte

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