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Editorial

A televisão chega aos 69 anos no Brasil –lembrando as pioneiras Tupi e MTV Brasil

Uma reflexão sobre a trajetória e encerramento dos canais TV Tupi e MTV Brasil no momento que a TV brasileira completa 69 anos de existência

Sergio Kulpas

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Foto: Wikipedia

Resgato aqui um texto que escrevi em 2013, quando a MTV Brasil saiu do ar. Lamentava o fim do único canal realmente “jovem” na TV aberta brasileira. Curiosamente, a MTV brasileira funcionava no mesmo prédio que a pioneira TV Tupi criada por Assis Chateubriand.

Muitas águas debaixo da ponte, e hoje o Grupo Abril (que criou o canal) já foi para o vinagre. E a MTV que existe hoje na TV paga é um lixão de reality shows de boys e minas sarados em casas de praia…

Segue o texto de seis anos atrás:

A TV brasileira, sempre começando e sempre acabando — O fim da MTV

Há exatos 63 anos, direto do bairro Sumaré em São Paulo, começou a história da televisão brasileira. Na noite de 18 de setembro de 1950, diante de uma câmera que pesava quase meia tonelada e sob as fortíssimas luzes de vários refletores, a atriz Iara Lins se aproximou do microfone e recitou com voz trêmula: “Senhoras e senhores telespectadores, boa noite. A PRF 3 TV – Emissora Associada de São Paulo orgulhosamente apresenta neste momento o primeiro programa de televisão da América Latina.”

Assis Chateaubriand, o maior magnata da mídia nacional do século 20, o Cidadão Kane tupiniquim, tinha realizado seu sonho — o empresário viu a televisão pela primeira vez em 1944, em uma viagem aos Estados Unidos. Para espanto das gentes de lá e de cá, Chatô decidiu trazer a novidade ao Brasil. No momento daquela primeira transmissão, milhares de pessoas se espremiam diante dos 22 aparelhos espalhados pelo centro de São Paulo e no saguão da sede dos Diários Associados, na Rua 7 de Abril. Como estava na última hora, Chateaubriand não conseguiu importar legalmente aparelhos de televisão suficientes, e mandou contrabandear 200 televisores. Essas TVs foram possivelmente presenteadas às figuras e famílias estratégicas da plutocracia paulistana da época, uma jogada de Chatô para atrair patrocinadores para o novo meio de comunicação.

A TV Tupi reinou soberana por muitos anos, como figura de proa de um império de mídia que parecia invencível. Foi a primeira rede nacional de televisão, mesmo antes do videoteipe, dos satélites, da transmissão por micro-ondas — cada capital tinha sua própria equipe transmitindo ao vivo os mesmos programas da matriz paulistana. A Tupi teve origens diferentes em relação à TV americana — a TV dos EUA herdou a tradição da indústria cinematográfica, já muito madura, e os próprios estúdios de cinema começaram a produzir para a TV. No Brasil, a televisão ganhou seu público através de uma incomum mestiçagem entre o rádio imensamente popular e o teatro, que também tinha grande público.

Mas o golpe militar nos anos 1960 e seus desdobramentos nos 70 mudaram o rumo do gigante. Chateaubriand morreu em abril de 1968, e os Diários Associados foram se desintegrando até o final dos anos 70. Entre 1978 e 1980, a Rede Tupi foi sofrendo abalos cada vez mais intensos: incêndios, processos, produções interrompidas ou canceladas, e greves por falta de pagamento foram corroendo a presença da emissora no mercado — no mesmo momento em que a Globo chegava ao domínio total do setor.

A Tupi agonizou em paralelo com o fim da ditadura, paralisada pelos conchavos políticos e pela burocracia do governo Figueiredo. Estrangulada pela situação econômica da época, no primeiro semestre de 1980, a Tupi recebeu os golpes finais — insolvente, a emissora fechou o departamento de teledramaturgia e demitiu os 250 funcionários, interrompendo novelas que estavam no ar. Em 16 julho, meses antes da Tupi completar 30 anos, o Governo Federal cassou a maioria das concessões da rede e funcionários do Dentel lacraram os transmissores na sede da avenida Alfonso Bovero em São Paulo. Meses depois, o tradicional canal 4 passou a transmitir a TVS (depois SBT), a primeira TV da rede do Silvio Santos. E foi assim que Chaves chegou ao Brasil.

Dez anos depois, em outubro de 1990, nesse mesmo prédio da Alfonso Bovero passou a funcionar a MTV Brasil, a sui-generis versão nacional do canal musical norte-americano. A versão brasileira não era exatamente um decalque dublado do original, nem uma franquia controlada pela matriz. Surgiu de um experimento feito nos anos 80 na TV Gazeta, emissora local de São Paulo ligada à Faculdade Cásper Líbero. O programa Olhar Eletrônico revelou o apetite dos jovens brasileiros por coisas na televisão além de novelas, jornalismo e programas de auditório. Programas com música jovem, videoclipes, esquetes, quadros humorísticos, entrevistas irreverentes. Desse embrião se lançaram nomes hoje muito conhecidos, como Fernando Meirelles, Marcelo Tas, Tadeu Jungle, Serginho Groismann, Astrid Fontenelle, Zeca Camargo e vários outros.

Com o empurrão da Abril Vídeo, essa ideia de programação de TV para jovens se transformou em um canal próprio, que chega ao final ao completar 23 anos. Uma tenra idade para um jovem, mesmo que seja um canal de TV. Vida louca, vida breve.

Desde que foi anunciado pela imprensa que o Grupo Abril encerraria as operações do canal e devolveria a marca para a Viacom, muito se falou a respeito. As análises cobriram todo o espectro, da nostalgia ao determinismo de mercado. Muitos articulistas e críticos lembraram suas passagens pessoais pela emissora, e agiram como críticos da seleção brasileira depois de um jogo perdido (ou de uma Copa inteira).

Mas a própria MTV tem apresentado o melhor necrológio da carreira do canal. Uma autobiografia, para usar um termo mais simpático. Nas semanas finais de sua presença na TV aberta brasileira, o canal vai desfilando seletas de sua programação, com destaque para os programas apresentados por ex-VJs. É um acervo respeitável, em todos os aspectos. A MTV partiu de um canal de videoclipes para se cristalizar como um canal para jovens — o que não é pouca coisa. Basta pensar que todos os outros canais da TV aberta continuam até hoje fazendo o mesmo que a TV Tupi de meio século atrás: novelas, telejornais, programas de auditório, seriados nacionais e “enlatados”.

A MTV brasileira testou, inovou, ousou. Foi um canal de TV muito moderno em um ambiente de mídia muito retrógrado e conservador. A Abril, dona do canal, abriga alguns dos produtos mais conservadores do mercado editorial brasileiro, quiçá do mundo. A MTV não morreu, “transmigrou” de volta para a corporação que a criou. Será, como nos Estados Unidos, mais um canal de TV por assinatura, disponível em todas as grandes operadoras. Não faz a menor diferença: só fãs de novelas e de pastores evangélicos assistem TV aberta hoje. A nova programação terá os reality shows e séries da americana, as premiações, e alguns programas nacionais com produção independente. Serão 350 horas anuais de programação brasileira, informa o executivo Tiago Worcman. É menos de uma hora por dia, mas Worcman acha que esse volume “não é pouco”, só perdendo para a MTV americana (oi?). O executivo avalia se o canal vai preservar o MVB. Uma assessoria inteligente deve aconselhar Mr. Worcman a comprar ou licenciar o acervo completo da MTV Brasil. Seria bom negócio para o canal e para a Abril e evitaria a perda de material tão interessante. Ou então, a Abril e a Viacom poderiam entrar em uma parceria para oferecer o conteúdo em pay-per-view, ou por pacotes. Fica a dica.

That’s all folks. Não adianta nem precisa chorar. A TV Tupi, pioneira do século passado, morreu por uma combinação sórdida de maracutaias políticas, tráficos de influência, pressões econômicas, sabotagens. A MTV falece em condições mais serenas e menos suspeitas — pelo menos não foi vítima da epidemia de incêndios e “acidentes” que ajudaram a destruir boa parte da memória da TV brasileira nos anos 60 e 70.

É claríssimo que o canal musical definhou sob a fria lâmina do mercado e das transformações tecnológicas. Os canais de nicho na TV aberta não têm (nunca tiveram) audiência significativa, e não conseguem se bancar com publicidade.

No caso específico da MTV, a internet devastou a indústria fonográfica, e programas de videoclipes são velharias do século 20.

O fim do canal passa sim uma mensagem importante para os demais conglomerados de mídia. São raros os casos onde grupos editoriais, que publicam jornais e revistas, conseguem sucesso no mercado tradicional de radiodifusão, particularmente no mercado de televisão. Os Diários Associados conseguiram um imenso sucesso comercial nos anos 40 e 50, o grupo Globo a partir da década de 70, e uma breve experiência da empresa Adolpho Bloch nos anos 80, com a TV Manchete. A rede de TV tradicional é uma estrutura cara e complexa.

Seria sensato que empresas como Abril, a Folha, o Estadão e congêneres não avançarem mais nessas águas. Esse mar era apenas para grandes tubarões brancos, e talvez alguns cardumes de robalos muito organizados. E esse tempo já passou.

A mesma tecnologia que matou o videoclipe aponta o caminho. Por uma fração do custo de um canal tradicional, as empresas de mídia podem criar (e já criaram) emissoras de rádio e TV na internet. E com TVs conectadas de 55 polegadas e full-HD, qual será a diferença entre os canais normais e os de internet? Talvez apenas a qualidade da programação.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

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Editorial

O que Hitler faria se tivesse o Facebook à disposição em 1930?

A rede de Zuckerberg poderia exibir anúncios sobre a ‘solução final’ contra judeus?

Sergio Kulpas

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Foto: Hulton Archive / Getty Images

A pressão sobre o Facebook, Google e outras megacorporações digitais está aumentando rapidamente. A presença invasiva dessas empresas na vida dos cidadãos é cada vez mais criticada por organizações de defesa dos direitos humanos, cientistas e personalidades de destaque.

“O Facebook teria aceitado publicar anúncios do partido nazista de Hitler em 1930”.

A provocação foi feita pelo ator e humorista britânico Sacha Baron Cohen em seu discurso no evento promovido pela Anti-Defamation League (ADL) nos Estados Unidos. Cohen é um ator polêmico, criador de personagens como “Borat”, o jornalista gay de moda Bruno, o DJ Ali G e o “especialista em segurança” israelense Erran Morad.

Em seu discurso, Cohen critica o Facebook, o Google e outras redes sociais, classificando essas empresas como as mais nocivas ferramentas de propaganda política da História. O Facebook permitiria até que Hitler e o partido nazista alemão postassem anúncios na rede social, disse ele.

Sacha Baron Cohen diz que sempre foi fascinado pelos temas de racismo e intolerância, e escreveu sua tese de graduação sobre os movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos. Seus filmes e “falsos documentários” geralmente abordam o tema, e Cohen frequentemente usa seus personagens para revelar os preconceitos das pessoas comuns.

No falso documentário “Borat”, o personagem de Cohen faz com que todas as pessoas em um bar no estado do Arizona cantem uma canção antissemita, sem se preocupar com o contexto da letra. Como o jornalista homossexual Bruno, ele quase causou um tumulto ao beijar um homem em um ringue de boxe em Arkansas. Outros personagens de Cohen provocaram reações racistas e violentas nas pessoas.

Cohen é um humorista, mas enxerga com muita seriedade a escalada dos crimes de ódio e os ataques violentos contra minorias étnicas e religiosas. Ele diz que é muito grave que a Era da Razão seja desafiada pela ignorância, onde o conhecimento deixa de ser respeitado e o consenso científico sobre um grande número de temas passa a ser tratado como uma mera “opinião”.

O ponto central da fala de Cohen é que essa onda atual de obscurantismo e ignorância agressiva se torna possível devido à ação de empresas multibilionárias de tecnologia. Essas empresas, como o Facebook, Google e YouTube, criaram a maior máquina de propaganda ideológica de todos os tempos.

Ele provoca perguntando o que faria Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, se tivesse os recursos do Facebook ao seu dispor. Mark Zuckerberg, que é de origem judaica, teria permitido que anúncios políticos defendendo a “solução final” contra os judeus circulassem livremente na plataforma criada por ele?

O ator observou que os algoritmos das redes sociais e programas de buscam foram criados para amplificar os tipos de conteúdo que prendem a atenção dos usuários. O objetivo é claramente estimular a visualização de anúncios e compras de produtos, mas a tecnologia apela para os instintos mais básicos, como indignação e medo.

É por isso que os vídeos sobre conspirações de Alex Jones foram recomendados (e assistidos) bilhões de vezes pelo YouTube. É por isso que as notícias falsas e fabricadas superam a audiência do jornalismo sério: as mentiras se espalham (muito) mais rapidamente que a verdade.

Cohen lamenta que as piadas baseadas em percepções falsas perderam a graça recentemente, porque devido às redes sociais, mentiras absurdas são usadas por grupos de ódio para atrair novos seguidores e facilitam a interferência de agentes estrangeiros nas eleições de democracias ao redor do mundo. Esses mecanismos sem freios ou controles que permitem a difusão de mentiras em larga escala são capazes de provocar tumultos, conflitos e até genocídio.

A situação se complica ainda mais porque líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro usam as redes sociais para difundir teorias da conspiração que os beneficiam para seus seguidores, com claros propósitos políticos e eleitorais. Trump mente em ritmo assustador por meio do Twitter, sem se preocupar por um instante sequer com a reação indignada de seus adversários políticos e de pessoas que não o apoiam – o que importa é atingir a base de eleitores fiéis, que trata de redistribuir essas falsas notícias para uma audiência ainda maior.

O domínio dos autoritários

Cohen cita Voltaire, filósofo francês do século 17: “Aqueles que fazem você acreditar em absurdos podem fazer você cometer atrocidades”. E as redes sociais de hoje estão permitindo que os déspotas, tiranos e populistas despejem absurdos sobre milhões de pessoas.

O humorista termina seu discurso alertando que apenas seis pessoas, seis bilionários do Vale do Silício, estão impondo seus interesses comerciais ao restante do mundo, sem se responsabilizar ou prestar contas para qualquer governo, agindo como se existissem acima da lei. Mark Zuckerberg, Sundar Pichai no Google, Larry Page e Sergey Brin na Alphabet, Susan Wojcicki no YouTube e Jack Dorsey no Twitter. Os “Silicon Six” se preocupam mais com o valor das ações das empresas do que com a preservação da democracia no mundo. E isso é imperialismo ideológico.

Cohen sugere que os representantes eleitos em democracias ajam sobre essas empresas e indivíduos. E que essas corporações monstruosamente grandes sejam submetidas à letra da lei.

Maiores publishers do planeta

Sacha Baron Cohen fala o óbvio: essas redes sociais com bilhões de usuários são os maiores publishers do mundo atual, várias ordens de magnitude maiores do que qualquer grande grupo editorial do século 20. E elas deveriam se curvar aos princípios básicos dessa atividade, exatamente como jornais, revistas e TV. Na maioria dos países democráticos, existem normas e padrões que regulamentam o conteúdo divulgado por empresas de mídia.

Cohen cita o exemplo da Inglaterra, onde seu programa humorístico com o personagem Ali G não poderia ser exibido na TV antes das 21h. E nos Estados Unidos, a Motion Picture Association of America determinou que cenas de seus filmes deveriam ser editadas ou cortadas antes da exibição. Essa auto-regulamentação das indústrias pode em muitas ocasiões parecer exagerada ou uma forma de censura, mas funciona em boa parte como salvaguarda contra abusos que seriam muito tentadores com o objetivo de ganhar mais dinheiro.

Para concluir, a organização Anistia Internacional publicou uma severa acusação contra as duas maiores corporações de internet do mundo, dizendo que o Google e o Facebook deveriam ser forçados a abandonar o que a Anistia Internacional classifica como “modelo de negócios baseado em vigilância”, o que caracterizaria um caso flagrante de abuso dos diretos humanos.

A organização publicou um relatório (disponível em inglês, em PDF) chamado “Surveillance Giants” (Gigantes da Vigilância). O estudo de 60 páginas diz que o modelo de negócios de empresas como o Google e o Facebook é incompatível com o direito fundamental da privacidade. Além disso, o mecanismo de faturamento comercial dessas empresas ameaça outros direitos humanos, como a liberdade de expressão e o direito à igualdade e não-discriminação.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Editorial

Jornal 140: um ano de laboratório do caos

O Jornal 140 é um coletivo de informação e reflexão com notícias e comunicação em tempos de cólera

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em

Arte: Gabriela Yaroslavsky / 140 Design

Se eu soubesse que produzir um jornal diário desse tanto trabalho … Há um ano, recebi a ligação do Rafael Sartori que me desafiou: vocês produzem muitos (e bons, segundo ele) conteúdos originais para os sites da Art Presse e da 140 Online, duas de nossas agências de comunicação e marketing digital. Por que não pensar em criar um veículo próprio?

Após 20 anos de experiência em tecnologia e operações de negócios no Brasil e exterior, Rafael se especializou em hacking de crescimento no mundo digital, ao abrir a sua ZionLab. Fomos apresentados por um profissional em comum, um dos maiores especialistas em rede no Brasil, Arlindo Marcon da Ocean Consultoria. Já havíamos produzido alguns sites e trabalhos em conjunto, principalmente em nossas propriedades digitais, com grande êxito.

A ideia de produzir um jornal era atraente, mesmo não contando com recursos significativos de investimentos e principalmente o mais valioso e escasso deles – o tempo. Além disso, qual seria o nosso diferencial, quando já havia tantos veículos bons e especializados como o Hypeness, B9, Projeto Draft, UpDate or Die (sem citar Vice, Huffington Post…porque aí seria covardia, né?)?

Até que um dia eu me questionei sobre os impactos que a chegada de uma nova mentalidade de ver e fazer as coisas, combinada com a tecnologia, estava causando em todos os modelos de negócio. Seguir nesta linha editorial fazia sentido para o Jornal 140. Em um primeiro momento, ficou claro a todos que esta combinação perversa (já explico) é destruidora de valores. Vários são os exemplos que ilustram essa questão:

Bancos: alguém duvida que a chegada das Fintechs obrigarão os bancos a se transformarem (veja a quantidade de agências físicas que estão sendo fechadas). Isto não é destruição de um valor que nos “acostumamos” a aceitar?

Automóveis: a chegada de apps como Uber, 99 táxis e Cabify mudaram a maneira com que nos deslocamos nas cidades. Quando houver carros autônomos, sem motoristas (outra destruição de valores e de empregos), haverá a necessidade de cada um ter um automóvel? Aliás, hoje já não existe mais e a pergunta que se faz é: como ficarão as montadoras? Elas serão utilizadas apenas pelas empresas como Uber?

E-commerce: as lojas online estão substituindo as lojas físicas. As pessoas querem conveniência, facilidade, flexibilidade e preço. Mais uma destruição de valores: saia às ruas, em qualquer grande centro do mundo e veja um cenário desolador de lojas fechadas.

Incorporadoras: as pessoas não querem mais viver em grandes casas e apartamentos, querem espaços menores, com instalações como academia, piscina, lavanderia e cozinhas compartilhadas. Vão dormir em quartos grandes e morar em prédios com estas características – veja o caso de empresas como a Vitacon, que mudou a maneira com que as incorporadoras sempre agiram.

Por sorte, a combinação dos fatores nova mentalidade/tecnologia está criando novos valores, bem como novos empregos e um mundo mais conveniente. Foi com este propósito que criamos o Jornal 140. Tentar penetrar neste mundo polarizado e colérico, entender como comunicar e entender modelos de negócios e mudança de comportamento.

Sinceramente não sabia que daria tanto trabalho. Ainda que o tenhamos lançado como um laboratório de experiência de produção de conteúdo, propomos o desafio de produzir um conteúdo original por dia, chova ou faça sol. Desde então, o nosso coletivo tracionou.

Momentos marcantes

A chegada da Êrica Blanc trouxe novos ares na área de entretenimento. A editoria impulsionada por ela é hoje a maior do Jornal 140 e tem nos propiciado bons momentos e aprendizados. O outro foi o nosso debut no universo dos Podcasts. A presença saborosa da Guta Chaves nos incentivou a combinar digital com gastronomia – assim criamos a Panela Digital, uma seção de áudios e conteúdos com este foco, sempre em uma perspectiva de entender as mudanças de comportamento do estômago e das mentes deste mundo.

O Diabo do clique

Foram vários os momentos que fomos tentados pela sedução do clique. Assuntos ligados à política, por exemplo, grandes iscas para atração de trafego e engajamento (leia-se também haters e polarização). Não nos arredamos um milímetro sequer de nosso propósito de não interferir ou palpitar em relação a este ou aquele político. Nos restringimos apenas em analisar os números digitais dos envolvidos, como do ex-presidente Lula e do atual Jair Bolsonaro. Acertamos, erramos? (aliás aproveito para agradecer a parceria com a consultoria BITES, cujo sócio Manoel Fernandes, um dos maiores especialistas no caos digital, sempre nos apóia).

Campeões de Audiência

As cinco matérias mais lidas até hoje foram, pela ordem, “O fenômeno Hikkikomori, os eremitas do século 21”, de Sergio Kulpas, “Um remédio chamado Cannabis”, de minha autoria, “Área 51: você está pronto para a invasão Naruto?”, de Rafael Sartori, “Investigação criminal: 7 séries na Netflix para acompanhar”, de Êrica Blanc e “O lado oculto da Lua”, de Rafael Sartori.

PS.: Agradecimentos e parabéns pra você!

Vão aqui os nossos agradecimentos ao membros deste coletivo raivoso, que se propõe a entender e discutir o mundo em transformação, com humildade e deferência aos nossos inteligentes leitores:

Ana Lu Tanaka (Comportamento); Bruno Creste (Produtor Audiovisual); Caio Bogos (Estilo de Vida); Diego Catto (Fotógrafo); Êrica Blanc (Entretenimento); Euriale Voidela (Customer Experience); Gabriela Yaroslavsky, (Design); Guta Chaves (Gastronomia); Helenilson Pontes (Lei & Ordem); Isabel Franchon (Coach); Janaína Corteze (Educação); Jéssica Patrine (Entretenimento); João Perez (Negócios); Jorge Massarollo (Entretenimento); Julie Damame (Universo Feminino) ; Lai Dantas (Marketing); Lucas Gonçalves (Marketing); Marcos Bidart (Negócios); Michel Passos (Finanças); Paula Akkari (Saúde & Estilo de Vida); Paulo Gustavo Pereira (Entretenimento); Rafael Delgado (Saúde & Estilo de Vida); Raissa Fernanda (Estilo de Vida); Rodrigo Sassi (Tecnologia); Sergio Kulpas (Estilo de Vida); Tatiana Perez (Negócios) e Vanessa Souza (Lei & ordem).

Aliás, aproveito para dar aqui as boas-vindas aos novos “coletivinistas” Clara Ribeiro (Entretenimento), Helena Trevisan (Cultura), Michelle Rocha (Moda),  Tennyson Rezende (Negócios) e Roberto Cecato, um dos maiores nomes da fotografia brasileira.

Agradeço também outras pessoas que já estiveram por aqui e enviaram textos inteligentes e provocativos como Aline Moreno, Bruna Maldonado, Claudio Cardoso, Danielle Feltrin, Felipe Fusso Moro, Jaime Troiano, Marco Darvas, Mariana Rodrigues, Oswaldo Pepe (meu sócio na Art Presse/140 Online, que sempre me apóia), Nira Worcman (pelas dicas sempre inteligentes), Rodrigo Lanari, Thais Santana, Vanessa Rocha (uma revisora feroz de textos e ideias) e tantos outros. Além de Riccardo Rossi e Marina Brito, da Pop Filmes, autores de alguns dos vídeos aqui apresentados.

E, claro, termino sem palavras para definir a energia e dedicação do Rafael Sartori, uma das pessoas mais apaixonadas pela comunicação que já conheci, mesmo nos momentos pessoais mais difíceis e desafiadores, o verdadeiro pilar do Jornal 140, que certamente não existiria sem a sua permanente busca pela inovação.

Para finalizar, obrigado a você que nos acompanha há muito tempo e que participa muito ativamente das nossas provocações aqui e nas redes sociais.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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