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Comportamento

O fenômeno “hikikomori”: os eremitas do século 21

A palavra japonesa quer dizer literalmente “isolado em casa”.

Sergio Kulpas

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Foto: Yuta Onoda

Existem algumas condições psicológicas que parecem definidas pela cultura de uma população ou pelas condições geográficas de uma sociedade. Por exemplo, o termo “amok” é usado pela psiquiatria para nomear uma síndrome que consiste em uma súbita e espontânea explosão de raiva selvagem, que faz a pessoa afetada ataque e mate indiscriminadamente pessoas e animais que aparecem à sua frente, até que o sujeito se suicide. A palavra veio de “meng-âmok”, que na Malásia significa “atacar e matar com ira cega”. Há vários outros termos que surgiram de diversas culturas e representam comportamentos específicos.

Neste século, um novo termo chama a atenção: “hikikomori”. A palavra japonesa quer dizer literalmente “isolado em casa”. Hikikomori se refere a uma crescente população de eremitas modernos – primariamente no Japão, mas também se espalhando por outros países da Ásia. São em sua maioria homens, entre 15 e 40 anos, que simplesmente decidem abandonar o convívio social e se tornarem reclusos em suas casas, ou até mesmo seus dormitórios.

As estatísticas variam muito, por motivos óbvios. Estima-se que os hikikomori sejam entre 500.000 a impressionantes 10 milhões de pessoas no Japão. Os números oficiais são muito baixos, porque esses indivíduos se escondem da sociedade, e fica complicado registrar sua real existência. São reclusos que a partir de um determinado momento (ou um incidente) simplesmente deixam de sair de casa, obtendo tudo que precisam para viver pela internet ou telefone. Em muitos casos, os hikikomori passam vários anos sem se atrever a sair de casa.

Até há pouco tempo, pensava-se que os hikikomori eram um fenômeno exclusivamente japonês, relacionado com a cultura do país: pessoas muito tímidas que não conseguem se relacionar e enfrentar uma sociedade com alto grau de cobrança, com regras sociais muito rígidas e codificadas. Mas os casos estão se espalhando pelo mundo. Na vizinha Coreia do Sul, uma pesquisa de 2005 já detectou que cerca de 33.000 adolescentes retraídos não saíam nunca de casa. Em Hong Kong, um estudo de 2014 apontou que quase 2% da população podem ser considerados hikikomori. E não apenas na Ásia: casos estão começando a surgir nos Estados Unidos, Espanha, Itália, França e outros países do Ocidente.

As pesquisas sobre o fenômeno são muito controversas, mas um tema parece recorrente: a influência das tecnologias modernas sobre o desejo de isolamento. As comunicações digitais estariam substituindo os contatos humanos reais, e o isolamento permitiria uma “bolha de segurança” para pessoas introvertidas e tímidas, que se sentem intimidadas pelas expectativas e cobranças das escolas e locais de trabalho.

A situação é vista com preocupação pelas famílias e autoridades japonesas. Em algumas cidades, foram criados centros de ajuda dedicados aos hikikomori, para estimular o contato dessas pessoas com o mundo externo e interessa-las em atividades do cotidiano, como fazer compras em lojas, frequentar escolas e trabalhar fora de casa.

A tecnologia também pode ajudar os eremitas a mudar sua condição. A crescente interconexão dos mundos online e off-line oferece algumas saídas: no Japão, o jogo para smartphone Pokemon Go estimulou alguns hikikomori a sair de casa para caçar os bichinhos virtuais do jogo.

Mesmo assim, é uma situação muito complexa, que não dá sinais de melhora. Segundo o especialista Saito Tamaki, a real população de hikikomori no Japão pode superar 10 milhões de pessoas. Saito também alerta que a condição não afeta apenas adolescentes e jovens adultos: seus estudos indicam que há muitos hikikomori com mais de 50 anos.

Saito diz que é difícil realizar uma contagem precisa dos reclusos, porque muitos deles vivem com seus pais e não precisam se preocupar questões de abrigo e alimentação. Por conta disso, os reclusos permanecem trancados em casa, até chegar à meia-idade ou mesmo a velhice. Saito diz que existe o “problema 80/50” relacionado aos hikikomori: pessoas na casa dos 50 anos que vivem com seus pais na casa dos 80 anos.

Saito observa que a sociedade japonesa dá muito valor ao envolvimento das pessoas em grupos, mas não valoriza os indivíduos. Pessoas que não se sentem à vontade para se envolver com atividades sociais se sentem inúteis, desprezadas pela sociedade.

Saito disse que em países com forte senso de individualismo como os EUA ou a Inglaterra, onde é incomum que os filhos adultos vivam com seus pais, o problema parece menor. Mas há muitos jovens sem-teto nesses países, que também vivem um tipo de isolamento social.

Saito aponta que a solução para esse problema deve partir das famílias dos reclusos. Uma atitude que estimule o hikikomori a buscar mais independência pode dar resultado, mesmo que isso signifique negar o conforto do lar para uma pessoa assustada com o mundo. Os grupos de ajuda também estão se multiplicando no Japão e outros países da região. Segundo Saito, se os pais forem firmes e decididos a ajudar, o hikikomori pode romper gradualmente seu isolamento e recuperar o contato com a sociedade exterior.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Sergio Kulpas é escritor e jornalista, com 25 anos de atividade em redações. Passou pela Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio, Meio & Mensagem e vários sites especializados em comunicações e mídia.

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Comportamento

A era do “capitalismo de vigilância”: a matéria-prima somos nós

Na nova era capitalista, a sociedade está separada em dois grupos: os que vigiam e os que são vigiados.

Sergio Kulpas

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Foto: Matthew Henry / Unsplash

Em seu livro “The Age of Surveillance Capitalism – The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power”, a autora Shoshana Zuboff define o termo logo na introdução: “Ca-pi-ta-lis-mo de Vi-gi-lân-cia”, substantivo. 1) Uma nova ordem econômica que considera a experiência humana como matéria-prima gratuita para práticas comerciais ocultas de extração, previsão e vendas; 2) Uma lógica econômica parasitária onde a produção de bens e serviços está subordinada a uma nova arquitetura mundial de modificação de comportamentos; 3) Uma mutação selvagem do capitalismo marcada por imensas concentrações de riqueza, conhecimentos e poder, em níveis inéditos na história humana; 4) A estrutura fundamental de uma economia baseada em vigilância; 5) Uma ameaça tão significativa para a natureza humana no século 21 quanto o capitalismo industrial foi para o mundo natural nos séculos 19 e 20; 6) A origem de um novo poder instrumental que exerce domínio sobre a sociedade e apresenta tremendos desafios para a democracia do mercado; 7) Um movimento que que busca impor uma nova ordem coletiva baseada na certeza absoluta; e 8) Uma expropriação de direitos humanos essenciais que pode ser compreendida como um golpe de cima para baixo: a derrubada da soberania das pessoas.

Zuboff diz que o capitalismo de vigilância funciona através da oferta de serviços “gratuitos” que bilhões de pessoas usam de modo alegre e despreocupado, e que permitem que os donos desses serviços monitorem o comportamento dos usuários com um altíssimo (e alarmante) nível de detalhes. E na maior parte do tempo, essa extração de dados sensíveis ocorre sem o conhecimento ou permissão das pessoas.

A autora diz que o capitalismo de vigilância explora as experiências humanas como matéria-prima gratuita, que é minerada e transformada em dados comportamentais. Uma parcela desses dados é usada para aprimorar os serviços, mas o restante alimenta processos produtivos que usam “machine intelligence” para prever o que as pessoas vão fazer agora e no futuro. Esses produtos de dados pessoais são então comercializados em um “mercado de futuros” de informações comportamentais. Os capitalistas de vigilância estão se tornando imensamente ricos com esse comércio de dados, já que um grande número de empresas paga muito bem por essas previsões de comportamento.

Nesse cenário, empresas como Google, Facebook, Amazon e outras aparecem como predadores ferozes que fazem os capitalistas dos séculos 19 e 20 parecerem personagens românticos. Esses novos capitalistas lucram arrogantemente com apropriação de dados privados das pessoas, como se fosse um recurso natural gratuito, de coleta livre. E usam métodos patenteados e secretos para processar esses dados, mesmo quando os usuários negaram explicitamente a permissão para isso. Para completar, os produtos lucrativos são obtidos por meio de tecnologias deliberadamente ocultas, que se aproveitam da ignorância dos usuários.

Para tornar as coisas ainda mais complicadas, esse modelo de exploração emergiu a partir de um território praticamente sem leis. O Google decidiu por conta própria que ia digitalizar e arquivar todos os livros já publicados, sem se preocupar com questões de direitos autorais. Também decidiu que ia fotografar todas as ruas e casas do mundo, sem pedir permissão a ninguém. O Facebook criou os “Beacons”, relatórios de atividades online das pessoas, que eram publicados na timeline de outras pessoas, sem o conhecimento do usuário. Esses e muitos outros exemplos de violência digital na vida privada das pessoas, usando o lema “é mais fácil pedir desculpas depois do que permissão primeiro”. As empresas avançam agressivamente na coleta de dados pessoais, e quando são flagradas fazendo isso, emitem “comunicados oficiais” se retratando e prometendo melhorar. Mas não melhoram, e ainda criam novos meios para continuar com a mesma atividade antiética e ilícita.

É essa combinação de vigilância estatal com o reforço das empresas capitalistas que cria a atual divisão na sociedade humana: os “observadores” e os “observados”, vigilantes e vigiados, exploradores e explorados (o capitalismo em sua essência clássica). Essa dinâmica atual tem consequências muito funestas para a democracia, porque essas assimetrias de conhecimento se transformam em assimetrias de poder. As sociedades democráticas ainda mantêm alguns mecanismos de controle e supervisão sobre as atividades dos governantes, mas as mega-empresas capitalistas não estão sujeitas a praticamente nenhum controle.

Essa situação não oferece uma solução simples, porque mexe justamente com a lógica de acumulação de riquezas do capitalismo de vigilância. Não existe a menor possibilidade de “auto-regulamentação” por parte dessas empresas. E Zuboff escreve em seu livro que exigir proteção à privacidade por parte dos capitalistas de vigilância seria o mesmo que exigir que o velho Henry Ford no começo do século 20 produzisse cada automóvel “Model T” à mão, um por um. É como pedir que uma girafa encolha seu pescoço, ou que uma vaca pare de pastar. Essas exigências são ameaças existenciais aos mecanismos básicos que sustentam esse modelo de exploração econômica.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Comportamento

As espiãs nunca vistas

As mais temidas espiãs em tempo de guerra e que (quase) ninguém foi capaz de reconhecer.

Julie Damame

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Foto: RyanMcGuire / Pixabay

“Não seja comum”.

Essa pequena frase ficou na minha cabeça por dias, depois de eu ter assistido a série “The Bletchley Circle: San Francisco” (Assistam!). A série de suspense acompanha a vida de quatro mulheres que ocuparam altos cargos na 2ª Guerra Mundial, em equipes de decodificação, espionagem, construção de armamentos e estratégia, e que, após o conflito, com o retorno dos homens, foram dispensadas da atuação em atividades que envolvessem segurança nacional.

Decidiram, então, iniciar um trabalho de elucidação de crimes considerados irresolúveis, para provar o valor e a capacidade que elas possuíam, especialmente, para a sociedade.

A narrativa traz um elemento muito interessante: analisar a complexa situação das mulheres que ocuparam posições com responsabilidades ainda mais significativas que seus maridos e/ou conhecidos durante a guerra, e que, para o “bom funcionamento social”, tiveram que permanecer em silêncio no pós-guerra, por exigência dos seus governos.

A realidade pode até ter sido um pouco diferente da narrativa da série, especialmente porque a maioria dos que participaram dos programas de segurança nacional, em territórios inimigos, não voltou. Contudo, os livros “The Wolves at the Door: The True Story of America’s Greatest Female Spy” (Judith L. Person), “Sisterhood of Spies” (Elizabeth P. McIntosh) e “Young, Brave & Beautiful” (Tania Szabo)” bem comprovam o papel fundamental que essas mulheres ocupam na história.

Casos como o da Virginia Hall, Princesa Noor-un-Nisa Inayat Khan, Violette Reine Elizabeth Bushell, Barbara Lauwers, Amy Elizabeth Thorpe, Maria Gulovich, Julia McWilliams Child, Marlene Dietrich, Elizabeth P. McIntosh, Genevieve Feinstein, Mary Louise Prather, Juliana Mickwitz, Odette Sansom Churchill, Josephine Baker, Hedy Lamarr, Nancy Grace Augusta Wake, e de muitas outras mulheres, inspiram.

Elas são as personificações do “não seja comum”; ou melhor, o de ser o que quiser e não o que se espera de você. Inclusive, quanto a participação em serviços ditos como, majoritariamente, masculinos.

Entre as inúmeras espiãs conhecidas, Virginia Hall se destaca, por conta do vasto conteúdo que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) dispõe a seu respeito, em seu site. Seguem alguns trechos que merecem menção (livre tradução):

“Natural de Baltimore, Virginia Hall Goillot é, talvez, mais conhecida por seu serviço heroico nas Operações Especiais Executivas Britânicas e no Escritório Americano de Serviços Estratégicos, durante a 2ª Guerra Mundial, contudo, é na CIA, que ela passou mais tempo. Uma das poucas mulheres relativamente seniores do serviço clandestino, ela trabalhou em vários setores da CIA até a sua aposentadoria compulsória, em 1966, quando tinha 60 anos. Virginia fez de TUDO, apesar de ter uma perna protética de madeira, que ela chamou de Cuthbert”.

“O historiador britânico M. R. D. Foot a apelidou de “agente indomável com um pé de bronze”. O oficial do Executivo de Operações Especiais (SOE), Philippe de Vomécourt, escreveu que ele serviu na França com essa “mulher extraordinária…com uma perna de madeira”. O autor francês Marcel Ruby disse que ela perdeu a perna em um acidente com um cavalo. Outros a fizeram perder um membro depois de cair embaixo de um bonde. O ex-oficial da CIA, Harry Mahoney, descreve uma missão da OSS, na qual ela saltou de paraquedas atrás das linhas inimigas com sua “perna de pau na mochila”. A autora e ex-oficial da OSS, Elizabeth P. McIntosh, escreveu que ela desembarcou na França de barco. A Gestapo, polícia secreta nazista, colocou sua imagem em um cartaz de “procurada” e, uma vez, como a “mais perigosa entre os espiões aliados” (Judith L. Pearson. Guilford, CT: The Lyon Press, 2005, página 324).

Sua reputação fala por si. Virginia escolheu um caminho cheio de sacríficos e dificuldades, mas sua vontade de atuar no meio diplomático, impulsionou seu desejo. Teve que se condicionar a andar sem mancar para não chamar atenção, aprendeu mais de quatro idiomas, ajudou a treinar batalhões para a resistência francesa, foi correspondente e informante, livrou espiões que haviam sido capturados e executou a maior rede de auxílio em território inimigo.

No final, “os britânicos fizeram dela, membro do Império Britânico. Os Estados Unidos, concederam a ela, o reconhecimento “Distinguished Service Cross”, por heroísmo extraordinário em conexão com operações militares contra o inimigo, a única mulher civil a receber essa medalha pelo serviço da Segunda Guerra Mundial”.

Infelizmente, pouco se conhece sobre o Brasil e suas espiãs também. Temos, como exemplos, Estela Borges Morato e Jean Sarkis.

A Conferência Nacional de Polícia Política, em 1943, tratou de assuntos como espionagem, contraespionagem, métodos de reconhecimento de agentes inimigos, técnicas de investigação e de interrogatório, e discutiu, sincronicamente, se o país poderia conceder às mulheres o papel de espiãs. Esse assunto foi muito bem analisado no artigo “Gênero e Serviço Secreto”, do autor Thiago da Silva Pacheco.

Essa conferência acabou chegando a uma despicienda conclusão: “Muitos dizem, sorrindo, que a mulher é um mal necessário. Não se pode viver com elas, mas tampouco viver sem elas. Esta última afirmação parece especialmente acertada no que se refere ao trabalho de espionagem. Verá o senhor que as mulheres tomavam uma parte importante em quase todos os trabalhos de espionagem mais importantes registrados na história” (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Conferência Nacional de Polícia Política. Fundo DESPS, Notação 921, página 55).

Complementa Thiago: “Dependendo de seu desempenho, [as mulheres] poderiam alcançar status enquanto agente importante numa instituição fundamental para a sustentação do Estado, e até mesmo gozar de influência e respeito entre autoridades policiais e líderes dos grupos sociais postos sob vigilância”.

A título de comparação, em 1945, o governo brasileiro infiltrou Jean Sarkis no Partido Comunista. Ela acabou sendo presa como uma subversiva e, para não ser descoberta, recusou-se a usitar suas conexões com policiais para sair da prisão. Ficou encarcerada por dois anos, sofrendo severas punições.

Ao sair, Jean conseguiu o respeito do Partido Comunista e, ao mesmo tempo, uma posição de destaque na Polícia Política, sendo considerada uma das espiãs mais bem-sucedidas do país:

“A requerente, de fato, colaborou, eficiente e patrioticamente com as autoridades deste Departamento (…) nas suas tarefas, se houve com tão elevado espírito de renúncia que, por ocasião da prisão da comunista Maria Afonso Martins, em companhia de quem se achava, e do que resultou a condenação de ambas, preferiu não revelar sua posição neste Departamento, evitando, assim, que a situação daquela agitadora fosse atenuada. Cumpriu mais de dois anos de prisão, durante a qual continuou prestando relevantes serviços, pois, elevada à condição de heroína do partido, suas possibilidades em informar aumentaram, ensejando este Departamento diligências proveitosas” (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Fundo Polícias Políticas. Pront. GB 22.327).

Ou seja, no Brasil ou no mundo, independentemente de quais foram as razões que possibilitaram às mulheres tais posições de trabalho – que, definitivamente, no início, eram puro retrato de uma estrutura social machista e conservadora –, permitiu que muitas delas pudessem quebrar tabus, abrir o mercado de trabalho para outras e redefinir seus papéis sociais à época.

Em 2018, quando Gina Haspel foi nomeada a primeira diretora da CIA, em meio a muita discussão por conta da sua trajetória profissional, ela admitiu, enfaticamente, sua dívida para com todas as “heroínas que nunca buscaram aplausos do público”. Por estas mulheres, mencionando Virginia Hall, foi possível sua nomeação, que desafiou barreiras e estereótipos de gênero.

Assim, apesar de serem espiãs nunca vistas, são parte de uma parcela de mulheres que segue nos permitindo ampliar nossos horizontes.

Precisamos dessas mulheres, cada vez mais.

Não sejamos comuns.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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