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Cultura 2 MIN DE LEITURA

O discurso social por trás da música AmarElo

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro, canta Belchior no sample recentemente usado pelo rapper Emicida na música AmarElo em que participam os cantores Majur e Pabllo Vittar. 

Raissa Fernanda

Publicado

em

Recentemente o Rapper Emicida trouxe ao mundo uma música que causou demasiado alvoroço na internet. O video trata com agressão e certa delicadeza a história de pessoas periféricas em situação de depressão. Com isso, abre-se o video clipe com uma introdução bastante comovente em áudio gravado que dá inicio à canção:

“Às vezes eu me sinto muito mal, mano. Eu sinto medo de ter feito escolhas erradas a ponto de não poder mudar mais, tá ligado? (…) É foda, irmão, é tipo uma doença essa porra, mano. Parece que essas porra de remédio não adianta merda nenhuma. Mais de um ano, quase dois anos tomando essa porra. Sei lá, eu só precisava falar alguma coisa pra alguém mesmo, mano.”

Se você ainda não assistiu, tira um minutinho para conferir!

Quais são as histórias por trás do clipe

Foram abordados histórias de pessoas que superam a situação periférica e mesmo em situação de depressão eles recomeçam suas vidas. O clipe é uma  lição de resistência.

Muitos comentários no Twitter, enfatizaram o quanto o clipe choca. Mas como dito pelo também rapper Projota em uma entrevista:

“[…] Na sociedade de hoje é oxigênio saber que a gente ainda se importa com a dor do outro”

Falar de depressão e suicídio nunca foi um assunto exclusivo do rap. Muitos gêneros da música já abordaram o tema de diferentes formas. A diferença é que no Rap as pessoas encontram as palavras certas para expressar a realidade de suas vidas periféricas.  Conheça mais dessas e muitas outras histórias aqui. 

A música como instrumento de conscientização

Não é de hoje que a música tem tido papel fundamental na vida das pessoas. Tanto pela beleza e arte quanto cientificamente pode trazer benefícios físicos. O rap, assim como o hip hop, são instrumentos de discursos sociais sobre a luta das minorias de classe e raça.

O discurso de AmarElo intensifica com força a frieza apresentada nas estatísticas da desigualdade no Brasil, onde a cada 23 minutos, um jovem negro é morto – de acordo com relatório do Mapa da Violência, de 2014 – e, não para por ai a cada 20 horas, um LGBTQIA+ tem morte extremamente violenta, vítima de assassinato em mais de 72% dos casos ou de suicídio (em 24%).  Com a introdução de Majur e Pabllo Vittar, grandes ícones representantes desse movimento o trecho:

“Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Elas são coadjuvantes, não, melhor, figurantes, que nem devia ‘tá aqui
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Tanta dor rouba nossa voz, sabe o que resta de nóiz?
Alvos passeando por aí
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Se isso é sobre vivência, me resumir a sobrevivência
É roubar o pouco de bom que vivi
Por fim, permita que eu fale, não as minhas cicatrizes
Achar que essas mazelas me definem, é o pior dos crimes
É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóiz sumir”

É sobre conscientizar aqueles que escutam que a dor do outro importa e que deve ser ouvida. Por que é importante. Pessoas são importantes, sejam elas pretas, brancas, gays, transsexuais, periféricas ou qualquer outro rótulo ou genero.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Correspondente Internacional e Produtora de conteúdo, com 7 anos de experiência em Marketing e Comunicação Social, decidi compartilhar meu conhecimento com o mundo e tecer devagarzinho de letras e cores um mundo melhor, começando por mim. E passando(quem sabe) para você.

Literatura 2 MIN DE LEITURA

Por que ler?

As leituras, tão plurais em gêneros, são, além de formas de entretenimento, ferramentas de formação de saber e senso crítico.

Paula Akkari

Publicado

em

Foto: Priscilla Du Preez / Unsplash

No dia 15 de setembro de 2017, o escritor Valter Hugo Mãe publicou em seu Facebook a seguinte afirmação: “Antes de ler, a bênção de todo o conhecimento ser possível. Em alguns minutos, posso não ter regresso de uma pessoa subitamente nova.”

É caro seu apontamento de que as leituras, tão plurais em gêneros, são, além de formas de entretenimento, ferramentas de formação e enriquecimento pessoal.

Tal afirmação deveria ser uma obviedade, entretanto, na atual conjuntura, é uma fala condenável: o governo desestimula saberes como os da leitura, seus seguidores sugerem que livros são “esquerdismos”. 6,8% da população brasileira é analfabeta, e o método de ensino de adultos mais eficiente e é considerado “comunista”. Uma ilustração risível deste desserviço quanto ao tema é a fala de Jair Bolsonaro, no dia 03/01/2020, sobre livros didáticos: “os livros hoje em dia, como regra, é um amontoado… Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo.”.

A recusa da leitura não é em todos os casos justificável por alienação devido ao contexto ao qual o sujeito está inserido. Logo, vale ressaltar que ler não é “marxismo cultural”. Seus benefícios não são ideológicos ou moralistas.

Eis cinco consequências que ler propicia:

  • Promoção saúde cerebral: A Universidade Emory considera que a leitura atua como uma atividade física mental que afeta principalmente a memória. Como exemplo, o hábito de previne demências, entre elas, o Mal de Alzheimer;
  • Aumento da capacidade de foco: Diferente de atividades de possível realização enquanto outra é simultaneamente executada, ler é uma atividade que exige concentração. Assim, essa maneira de agir será treinada e transposta para tarefas nas quais atenção é condição para produtividade e qualidade;
  • Enriquecimento linguístico: Ler é uma forma leve de expandir o vocabulário e aprender as regras gramaticais e semânticas. Tais conhecimentos são úteis em qualquer situação de comunicação verbal;
  • Melhora da qualidade do sono: A leitura é uma das atividades indicadas tanto para higiene de sono quanto ocupação durante a insônia – principalmente sob luz amarela e em um ambiente diferente do no qual o sujeito dorme;
  • Promoção de empatia: Ler é contatar cosmos e sentimentos inimagináveis, por vezes, a única maneira de conhecê-los;

Por fim, se há vontade de início ou fortalecimento do hábito de ler, seguem 10 dicas para tal:

  • Leia o que você gosta, não o que você consideraria interessante apreciar. Se não haver prazer ou recompensa imediata, será mais difícil que o hábito faça sentido a curto prazo
    Se você não sabe do que gosta, experimente o máximo de gêneros e estilos possíveis;
  • Também descubra onde você gosta de ler, se é em casa, em um lugar aberto ou em locais onde há trânsito de pessoas;
  • Encaixe o momento da leitura perto do de uma atividade já estabelecida, como depois de almoçar ou antes de dormir;
  • Estipule um tempo crescente para dedicar-se, não uma meta de páginas ou capítulos. A quantidade de leitura não diz sobre a absorção de seu conteúdo;
  • Fique longe do celular. O ter em vista já é um fator de desconcentração;
  • Procure pessoas com quem possa conversar sobre as leituras indicar outras;
  • Pesquise bibliotecas, sebos ou interessados em trocas. Comprar livros novos não é a única alternativa, tampouco a mais inclusiva;
  • Desconsidere comentários que desvalorizem seu interesse;
  • Comemore cada passo.
*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Eventos 1 MIN DE LEITURA

Murakami por Murakami: o pop art do artista japonês

Exposição originária do Astrup Fearnley Museet, em Oslo, vem pela primeira vez a América do Sul e vai até 15 de março.

Helena Trevisan

Publicado

em

Foto: Alex Maeland

O Instituto Tomie Ohtake trás para São Paulo a Murakami por Murakami, exposição individual do artista japonês Takashi Murakami, fundador do termo Superflat, movimento que mescla arte tradicional com cultura pop.

Além de vídeos mostrando o trabalho do artista como cineasta para parcerias, produzindo um vídeo clipe com Kanye West e desenvolvendo clipes publicitários para a Luis Vuitton, a mostra trás mais quatro segmentos da obra de Murakami.

Seu personagem Mr. DOB, que deriva da palavra japonesa “dobojite” (por quê?), representa em diversas obras, de vários estilos, a cultura nipônica popular, sua planificação e o capitalismo.

Sempre muito ligado e referenciando mangás e animes, o artista, com o passar do tempo e de seu desenvolvimento, cria um planeta de DOB, retratando ameaças nucleares e o perigo ambiental.

Ligado ao Zen Budismo, Murakami retrata mestres como Soga Shōhaku e Hakuin Ekaku, e Daruma, sacerdote indiano fundador da religião. Mostrando, juntamente, imagens e símbolos tradicionais do Japão, como dragões e demônios, e animais bastante simbólicos na cultura nipônica, como leões e tigres, podemos perceber a referência constante do artista à pintura tradicional.

Tomando as obras de Francis Bacon como referência, o artista, desde 2002, produz uma série de pinturas com essa temática. Podemos observar o uso de ícones presentes em grande parte de suas obras, como personagens criados por ele, olhos e caveiras. São obras de grande densidade e múltiplas camadas de cores, postas sobre folhas de platina. Sempre presente, seu personagem Mr. DOB também é retratado, variando entre a monstruosidade e a delicadeza.

Apresentando seus autorretratos, foram escolhidas duas esculturas folhadas a ouro com o cão Pom sempre ao seu lado e também outra, em tamanho natural, com elementos robóticos e feita de silicone que, sozinha, com certeza, já valeria a visita a essa grande exposição.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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