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Exploração Espacial

Yutu-2 e o material misterioso no lado oculto da Lua

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser.

Redação 140

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Imagem que mostra a área destacada na cratera. Crédito: CNSA/Clep

No ano passado, a CNSA (Administração Espacial Nacional da China) aterrou com sucesso um módulo de pouso lunar  Chang’e-4 (嫦娥四号), em South Pole-Aitken, a maior e mais profunda bacia da lua, no lado oculto da Lua.

Desde então, um jipe lunar chamado Yutu-2 (玉兔二号, Jade Rabbit-2) estuda a Lua. No mês passado, enquanto trafegava pelo lado oculto da Lua, avistou uma ”substância misteriosa e colorida”. A substância foi descrita como um material semelhante a gel, que parecia completamente diferente em forma, cor e textura do solo lunar circundante.

A descoberta despertou amplo interesse da comunidade científica, bem como especulações sobre o que esse material realmente poderia ser. Os cientistas levaram o Yutu-2 para perto do material, que parece estar localizado no centro de uma cratera. 

O que as imagens mostram?

A explicação mais provável é que um impacto gerou calor suficiente para formar vidro a partir dos minerais espalhados pela superfície lunar, deixando fragmentos para trás. 

Em entrevista ao Space.com, o professor Clive Neal, cientista lunar da Universidade de Notre Dame, disse que embora a foto resultante não seja perfeita, ela ainda pode oferecer pistas sobre a descoberta inesperada. O professor Neal disse que o material encontrado se assemelha a uma amostra de vidro de impacto encontrado durante a missão Apollo 17 em 1972.

O Yutu-2 está silencioso no momento e começará a operar novamente na próxima semana devido a incidência solar.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Os artigos publicados em nome da Redação 140 são de responsabilidade dos responsáveis por este site de notícias. Entre em contato caso tenha alguma observação em relação às informações aqui contidas.

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Exploração Espacial

Cinquenta anos depois da Apollo 11, vivemos todos no mundo da Lua

Sergio Kulpas

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O programa lunar da NASA terminou oficialmente em dezembro de 1972, quando os astronautas da Apollo 17, Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt voltaram à Terra. Eles foram os últimos homens a pisar na superfície lunar. Mas o projeto Apollo deixou uma imensa herança científica e social, que está integrada ao cotidiano de todos nós, meio século depois do primeiro pouso na Lua.

O programa espacial americano que levou astronautas para a Lua foi um projeto político, uma resposta da superpotência ocidental ao pioneirismo soviético, que colocou o jovem cosmonauta Yuri Gagarin em órbita da Terra em 1961. No ano seguinte, o presidente americano John F. Kennedy prometeu em discurso que os americanos chegariam à Lua antes do final da década de 1960. Dito e feito.

O mundo da última missão tripulada à Lua era muito diferente daqueles primeiros voos dos anos 1960. Os assassinatos de John Kennedy, Martin Luther King e Bob Kennedy arrasaram com os sonhos da Era de Aquarius e da geração “paz e amor”. As turbulências sociais que varreram o mundo naquele final de década empalideceram o brilho da Lua.

Em 1972, o presidente dos EUA era o republicano Richard Nixon, e o país estava atolado na insana guerra do Vietnã, um conflito que custou a vida de dezenas de milhares de jovens americanos e milhões de vietnamitas. Os recursos destinados a essa guerra foram se tornando cada vez maiores e atenção do público americano estava muito mais concentrada nas notícias sobre seus filhos morrendo na selva de um distante país da Ásia do que em bravos astronautas no vácuo lunar.

Em 1973, a primeira crise do petróleo causou um terremoto no mapa político do mundo, e pode ter sido a pá de cal no programa espacial tripulado da NASA. O último foguete Apollo voou em 1975, para se acoplar em órbita com a nave soviética Soyuz, uma missão colaborativa criada para tentar amenizar a tensão da Guerra Fria. As estações espaciais criadas nos anos 1970, o Skylab americano e a Mir soviética, são crias do projeto Apollo, mas foram projetos relativamente modestos e com orçamentos muito menores do que deveriam ter.

Apesar desse final quase melancólico, o projeto Apollo deixou um legado riquíssimo, que faz parte essencial do mundo que vivemos hoje. As tecnologias desenvolvidas para as missões lunares foram aperfeiçoadas e produzidas em massa nas últimas décadas, e são parte integral de nossas vidas.

Circuitos integrados (chips) minúsculos, GPS, comida desidratada, trajes térmicos usados por bombeiros, velcro, ferramentas portáteis movidas por baterias, sistemas de imagem eletrônica, sistemas de transmissão via satélite, lentes de câmeras e capacetes a prova de riscos, e uma infinidade de outras tecnologias criadas para o projeto lunar estão presentes hoje, e continuam evoluindo.
Como o projeto de missões tripuladas na Lua foi encerrado há 47 anos, esse feito histórico parece ter perdido a relevância. O programa Apollo sempre teve muitas críticas, mesmo em seu apogeu. Foi tachado como propaganda política dos EUA (e era), e mesmo nos EUA o orçamento das missões era considerado um “escândalo” em comparação com outros problemas urgentes nos Estados Unidos na época.

Nos últimos anos, o número de “céticos” sobre a caminhada humana na Lua aumentou exponencialmente. Esses céticos poderiam ser classificados como meros ignorantes, e são. Mas o abandono da exploração lunar, não apenas pelos EUA mas por outros países ricos (incluindo a China) é visto como uma prova de que o ser humano jamais pisou no satélite. Mas mesmo os conspiradores mais radicais não duvidam das missões robotizadas até Marte, e das sondas enviadas aos confins do sistema solar.

Viagens tripuladas para a Lua são empreendimentos caríssimos. A NASA é uma agência pública, financiada com dinheiro dos contribuintes americanos. Só recentemente o setor privado mostrou algum interesse pela exploração do espaço. Bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos têm planos para criar estações orbitais e voos tripulados para a Lua.

Americanos, chineses, indianos e russos podem promover uma nova corrida espacial, com objetivos comerciais – e políticos, como de costume. Mas nada que se aproxime ao cenário imaginado pelo escritor Arthur C. Clarke e o diretor Stanley Kubrick no filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Exploração Espacial

50 anos do pouso na Lua: os heróis esquecidos do projeto Apollo

Sergio Kulpas

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Apenas doze pessoas pisaram na Lua, astronautas do projeto Apollo entre o final dos anos 1960 e 70. Todos homens e brancos. Os pioneiros Neil Armstrong e Buzz Aldrin passaram apenas duas horas e meia na superfície lunar, em 21 de julho de 1969. Harrison Schmitt foi o último astronauta americano a andar na Lua, e ficou por lá por 22 horas e 2 minutos, em dezembro de 1972. Apenas Schmitt e Armstrong eram civis. Todos os outros eram oficiais de carreira, experientes pilotos da Força Aérea ou da Marinha dos EUA.

Mas a história da chegada da Humanidade à Lua não pode se restringir a esses homens corajosos e treinados até a exaustão para essas missões assustadoramente complexas. Estima-se que mais de 400.000 profissionais estiveram envolvidos no programa lunar da NASA, cujo ponto de partida foi um discurso do presidente John Kennedy em 1962, onde ele declarou que os Estados Unidos chegariam à Lua antes do final da década.

Quase meio milhão de cientistas, engenheiros, designers, matemáticos, técnicos, carpinteiros, cozinheiros, pedreiros, serralheiros, médicos, jornalistas, preparadores físicos, etc e etc. A lista de profissões necessárias para a missão Apollo é vasta o bastante para criar uma cidade de grande porte, praticamente uma metrópole. Em uma conta grosseira, para cada homem que pisou na Lua, havia mais de 33.000 mulheres e homens dedicados a essa tarefa.

Durante décadas, esses milhares foram relegados a um anonimato injusto. A História só começou a corrigir essa negligência de alguns anos para cá.

Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. Os nomes dessas mulheres eram praticamente desconhecidos do mundo até pouco tempo. Sua história se tornou uma grande produção de Hollywood, o filme “Hidden Figures” (“Figuras Ocultas”, ou “Estrelas Além do Tempo”, na bizarra tradução brasileira), que concorreu ao Oscar de 2017. Jonhson, Vaughan e Jackson são três cientistas negras que contribuíram muito com a chegada do Homem à Lua nos anos 1960. Como elas, são vários os “heróis esquecidos” do projeto espacial da NASA.

A brilhante matemática Katherine Johnson (interpretada pela atriz Taraji P. Henson no filme) foi escalada para trabalhar no grupo de elite da Missão Espacial. Ela era a única pessoa negra na equipe e sofreu muita discriminação e desvalorização, apesar da imensa contribuição de seu trabalho. Como as odiosas normas de segregação racial ainda estavam em vigor nos estados do sul dos EUA, ela era obrigada a andar quase um quilômetro para poder usar um banheiro destinado para “pessoas de cor”, situação que só foi remediada depois de muito tempo. Ela não podia assinar os relatórios com seus cálculos essenciais para os voos espaciais, e era isolada até no refeitório da base. Já Dorothy Vaughan liderou uma iniciativa para treinar mulheres negras no uso do computador da IBM que poderia causar o desemprego de todos os “computadores humanos” da NASA. Mary Jackson enfrentou muitos obstáculos para se tornar a primeira engenheira negra da NASA e trabalhar na construção da cápsula que lançaria o homem ao espaço.

Em fevereiro deste ano, a NASA anunciou que um de seus principais órgãos, o Independent Verification and Validation Facility, foi renomeado para homenagear Katherine Johnson. A unidade é responsável pela segurança de dados e softwares das missões espaciais.

Além dessas cientistas, havia outras mulheres envolvidas em tarefas essenciais para o sucesso das missões Apollo. A matemática Poppy Northcutt era a única mulher na equipe do Controle da Missão em Houston, Texas. Ela agia como controladora de voo, em um ambiente complexo e com tecnologia limitada. A designer de vestuários Eleanor ‘Ellie’ Foraker foi responsável pela criação dos trajes pressurizados usados pelos astronautas nas caminhadas lunares – uma tarefa dificílima, porque os astronautas precisavam de equipamentos que pudessem ser usados de modo seguro em um ambiente sem ar, extremamente frio e exposto à fortíssima radiação solar. Já a engenharia astrofísica Dorothy ‘Dottie’ Lee foi uma das responsáveis pelo design do escudo térmico das cápsulas que retornaram à Terra. Sem um desenho correto, os astronautas morreriam fritos pelo calor gerado pelo atrito durante a reentrada na atmosfera, em altíssima velocidade.

São muitíssimos homens e mulheres, brancos, negros, asiáticos, hispânicos. Todos participaram ativamente de um dos mais extraordinários feitos da raça humana. Cinquenta anos depois, deveríamos estar em um patamar muito superior de desenvolvimento, de cooperação e entendimento entre as nações da Terra. Em 2019, deveríamos estar vivendo em um planeta com mais harmonia, tolerância e justiça para todas as pessoas, com maior respeito pela Terra – que é nosso único lar.

O escritor Arthur C. Clarke, que escreveu nos anos 1960 o conto que deu origem ao filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, dirigido por Stanley Kubrick em 1968, disse em uma entrevista que ambientou sua história no ano 2001, porque imaginou que seria uma época onde a espécie humana já teria superado sua herança negativa de guerras, fome e ódios. Pena que não foi assim. No conto de Clarke, em 2001 a humanidade já estaria evoluída o bastante para ter habitações permanentes na Lua e missões tripuladas para Júpiter.

Em tempo: a prova definitiva de que as missões tripuladas para a Lua NÃO são uma farsa encenada pelo governo americano é justamente o número de pessoas envolvidas no projeto. Com uma população de quase meio milhão de profissionais trabalhando nesse objetivo, é absolutamente impossível esconder uma “mentira” tão grande, por tantas décadas. Em algum momento, nos últimos 50 anos, alguma dessas pessoas envolvidas no projeto apresentaria provas irrefutáveis de que o Homem nunca pisou na Lua. Isso não ocorreu, e tudo que circula na internet não passa de teorias da conspiração sem qualquer base e fake news.

Foto: The Project Apollo Image

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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