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Séries

Good Omens: divinamente humano

Série ficcional da Amazon Prime mostra de forma irônica como o Céu e o Inferno são extremamente parecidos.

Jéssica Patrine

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Divulgação

Imagine o seguinte: a Terra foi criada por Deus com um prazo de validade de seis mil anos, que culminará no Armagedom. Tudo que aconteceu faz parte de um plano supostamente perfeito e inefável. Céu e Inferno se dedicam duramente a isso durante milênios. O Anticristo foi enviado à Terra quando bebê e se tornou uma criança de 11 anos com um poder imenso de destruição. Mas e se um anjo hedonista e um demônio sensível fossem amigos e tentassem sabotar o plano divino? O que aconteceria? Caso tenha ficado curioso, este é o enredo de “Good Omens”, série da Amazon Prime, que é baseada no livro homônimo de Neil Gaiman e Terry Pratchett. Aqui no Brasil, a obra literária é traduzida como “Belas Maldições”. Se isso ainda não te convenceu a assistir, te darei cinco motivos para dar o play na série agora:

1. “Beelzebub has a devil put aside for me”

A trilha sonora da série é um prato cheio para os fãs de Queen. As músicas da banda estão presentes nos trailers e durante todos os episódios. As canções ajudam a aumentar ainda mais as emoções das cenas, seja quais forem, e têm grande importância na narrativa. Principalmente quando toca “Bohemian Rhapsody” e, mais ainda, quando começam os acordes de “Somebody to love”. Fora isso, as canções originais, criada por David Arnold, são ótimas e complementam maravilhosamente as cenas.

2. Demônios amam?

Esqueça todo aquele estereótipo bíblico sobre demônios. Crowley, interpretado por David Tennant, é sensível, curte rock clássico, pratica jardinagem (mesmo que seja de um jeito nada convencional), ama a Terra e faz de tudo por seu melhor amigo anjo, Aziraphale. Mesmo que tenha sido enviado à Terra para espalhar o caos e garantir que o Armagedom aconteça, ele não liga muito para que o Inferno quer.  É muito fácil gostar do personagem das trevas e querer que ele fosse um amigo próximo. Então sim, demônios amam, mesmo que não admitam isso.

3. Anjos podem ser cínicos

Aziraphale, o anjo de Deus, enviado à Terra para realizar milagres e ficar de olho na influência demoníaca. Nesse meio tempo, o anjo se tornou um bon-vivant: gosta de comer, possui uma coleção gigantesca de livros e ama lugares requintados. Ele é, aparentemente, o estereótipo angelical. Mas não se engane pela carinha fofa, interpretada por Michael Sheen. Aliás, Aziraphale é o personagem mais expressivo da série: as expressões faciais mudam rapidamente e sem parecer forçado. Ele realmente é um bastardo adorável.

4. Belos detalhes

Para quem gosta de prestar atenção nos looks, a série é um prato cheio. Todos os personagens possuem roupas que conseguem traduzir a ideia do que são sem parecer caricato. E como a série acompanha o desenvolvimento da humanidade por seis mil anos, então é possível ver roupas de diferentes épocas e estilos. Crowley é adepto da seguir a moda humana, o que faz com que o personagem varie bastante de roupa e penteados de cabelos durante os episódios. Anathema Device, ocultista interpretada por Adria Arjona, tem um estilo que mescla moda atual, retrô e tem um quê de mistério.

5. Poucos episódios

Como “Good Omens” é uma adaptação do livro, só tem seis episódios de aproximadamente 1 hora cada. E não, não terá segunda temporada. É realmente possível maratonar em um dia só e não ficar cansativo. Segundo Neil Gaiman, escritor do livro e roteirista da série, a série foi feita para ser vista como um filme de seis horas. Não fica cansativo, o ritmo da narrativa é agradável e sim, dá para ver com crianças. É ótimo para ver em família, sozinho ou com amigos.

Ainda não foi convencido a assistir “Good Omens”? Bom, acho que aí é um assunto pessoal entre você e Deus. Ou Lúcifer, vai saber…

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.

Jéssica Patrine é jornalista, nerd, leitora compulsiva e chocólatra. Não para de ouvir música, por isso escreve para o Ré Menor sobre o tema. Gosta de tudo um pouco, mesmo parecendo que não curta nada.

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Irmandade: prepare-se para ficar de queixo caído

Irmandade é a nova série da Netflix que aborda o sistema prisional, de maneira ficcional, mas muito bem embasada na realidade. Prepare-se, é pesadíssima.

Êrica Blanc

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Foto: Divulgação/Netflix

Impactada estou. Quando Irmandade apareceu na capa da Netflix, no fim de semana passado, a sinopse me ganhou de cara. Ultimamente, tenho visto muito mais produções nacionais e estou cada vez mais apaixonada pelos roteiros (como você pode ver por todas as outras recomendações nessa coluna). E, fico feliz em dizer de cara que Irmandade não me decepcionou nem um pouquinho. Pelo contrário, superou todas as expectativas e me fez tremer na base várias vezes.

A trama se passa em 1994 e gira em torno de uma família brasileira, onde os três filhos cresceram na periferia. Cristina é a filha do meio e a que vem mudando a história da família, já que é advogada formada e concursada no Ministério Público. Mas, seu irmão mais velho, Edson, é o chefe de uma facção que toca o terror na cidade, a Irmandade. Eles estão há mais de 20 anos sem se falar, quando Edson denuncia os maus tratos no presídio e Cristina é tocada pela situação. Ao tentar socorrer o irmão, acaba se metendo numa enrascada e vai parar como infiltrada da polícia dentro da facção do irmão.

Conflitos internos

Cristina, em Irmandade, é cheia de conflitos internos. Ao mesmo tempo que quer socorrer as pessoas que ama, o lado ético pega no pé e ela acaba se colocando em risco diversas vezes. Mas, a trama em si reforça que ninguém é bom ou mau 100%. Todos têm uma história e, na maioria das vezes, podem chegar a extremos que não gostariam por pessoas que amam. Essa realidade, por mais óbvia que seja, ainda é colocada a prova no nosso dia-a-dia. Abrimos a boca diariamente para julgar um ou outro, sem realmente ter conhecimento da situação.

Irmandade não conta conversa e joga na nossa cara a realidade prisional do nosso país que, claramente, só tende a piorar. Mostra a corrupção dentro da polícia e várias coisas que são de embrulhar o estômago e se questionar se nosso país tem solução. Confesso que só recomendo a série para quem tem o emocional forte e estômago de ferro mesmo. Porque é pesada em vários aspectos, principalmente nos dois últimos episódios.

Apanhado geral

Passei 6 episódios pensando “mas esse ator é a cara do seu Jorge”. Qual foi o tamanho da minha surpresa quando eu resolvi pesquisar no Google e descobri que o Seu Jorge é A-T-O-R. Se você já sabia disso, provavelmente está rindo da minha cara nessa altura do campeonato. Mas, confesso que eu não fazia a menor ideia. Só que ele é um super ator e Edson é um personagem que causa impacto, mesmo que ele acabe sendo meio secundário na trama. Também não conhecia a atriz principal, Naruna Costa, que também sustenta o peso da personagem com maestria.

Vá preparado: se você der play no primeiro episódio, vai ser difícil parar antes de acabar a temporada inteira. Ou seja, a série é extremamente envolvente e você já não sabe mais para quem deve torcer. Mas, digo isso porque alguns episódios realmente são pesadíssimos. E olha que eu amo a série Dexter, que tinha morte o tempo todo. É pesado em um nível que só a realidade brasileira consegue ser. Gostei muito e já estou ansiosa pela próxima temporada. E você, vai encarar?

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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Watchmen: quem vigia os vigilantes?

A história criada por Alan Moore mostra uma América que conviveu durante vários anos com esses mascarados vigilantes, até que um ato do governo proibiu essas atividades.

Paulo Gustavo Pereira

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Foto: Reprodução / Whachmen / HBO

A pichação vista em vários muros de Nova York nas páginas da já considerada clássica história em quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons, Watchmen, alertava subliminarmente que nem tudo do que estava acontecendo era realidade. Ou melhor dizendo, tudo o que estava e iria acontecer fazia parte de uma realidade onde a Humanidade um dia ouso torcer para heróis vigilantes e poderosos.

A história criada por Alan Moore mostra uma América que conviveu durante vários anos com esses mascarados vigilantes, até que um ato do governo proibiu essas atividades. Apenas um pequeno grupo continuou atuando secretamente em áreas de segurança nacional como o poderoso Dr. Manhattan, um físico nuclear que sofreu um acidente radioativo transformando num ser que pode moldar a matéria com a força de seu pensamento.

Tudo muda quando um dos vigilantes protegidos pelo governo americano, o Comediante, é assassinado. Durante a investigação feita por outros dois vigilantes, as pistas indicam um sinistro plano que pode por a segurança mundial em risco.

Moore, que nunca escondeu o fato de que não gosta muito de super-herois, apesar de ter feito sua carreira trabalhando para as duas grandes editoras americanas Marvel e DC, usou como fonte de inspiração para a trama principal de Watchmen, um episódio clássico da série Quinta Dimensão, dos anos 60. Em Arquitetos do Medo, um grupo de cientistas planejam usar o medo do desconhecido para unir a humanidade e assim, acabar com todos os conflitos entre países.

Se você não tiver tido a oportunidade de ler Watchmen, lançado no Brasil pela Abril nos anos 80, e neste século numa edição especial pela Panini, pode assistir a adaptação feita por Zack Snyder para o cinema, que praticamente usou os quadrinhos de Moore e Gibbons, como storyboard para seu filme lançado em 2009. Mesmo modificando a estrutura da trama final, Watchmen, O Filme é uma grande homenagem a essa história.

O que nos leva à série que está no ar pela HBO. Tomando como base todo o universo criado pelos quadrinhos, o roteirista e produtor Damon Lindelof mergulhou na ideia original para criar uma nova versão do que seria esse mundo onde os mascarados existiram. Damon foi roteirista de Lost e Star Trek – Além da Escuridão, e fez para a HBO a cultuada série The Leftovers, em 2014.

Ele cria uma história a partir do drama real que aconteceu em 1921, na cidade de Tulsa, em Oklahoma nos Estados Unidos, quando um levante provocado pelo branco da cidade, atacaram e chacinaram cerca de 300 negros em função de um incidente com um engraxate negro e uma ascensorista branca. A partir dessa premissa, que até hoje é uma mancha na história americana, Damon Lindelof cria a história da série.

As repercussões do massacre pareciam estar no passado distante. Mas um ataque brutal contra membros negros da polícia de Tulsa, põe em andamento uma nova crise racial. Membros da organização decidem atacar os policiais negros e seus familiares. Como resultado, todos os policiais passam a usar máscara para evitar retaliações dessa organização racista até que ela seja eliminada.

E aí que entra a justiceira mascarada Angela Abar, interpretada por Regina King, duas vezes vencedora do EMMY. Ela foi uma das policiais atacadas dentro de casa, decidindo abandonar a policia e viver uma vida dupla como mãe e dona de casa e justiceira mascarada. Ela tem apoio do chefe da polícia, interpretado por Don Johnson (Miami Vice), que a ajuda na busca de criminosos e um meio de acabar com a organização racista. Muita coisa vai mudar na vida da justiceira quando consegue impedir um violento ataque do grupo, que parece estar mais poderoso e violento.

Watchmen – A Série narra todos esses acontecimentos anos depois do exílio do Dr. Manhattan em Marte, e da aposentadoria de Ozymandias (Jeremy Irons) imposta a ele mesmo. O personagem por si só, parece estar envolvido em outro tipo de atividade, deixando de ser o herói que foi no passado e o articulador do plano que acabou levando para o exílio o dr. manhattan.

Pouco se pode falar sobre o que vai acontecer na série, segundo o próprio Damon Lindelof, que disse durante a ComicCon de Nova York que a série terá uma primeira temporada completa, mas não informou com quantos episódios. A estratégia não é apenas para manter o publico esperando o próximo episódio, mas para esperar surpresas além do filme e dos quadrinhos. E nesse caso, cabe muito bem, a pichação do gibi… Quem Vigia os Vigilantes… Nós, talvez?

Watchmen – todos os domingos a partir das 22hs, na HBO. Os episódios também estação disponíveis na HBO Go e no serviço ondemand da Claro, Now.

*O Jornal 140 não se responsabiliza pela opinião dos autores deste coletivo.
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