Siga-nos nas Redes Sociais

Música

P!nk: a verdadeira rockstar do Rock In Rio 2019

Cantora pop une vários elementos artísticos e entrega o show mais completo do festival.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Divulgação/Rock In Rio

A edição do Rock In Rio 2019 já acabou. A line-up de rock contou com Red Hot Chili Peppers, Iron Maiden, Bon Jovi, Muse e Capital Inicial, bandas tão recorrentes no festival que dá a impressão de que é sempre a mesma coisa. Então, as novidades do Palco Mundo ficam reservadas para os dias pop. Ainda bem.

Pela primeira vez, a cantora P!nk veio para o Brasil. Famosa no mundo pop por ter um jeito meio rebelde e por ter feito o comercial icônico da Pepsi com Beyoncé, Britney Spears e Enrique Iglesias, ela foi a responsável por trazer o melhor e mais surpreendente show desta edição. Ou talvez desde 2011 para cá, arrisco dizer.

O show incrível faz parte da turnê Beautiful Trauma World Tour. Coreografias acrobáticas e o visual estonteante complementaram a voz maravilhosa e o carisma de P!nk. Era quase impossível não prestar atenção na TV. Muita gente, inclusive eu, duvidou que ela fosse voar sobre a plateia, como divulgado previamente. Ela voou, cantou e ainda deu tchauzinho. Apresentou uma setlist emocionante e cheia de hits para esfregar na cara de todo mundo que desdenhou. Como se isso não fosse suficiente, teve pedido de casamento de dois namorados que são fãs antigos da cantora. O clichê e o inovador se encontraram perfeitamente e proporcionaram uma experiência histórica.

Ainda bem que não é só de rock que vive o Rock In Rio. As performances de cantoras pop trazem espetáculos vistosos, dançantes e emocionantes. Algumas, como a P!nk, têm uma postura mais rock and roll do que muito roqueiro por aí. E nem é só a postura, já que muitas músicas dela são pop rock. Não ficam em uma zona de conforto, se desafiam e vão além do esperado. Não se contentam somente em cantar as músicas famosas, falar que ama os fãs e dizer duas palavras em português. Permanecer na mesmice é um atestado de óbito na carreira de qualquer cantora, já que as mulheres sempre são mais julgadas (e cobradas) no mundo artístico. Não inovar nas apresentações é um privilégio masculino. E não há problema em só fazer isso, desde que tenha capacidade para fazer um bom show, o que nem sempre acontece.

Se você duvida que o show dela foi tudo isso mesmo, antes de terminar o texto, me responda com sinceridade. Daqui a 5, 10 anos, ou mais, quando falarem sobre a edição de 2019, qual show que lembrarão primeiro: o da P!nk ou do Red Hot Chili Peppers?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Jéssica Patrine é jornalista, nerd, leitora compulsiva e chocólatra. Não para de ouvir música, por isso escreve para o Ré Menor sobre o tema. Gosta de tudo um pouco, mesmo parecendo que não curta nada.

Continuar Lendo
Comentários

Música

O discurso social por trás da música AmarElo

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro, canta Belchior no sample recentemente usado pelo rapper Emicida na música AmarElo em que participam os cantores Majur e Pabllo Vittar. 

Raissa Fernanda

Publicado

em

Foto: Reprodução

Recentemente o Rapper Emicida trouxe ao mundo uma música que causou demasiado alvoroço na internet. O video trata com agressão e certa delicadeza a história de pessoas periféricas em situação de depressão. Com isso, abre-se o video clipe com uma introdução bastante comovente em áudio gravado que dá inicio à canção:

“Às vezes eu me sinto muito mal, mano. Eu sinto medo de ter feito escolhas erradas a ponto de não poder mudar mais, tá ligado? (…) É foda, irmão, é tipo uma doença essa porra, mano. Parece que essas porra de remédio não adianta merda nenhuma. Mais de um ano, quase dois anos tomando essa porra. Sei lá, eu só precisava falar alguma coisa pra alguém mesmo, mano.”

Se você ainda não assistiu, tira um minutinho para conferir!

Quais são as histórias por trás do clipe

Foram abordados histórias de pessoas que superam a situação periférica e mesmo em situação de depressão eles recomeçam suas vidas. O clipe é uma  lição de resistência.

Muitos comentários no Twitter, enfatizaram o quanto o clipe choca. Mas como dito pelo também rapper Projota em uma entrevista:

“[…] Na sociedade de hoje é oxigênio saber que a gente ainda se importa com a dor do outro”

Falar de depressão e suicídio nunca foi um assunto exclusivo do rap. Muitos gêneros da música já abordaram o tema de diferentes formas. A diferença é que no Rap as pessoas encontram as palavras certas para expressar a realidade de suas vidas periféricas.  Conheça mais dessas e muitas outras histórias aqui. 

A música como instrumento de conscientização

Não é de hoje que a música tem tido papel fundamental na vida das pessoas. Tanto pela beleza e arte quanto cientificamente pode trazer benefícios físicos. O rap, assim como o hip hop, são instrumentos de discursos sociais sobre a luta das minorias de classe e raça.

O discurso de AmarElo intensifica com força a frieza apresentada nas estatísticas da desigualdade no Brasil, onde a cada 23 minutos, um jovem negro é morto – de acordo com relatório do Mapa da Violência, de 2014 – e, não para por ai a cada 20 horas, um LGBTQIA+ tem morte extremamente violenta, vítima de assassinato em mais de 72% dos casos ou de suicídio (em 24%).  Com a introdução de Majur e Pabllo Vittar, grandes ícones representantes desse movimento o trecho:

“Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Elas são coadjuvantes, não, melhor, figurantes, que nem devia ‘tá aqui
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Tanta dor rouba nossa voz, sabe o que resta de nóiz?
Alvos passeando por aí
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Se isso é sobre vivência, me resumir a sobrevivência
É roubar o pouco de bom que vivi
Por fim, permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Achar que essas mazelas me definem, é o pior dos crimes
É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóiz sumir”

É sobre conscientizar aqueles que escutam que a dor do outro importa e que deve ser ouvida. Por que é importante. Pessoas são importantes, sejam elas pretas, brancas, gays, transsexuais, periféricas ou qualquer outro rótulo ou genero.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Música

Informe-se!

Pesquise sobre quem é que você vai assistir. Não pague mico.

Jéssica Patrine

Publicado

em

Austin Distel  / Unsplash

Em maio deste ano, fui no show da Ms. Lauryn Hill, que fazia parte da turnê que celebra os 20 anos do álbum The Miseducation of Lauryn Hill, o único de inéditas da carreira solo da cantora. Mesmo sendo tudo incrível, tinha gente falando mal. E não foi por causa do atraso de uma hora. O motivo mais comum da indignação foi a “curta” duração do show: por volta de 1h e 15 min. Realmente não compreendi a reclamação de imediato, já que ela cantou praticamente o álbum todo, além de uns sucessos da época do The Fugees. Fora isso, a DJ Reborn fez uma abertura dançante e extremamente eclética.

Depois disso, fiquei pensando: será que quem vai para shows ou festivais conhece e pesquisa sobre o que vai assistir? Ou só vão para postar stories dançando, bebendo e fingindo que estão curtindo no Instagram? Afinal frequentar determinados shows não deixa de ser um tipo de status social. Os ingressos aumentam de preço cada vez mais, dificultando, e consequentemente, elitizando o acesso e segmentando o público. O Lollapalooza é um bom exemplo disso. Os preços da pré venda já foram divulgados. O Lolla Pass, ingresso que garante a entrada nos três dias de festival, custa 1. 500 reais neste ano. E claro, sem a taxa de conveniência que costuma elevar um pouco mais o preço final. E quanto mais famoso, bonito e influente o artista é, mais gente ficará com inveja, curtirá a foto e verá os posts. A encenação de vida perfeita e cultural não pode parar.

Dá um Google aí

Isso aconteceu quando o Roger Waters, polêmico ex integrante do Pink Floyd, veio pro Brasil. Muita gente ficou extremamente surpresa por ele ser de esquerda e criticar ferozmente a extrema direita mundial no show, colocando o nome do atual presidente Jair Bolsonaro no telão como forma de protesto e alerta. Uau, quem diria que o álbum The Wall não era sobre construção civil? Surpreendente? Infelizmente, creio que não.

Claro que, às vezes, pessoas que não conhecem o artista acabam indo nos shows para acompanhar namorado (a), mãe, pai, tia, avó… Isso é absolutamente normal e compreensível. E legal, já que acabam virando fãs a partir disso, caso o show seja uma boa experiência. Mas tirando essas situações, pesquise sobre quem é que você vai assistir: ideologia política, quantos álbuns fez, estilo musical. Não pague mico. Só pague o ingresso. E a maldita taxa de conveniência.

Foto: Austin Distel  / Unsplash

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
Continuar Lendo

Trending