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Comportamento 3 MIN DE LEITURA

As coisas que você só vê quando desacelera – Porque é necessário!

É quando você desacelera que enxerga com clareza como é possível curtir a vida nas pequenas nuances do dia-a-dia. No aqui e agora. Você entende o que é preciso para desacelerar?

Raissa Fernanda

Publicado

em

Yoann Boyer / Unsplash

A verdade é que a correria do dia a dia nos consome. Embora muitas vezes passe despercebido fomos condicionados a viver uma “vida produtiva” – não no sentido pleno da palavra – ser reconhecido no trabalho, ter uma boa alimentação, fazer uma pós-graduação, fazer exercícios físicos diariamente, não perder deadlines, meditar, lavar roupas e em alguns dos casos, cuidar dos filhes e muito mais. Mas acredite, isso é tema para um artigo inteirinho, pois infelizmente a palavra ‘produtividade’ é mal-interpretada em grande parte dos casos.

A ideia desse post veio com o termino de um livro muito especial chamado: ‘As coisas que você só vê quando desacelera’ e quero que você mergulhe nessa resenha comigo.

O livro

Esse livro foi escrito pelo mestre zen-budista sul coreano Haemin Sunim, onde compartilha uma série de pensamentos leves, muitos derivados de uma coleção de tweets que o monge faz em sua conta na rede social para tornar a vida de quem o acompanha mais tranquila e harmoniosa sempre com objetivo de conscientizar a respeito de curtir o momento presente e silenciar a mente.

Logo no início da leitura, se é recomendado que o livro seja lido de acordo o momento do leitor. Esse é o primeiro convite para que você desacelere e leia-o com calma, ou quando se sentir em calma, se assim preferir.

É um livro sobre atenção plena e autoconhecimento. Pode parecer chato até aqui, mas confie em mim, vai valer a pena.

Por que é preciso desacelerar?

Passamos grande parte da nossa semana esperando pela sexta-feira e temendo pela segunda. Cancelando compromissos para atender a outros. Agendando reuniões atrás de reuniões. Muitas vezes, passamos mais tempo no nosso trabalho do que dentro da própria casa. E isso é resultado do excesso de cobrança externa para que sejamos “bem-sucedidos”. Mas assim como o conceito de ‘produtividade’ o conceito de sucesso também é superestimado. No momento em que você passa a desacelerar e olhar com um pouco mais de atenção para você mesmo e para o mundo ao seu redor, seu conceito de produtividade e sucesso mudam.

O mundo é um espelho do que está na sua mente, desde os pensamentos positivos aos negativos. Uma citação do livro diz:

Quando nossa mente está alegre e compassiva, o mundo também está. 

O ato de desacelerar provém de silenciar as vozes externas e internas e observar o mundo à sua volta, mais importante, enxergar a você mesmo com compaixão. Observar o momento presente.

A prática da atenção plena – do inglês Mindfullness – tem benefícios cientificamente comprovados por grandes institutos de pesquisas e é possível dizer que sua aplicação no dia a dia pode beneficiar diferentes aspectos da sua vida.

Conhecendo a si mesmo, você passa a dar mais espaço em sua mente e coração para também conhecer ao próximo e é aí que se inicia o processo de empatia. Que em dias de redes sociais e devido à quantidade excessiva de exposição e opiniões requer dose dupla!

Para deixar na cabeceira

Cada capitulo nos traz uma diferente reflexão que deve – como aconselhado pelo próximo escritor – ser digerido com calma. Por esse motivo, é um excelente livro de cabeceira. Para as pessoas praticantes de Yoga recomendo a leitura matutina, por ser um grande impulsionador para o dia.

Repletos de ilustrações e frases acalentadoras, o escritor te leva para um lugar de paz mesmo em meio ao caos.

E por que tudo isso é importante afinal?

Porque somos constantemente desafiados a ser melhores versões de nós mesmos sem sequer ao menos conhecermos a nossa melhor versão. Como se fossemos todos avaliados e tivéssemos que nos aperfeiçoar de acordo a lente do outro. Para isso que tanto se fala de autoconhecimento.

De acordo OPAS (Organização Pan americana de saúde), em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram de depressão e ansiedade. Vivemos em um momento de saúde mental muito delicada e a chave para tratamento desse mal é o autoconhecimento e educação.

Silenciar a mente te permite, ouvir melhor. E quando você ouve você também aprende.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Correspondente Internacional e Produtora de conteúdo, com 7 anos de experiência em Marketing e Comunicação Social, decidi compartilhar meu conhecimento com o mundo e tecer devagarzinho de letras e cores um mundo melhor, começando por mim. E passando(quem sabe) para você.

Comportamento 2 MIN DE LEITURA

Por que temos tanto medo de errar se dizem que errar é humano?

Como trabalhar esse sentimento que nos paralisa e impede de alcançarmos nossos objetivos

Publicado

em

Foto: Andre Hunter / Unsplash

O medo de errar é um sentimento que aprendemos a carregar desde a nossa infância. Tudo começa quando fazemos algo de errado – ou não da maneira 100% correta – quando crianças e muitas vezes recebemos olhares de desapontamento ou desaprovação. Depois vamos para a escola onde somos avaliados por meio de provas e atividades nas quais os erros são vistos como fracasso e não colocados como um princípio para aprendizagem. De forma bem grosseira, o lema no colégio geralmente era ‘demonstre ser inteligente e faça de tudo para não parecer burro’.

Quantas vezes deixamos de perguntar uma dúvida para os professores com medo de sermos julgados pelos colegas? Ou mesmo hoje na fase adulta, durante as reuniões, quantas vezes deixamos de expor opiniões por achar que podem não ser relevantes?

O medo é um paralisador de conquistas e gera uma ansiedade enorme. Tememos os erros e procuramos evitá-los ao máximo mesmo que custe a nossa felicidade. Percebem? Muitas vezes escolhemos ficar dentro da zona de conforto, mesmo que signifique abandonar nossos sonhos ou que a situação esteja ruim – pois, de certa forma, já estamos familiarizados e acostumados com a situação. Então deixamos de arriscar, de ver o que poderíamos ganhar, conquistar, viver, pela possibilidade de fracasso. Possibilidade, o que significa que é um medo criado e não real.

Enfrentando os nossos medos

Particularmente, eu não gostava de expor minhas ideias em público, por medo de ser julgada, de não ser “boa o bastante”, mesmo que me custasse ter visibilidade, oportunidades, e hoje vejo minhas publicações ou participações em palestras e treinamentos, por exemplo, como uma conquista enorme. Percebo que muitas vezes nem tudo sai como planejado, mas essa é a graça. Estou aprendendo a deixar-me ser vulnerável e assim percebi que só com a prática conseguimos mudar algumas crenças que temos sobre erros e acertos.

Pense: Qual é o significado que a palavra ERRO tinha para você? E agora?

Abaixo listei algumas sugestões que podem ajudar você a lidar com situações críticas:

• Perceba de onde vem o medo. É uma questão de insegurança? Observar isso pode ajudar você a analisar o que falta / deve ser trabalhado para seguir em frente.
• Como estão seus pensamentos sobre a situação? Muitas vezes surgem os medos criados por imaginarmos tudo o que pode dar errado ao invés do contrário.
• Pergunte-se: Caso tudo dê errado, o que pode acontecer?
• O que você ganha enfrentando/trabalhando esse medo? O que você perde se não enfrentar?
• Trabalhe seu modelo mental a respeito de erros e acertos. Mude a forma como você enxerga seus erros.
• Se errar, seja gentil com você e entenda que faz parte do processo.

Novamente aqui entra a resiliência, que é a nossa capacidade de lidar com os nossos problemas, de superar obstáculos mesmo diante de situações adversas e aprender com isso. Falo sobre o tema aqui.

Cada tentativa falha, cada erro, cada luta nos mostra algo sobre nós mesmos e aprendemos com isso. Nossos erros, principalmente, são convites para reflexão. E mesmo as piores falhas são evidências de que tentamos, são provas da nossa bravura por nos deixarmos ser vulneráveis.

Lembre-se de um momento que você superou os seus medos. O que você aprendeu com ele?

Quero saber a resposta!
analucia@trevo360.com.br | @trevo360

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento 2 MIN DE LEITURA

A polêmica dos corpos reais

Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas.

Paula Akkari

Publicado

em

Foto: Lethu Zimu / Unsplash

No fim de dezembro, os feeds de notícias ficaram saturados pelos compartilhamentos de uma postagem de marca de cosméticos contendo uma mulher negra de biquíni com celulites à mostra.

Apesar de a imagem estar longe de ser original, é relativa novidade que a indústria da beleza se preocupe em divulgar imagens de corpos minimamente coerentes com a realidade. Eis a dinamicidade capitalista: o mercado é adaptável às demandas. Muitos nomes souberam se apropriar do desejo de desconstrução de ideais de aparência vigentes, posição em destaque desde a primavera feminista. Adicionalmente, muitas dessas empresas ganharam visibilidade devido aos elogios segmentos liberais dos movimentos.

Tais concepções, a serviço do capital ou não, refletem a incongruência do real com o (nem tão) antigo modelo estético, inevitavelmente fadado à falência. O que é feito para atrair um nicho consumidor é um dos sintomas da insustentabilidade dos padrões de ser.

Mas, haveria vitórias no microcosmo ou novidades transformadoras de épocas? A representatividade mostra-se insuficiente,  as ficções midiáticas alienantes compõem os processos de subjetivação de todos, sendo especialmente tóxicas para mulheres, pessoas negras, trans, gordas e/ou pobres. Quanto aos costumes relacionados à vaidade, são naturalizadas as mutilações, cirurgias e despesas demasiadas. O processo de gostar da própria imagem não é consequência delas, mas por diversas vias, um alvo cruelmente bombardeado.

Assim, cada episódio empoderador é passível de comemoração. Obviedades, infelizmente não redundantes, devem ser ressaltadas: corpos são de todos os tamanhos e cores; apresentam assimetria, odores, secreções, texturas, gorduras, estrias, celulites, espinhas, manchas, cicatrizes, pelos…

As constituições físicas, em suas autenticidades, são as materialidades no mundo, o intermédio de cada ser com o exterior. A elas devemos todas as experiências sensoriais, cada alimento saboreado, música ouvida, paisagem vista, orgasmo atingido.

Cuidar do corpo é um dos caminhos para a merecida paz com ele. Essa prática, diferente do modista “autocuidado” simpático ao status quo, consiste em promoção de saúde. Exemplos de ações caras são, conforme a viabilidade de cada rotina, dormir uma quantidade de horas diárias próximas a sete, manter a alimentação saudável (incluindo a ingestão do que gosta), entrar em contato com o sol com proteção e praticar atividades físicas – o hábito aumenta a disposição e a imunidade, diminui o estresse, melhora a postura e fortalece as articulações.

Os ambientes virtuais e físicos, ademais, são variáveis relevantes aos encaminhamentos. Nem toda toxidade é evitável, entretanto, vale deletar das redes sociais os perfis que obstaculizam desenvolvimentos e ignorar/rebater falas contraproducentes. Outra benevolência é a evitação ativa de comparações com terceiros – elas nem ao menos fazem sentido, afinal, são entre diferentes sujeitos.

Por fim, vale a reflexão a respeito do tempo e do esforço em encaixar-se em padrões já desmascarados, ou estar bem apesar deles. Como seria mais bela, criativa e simples a vida livre da ditadura em que estamos inseridos. Pensemos em tudo o que faríamos quando desprovidos de pressões estéticas. Pois façamos desde agora.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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