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Finanças 3 MIN DE LEITURA

Riscos, perdas e ganhos

Para fazer uma boa economia, você deve ter em mente que as pessoas são humanas

Tatiana Perez

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em

Foto: Chris Liverani / Unsplash

Diariamente tomamos cerca de 3500 decisões. Muitas delas podem ser delegadas a outras pessoas, decididas com base em valores pessoais ou também por impulso. A razão pode nos orientar a nos esforçarmos para controlar as emoções, mas é difícil conseguir em muitas  vezes, como quando você vai ao supermercado com fome e acaba comprando mais comida do que do que deveria.

Entendendo que nossas decisões possam ser influenciadas pela emoção, Richard Thaler, economista da Universidade de Chicago, passou a estudar a psicologia dentro da economia e a maneira na qual as emoções afetam as decisões econômicas individuais e o comportamento dos mercados. Uma premissa básica de suas teorias é: “Para fazer uma boa economia, você deve ter em mente que as pessoas são humanas” e o tomador de decisão apresentará um viés em favor de manter o status quo do que aceitar uma alternativa a ele. Richard inclusive ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2017 pelas pesquisas tão inovadoras.

O que são heurísticas?

“Heurística é um procedimento simples que ajuda a encontrar respostas adequadas, ainda que geralmente imperfeitas, para perguntas difíceis. A palavra vem da mesma raiz que heureca” (Kahneman, 2012, p. 127). Ou seja, heurísticas são métodos criados pelo cérebro com o objetivo de solucionar um problema ou fazer uma escolha. São processos cognitivos e associações utilizados na tomada de decisão, através de estratégias e atalhos que ignoram parte da informação com o objetivo de tornar a escolha mais rápida e fácil utilizando vieses. Grande parte desse processo ocorre sem nem mesmo termos consciência deles. Vamos falar um pouco sobre um conceito muito intrigante, a aversão a perdas.

O que é aversão à perdas?

Segundo Khaneman, a dor de perder R$ 100 é um sentimento mais poderoso do que a alegria de ganhar R$ 100. Nós sentimos mais profundamente os possíveis custos e falhas de uma maneira mais forte do que potenciais benefícios e recompensas.

Desta maneira, quando tomamos decisões em investimentos, na maioria das vezes focamos nos riscos associados a ele, mais do que os ganhos em potencial. Um exemplo prático desta heurística é quando tendemos a não tomar decisões financeiras que envolvam perda, como vender uma ação ou uma casa que desvalorizou muito mais do que o valor de aquisição, pois tal decisão envolveria reconhecer a perda e admitir uma falha. Basicamente, manter posições perdedoras e também se desfazendo das vencedoras antes do tempo.

“Aversão à  perda se refere ao prazer e dor antecipados. O pensamento de aceitar a grande perda certa é doloroso demais, e a esperança de completo alívio, atraente demais para tomar a decisão sensata de que chegou a hora de diminuir prejuízos…[ ]. Como a derrota é tão difícil de aceitar, o lado que está perdendo nas guerras muitas vezes contina a lutar muito depois do ponto em que a vitória do outro lado já é certa, é apenas uma questão de tempo.” (Kahneman, 2012, p. 398).

Devemos ter consciência de que corremos riscos pela possibilidade de perdas e ganhos. Sem riscos (por menores que sejam) não há investimento. Nosso dever é mitigar a possibilidade de perda estudando profundamente sobre o assunto e nos informando de várias maneiras, inclusive conversando com pessoas mais experientes e com maior vivência de mercado.

Ter consciência de que a perda é real e faz parte do jogo ajuda, assim evitaremos o pânico quando os papéis caírem 1% em um dia, uma vez que você estudou a empresa e sabe da possibilidade dela em melhorar no longo prazo. A paciência é uma das principais virtudes dos investidores.

Quando não nos arriscamos, temos o benefício de evitar a dor, porém, se estivermos dispostos a desenvolver a angústia da incerteza, os benefícios podem ser maiores e o desfecho pode ser mais positivo. Sair do controle do medo de deixar antecipadamente uma posição e viver a experiência de reconhecer o momento certo de sair de um negócio, traz maior mais expertise, mesmo que seja por meio dos erros.

KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: duas formas de pensar. Trad. Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Tatiana Perez é Tecnóloga em TI e graduada em administração de empresas pela Coventry University, Inglaterra. Apaixonada por inovação, tecnologia e aviação, passou a traduzir artigos acadêmicos e outros materiais da área. Possui vivência internacional de 11 anos entre Emirados Árabes e Indonésia, maior pólo de startups do mundo.

Finanças 2 MIN DE LEITURA

Comprar ações ou apostar na Mega-Sena?

Quem aposta frequentemente faz por diferentes motivos: ambição, diversão, emoção. Que tal direcionar o hábito para a compra de ativos financeiros?

Tatiana Perez

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em

Foto: Dylan Nolte / Unsplash

Apesar de meu avô ter ganho há muitos anos atrás um prêmio fracionado da loteria federal, eu não havia me atentado a jogos até me juntar pela primeira vez com o pessoal do trabalho em um bolão da Mega-Sena da Virada, dezembro passado.

Fiquei pensando na racionalidade da coisa. Sabendo que a aposta mínima para 6 números da Mega-Sena custa R$ 4,50, que os jogos correm duas vezes por semana, e ainda que o ano tem 52 semanas, logo, uma pessoa que joga frequentemente gasta cerca de R$ 468 ao ano em apostas neste jogo.

A probabilidade de ganho para a sena é 1 em 50.063.860 ou 0,00000002%. Podemos também comparar a probabilidade de ganhar na mega sena a outros eventos, como a chance de receber na primeira mão um Royal Flush no poker (todas as 5 cartas seguidas do mesmo naipe na sequência de Ás, Rei, Dama, Valete e Dez) que é de 1 em 649.740. Quantos casais você conhece que tiveram filhos quadrigêmeos? A probabilidade é de 1 caso a cada 700.000 gestações de acordo com a literatura médica.

Como a grande maioria dos jogadores não ganha prêmio na Mega-Sena, o valor da aposta não apresenta retorno algum para o jogador. Ok – parte do valor arrecadado com as apostas é repassada ao governo federal, que pode realizar investimentos nas áreas de saúde, segurança, cultura e esporte, porém como o objetivo da pessoa que faz uma fezinha é melhorar de vida, vou comparar o uso do dinheiro com a compra de ações e a valorização das mesmas.

Vamos imaginar que eu tenha juntado os mesmos R$ 468 no final de 2018 e comprado ações do Fleury, uma das maiores e mais tradicionais empresas de medicina diagnóstica do País. As ações de ticker FLRY3* negociadas no dia 19/12/2018, custariam R$ 18,90 cada unidade na abertura do mercado. A mesma ação no dia 19/12/2019 estava valendo R$ 29,75 e meu dinheiro teria se valorizado 57,41%. O Fleury é uma Small Cap, categoria de empresas com valor de mercado entre 300 milhões e 2 bilhões de reais e com menor volume de negociações em bolsa, consequentemente menor liquidez. Atualmente Fleury faz parte do Índice Small Cap do Ibovespa.

Talvez seu apetite seja para empresas ainda mais sólidas ou deseje diversificar (recomendado não colocar todos os ovos em uma só cesta). As ações da Itaúsa negociadas pelo ticker ITSA4*,  de Setembro a Dezembro de 2019 compuseram 3,15% do Índice Bovespa, e caso fossem adquiridas no mesmo dia 19/12/2018, estavam cotadas a R$ 10,96 e em 19/12/2019 atingiram o valor de R$ 13,98 representando uma alta de 27,55%.

Ainda poderíamos acrescentar à valorização dos dois papéis o pagamento de juros sobre capital próprio e outros proventos que são pagos esporadicamente.

A compra nos casos acima, precisaria ser no mercado fracionário, onde as ações são adquiridas de maneira unitária e não em lote. Como podemos ver, investir não é algo somente possível com grandes valores disponíveis, apenas requer adequação de orçamento e um pouco de pesquisa no ativo a ser escolhido. A escolha das empresas para o exemplo não representa recomendação de compra, pois apenas profissionais devidamente certificados estão autorizados a fazê-lo. É recomendado ao investidor que adote uma estratégia de compra e diversificação dentre as muitas existentes. Uma estratégia muito utilizada é a escolha de empresas que apresentam bons resultados por meio de indicadores fundamentalistas e um bom site para consulta de informações financeiras das empresas listadas na bolsa de valores é o FUNDAMENTUS.

*Nota: Não foram encontrados registros históricos de ações fracionadas. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Finanças 1 MIN DE LEITURA

Comprar Dólar, Euro ou Bitcoin? Veja o que é mais pesquisado no Brasil

SEMrush divulga estudo para entender o comportamento dos brasileiros em relação a cotações de moedas em buscadores como Google e Bing

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André François McKenzie / Unsplash

Até para comprar ou avaliar os investimentos em moeda estrangeira, ou no bitcoin, um das primeiras ações que os brasileiros fazem é consultar os buscadores. Estudo divulgado pela SEMrush, da qual o Jornal 140 teve acesso, procurou entender o comportamento dos brasileiros em relação a cotações de moedas em buscadores como Google e Bing entre janeiro e outubro deste ano.

Segundo o estudo, as buscas pela cotação do dólar representaram o maior interesse dos brasileiros, com 10,5 milhões de pesquisas. Em seguida, com 3,4 milhões de buscas, apareceu a cotação do euro e o bitcoin, com 1,2 milhão de buscas.

Houve um aumento repentino pela palavra bitcoin em maio de 2019: saltou para 110 mil pesquisas mensais, um crescimento de 82% em relação ao mês anterior, que contava com 60,5 mil buscas. Segundo os autores do estudo, um dos motivos foi a valorização da moeda no período, que teve o maior pico dentro do último ano.

Reproduzimos a declaração de Daniel Coquieri, COO da Bitcoin Trade: “O Bitcoin começou o ano com uma cotação na casa dos 3.500 dólares. Em abril, tivemos uma grande valorização, acumulando cerca de 25% em 30 dias. Isso foi noticiado pela mídia especializada no assunto. Já em maio, o movimento se intensificou e a moeda valorizou mais de 60%. Nesse momento, a notícia alcançou outros veículos e a moeda voltou novamente para ‘a boca do povo’. Apesar das correções dos últimos meses, o Bitcoin ainda está com uma valorização acumulada de 100% em relação ao preço de janeiro. Isso comprova o crescente interesse pela moeda no Brasil e no mundo”, aponta o especialista.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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