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Comportamento

As coisas que você só vê quando desacelera – Porque é necessário!

É quando você desacelera que enxerga com clareza como é possível curtir a vida nas pequenas nuances do dia-a-dia. No aqui e agora. Você entende o que é preciso para desacelerar?

Raissa Fernanda

Publicado

em

Yoann Boyer / Unsplash

A verdade é que a correria do dia a dia nos consome. Embora muitas vezes passe despercebido fomos condicionados a viver uma “vida produtiva” – não no sentido pleno da palavra – ser reconhecido no trabalho, ter uma boa alimentação, fazer uma pós-graduação, fazer exercícios físicos diariamente, não perder deadlines, meditar, lavar roupas e em alguns dos casos, cuidar dos filhes e muito mais. Mas acredite, isso é tema para um artigo inteirinho, pois infelizmente a palavra ‘produtividade’ é mal-interpretada em grande parte dos casos.

A ideia desse post veio com o termino de um livro muito especial chamado: ‘As coisas que você só vê quando desacelera’ e quero que você mergulhe nessa resenha comigo.

O livro

Esse livro foi escrito pelo mestre zen-budista sul coreano Haemin Sunim, onde compartilha uma série de pensamentos leves, muitos derivados de uma coleção de tweets que o monge faz em sua conta na rede social para tornar a vida de quem o acompanha mais tranquila e harmoniosa sempre com objetivo de conscientizar a respeito de curtir o momento presente e silenciar a mente.

Logo no início da leitura, se é recomendado que o livro seja lido de acordo o momento do leitor. Esse é o primeiro convite para que você desacelere e leia-o com calma, ou quando se sentir em calma, se assim preferir.

É um livro sobre atenção plena e autoconhecimento. Pode parecer chato até aqui, mas confie em mim, vai valer a pena.

Por que é preciso desacelerar?

Passamos grande parte da nossa semana esperando pela sexta-feira e temendo pela segunda. Cancelando compromissos para atender a outros. Agendando reuniões atrás de reuniões. Muitas vezes, passamos mais tempo no nosso trabalho do que dentro da própria casa. E isso é resultado do excesso de cobrança externa para que sejamos “bem-sucedidos”. Mas assim como o conceito de ‘produtividade’ o conceito de sucesso também é superestimado. No momento em que você passa a desacelerar e olhar com um pouco mais de atenção para você mesmo e para o mundo ao seu redor, seu conceito de produtividade e sucesso mudam.

O mundo é um espelho do que está na sua mente, desde os pensamentos positivos aos negativos. Uma citação do livro diz:

Quando nossa mente está alegre e compassiva, o mundo também está. 

O ato de desacelerar provém de silenciar as vozes externas e internas e observar o mundo à sua volta, mais importante, enxergar a você mesmo com compaixão. Observar o momento presente.

A prática da atenção plena – do inglês Mindfullness – tem benefícios cientificamente comprovados por grandes institutos de pesquisas e é possível dizer que sua aplicação no dia a dia pode beneficiar diferentes aspectos da sua vida.

Conhecendo a si mesmo, você passa a dar mais espaço em sua mente e coração para também conhecer ao próximo e é aí que se inicia o processo de empatia. Que em dias de redes sociais e devido à quantidade excessiva de exposição e opiniões requer dose dupla!

Para deixar na cabeceira

Cada capitulo nos traz uma diferente reflexão que deve – como aconselhado pelo próximo escritor – ser digerido com calma. Por esse motivo, é um excelente livro de cabeceira. Para as pessoas praticantes de Yoga recomendo a leitura matutina, por ser um grande impulsionador para o dia.

Repletos de ilustrações e frases acalentadoras, o escritor te leva para um lugar de paz mesmo em meio ao caos.

E por que tudo isso é importante afinal?

Porque somos constantemente desafiados a ser melhores versões de nós mesmos sem sequer ao menos conhecermos a nossa melhor versão. Como se fossemos todos avaliados e tivéssemos que nos aperfeiçoar de acordo a lente do outro. Para isso que tanto se fala de autoconhecimento.

De acordo OPAS (Organização Pan americana de saúde), em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram de depressão e ansiedade. Vivemos em um momento de saúde mental muito delicada e a chave para tratamento desse mal é o autoconhecimento e educação.

Silenciar a mente te permite, ouvir melhor. E quando você ouve você também aprende.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Comunicadora e produtora de conteúdo, decidi compartilhar meu conhecimento com o mundo e tecer devagarzinho de letras e cores um mundo melhor, começando por mim. E passando para(quem sabe) você.

Comportamento

A conexão humana frente à era tecnológica

Entenda porque tanto se fala da importância das soft skills e o primeiro passo para desenvolvê-las

Publicado

em

Foto: Rémi Walle / Unsplash

Após séculos e mais séculos de transformações e revoluções industriais apenas um fator comum de extrema importância permanece o mesmo: o capital humano. Atualmente, apesar do foco dado ao futuro tecnológico com o surgimento da Inteligência Artificial, Machine Learning, Realidade Virtual, IoT (Internet das Coisas) e automação dos processos, as pessoas ainda são as responsáveis por gerenciar essas novas ferramentas e, não podemos esquecer, quem consome o mercado. Principalmente nessa era digital em um mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), além de investir na capacidade dos colaboradores de acompanhar essas mudanças e se reinventar constantemente, as empresas devem prezar pela capacidade de conexão: conexão do indivíduo com ele mesmo, conexão com as pessoas e conexão com o negócio.

Se no surgimento das indústrias contratavam braços, com as revoluções industriais passaram a contratar mentes, agora contratam as pessoas pelo coração. Nunca se falou tanto no termo em inglês muito utilizado pelos RHs de empresas soft skills. Ao contrário do hard skills – competências técnicas – que podem ser aprendidas em uma sala de aula e facilmente avaliadas, o soft skills traduz as habilidades comportamentais como empatia, resiliência, comunicação, resolução de conflitos, tomada de decisão, liderança, entre outras, muito mais difíceis de serem mensuradas e desenvolvidas. Também são conhecidas como people skills (habilidades com pessoas) ou interpersonal skills (habilidades interpessoais), pois estão relacionadas à forma de se relacionar e interagir com as pessoas. São características pessoais que afetam diretamente na produtividade de toda a equipe.

Uma pesquisa da Você S/A revelou que somente 13% das demissões estão associadas às hard skills, enquanto 87% estão relacionadas a questões comportamentais, ou seja, à ausência de soft skills. Outra pesquisa, realizada pela Capgemini em 2017, diz que 60% das organizações estão insatisfeitas com as soft skills de seus colaboradores. O estudo verificou também uma crescente demanda por habilidades específicas entre os 1.250 executivos entrevistados (Capgemini, 2017):

Foco no cliente (65%): qualidade de atendimento e dedicação ao cliente;
Cooperação (64%): capacidade de trabalhar em equipe e assumir tarefas;
Aprendizagem contínua (64%): pensar “fora da caixa”, ou seja, aventurar-se além da zona de conforto para adquirir novos saberes;
Habilidade organizacional (61%): conhecimentos que os líderes devem dominar para lidar com situações complexas na rotina corporativa;
Habilidade de lidar com ambiguidade (56%): ser capaz de conviver com as ambiguidades e transformações inerentes ao meio corporativo é fundamental em um mundo cada vez mais VUCA;
Mindset empreendedor (54%);
Capacidade de promover mudanças (53%).

Está latente a importância do foco em mudança de comportamento. Por isso, é essencial – tanto para empresas quanto para os colaboradores – fazer um mapeamento para descobrir quais são as competências pessoais necessárias em cada cargo e também olhar para o momento e cultura da empresa para depois desenvolvê-las.

Como indivíduo, para identificar as próprias habilidades é preciso trabalhar o autoconhecimento, que pode ser feito de diversas formas como: refletindo sobre suas atitudes, pedindo feedback, por meio de avaliações de perfil comportamental, processos de desenvolvimento pessoal, que ajudam a reconhecer o seu potencial e desenvolvê-lo. Outra maneira é mergulhando em atividades que exijam essas habilidades e praticá-las sempre que surgir oportunidade. Por exemplo, quer praticar sua empatia, escuta ativa e flexibilidade? Procure conversar com pessoas totalmente diferentes de você ou que tenham opiniões contrárias. Faça tudo de forma consciente.

Para ajudar, as soft skills mais requisitadas são: Comunicação e Negociação, Liderança, Controle emocional e Resiliência, Trabalho em equipe, Solução de problemas, Gestão do tempo, Criatividade, Proatividade, Empatia, Pensamento crítico, Confiabilidade e Disposição para ensinar.

E aí? Por onde você pode começar?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento

O particular de cada dia

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos.

Julie Damame

Publicado

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Foto: Aarón Blanco Tejedor / Unsplash

Ao final do ano, proponho uma meta: melhorarmos a nós mesmos. Não só quanto a nossa essência, subjetiva e/ou egoísta, mas, também, quanto à forma como impactamos – direta ou indiretamente – terceiros. Nossos julgamentos, nossos preconceitos, nossas crenças que, muitas vezes, mitigam/ferem certos grupos sociais. Até mesmo, sem que nós percebamos!

Por exemplo: quando ouvirmos/curtimos músicas com letras ofensivas e discriminatórias! O autor Diogo Silva Manoel, em seu artigo “Música para historiadores: [Re] pensando canção popular como documento e fonte histórica” (2014), conclui que “a canção é uma interlocutora de acontecimentos culturais e sociais no mundo contemporâneo”. Ou seja, quando celebramos ao som de músicas que segregam, inferiorizam ou geram violência, acabamos aceitando ou normalizando esse tipo de comportamento.

Convergindo na mesma ideia, Marcos Napolitano, no livro “História e Música” (2005), teoriza que a música serve como fonte para pesquisa e um recurso didático para o ensino de humanidade em geral (história, sociologia, línguas etc.). Desse modo, tem sido “termômetro, caleidoscópio e espelho não só das mudanças sociais, mas sobretudo das nossas sociabilidades e sensibilidades coletivas mais profundas”.

Particularmente, acredito que a análise social é possível de ser observada em qualquer gênero musical e em qualquer nacionalidade. No entanto, mesmo que a letra incorpore um padrão de comportamento social real, do cotidiano, não significa que este não seja inapropriado.

Igualmente ocorre quando assistimos a certos programas de televisão, filmes e séries. Quantas vezes não foi dado mídia a discursos machistas, misóginos, LGBTQIA+fóbicos ou racistas, até como piada?

            Ou, ainda, quantas vezes vemos personagens/papéis que representam e enaltecem a pluralidade sociocultural e econômica?

As pesquisadoras Claudia Rosa Acevedo, Jouliana Nohara e Carmen Lídia Ramusk, em “Relações raciais na mídia: um estudo no contexto brasileiro”, relatam que “geralmente, as interações entre a população negra e a branca dizem respeito às situações de trabalho ou negócios. Raramente elas estão representadas em ambientes familiares. Além disso, as pesquisas revelam que, na maior parte das vezes, existe um desequilíbrio de poder ou de status socioeconômico na interação entre brancos e negros. Tal desequilíbrio é operacionalizado a partir das diferenças entre vestimentas ou profissões”.

Seguem: “os negros são apresentados com vestimentas mais simples ou em profissões subalternas. Verificou-se também que, quando as interações são mais equilibradas, é mais comum que ocorram entre crianças dos dois grupos raciais ou ainda entre crianças negras e adultos brancos. As pesquisas específicas no contexto da propaganda revelam que são pouco frequentes as cenas em que os dois grupos interagem ou ainda em que o negro é apresentado sozinho ou com outros membros de seu grupo (Bowen & Schmid, 1997; Bristor e col., 1995; Da Silva & Rosemberg, 2008; Hae & Reece, 2003; Taylor e col., 2005; Taylor & Stern, 1997)[…]. De modo geral, os estereótipos são marcados por traços de sensualidade, erotismo, criminalidade e feiura (Chinellato, 1996; Da Silva & Rosemberg, 2008; Pinto, 1987)”.

Isto posto, será que não internalizamos certos comportamentos preconceituosos por conta das representações constantes a que somos submetidos? Influenciando nossas análises, compreensões de mundo, relacionamentos e discursos?

Todos esses questionamentos poderão ser levados como metas para o ano que vem, da mesma maneira que planejamos objetivos profissionais ou amorosos.

Inclusive, entendo que a mudança em nós mesmos seja fundamental para uma sociedade harmônica e progressiva. Pois, o nosso particular tem a capacidade de intervir na existência em si do outro. Todos os dias.

Destarte, devemos repensar atitudes, comportamentos e sistemas de consumo que não se atentam aos direitos humanos e à dignidade de grupos socioculturais e econômicos. Estejamos nós compreendidos a eles ou não.

E, por fim, a palavra fundamental para o sucesso da nossa meta: empatia. Que no fundo, nada mais é que: respeito e compreensão para com o próximo.

É uma palavra muito simples de se dizer, contudo, bastante difícil de se transmutar em atitudes diárias, mas façamos um esforço!

Feliz ano novo! Feliz novo você!

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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